Cenas de um casamento

Cenas de um casamento

É difícil encontrar as palavras apropriadas para descrever a felicidade que eu e Morten sentimos no dia de nosso casamento e nos outros dias que antecederam e sucederam-no. Soa como clichê dizer que foi tudo lindo e perfeito, mas não posso evitar – foi tudo lindo e perfeito mesmo! Muitas surpresas, momentos de emoção e sobretudo muita, muita alegria. O relato abaixo foi escrito com muita riqueza de detalhes pelo fato de ser o registro oficial. Fotos virão na forma de um vídeo que eu estou montando e ficará pronto em breve!


 


1 de março – Viagem


 


Acordamos cedo e começamos a fazer o bolo de Tiramisú, que seria servido durante o café na casa dos pais do Morten após o jantar. Quem fez o bolo na verdade foi ele, enquanto eu lavava a louça e deixava a casa arrumada. Felizmente, já havíamos feito as malas e preparado tudo que deveríamos levar na véspera, então às 11 horas da manhã partimos de Frøya em direção à Trondheim e Klæbu.


 


Chegamos na casa dos meus sogros por volta das 15 horas. Almoçamos e Morten experimentou o colete que ele iria usar no casamento e que seu irmão havia comprado para ele. Serviu perfeitamente! Para nossa surpresa, alguns presentes já haviam chegado. Nós os abrimos e logo depois fomos ao shopping comprar um presente para os meus sogros, por agradecimento à toda a ajuda que eles nos deram com os preparativos.


 


No jantar, comemos bacalhau à moda do que é feito no Brasil, que, por incrível que pareça, somente eu e minha sogra aprovamos. Parece que o bacalhau seco não faz sucesso por aqui, não. Eles preferem o bacalhau fresco. Ainda tive que fazer as unhas e depois fomos dormir e nos preparar para o grande dia que estava por vir.


 


2 de março – O grande dia


 


Últimos preparativos


 


Acordamos cerca de 7 horas da manhã, Morten e eu escrevemos o discurso de boas-vindas que ele fez antes do jantar e às 10 horas fomos buscar as flores que a minha sogra havia encomendado para nós algumas semanas antes. Estávamos bem curiosos para saber como seria o buquê e a flor da lapela, pois só havíamos ouvido a descrição. Ficamos muito felizes, o buquê estava lindo e simples, exatamente como eu queria. Também levamos quatro ramos de uma flor azul que foram colocadas sobre a mesa de jantar no restaurante.


 


Dali seguimos para o restaurante em Trondheim. Fomos muito bem recebidos, adoramos o local, a gerente nos explicou tudo e nos deixou bem tranqüilos quanto aos preparativos. Instalamos o rádio e deixamos os CDs à postos, colocamos os cartões de mesa nos seus respectivos lugares e deixamos as flores na água, pois a gerente disse-nos que ela mesma as colocaria pouco antes de nós chegarmos.


 


Corremos para Klæbu e chegamos às 11:45. Teríamos que partir para o fórum por volta de 13:50, pois a cerimônia estava marcada para 14:30. Morten ainda queria lavar o carro, mas seus pais deram um idéia melhor, que contarei logo abaixo. Tomamos banho, nos arrumamos e felizmente estava tudo sob controle, sem atrasos.


 


 


Os últimos minutos solteiros


 


Antes de ir para o fórum, o nervosismo começando a aflorar, paramos no posto de gasolina para lavar o carro naquelas máquinas automáticas. Foi muito divertido, ajudou-nos a aliviar a tensão. De lá, seguimos finalmente para o fórum. No carro, fico sabendo da primeira surpresa: minha sogra, meu sogro, a avó materna do Morten e nossas cunhadas iriam usar “bunader”, os trajes típicos da Noruega, somente usados em ocasiões especiais e no dia nacional, 17 de maio. Fiquei muito feliz e esta era só a primeira emoção.


 


Ao chegar, já havia alguns convidados: os nossos padrinhos, Ingvild e Steinar (ela também usando um lindo bunad), que vieram de Oslo, os tios e também padrinhos de batismo do Morten e os avós maternos. Logo depois chegaram meus sogros, os avós paternos e finalmente os irmãos dele e suas namoradas. Ainda aguardamos alguns minutos e finalmente fomos chamados para entrar na sala onde são celebrados os casamentos.


 


A cerimônia


 


Conforme já esperávamos, a cerimônia foi muito rápida. A juíza, aliás, uma senhora muito gentil, falou palavras muito bonitas (entendi quase tudo!), recitou este poema, cuja tradução será postada logo:


LYSET


Kjære, alt ditt som du viser meg no
– så utenkt som mangt av det er –
kan det vel hende eg ikkje forstod
om du ikkje var meg så kjær.

Eg stansa vel uviss, utan svar,
som framfor eit ukjent land,
om ikkje min kjærleik til deg var
for meg som ei lykt i mi hand.


Den lyser meg fram, så eg kan gå inn
og gjere meg kjend i kvar krok.
Det er ikkje sant at kjærleik gjer blind.
Kjærleik gjer klok.


Av Halldis Moren Vesaas


E logo depois, fez a célebre pergunta: primeiro para mim e depois para ele. Em seguida, ela nos declarou casados. Eu assinei a certidão, já com meu nome de casada, em seguida Morten, depois a madrinha e o padrinho. Tudo não durou mais do que 10 minutos.


 


Recebemos os cumprimentos de todos e na saída fomos surpreendidos por uma chuva de arroz (aqui também há a mesma tradição!). Posamos para fotos na saída do fórum, um prédio muito bonito, por sinal. Dali seguimos todos de carro para o restaurante, que era bem perto.


 


A comemoração


 


O restaurante faz parte de uma construção antiquíssima da cidade, que consiste de uma fortaleza e outras construções adjacentes. Nosso jantar foi em uma dessas construções, chamadas de “kasematten” ou “casamata” em português (de acordo com o site Wikipedia, “Casamatas” são unidades de defesa usadas ostensivamente durante guerras. São feitas de concreto e contam com aberturas que possibilitam o revide em caso de ataque). Antes de entrar, tiramos muitas fotos sozinhos e com todos os convidados, tendo como cenário de fundo a fortaleza e uma linda vista panorâmica da cidade. Tivemos sorte com o tempo, não nevou nem choveu, mas estava frio, ventava e havia resíduos de neve e lama. Porém, nada disso estragou nossa alegria.


 


Aguardamos alguns minutos e nos acomodamos à mesa. A música começou a tocar e as garçonetes (muito simpáticas e prestativas) começaram a preparar o prato de entrada. Logo depois Morten fez o discurso de boas-vindas. Entre outras lindas palavras, ele lembrou dos meus familiares que infelizmente não puderam estar conosco (chorei), explicou como seria o jantar e convidou a todos para o café com bolo e champanhe na casa de seus pais após o jantar. O chef gentilmente explicou como seria o menu do jantar, que em seguida foi servido.


 


O prato de entrada foi uma salada com camarões e chili. Eu não costumo gostar de comidas muito apimentadas, mas naquele dia, adorei. Até vinho, que costuma me dar dor-de-cabeça e abaixar minha pressão não me fez mal. E olhe que tomei vinho branco e tinto. O prato principal foi filé bovino grelhado com legumes e champignon, meio apimentado também, mas delicioso. A sobremesa, à pedido do meu amor, foi pudim de caramelo (quase igual ao de leite no Brasil) acompanhado de café.


 


Um dos momentos mais emocionantes foi após o prato principal ser servido, antes da sobremesa. O pai do Morten levantou-se e fez um lindo discurso, que levou algumas pessoas às lágrimas (incluindo esta que vos fala). Depois, foi a vez de seu melhor amigo e nosso padrinho, Steinar e finalmente, os dois irmãos do Morten, Roger e Espen. Claro que eu não entendi absolutamente tudo, mas o principal do que foi falado.


 


Ao final do jantar, fomos de táxi para a casa dos meus sogros (tivemos que deixar o carro no restaurante, pois na Noruega não é permitido dirigir após beber) e continuamos a celebração. Chegando lá, fizemos todos um brinde com champanhe e cortamos um dos bolos, o de marzipan, com nossos nomes escritos. Havia o nosso bolo de tiramisú, um bolo de nozes que a avó paterna dele fez, um bolo chamado de “Tårnekake” com os típicos noivinhos no alto,  moltekrem, kokosboller e krumkake. Havia também café, conhaque e licor. Pouco depois, mais uma surpresa: os pais do Morten cantaram uma música norueguesa para mim. Explicaram-me que esta música tem muito a ver comigo, pelo fato de eu vir do Brasil e ter me adaptado tão bem na Noruega. A música chama-se “Sommerfuggel i Vinterland” (Borboleta na terra do inverno). Foi encantador ver os dois cantando, meu sogro tocando violão, ambos usando lindos bunader. Eu jamais vou me esquecer. Guardei a letra da música como lembrança, assim como todos os discursos por escrito.


 


Foi muito agradável o final da noite na casa dos meus sogros. Abrimos todos os presentes que haviam chegado, fizemos uma lista com o nome de todos que gentilmente nos presentearam e pretendemos enviar-lhes um cartão de agradecimento. Por volta das 22 horas, chamamos um taxi e nós dois fomos novamente para Trondheim junto com os nossos padrinhos, um dos irmãos do Morten e sua namorada. Eles foram para suas casas e nós fomos para um hotel, onde passamos a noite.


  


3 de março – O primeiro dia de casados


 


No dia seguinte, mais outra surpresa: ganhei um presente do meu amor! O Solan e o Ludwig do filme “Flåklypa Grandprix”! Eu amei, tão fofinhos, e eles falam! Tomamos um café-da-manhã delicioso e fomos passear por Trondheim. Olhamos lojas, fomos ao cinema (primeira vez em um cinema norueguês) e tiramos fotos. Apanhamos o carro e seguimos de volta à casa dos meus sogros e batemos um longo papo sobre as lembranças e impressões do dia anterior. Olhamos as fotos tiradas pelo meu sogro e jantamos. Ainda tivemos energia para voltar à cidade e encontrar Steinar e Ingvild à noite. Steinar nos entregou o CD com as fotos que ele tirou do casamento. Fomos a um café bem antigo e charmoso, conversamos, nos divertimos e voltamos para casa às 2 da manhã.


 



4 de março – Volta ao lar, doce lar


 


Domingo de sol, dia lindo, embora muito frio. Arrumamos as bagagens, pedaços de bolo e os presentes no porta-malas, nos despedimos, agradecemos muito nossos sogros por tudo. Foi uma viagem muito tranqüila, mas longa. Chegamos em casa 3 horas depois, um pouco cansados, mas muito felizes pelos dias maravilhosos que tivemos. A felicidade apenas começou. Tenho certeza que a alegria que reinou durantes esses dias continuará reinando sobre nosso lar por muitos e muitos anos. Se Deus quiser e Ele há de querer! Obrigada por tudo!

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