O rei e o ovo

O rei e o ovo

Sábado fomos à festa do colega do Morten e nós levamos 56 coxinhas (comemos 4 alguns dias antes para experimentar). Eu fiquei um pouco apreensiva por que não sabia se o povo ia gostar. Ouvi dizer que nem todos os noruegueses que têm namorada/esposa brasileira gostam da comida regional. Aqui em casa, arroz e feijão é algo constante, felizmente. Bem, chegando na festa percebemos que eu e o Morten não iríamos nos sentar lado a lado. Havia cartões de mesa com os nossos nomes e eu fiquei mais um pouco nervosa, pois não sabia se ia conseguir levar um diálogo com pessoas desconhecidas numa boa. Mas, no final deu tudo certo. Conversei muito com uma convidada que mora em Trondheim e ela adorou as coxinhas, pediu até a receita. Havia uma outra convidada que era tailandesa e fez uma sopa picante servida com arroz que também fez muito sucesso. Eu não experimentei por que não sou muito fã de comida apimentada.

Pouco antes de os convidados se levantarem e começarem a se servir, o Morten veio até mim e perguntou se na coxinha ia ovo, pois havia uma convidada que era alérgica a ovo. Eu na hora respondi que não. Alguns minutos depois, lembrei que eu usara ovo para empanar as coxinhas! Cheguei e pensar que não precisava avisar a convidada, afinal, ovo para empanar não faria mal. Porém, minha consciência não me deixou tranqüila. Me levantei e fui correndo avisar o Morten que eu me lembrara que tinha ovo na coxinha, sim. Para nossa sorte, a convidada que não tolerava ovo estava sentada ao lado dele e ainda não tinha comido a coxinha. Chegando em casa, o Morten me contou uma aventura desta mesma senhora que eu vou relatar após o post.

Houve muitos números musicais, convidados que cantaram e fizeram brincadeiras com o aniversariante. Aliás, observo que o norueguês é muito musical. Quase toda festa tem convidado que canta, toca violão, piano, impressionante! Acho que isto não é tão comum no Brasil. Não ficamos até muito tarde, eu voltei dirigindo. Aqui, se alguém bebe uma cerveja sequer não pode em hipótese alguma dirigir.

Domingo nós fomos pescar, mas não tivemos sorte. Apenas dois filhotes de bacalhaus que devolvemos ao mar e um ‘lange’, primo do bacalhau, que nós também devolvemos. Como eu estava no clima de comida brasileira (italiana), fiz nhoque, ficou muito bom! A receita eu peguei no site da Ana Maria Braga.

O rei e o ovo

A convidada da festa era há alguns anos a secretária da cultura aqui da ilha e numa ocasião, o rei da Noruega veio visitar Frøya. Esta senhora ficou encarregada de ser a anfitriã. Na hora do jantar, o incidente: havia ovo no prato que foi servido. Ela começou a passar mal e tiveram que chamar a ambulância. Os guarda-costas do rei não queriam deixá-la ir embora, pois não se podia abandonar o rei no meio do jantar. Depois de explicado o motivo, ela pôde ir para o hospital. Soube-se que o rei, ao ser informado do problema, ficou muito preocupado com ela.

No dia seguinte, ela já estava recuperada e o rei foi visitar um monumento aqui da ilha. Como ela não tinha compromisso de ser a anfitriã neste dia, foi vestida com o ‘varmedress’, um macacão de inverno. Quando os seguranças a viram, disseram a ela que por questões de segurança, ela teria de ser a anfitriã neste dia também. Resultado: nos jornais, fotos do rei da Noruega com uma senhorinha de macacão de inverno – e segurando uma sacolinha do Rema 1000 (uma rede de supermercados daqui). Eu na verdade acho que o rei nem percebeu, pois ele parece ser uma pessoa muito simples. É notória a fama que ele tem de se portar como uma pessoa normal, não tem aquele glamour da família real inglesa, por exemplo.

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