Måned: oktober 2006

Final-de-semana agitado

Final-de-semana agitado

Olá!

Este será um mega post, pois aconteceram tantas coisas neste final-de-semana que eu nem pude atualizar as notícias.

Quinta-feira, 26 de outubro:

Fomos de carro para Klæbu, onde os pais e avós maternos do Morten moram. No caminho, encontramos os primeiros sinais de neve e foi uma festa só, mesmo com um frio! Também passamos no Ligningskontor de Orkanger para ter certeza de que havíamos feito tudo certo para eu conseguir meu personalnummer e no «Detran» norueguês para saber como farei para tirar minha carteira de motorista norueguesa. Poderei usar a internacional que tirei no Brasil por um ano e depois terei que fazer apenas o exame prático – sem a parte da direção no gelo/óleo!

Antes de Klæbu, paramos em Trondheim. Uma cidade muito charmosa, com casinhas e prédios baixinhos e antigos, limpa e cheia de história. Como chegamos ao meio-dia e Morten tinha que tomar uma vacina às 13 hs, fomos dar uma olhada no shopping Trondheim Torg e na praça onde se realiza uma feira às vezes. Lá, há uma estátua do viking
Olav Trygvasson. Havia também uma manifestação pacífica do povo Tamil da Índia com o fim de atrair a atenção para os problemas que eles vêm atravessando. Depois da vacina, fomos conhecer a «Gamleby», a parte antiga da cidade. Atravessamos o Lykkensportal, cruzamos a ponte sobre o rio Nid e conhecemos a parte antiga. Lá há o primeiro elevador de bicicletas do mundo, uma idéia genial. Cafés em casinhas de madeira muito aconchegantes. Almoçamos em um deles, chamado Choco Boco. Depois, fomos à catedral de Nidaros. Uma catedral gigantesca, com vitrais e esculturas nas pedras e abóbadas altíssimas. Passeamos por dentro da catedral e foi uma experiência inesquecível. Acho que sempre que estiver em Trondheim vou querer passar por lá. Me senti dentro de um castelo medieval. Passeamos pelo parque que fica atrás da catedral, bebemos água sagrada de uma fonte que fica em um ponto de parada de peregrinos, fomos dar uma olhada no cinema para conhecer e partimos para Klæbu, que fica a 30 minutos de Trondheim. Fui MUITO bem recebida pelos pais do Morten. Eu já tinha a impressão de que iria gostar muito deles, e isso se confirmou. Até me soltei e conversei em norueguês algumas vezes, embora eles falem bem inglês, então não houve problemas de comunicação. No jantar provei carne de cordeiro com geléia de uma frutinha chamada tyttebær (adorei tudo). Às 20 hs, fomos todos juntos a Trondheim novamente, desta vez para assistir a uma apresentação musical em um festival chamado «Transform», que foi organizado pelo pai da namorada do irmão do Morten. Lá, conhecemos os dois e foi um concerto espetacular!!! Os primeiros a se apresentarem foram o «Trondheim World Music Ensemble», formado por músicos da Noruega, Gâmbia, Índia, Afeganistão, México, Chile e Noruega. Eles fizeram muitos espectadores dançar com uma mistura de salsa e violinos, além de músicas africanas e iranianas (Pata Pata, de Miriam Makeba, também, amei!). O segundo grupo a se apresentar foi o Trio Troika. Um  húngaro, um búlgaro  e um norueguês, que tocam baixo, violino e cimbal. Músicas clássicas e populares lindíssimas, com um toque cigano e um show muito bem humorado. Infelizmente tivemos que ir embora antes do final, pois o pai do Morten tinha que acordar cedo para trabalhar no dia seguinte.

Sexta-feira, 27 de outubro:

De manhã estava tudo branquinho, coberto de neve, então eu e o Morten fomos brincar um pouco. Adorei ouvir o barulhinho que a neve faz quando se pisa nela e fiquei surpresa ao sentir que a neve não é tão gelada de se tocar. Tentamos fazer um boneco, mas ele despencou antes de ficar pronto, haha. A mãe do Morten me deu duas sacolas de roupas que uma amiga dela queria doar. Vocês não acreditam quantas roupas boas e praticamente novas tinha lá. Só não fiquei com as pouquíssimas roupas que não serviram, mas, felizmente, esta amiga dela parece ser um pouco cheinha como eu, hehe. A mãe dele ainda foi lá de novo perguntar se ela tinha algum sapato para jogar fora e ela trouxe uma bota linda, que já usei muito por aqui.
À tarde fomos de ônibus (um ônibus muito confortável, por sinal) ao
City Syd, um dos maiores shopping centers da Noruega, muito parecido com os de São Paulo. O Morten queria achar um sapato para mim que fosse feito de material à prova d’água, e achamos um que pretendo usar no dia-a-dia (os sapatos do Brasil aqui não dão nem para o começo quando se trata de neve e frio). O pai do Morten nos deu carona na volta do trabalho e fomos conhecer os avós maternos dele, que também moram em Klæbu. Duas pessoas adoráveis, muito gentis e divertidas! Experimentei um prato típico da região chamado Sodd, com batatas cozidas e flatbrød. Estava delicioso! De sobremesa, provei o famoso Multekrem, uma mistura de creme de leite e uma frutinha chamada multe. Como se ainda não bastasse, tomamos café com um bolo chamado Verdens Beste, bolo de chocolate e sorvete! Agora, eu quero passar longe de uma balança, haha. Mas é tudo tão gostoso, que não dá pra ser mal-educada e recusar. Ganhei dois pares de meias de lã e um par de luvas chamadas de Selbuvotter tricotados pelo vovô. Ele adora tricotar e bordar, eu fiquei encantada com os trabalhos que ele fez, a vovó me mostrou. Inclusive, ele foi sondado para dar uma entrevista a um jornal sobre seu talento para trabalhos manuais e recusou, pois não queria atrair a atenção, que fofo!

Sábado, 28 de outubro:

Dia de compras. Eu, o Morten e o pai dele fomos à IKEA, a loja de móveis e utilidades domésticas mais popular por aqui. Eles vendem móveis, objetos e utensílios com o mesmo design dos vendidos pela Tok Stok de São Paulo, só que as lojas são bem maiores e têm maior variedade. Lá achamos umas coisinhas que precisávamos e depois fomos à «Fretex». É um tipo de bazar beneficente  onde o Exército da Salvação vende as coisas doadas. Aliás, sempre vemos nas ruas daqui grandes caixas onde as pessoas depositam roupas e sapatos «velhos» (que de velhos quase sempre não têm nada), que seguem para as «Fretex» espalhadas pela Noruega. Compramos uma mesa para a sala de jantar e quatro cadeiras, tudo quase novo. O pai do Morten me disse que muitos noruegueses enjoam dos móveis muito rápido e trocam tudo, daí o fato de acharmos muitas coisas quase novas.
Em seguida fomos ao hospital de Trondheim visitar o avô paterno do Morten, que fora internado alguns dias antes com um probleminha nos pulmões. Mesmo acamado, o vovô Johan estava muito bem disposto, conversou muito conosco e fez piadas, haha. Como eu gostei dele! Ele disse que quer me ver esquiando logo, vamos ver se eu consigo esta proeza. Agora só falta conhecer a avó, que não estava no hospital quando estivemos lá.
Ainda fomos ao «Coop Obs Bygg», uma loja que seria como a C&C, ou Telhanorte em São Paulo, onde se vende material de construção e para «faça você mesmo». Aliás, achamos pisos de cerâmica do Brasil, da marca «Eliane», hehe. Percebi que no Brasil há uma variedade bem maior de material de construção e acabamento do que aqui.
No jantar na casa dos pais dele, todos os irmãos e respectivas namoradas estavam presentes. A mãe dele fez carne de rena, e de uma forma que lembrou muito o nosso «Strogonoff». Achei esta carne deliciosa, como quase tudo que experimentei até agora. As únicas duas coisas que eu realmente não gostei foram «Rognbær» (uma frutinha) e «Lakris», uma bala feita de uma planta que todos parecem adorar por aqui. Estou procurando a pessoa que disse que a comida daqui é horrível. É impossível achar isso.

Domingo, 29 de outubro:

Último dia do final-de-semana e também último dia das férias do Morten. Acordamos e tomamos café-da-manhã com waffles, brunost (o famigerado «queijo marrom», que para mim, nada mais é que o doce de leite de copo que temos no Brasil na forma de queijo), rømme (uma espécie de creme de leite) e geléia de morango. No almoço, uma grande surpresa! Os pais do Morten convidaram todos para comer pizza na Tyholttårnet em Trondheim! O Morten me falou deste lugar quando ainda só conversávamos pela net e eu estava muito ansiosa pra conhecer. É uma torre de 74 metros de altura,  onde também funciona o escritório regional da rede de televisão NRK. Lá no alto, há um restaurante cujas paredes são de vidro do teto ao chão (o Morten me contou que a pessoa que forneceu os vidros correu em direção a eles e se atirou para provar que eles eram mesmo resistentes!). Temos uma visão panorâmica de toda a Trondheim e do mar. Mas, o mais genial é que o chão do restaurante lentamente gira, e depois de uma hora, damos a volta completa! Eles servem pizza na forma de buffet self-service, adorei a idéia e a pizza estava muito boa. Depois do almoço tão agradável, nos despedimos e seguimos viagem de volta a Frøya, com o carro carregado de coisas e muito cansados, mas muito felizes com tudo que fizemos nestes quatro dias.

Hoje é terça-feira e eu fico sozinha durante o dia, pois o Morten já voltou a trabalhar. Felizmente sempre arrumo coisas pra fazer e estou estudando norueguês enquanto não recebo a autorização para iniciar o curso gratuito. Já estou vendo empregos de meio-período e lentamente tento me ajustar à nova vida. Agora que a poeira abaixou, a vida começa pra valer. Que Deus me ajude a vencer.

Uma boa semana a todos!

Despedida dos amigos

Despedida dos amigos

Alguns dias antes da minha viagem, fui ao Mell’s, um barzinho na zona norte de Sao Paulo com meus amigos Sandro, Tina, Tamires e meu irmao Edson. Chegamos as 21 horas e so saimos a 1 hora da manha! Tudo bem que o Santos ganhou do Corinthians naquele dia, mas deixei passar, hehe…

Cheguei!!!

Cheguei!!!

Olá a todos!

Nem sei por onde começar, mas vou tentar.

Parti do Brasil em uma quinta-feira chuvosa e triste. Ter que me despedir do vovô, da Márcia, dos meus irmãos e do papai foi a coisa mais triste da minha vida depois de perder a mamãe. Mas eu agüentei firme e lá fui eu. Primeiro, um vôo de aproximadamente 12 horas de São Paulo para Munique, Alemanha. Depois, 3 longas horas de espera no aeroporto (nenhum estresse, carimbaram meu passaporte sem problemas depois que lhes mostrei o papel da UDI), um vôo de Munique até Oslo. Lá, um pequeno imprevisto. Tive de recolher a bagagem e despachá-la novamente. Mera formalidade, mas que não estava no script. Pra complicar, a alça de uma das malas emperrou e não queria baixar de jeito nenhum. O funcionário do aeroporto de Gardermoen, após tentar consertar a alça com força, pediu então para eu me dirigir até a sessão de bagagens especiais. Não desisti. Parei em um cantinho e pedi a Deus para me ajudar com a mala. E, claro, fui atendida. Consegui consertar a alça em 10 segundos e voltei com a mala para despachá-la. Problema resolvido, esperei pelo vôo derradeiro que enfim me levaria a Trondheim, onde meu amor estava me esperando com uma linda rosinha cor-de-laranja.

Paramos em um café para comer um lanchinho e seguimos para a ilha. 3,5 horas de carro. Não estava tão frio como eu havia imaginado e o sol brilhava entre as montanhas que circundavam a estrada para a ilha. Chegada tranqüila, tive uma ótima primeira impressão de tudo mesmo. Hoje é meu quarto dia aqui e eu já fiz o seguinte:

Comi pizza de carne moída com champignon (cada um é 4 vezes maior que o de São Paulo!), pimentão, cebola e queijo feta (hummmm, que pizza deliciosa!)

Fui ao Coop, a maior rede de supermercados da Noruega. Quase igual à São Paulo, só que menor. Ah, eles tem mamão papaia do Brasil e Fanta de abacaxi!

Fiz uma caminhada de 1 hora pelas redondezas e encontrei ovelhinhas selvagens. Tentamos ir à igreja, mas estava fechada.

Hoje, fui à Polícia (que fecha aos sábados e domingos!!!) e peguei meu visto. Também já fui ao Ligningskontor e pedi um personalnummer, uma espécie de carteira de identidade ou CPF norueguês. E também já me informei sobre aulas de norueguês (estrangeiros que fixam residência aqui têm que ter um número mínimo de aulas do idioma) e já tenho o telefone da professora.

Nada mau para os primeiros 4 dias, não?

Acompanhei pela rede de televisao NRK1 a campanha para arrecadar fundos de auxílio para a Organizacao «Leger Uten Grenser» (Médicos Sem Fronteiras) e fiquei impressionada com a mobilização de todos, tanto aqui na ilha como na Noruega inteira. É algo como o «Criança Esperança» ou o «Teleton», mas, além de simples doações por telefones, algumas crianças e jovens venderam geléia, brinquedos, pinturas e reverteram a renda para a «aksjon». Admirável.

Quando houver mais novidades, eu volto. Ha det bra!!!

Já está chegando a hora…

Já está chegando a hora…

Olá a todos que me visitam!

Esta é a última vez que escreverei no blog aqui de São Paulo. Em algumas horas embarcarei para um país novo, onde meu namorado me espera. Estou muito ansiosa, com medo de ir parar no Iraque (!), mas, muito, muito feliz. Ontem me despedi de mais amigos e hoje de manhã também. O triste momento das despedidas começou, mas estou olhando a tudo positivamente e certa de que, com a tecnologia de hoje, não terei problemas em manter o contato com meus queridos familiares, amigos e alunos.

Então, oficialmente e virtualmente me despeço de vocês somente até daqui a alguns dias. Pretendo escrever aqui constantemente, relatar meus primeiros momentos e minha fase de adaptação.

Ha det bra!

Os últimos preparativos

Os últimos preparativos

Olá!

Como escrevi no meu msn, ‘a ficha está caindo’, ou seja, agora estou começando a entender a dimensão do que estou prestes a fazer. Não bate arrependimento, não. Apenas frio na barriga por que eu vou fazer algo que nunca fiz antes e não tenho idéia do que me espera. Já estou com a passagem marcada, mas prefiro manter o sigilo aqui na net. Meus familiares e amigos mais próximos já sabem. Quarta-feira fui com duas alunas minhas a uma padaria que abriu aqui perto e saboreamos uma deliciosa variedade de pães, salgadinhos e docinhos. Era tudo o que eu queria, pude ‘me despedir’ das guloseimas brasileiras e bater um agradável papo com minhas alunas que, após quase 10 anos, se tornaram amigas, e em certos casos, ‘mãezonas’, pois infelizmente já perdi a minha. Na quinta-feira à noite, fui a um barzinho estilo americano com meu irmão, um casal de alunos e a filha deles. Tiramos até fotos que postarei quando recebê-las. Em breve irei novamente para Brodowski, a mesma cidade que visitei em maio, lembram? Ainda bem que estou conseguindo organizar tudo e sobrará um tempinho para eu viajar, espairar a mente e me preparar para a brusca mudança.

Além dos encontros com alunos, fui ao médico, ao dentista, paguei minhas contas, comprei quase todas as lembrancinhas e agora faltam pouquíssimas coisas para resolver. Uma coisa chata aconteceu: o casaco que eu havia mandado lavar na tinturaria foi estragado pelo funcionário. O dono do estabelecimento prometeu pagar por um novo, que eu até já achei. Semana que vem eu espero que isso se resolva. Na verdade, nesta semana que passou tive alguns pequenos aborrecimentos como este, mas não deixei que me abalassem.

Quando houver mais novidades, eu volto! Bom final-de-semana!

A árdua tarefa de arrumar as malas

A árdua tarefa de arrumar as malas

Oi!

Sábado chuvoso em Sampa, nada melhor para se fazer do que ficar em casa. Então, resolvi efetivamente separar tudo que pretendo levar. Coloquei todos os pequenos objetos na mesa de centro e as roupas em uma grande pilha no sofá. Mandei um conjunto e um casaco de cashmere para lavar, mas ainda não foram entregues. Pensei em levar uma mala grande que comprei e mais uma menor, além de uma mochila como mala de mão. Resolvi colocar apenas roupas na mala menor, pois não é tão reforçada. Na maior, coloquei, além de algumas roupas todos os meus cosméticos, sapatos, bolsas (tenho o maior xodó pelas minhas bolsas, mas infelizmente terei que deixar algumas aqui para levar da próxima vez). A mala pequena ficou bem feitinha, o peso ficou aparentemente dentro do permitido (cerca de 15 kg). A outra maior acho que está quase raspando no limite (o agente de viagens falou que eu posso levar duas malas para despachar, de 32 kg cada uma). Então, para garantir, decidi não levar mais a mala pequena, e sim uma média que tenho aqui e é meio velhinha. E ainda preciso comprar algumas coisas do Brasil que vou levar, algumas comidinhas, café, presentes, essas coisas. Estou contente por que creio que vou conseguir levar tudo que quero, e não terei que pagar excesso.

Semana que vem vou basicamente cuidar de algumas coisas pessoais e também vou almoçar com umas alunas e ir a um barzinho com alguns amigos. Ainda não defini a data da viagem, mas já estou quase fechando uma passagem. Graças a Deus está dando tudo certo até agora.

Sinto muito pelo acidente com o avião da Gol no Mato Grosso. Claro que bate um certo medo saber que as aeronaves estão vulneráveis a acidentes mas, acho que se começarmos a pensar em tudo que pode dar errado, acabamos não fazendo nada nesta vida. Como já dizia Doris Day: «Que será, será». Ah, vou colocar esta música na trilha do site, é muito fofa.


Amanhã é o dia das eleições aqui no Brasil. Estou muito desiludida com os políticos daqui, mas também não dá para se abster e fechar os olhos. Não quero de maneira nenhuma deixar de acompanhar o que acontece por aqui, afinal tenho família aqui.

Bom, no mais, é isso. Bom domingo a todos!