Måned: august 2007

Entre um compromisso e outro

Entre um compromisso e outro

Ontem nós fomos assistir a um debate aqui na ilha com os candidatos a prefeito.  Mais uma vez a boa educação imperou e não houve troca de xingamentos como é comum no Brasil. Achei que foi um debate inteligente e esclarecedor. A eleição é dia 10 de setembro e os políticos querem aproveitar bem o tempo que falta para conseguir votos. Uma coisa que eu não sabia é que na Noruega não se vota em um candidato, e sim em um partido. O partido vencedor então escolhe uma pessoa que vai ser o prefeito. Quando há alianças, o governante é escolhido através de um acordo entre todos os partidos aliados. Eu já sei alguma coisa sobre os partidos políticos aqui, mas não é um assunto dos mais interessantes para se postar aqui, creio eu. Mas, comecei a me interessar mais por política aqui na Noruega, pois vê-se que há mais seriedade e muito mais honestidade. Casos de corrupção existem, claro. Semana passada o prefeito de Oslo foi acusado de sonegar o imposto de renda e manter uma conta secreta na Suíça. Sonegação de impostos aqui é um crime gravíssimo, pois todos pagam muito imposto. Eu, que já ganho pouco, pago 36% do meu salário de imposto todo mês. Tem gente que paga até 50%! Mas, voltando ao prefeito, ele renunciou ao cargo assim que o escândalo estourou. Apesar do erro que ele cometeu, pelo menos ele teve a dignidade de cair fora.

Na aula de terça a professora me mostrou um vídeo com exemplos da prova oral do Trinn 3. Eu achei que dá pra fazer sem problemas. A prova é feita em pares. Primeiro o par fala sobre algo pessoal, como hobbies por exemplo. Depois há uma discussão sobre um tema polêmico. Os candidatos cometeram alguns erros, mas a professora disse que eles passaram na prova. Eu também escrevi a redação de 150 palavras e contei como que eu aprendi norueguês. Hoje vou ver a correção.  A professora me emprestou um livro que descreve a sociedade norueguesa e o sistema político-social. Na verdade, o livro é usado para as 50 horas de curso de cultura norueguesa. Vou ler quando der tempo. 

Anteontem recebi uma carta comunicando que o curso de studiekompetanse vai começar segunda-feira. Hoje eu vou comprar os três livros de norueguês. Vou fazer somente norueguês e sociedade norueguesa, pois estou contando com a dispensa das outras matérias. E as traduções do meu histórico escolar não chegaram (péssima idéia essa de mandar traduzir no Brasil), ainda bem que deixaram eu começar mesmo assim.

Agora vou ter um intervalo de duas horas e então vou andar 1 hora e meia até a prefeitura para a aula. Depois ainda tem limpeza! Ainda bem que o final de semana está chegando e eu estou de folga.

O curso mal começou e já vai acabar?

O curso mal começou e já vai acabar?

Esta é a terceira vez que estou tentando escrever este post. Nas duas vezes anteriores, ele não foi publicado por alguma falha do site. Vamos ver se agora vai.

Os últimos dias foram muito agitados. Quinta-feira eu fui trabalhar no shopping e em mais um escritório e depois tomei o ônibus de volta para Frøya. Fiquei esperando na biblioteca, estudando e fazendo lição-de-casa, até o horário da aula de norueguês. Durante a aula, onde somente eu estava presente (tem mais alunos na lista de chamada, mas, cadê eles?), fui pega de surpresa pela professora, que quis aplicar um simulado da prova de norueguês do nível 3 (Trinn 3). Um pouco confusa e com medo, aceitei o desafio. A prova foi fácil, achei que exigiria mais conhecimento. Faltou apenas a última redação de 150 palavras, que eu vou fazer na aula de amanhã. A moral da história é que, depois do teste de conversação, a professora me disse que eu estou capacitada para fazer a prova quando eu quiser. Fiquei feliz, mas ao mesmo tempo desapontada por que nem vou chegar a curtir o curso por muito tempo. Fizemos um acordo por escrito onde diz que eu seguirei um programa especial e farei a prova em fevereiro. Se eu passar, estarei dispensada de cumprir as 300 horas obrigatórias.

Depois da aula, eu ainda fui fazer limpeza em mais três locais. Que dia cansativo! No dia seguinte, teria aula de direção e teria que pegar o barco até a escola super-cedo. Até o Morten tirou o dia de folga para poder me acompanhar. Teria, por que perdemos a hora! Simplesmente não ouvimos o despertador! Muito frustrados, pensamos no que fazer. Tivemos a idéia de tentar marcar aulas em alguma outra auto-escola da região. Mas, primeiro, fui fazer a limpeza diária no shopping. Meu marido me ajudou e muito. Ele me ajuda nos dias em que eu limpo à noite. Terminado o trabalho, ele ligou para uma auto-escola, e perguntou se haveria algum horário disponível para aquele mesmo dia. A recepcionista, chocada, respondeu que a espera para uma aula era de 9…meses!!! A única saída, já que era final-de-semana, seria dirigir até Trondheim e tentar arrumar alguma aula por lá. Deu certo, marcamos duas aulas numa auto-escola em Heimdal, que fica ao lado de Trondheim. Dirigi razoavelmente bem, ainda tenho que treinar mais um pouco e a instrutora falou muito, a aula ficou muito confusa. Precisarei fazer mais algumas aulas, e desta vez não posso perder mais a hora. A viagem até Trondheim valeu a pena, garimpamos uns móveis para o nosso quarto em  um brechó do Exército da Salvação chamado FRETEX, fizemos uma parada obrigatória na IKEA e visitamos meus sogrinhos que acabaram de voltar da viagem de férias.

Falando um pouco sobre o que tem acontecido aqui na Noruega, os partidos políticos estão à todo vapor tentando conseguir votos para as eleições locais. Neste ano, não será eleito um novo primeiro-ministro, apenas prefeitos, governadores e os que seriam equivalentes aos vereadores no Brasil. Eu poderei voltar nessas eleições locais quando estiver morando aqui há três anos. Assisti a um debate semana passada e o que chamou minha atenção foi o modo como eles se comportaram. Inimigos políticos sentados lado -a-lado, levantando a mão para pedir a palavra e sem xingamentos e ofensas. Claro que houve discordâncias, mas tudo na santa paz. Impressionante.

Outra coisa que tem chamado minha atenção nas ruas são pessoas que, doidas por esqui, não param de esquiar mesmo sem neve. Como? Assim, veja:

Na falta da neve, esquia-se com esquis de rodinhas, quase como patins. Os esquiadores treinam no verão com este aparato e há até competições oficiais entre eles. Ouvi dizer que andar de ‘rulleski’ é bem mais perigoso, pois a queda é no asfalto, em vez da neve que é mais macia. Não é à toa que há um ditado aqui que diz: Nordmenn er født med ski på beina (Noruegueses nascem com esquis nas pernas)!

Atualização do primeiro dia de aula

Atualização do primeiro dia de aula

Fui a pé até a prefeitura (cerca de 1 hora de casa) e cheguei uns dez minutos antes do horário da aula. Tive que perguntar onde ficava a sala e uma moça simpática me ajudou. Fiquei esperando na porta e uns cinco minutos depois, a professora abriu a porta. O nome dela é Valborg, eu a achei muito simpática e inteligente. Só havia eu de aluna no começo, então nós conversamos muito, preenchi um formulário de matrícula e ela me mostrou o livro que é usado para as aulas. É o «Klar For Norge», com o qual eu venho estudando sozinha! Eu disse que tinha estudado o livro 1 inteiro sozinha em casa e mais umas duas lições do livro 2. Ela então disse que vamos começar de onde eu parei de estudar sozinha. Perguntei se eu precisaria comprar os livros e ela disse que não. A prefeitura me emprestou o livro texto com o CD (novinho em folha, tenho que cuidar muito bem dele!) e o livro de exercícios eles me deram. Que beleza, pensei, só não estuda aqui quem não quer. Ela me disse que, se eu pretendo fazer o colegial norueguês, compensa mais eu fazer a prova de norueguês do nível 3 o mais rápido possível, assim eu não precisarei das 300 horas obrigatórias (se bem que elas passam muito rápido). Acho que vou fazer a prova em fevereiro do ano que vem, a prova de novembro está muito em cima da hora. E tenho que fazer a prova de direção, é muita coisa ao mesmo tempo.

Cerca de 15 minutos depois uma aluna chegou, mas ela veio no dia errado. A professora confundiu os horários nas cartas que ela mandou para os alunos. Ainda bem que ela não errou o meu horário. Mais tarde, três moças filipinas e uma panamenha chegaram. Elas também tinham vindo no dia errado, mas ficaram na sala e estudaram um pouco. O engraçado é que elas não trouxeram papel, caderno, nada, a professora teve que fornecer o material (mas, quando você vai a uma escola, não é automático levar papel e caneta? Esquisito…) Aí, a professora dividiu o tempo. Fizemos leitura do livro só nós duas durante uma meia hora e depois eu fui para o computador fazer exercícios do CD-rom do livro (exercícios excelentes) enquanto ela praticava com as quatro alunas.

Adorei a professora, as colegas, a sala de aula.
 A professora ensina muito bem e me deixou super confiante. Não pretendo faltar às aulas, conversei muito e senti que aprendi bastante em um só dia. Quinta-feira tem mais.

Min første skoledag

Min første skoledag

Dette er et dikt som jeg er veldig glad i.



Min første skoledag

Jeg holder mor i hånda.
Vi går til skolen.
I dag skal jeg begynne på skolen,
og jeg er litt glad og litt redd.
Det er mange barn i skolegården.
De leker og skriker og løper.
Jeg ser og ser.
Mor og jeg går til et klasserom.
Det er mange barn og foreldre der.
Alle er stille.
Ei jente gråter og vil gå hjem.
Jeg holder mor i hånda. 

Adeus, calmaria

Adeus, calmaria

Ontem nós fomos a uma igreja aqui na ilha. Eu já havia visto a missa luterana de Natal e a missa na ilha de Sula em julho, mas ontem foi muito especial por que também teve comunhão. Vou enumerar aqui as diferenças que notei entre o culto luterano e o católico:

Quando o padre vai ler o Evangelho, ele sobre em um púlpito e também passa o seu sermão de lá de cima;
Durante o ofertório, nós nos levantamos, andamos até o altar (os altares não são tão altos como na igreja católica), passamos por trás da imagem mor do altar, deixamos o ofertório na cestinha e voltamos para os nossos lugares;
Na hora da comunhão, aqueles que vão comungar se dirigem até o altar, e antes pegam um pequeno cálice. Eles se ajoelham diante do padre em volta de uma pequena cerca, o padre concede a hóstia para cada um, e depois serve o vinho nos cálices que eles têm em mãos;
Toda igreja tem um órgão, e a missa tem cânticos tirados de um livro de salmos em norueguês. Todos os cânticos são acompanhados pelo órgão.
Estas são as diferenças que observei até agora. Achei a missa muito bonita, emocionante e o padre fez um sermão muito sábio.

Hoje já fui trabalhar, no museu e em mais um local. Cinco horas ao todo. Agora vou descansar um pouco e depois do jantar, eu vou fazer a limpeza no shopping. Às segundas-feiras eu vou ter que limpar o shopping à noite, pois não quero largar o museu. Amanhã é o primeiro dia no curso de norueguês, estou muito ansiosa para começar. Vou trabalhar das 7 às 9:30, vou tomar o ônibus para casa e depois volto a pé ao centro da ilha para a aula. Isto vai se repetir na quinta-feira. Uma coisa de que eu estava quase me esquecendo é que sexta-feira eu vou ter aula de direção! Duas horas seguidas numa cidade aqui perto. Ainda bem que o Morten vai ter folga nesse dia, assim eu terei companhia. Acho que vamos pegar o barco, pois é bem mais rápido que ir de carro. Falando em carro, o nosso carro estava com uns problemas e tivemos que mandá-lo de volta para a concessionária que o vendeu para nós. O dono da concessionária veio buscar o carro e emprestou um carro para nós até que o nosso volte. A surpresa maior foi o carro: uma Mercedes! Eu particularmente achei a Mercedes muito grande, pesada, acho que é carro para pessoas acima dos 50 anos, hehe. Aliás, vocês sabem como os noruegueses pronunciam «Mercedes»? «MeCHedes». É, com CH como em CHapéu mesmo. O motivo é que quando uma palavra tem o encontro consonantal RS ou RC, a pronúncia é «CH». Por isso, uma pessoa chamada LaRS, é «LaCH», «spøRSmål» (pergunta) é «spøCHmål» e «MeRCedes» é «MeCHedes»! Hilário.

Que sono!

Que sono!

Semana passada o Morten viu no site do NAV (o INSS norueguês) um anúncio de um emprego para limpar no shopping da ilha vizinha. Eu liguei, mas infelizmente a vaga já havia sido preenchida. Segunda-feira, eu recebi uma ligação da moça com qual eu tinha falado, e ela me ofereceu o emprego! Acho que não deu certo com a outra pessoa. Resumo da ópera, estou trabalhando todo dia no shopping. Meu primeiro ‘fast jobb’ (emprego com número fixo, garantido de horas trabalhadas). Eu tenho que usar uma máquina enorme para limpar o chão. Estou fazendo umas barbeiragens ainda, mas logo eu pego o jeito. Tenho que usar até uniforme! O único problema é o horário: das 7 às 9 da manhã.

Falando na ilha vizinha, está sendo veiculado na Noruega um comercial do novo prato da lanchonete McDonald’s: ‘wraps’ de salmão diretamente de Hitra. O comercial foi rodado em Hitra (o salão de beleza que aparece no filme fica dentro do shopping onde eu estou trabalhando), com moradores que fizeram testes para serem atores. Se você quiser ver o comercial, clique aqui. Eu ainda não experimentei, por que o McD’s mais próximo fica em Trondheim, ou seja, 2 horas e meia daqui.

A notícia da semana é que finalmente (Aaaaleluia! Aaaaleluia!) eu estou autorizada a iniciar o curso de norueguês grátis! Começarei terça, das 14 às 17 e voltarei na quinta, mesmo horário. Estou super ansiosa para começar, depois de quase 10 meses de espera. A professora falou que, se eu fizer o teste para o nível 3 daqui a algum tempo e passar, eu estou dispensada de fazer as 300 horas de curso exigidas para eu conseguir o visto permanente, daqui a 3 anos. Ainda estou esperando as traduções do meu histórico escolar para mandá-las à escola daqui e saber quais matérias do curso para faculdade eu vou ter que fazer. Quem diria, depois de 10 anos longe de uma sala de aula como aluna, eu, trintona, eu volto a estudar. Antes tarde do que nunca!

Paciência tem limites

Paciência tem limites

Desde a última vez que eu escrevi aqui, aconteceram coisas boas e uma ruim. Vou começar com as coisas boas.

Eu enviei meu certificado de conclusão do segundo grau e meu histórico escolar para o Brasil para serem traduzidos para o norueguês (eu sei que existem tradutores aqui, mas eu preferi o tradutor do Brasil) há mais de um mês, e até agora não recebi nada. Telefonei para ele e ele disse que recebeu a carta com os documentos. Agora, é só esperar. Só que eu estava com medo que o curso preparatório fosse começar e eu não pudesse participar devido à falta destes documentos. Eu mandei um email para o diretor da escola daqui da ilha e perguntei se teria algum problema. Ele disse que não, que eu posso comparecer às aulas do início e mandar a documentação depois. Ainda bem!

Ontem eu fui trabalhar como ajudante em uma festa junto com minha chefe e uma amiga dela. Esta amiga, para minha enorme felicidade é ninguém mais ninguém menos que a professora de norueguês do curso que eu vou fazer! Logo norueguês, a matéria que eu terei que fazer e da qual eu tenho mais medo de não poder acompanhar. Ela é muito simpática, disse que eu falo norueguês bem o bastante para acompanhar o curso. Mas, mesmo se eu não acompanhar, percebi que ela vai me ajudar. Graças a Deus!

A festa foi, ‘para variar’ repleta de música, cantoria e discursos. Eu ajudei a fazer o prato de entrada. Era uma folha de alface, três fatias de salmão defumado e dois camarões grandes, com molho de mostarda. Eu fritei os camarões, mas muito rapidamente, senão eles ficam ‘borrachudos’. Depois de servirmos a entrada, nós tivemos que esperar o jantar, que seria entregue por um táxi, vindo do restaurante de um hotel da ilha vizinha. Ou seja, longe que só. O hotel tinha entendido o horário de entrega errado e para completar, o taxista errou o caminho. Mas, a comida finalmente chegou. Era carne de cervo assada (muito boa!), batatas cozidas, cenouras e couves de bruxelas cozidas, geléia de uma fruta chamada tyttebær e molho. Não foi difícil servir, havia cerca de 40 convidados e a minha chefe coordenou o trabalho muito bem. Depois de servida a sobremesa (um doce de ameixas), nós fomos chamadas pelo aniversariante, ele nos agradeceu pela ajuda e os convidados nos aplaudiram (claro que fiquei sem-graça). Saindo de lá, minha chefe e eu ainda teríamos que ir limpar o mercado, mas como nós estávamos exaustas, resolvemos adiar para hoje de manhã. Foi difícil acordar cedo, mas felizmente já acabamos.

Agora, a coisa ruim que aconteceu. Quinta-feira eu fui limpar três locais com uma colega minha. Nos dois primeiros locais correu tudo bem. Mas, no último, não sei por que, a moça começou a ter uns chiliques. Eu não entendo muito bem o que ela fala, então às vezes a gente não se entende. E outra, ela já trabalha na firma há muito tempo e eu não tenho nem um ano de casa. É obrigação dela me ensinar o que eu não sei ou não faço direito. Eu não me incomodo em ser corrigida, desde que seja de uma maneira educada e sem agressividade. Pois não foi isso o que aconteceu. Ela falava alto comigo, muito mal-humorada, me dando broncas mesmo. Em vez de responder e ficar brava também na mesma hora, eu fui para casa e fiquei muito mal. Mas, ontem eu conversei com minha chefe e ela vai conversar comigo e com a colega para ver o que está acontecendo (com ela, espero eu, por que eu estou com a consciência tranqüila). Depois eu conto o final da história.

Descadeirada

Descadeirada

Hoje de manhã eu fui buscar o meu passaporte que, finalmente recebeu a etiqueta com meu visto de trabalho. Eu poderia ter ido ontem, a pé, e ter esperado meu marido me buscar na volta do trabalho, mas eu teria que esperar por ele uma hora e meia, sem biblioteca aberta, nada para fazer. Então, eu tive a idéia de ir hoje, de bicicleta. Ontem o Morten deu uma revisada na magrela e estava tudo certo. O passeio foi cansativo para mim, que não andava de bicicleta há mais de uma década (!). Mas, entre paradas para beber água, paradas para descer da bike e empurrá-la nas subidas, eu cheguei à delegacia. Depois, fui ao mercado e voltei, no mesmo ritmo. Vou tentar aproveitar este restinho de verão para pedalar mais, é uma excelente atividade física e eu já sei que, se eu pretendo algum dia esquiar decentemente, preciso estar em boa forma, principalmente nas pernas.

No trabalho, houve um contratempo. Terça-feira, eu pensei que faria limpeza apenas em uma empresa e terminado o trabalho, voltei para casa com o Morten. Alguns minutos depois, minha chefe ligou e disse que eu estava escalada para ir limpar o mercado também. Na escala dela, não na minha.  Fui praticamente forçada a dizer que iria limpar o mercado também. Esta é uma coisa que eu detesto neste emprego. Parece que você sempre tem que estar a postos, pronta para ir trabalhar, não importa a hora em que ligam. Ontem, dia de folga, a chefe perguntou se eu poderia limpar o mercado de novo. Eu recusei, pois estava resfriada. O problema todo se deu por que uma outra funcionária havia dito que limparia o mercado todas as noites, mas, na última hora desistiu, deixando um buraco na escala da semana. Amanhã pensei que teria folga, mas aceitei ir limpar uma empresa por apenas 2 horas. Aliás, eu terei que ir limpar com uma funcionária que ‘bóia’ totalmente no norueguês. Temos que falar com ela como o Tarzan, com palavras soltas e muitos gestos. Aí, já viu…eu acabo tendo que fazer quase todo o trabalho, pois eu digo como deve ser feito e parece que entra por um ouvido e sai pelo outro. Reclamei para a chefe, mas acho que também entrará por um ouvido e sairá pelo outro, pois aqui onde eu moro, ninguém quer trabalhar fazendo limpeza e as poucas que aparecem a chefe tenta manter no emprego o máximo possível.

Sábado eu vou trabalhar numa festa, servindo o jantar e recolhendo as louças da mesa. Deve durar umas quatro horas. Eu aceitei, só para fazer algo diferente e que não me parece ser muito difícil. Meu marido estará de plantão, então nós dois trabalharemos.

Mudando de assunto e falando um pouco do que tem acontecido na Noruega, ontem eu vi um caso chocante na TV daqui. Vou contar a história que eu li no jornal VG. Um homem estrangeiro chamado Ali estava em um parque com seu filho pequeno e, ao ver alguns homens jogando futebol perto da crianças, foi pedir-lhes que parassem. Um dos homens, irritado, espancou Ali, que caiu no chão desorientado e sangrando muito. Chamaram a ambulância e a polícia. E o mais chocante de tudo aconteceu. Um paramédico começou a fazer perguntas ao homem ferido, e quando ele tentou se levantar, urinou. O paramédico teria dito: «Seu porco, eu não vou te levar na ambulância, não!». A polícia? Apenas fez algumas perguntas e foi embora. Nem a ambulância nem a viatura policial prestaram atendimento ao homem! Duas horas depois, finalmente Ali deu entrada no hospital, com traumatismo craniano e está no hospital em estado grave. Fala-se agora que foi racismo, que negaram atendimento a Ali por que ele é estrangeiro. Eu estou aqui há somente 10 meses, não acho certo formar uma opinião precipitada sobre o norueguês e o racismo, mas que existe, existe. Outro dia, meu marido fez uma reportagem sobre um panfleto que foi distribuído nas caixas de correio da ilha vizinha por um grupo claramente racista. Voltarei a falar mais disso nos próximos posts.

Oslo Parte 3 – Stortinget, Munch Museet, Jardim Botânico e Grønland

Oslo Parte 3 – Stortinget, Munch Museet, Jardim Botânico e Grønland


A primeira coisa que fizemos ao descer do ônibus foi procurar alguma informação sobre a visita guiada no palácio real. Não havia ninguém. Então descemos a Karl Johan em direção ao parlamento. No caminho, paradinha para tirar foto na frente da faculdade de direito de Oslo.

Quarta-feira, na nossa lista estavam a visita guiada ao parlamento norueguês, a visita guiada ao interior do palácio real (que não aconteceu, devido a ausência de funcionários no local para nos dar informações e também por que teríamos que pagar – caro – por fora, sem poder utilizar o Oslopass) e o Munch museet. Ainda tivemos tempo de visitar mais dois lugares, o Jardim Botânico, que fica ao lado do museu e o bairro de Grønland, onde esperávamos visitar lojas de temperos e comidas estrangeiras, mas no final, sem achar loja alguma, paramos num café e relaxamos.

O rei e o ovo

O rei e o ovo

Sábado fomos à festa do colega do Morten e nós levamos 56 coxinhas (comemos 4 alguns dias antes para experimentar). Eu fiquei um pouco apreensiva por que não sabia se o povo ia gostar. Ouvi dizer que nem todos os noruegueses que têm namorada/esposa brasileira gostam da comida regional. Aqui em casa, arroz e feijão é algo constante, felizmente. Bem, chegando na festa percebemos que eu e o Morten não iríamos nos sentar lado a lado. Havia cartões de mesa com os nossos nomes e eu fiquei mais um pouco nervosa, pois não sabia se ia conseguir levar um diálogo com pessoas desconhecidas numa boa. Mas, no final deu tudo certo. Conversei muito com uma convidada que mora em Trondheim e ela adorou as coxinhas, pediu até a receita. Havia uma outra convidada que era tailandesa e fez uma sopa picante servida com arroz que também fez muito sucesso. Eu não experimentei por que não sou muito fã de comida apimentada.

Pouco antes de os convidados se levantarem e começarem a se servir, o Morten veio até mim e perguntou se na coxinha ia ovo, pois havia uma convidada que era alérgica a ovo. Eu na hora respondi que não. Alguns minutos depois, lembrei que eu usara ovo para empanar as coxinhas! Cheguei e pensar que não precisava avisar a convidada, afinal, ovo para empanar não faria mal. Porém, minha consciência não me deixou tranqüila. Me levantei e fui correndo avisar o Morten que eu me lembrara que tinha ovo na coxinha, sim. Para nossa sorte, a convidada que não tolerava ovo estava sentada ao lado dele e ainda não tinha comido a coxinha. Chegando em casa, o Morten me contou uma aventura desta mesma senhora que eu vou relatar após o post.

Houve muitos números musicais, convidados que cantaram e fizeram brincadeiras com o aniversariante. Aliás, observo que o norueguês é muito musical. Quase toda festa tem convidado que canta, toca violão, piano, impressionante! Acho que isto não é tão comum no Brasil. Não ficamos até muito tarde, eu voltei dirigindo. Aqui, se alguém bebe uma cerveja sequer não pode em hipótese alguma dirigir.

Domingo nós fomos pescar, mas não tivemos sorte. Apenas dois filhotes de bacalhaus que devolvemos ao mar e um ‘lange’, primo do bacalhau, que nós também devolvemos. Como eu estava no clima de comida brasileira (italiana), fiz nhoque, ficou muito bom! A receita eu peguei no site da Ana Maria Braga.

O rei e o ovo

A convidada da festa era há alguns anos a secretária da cultura aqui da ilha e numa ocasião, o rei da Noruega veio visitar Frøya. Esta senhora ficou encarregada de ser a anfitriã. Na hora do jantar, o incidente: havia ovo no prato que foi servido. Ela começou a passar mal e tiveram que chamar a ambulância. Os guarda-costas do rei não queriam deixá-la ir embora, pois não se podia abandonar o rei no meio do jantar. Depois de explicado o motivo, ela pôde ir para o hospital. Soube-se que o rei, ao ser informado do problema, ficou muito preocupado com ela.

No dia seguinte, ela já estava recuperada e o rei foi visitar um monumento aqui da ilha. Como ela não tinha compromisso de ser a anfitriã neste dia, foi vestida com o ‘varmedress’, um macacão de inverno. Quando os seguranças a viram, disseram a ela que por questões de segurança, ela teria de ser a anfitriã neste dia também. Resultado: nos jornais, fotos do rei da Noruega com uma senhorinha de macacão de inverno – e segurando uma sacolinha do Rema 1000 (uma rede de supermercados daqui). Eu na verdade acho que o rei nem percebeu, pois ele parece ser uma pessoa muito simples. É notória a fama que ele tem de se portar como uma pessoa normal, não tem aquele glamour da família real inglesa, por exemplo.