Diferenças culturais

Diferenças culturais

A rotina da casa já voltou ao normal. Meu marido voltou, chegou até antes de mim. Mas, eu esqueci de escrever algo que aconteceu esta semana e que me deixou surpresa, se não chocada. Explico. Minha chefe pediu para eu ligar para uma colega de trabalho russa para que ela me desse carona, pois ela e o marido têm que passar aqui pela minha casa a caminho da casa da chefe. Tudo bem, liguei, e como toda conversa, disse as frases típicas:

– Hei! Det er Raquel. Hvordan går det? (Oi! É a Raquel. Como vai?)

Eis que a colega responde:

– Por que você está me perguntando isso? (Referindo-se ao ‘Como vai?’)

Fiquei passada. Quis ser educada e ouço uma dessas. Tudo bem que eu devo ser tolerante por que somos de países diferentes, mas aqui na Noruega é típico perguntar como vai. Não entendi a reação. Aliás, percebo que muitos estrangeiros se incomodam quando os noruegueses perguntam: “Trives du i Norge”? (Você está gostando da Noruega?). Não entendo por que. Será que é por que eles querem esconder que são de fora? Ou por que, por estarem aqui há 2, 3 ,5 anos, acham que já viraram noruegueses? Eu não vejo mal algum em ouvir uma pergunta dessas. Mesmo quando eu já estiver aqui há 5 anos. Já até sei qual resposta vou dar:

– Trives du i Norge?
– Ja, jeg trives så mye at jeg har vært her i 5 år. (Sim, gosto tanto que já estou aqui ha 5 anos.) 🙂 Pode até ser uma resposta irônica, mas pelo menos não será rude.

Falando nisso, o médico do Morten, imigrante da Índia, uma vez nos contou que o filho dele, nascido na Noruega, quando estava no ônibus, foi abordado pela célebre pergunta vinda de um norueguês: “Trives du i Norge?” à qual o rapaz respondeu:
– Ja, og du? (Sim, e você?)

Esta resposta foi pelo menos bem-humorada.

Outra vez vi um comercial onde um taxista afro-norueguês pega um passageiro, que logo pergunta: ‘Hvor er du fra?’ (De onde você é?) E o taxista responde que é de uma cidade norueguesa, e devolve a pergunta ao passageiro, o qual fica super sem-graça.

Ou seja, todo imigrante vai ter que se deparar com tais perguntas. Acho que temos que ser positivos e não encarar tais questionamentos como sinal de preconceito ou rudeza.  Lembro que o Morten na rodoviária do Rio de Janeiro, foi pedir um suco de laranja no balcão e, ao pronunciar “larenja” em vez de “laranja”, foi corrigido em alto e bom som pela caixa: “LarAAAnja”, mas ele não ficou bravo, pelo contrário achou legal ela tê-lo corrigido. Pelo menos ele saiu de lá com o suco de laranja.

Não sei o que algumas pessoas têm contra serem corrigidas. Eu como professora de inglês já corrigi tantas vezes, e quando começar o curso de norueguês, serei muito corrigida. Mas, e daí? Eu irei à escola para isso mesmo, para moldar a pronúncia. Tenho dificuldade com o ‘sj’  e ‘skj’, pois não são pronunciados como nenhum som em português e inglês, embora pareça muito. Ah, e sem falar no conjuntinho ‘A E I O U Y Æ Ø Å’. Mas, depois eu continuo este papo. Estou pensando em escrever alguns posts em norueguês para que os que estudam possam escrever comentários em norsk e assim todo mundo pratica. Vamos ver se crio coragem.

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