Måned: september 2007

Malandro tipo exportação

Malandro tipo exportação

Vida de estudante

Quinta-feira, último dia de entrega, escrevi a versão final do artigo para a escola. Havia quatro temas a escolher: crise climática no mundo, modos de criar os filhos, o que é felicidade e o que a Noruega pode fazer para ajudar a erradicar a fome no mundo. Logo de cara já descartei o tema da criação de filhos, pois eu ainda não sou mamãe e não posso filosofar sobre algo com o qual eu não tenho experiência. O tema da crise climática virou clichê, então também descartei. Pedi a opinião do meu marido e ele sugeriu o tema da fome. Entrei num dilema: escrever sobre algo fácil (o que é felicidade) ou algo desafiador (o tema da fome)? Acabei encarando o desafio e escrevi sobre a fome. Este artigo vale nota de 1 a 6, mal posso esperar para ver a nota que eu tirei.

O próximo trabalho para entregar é um texto em nynorsk. Podíamos escolher entre dois temas: um diário de tudo o que eu fiz desde sábado passado até amanhã ou um texto sobre como é ser adulto e conciliar trabalho e família com escola. Desta vez escolhi o tema mais fácil, vou escrever um miniblog. Tenho que aprontar o texto para amanhã. Felizmente esta semana só teremos aula amanhã e estou livre na quinta. E, na outra semana teremos o que eles chamam de «høstferie» (férias de outono), uma semana sem aulas. Li a explicação sobre a origem dessas férias no blog do Lauro. Ele conta que antigamente, as crianças tinham que ajudar os pais na colheita de batatas e por isso faltavam à escola. Daí foi instituída a tal «høstferie». Mas, estar de férias não significa que eu não terei o que fazer. Estou com um livro em nynorsk chamado «Kjærleikens ferjereiser» ler e analisar para a semana seguinte.

Malandro tipo exportação 1 

Terça eu fui para Brekstad (lugar lindíssimo!) e fiz quatro aulas de volante. Quer dizer, 2 e meia, por que uma aula foi só conversa fiada, eu não dirigi nada, e o professor fez uma pausa de 15 minutos pra almoçar e não compensou os minutos no final. Ele disse que eu preciso de pelo menos mais duas aulas = 1000 coroas = mais ou menos 350 reais, antes de fazer a prova. Eu não estou com a mínima vontade de voltar lá e ter aula com ele, não gostei do modo que ele ensina. Mas, seu eu não tiver outra alternativa, vou ter que fazer as aulas.

Malandro tipo exportação 2

Deu no rádio que os campeões em mal uso do dinheiro da previdência são da região onde eu moro (Sør-Trøndelag). Eles inventam que estão doentes, arrumam um atestado médico e com isso ficam em casa meses e meses, ganhando o salário integral, pago pelo governo. É, mais um prova de que não importa se o país é de primeiro, segundo, terceiro mundo. Malandro existe em tudo quanto é canto do planeta.

Viagem relâmpago

Ontem nós fizemos um bate e volta a Trondheim. O Morten teve que ir à ótica novamente e nós visitamos nossos sogros. Minha sogra fez suflê de queijo para eu experimentar e eu adorei! Voltamos para a casa a tempo de assistir um filme que eu queria ter visto há tempos (The Manchurian Candidate), mas eu mais uma vez dormi.

Até que enfim livre da pia

Cansados de ter que lavar pilhas de louça todo dia, nós sucumbimos à tentação e pedimos um máquina de lavar louça de presente de Natal. Então a família toda vai comprar a máquina para nós. Antes, quando eu trabalhava poucos dias por semana e não tinha aula, eu lavava a louça numa boa, mas agora ficou mais difícil. A cozinha fica bem mais arrumada com a louça dentro da máquina, em vez de empilhada dentro da pia. 

Música para os ouvidos

Música para os ouvidos

Sexta-feira fomos ao concerto do trio Nordland Wind e saímos de lá completamente fascinados. Um trio muito simpático formado por um alemão, uma alemã e um escocês. A alemã, Kerstin falava um norueguês impecável. Eles tocaram músicas medievais, que nos remetiam às ilhas irlandesas. Um som muito relaxante, mas sem ser tedioso. Rolou até música celta inspirada em samba e música africana se vocês querem saber. Queria ter filmado o show, pois foi uma apresentação para nunca se esquecer. Algumas fotos:


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Kerstin, aí em cima na foto, também tocou uma música folclórica norueguesa, usando uma espécie de tambor, que aparece à direita dela na foto. Em norueguês antigo! Ainda teve canções em gaélico e em inglês. Foi uma verdadeira imersão cultural. Compramos um dos vários CDs deles, mas me arrependi de não ter comprado mais.
Mas, parando de encher a bola do trio e mudando de assunto, sábado eu tive aula de nynorsk, um dos idiomas oficiais da Noruega. Aprendemos a gramática, lemos textos e fizemos exercícios. Não foi cansativo. A gente fez uma vaquinha e a Anne-Brit foi no mercado comprar lanche para a gente almoçar. Juntamos as mesas no meio da sala de aula e almoçamos todos ali, adorei. Neste dia eu também dirigi bastante sozinha, percebo que estou bem mais  à vontade. 

Domingo ficamos em casa e assistimos um filme no computador chamado «Kjærlighetens kjøtere», sobre três homens que moram isolados numa ilha norueguesa chamada Lofoten, onde mal tem sol. Eles caçam animais para vender a pele. A solidão começa a criar conflitos entre eles. Um filme muito forte, eu gostei.

Hoje recebi minha autobiografia corrigida, e eu fiquei contente por que não houve muitos erros. A professora escreveu um comentário no final e recomendou que eu escreva frases mais curtas, preferindo pontos em vez de vírgulas. Quinta eu vou entregar o artigo, escolhi o tema sobre a fome no mundo e o que os noruegueses podem fazer para combater a fome. Acho que fui a única que escolheu este tema. Na semana que vem terei que entregar um texto em nynorsk…quanta coisa! 

Amanhã será um dia super agitado. Vou trabalhar, do shopping pego um ônibus, mais um barco e vou ter 3 horas de aula de direção em um município chamado Brekstad. Depois vou esperar o horário do barco de volta, umas três horas. Vou levar o laptop e ficar na biblioteca para passar o tempo, de repente consigo terminar de escrever o artigo. Depois volto de ônibus para casa. Serão as minhas últimas aulas antes de eu fazer o teste, mas ainda não marcaram o dia.

Nós dois começamos a tomar o famoso e inTRANgável Tran, que no Brasil é conhecido como óleo de fígado de bacalhau. Aqui há uma tradição: tome Tran em todos os meses com a letra R. Então, tomamos de setembro até abril. O motivo é a falta de sol, e conseqüentemente a falta de vitamina D no corpo, o que nos dá uma fadiga e uma fraqueza quase insuportáveis. Ainda não está totalmente escuro, mas em novembro o sol começará a nascer lá pelas 10 da manhã e se pôr às 15hs30 min. O Tran vem em duas variações: Líquido, que a gente toma de colher e cápsulas, duas por dia.

Sexta-feira, finalmente!

Sexta-feira, finalmente!

Acabei de chegar do trabalho. Hoje, depois do shopping, fui com minha chefe fazer a limpeza na escola da ilha. Na ida estava ventando tanto, que quando eu cheguei na ilha estava meio grogue. Eu não enjôo em barco, mas a ventania no rosto não me fez bem. Trabalhamos bem rápido hoje, e exatamente agora estou ouvindo o apito típico da panela de pressão. Já estou fazendo um feijãozinho pro jantar, que hoje será arroz, feijão e bife – de baleia, hehe, por que o de boi é um absurdo de caro. Às 19 hs vamos a um concerto com um trio chamado «Nordland Wind», que toca música celta irlandesa. Eu adoro este tipo de música, vai ser na igreja Sletta (olha a foto dela aqui), que fica somente a cinco minutos de carro.

Ontem eu tinha planejado ir dirigindo pra escola, e ao final da aula, às 20hs25 min, vir buscar o Morten para a gente ir malhar. Mas, eu havia me esquecido que ontem também haveria aula de Samfunnslære, então a academia ficará para amanhã cedinho. A menina que limpa o shopping nos sábados em que eu estou de folga perguntou se eu poderia trocar a limpeza da semana que vem pela limpeza de amanhã, e eu topei na hora. Assim, eu só irei para a escola e vou limpar o supermercado à noite, o dia vai ser bem mais tranqüilo. Amanhã o Morten vai viajar para Trondheim sozinho de ônibus para terminar o exame de vista (ainda não acabou!) e retorna amanhã mesmo. No domingo finalmente eu não terei abolutamente nada para fazer e vou poder relaxar. Mas, vou ter que estudar um pouquinho também, tenho artigo para entregar na quinta.

A foto que ilustra este post foi tirada ontem por volta de 7 horas da manhã, quando o Morten e eu estávamos indo pro trabalho. Há alguns momentos da vida em que  a gente recebe uma prova de que Deus existe. Este para mim foi um deles.

Pegando cada vez mais prática

Pegando cada vez mais prática

A viagem a Klæbu foi mais uma vez bem agradável. Na sexta, passeamos em Trondheim, eu fiz um novo estoque de feijão, que comprei numa loja iraniana, Morten foi fazer exame de vista (pensei que seria rápido como no Brasil, mas demorou mais de uma hora! É um exame bem mais detalhado) e passamos em algumas lojas para comprar coisas para a casa.

Enquanto o Morten foi caçar durante dois dias, eu fiquei com meus sogros e consegui escrever a autobiografia em norueguês, que eu entreguei ontem. Primeiro fiz um rascunho em português e depois traduzi, ou interpretei para o norueguês. Foram horas de trabalho, mas minha sogra e o Morten aprovaram. Eles corrigiram apenas alguns erros gramaticais, mas eu não quis que eles alterassem nada no texto. Também tive três aulas de volante com a Katrine, e desta vez foi bem melhor, eu não fiquei confusa com todas as instruções que ela me deu e tenho apenas que corrigir três coisas. Ela disse que se eu praticar bastante sozinha e fizer mais duas ou três aulas, posso tentar a prova. Domingo eu dirigi quase o caminho todo pela estrada de volta para casa e ontem fui pra escola de carro. Semana que vem vou fazer quatro horas em outra cidade, a mesma onde eu pretendo fazer o exame.

Ontem na escola finalizamos a parte de contos populares e cantigas. Foi muito difícil este assunto, por que os textos eram escritos em dialeto, e eu quase boiei. Agora vamos estudar artigos, e teremos que escrever um para daqui a dez dias! A professora nos ensinou como montar um artigo e lemos um em voz alta, um pedaço cada um. Na minha vez fiquei nervosa, e falei que, se ninguém estivesse entendendo era só falar que outra pessoa poderia prosseguir a leitura. Mas, como ninguém reclamou, li um bom pedaço e a professora ficou satisfeita. Mas, que dá medo, dá. Vou ter que começar a ler mais artigos de jornal, escutar mais rádio e ver mais notícias de TV, para pegar vocabulário para poder aprimorar a escrita. Sábado que vem vamos ter aula, 5 horas de curso de nynorsk. Aliás, a palavra ‘nynorsk’ significa ‘norueguês novo’ mas, na verdade, é um norueguês velho. Por que? Por que o nynorsk foi criado, ou restaurado a partir do norueguês falado originalmente, lá atrás, antes das uniões com a Suécia e Dinamarca, que tornaram a língua norueguesa muito parecida com os idiomas destes dois países. Está havendo um debate sobre abolir o ensino de nynorsk nas escolas, por que os alunos têm muitas dificuldades.

Pra terminar, vou deixar dois links. Um é de um comercial de café que foi veiculado aqui semana passada, e mostrou muitas imagens do Brasil, especialmente de Santos, a ‘praia dos paulistanos’, cidade da qual eu aprendi a gostar.

Friele reklamefilm 

Outro link é o do clip da música «Everybody’s free (to wear sunscreen) do Baz Lurhman. Esta música é velhinha, mas a mensagem é muito linda. Com as imagens então, ficou emocionante. Confesso, chorei.

http://www.youtube.com/watch?v=xfq_A8nXMsQ

Viagem intelectual

Viagem intelectual

Quinta-feira, o último dia ‘punk’ da semana (tenho que inserir algumas gírias, senão, vou acabar me esquecendo das palavras, e isso eu não quero). Hoje, depois do shopping, fui fazer uma limpeza numa casa, e recebemos uma visitinha:

A cabra ficou rodeando a casa e, uma hora, ela quis subir as escadas! Fiquei com medo (olha o tamanho dos chifres!), mas tadinha, ela se assustou e fugiu quando minha colega a espantou com o rodo.

Terça-feira, eu fui ao médico, um dinamarquês. Se entender norueguês já é difícil, dinamarquês é mais difícil ainda, por que eles falam de um jeito um pouco enrolado, os noruegueses até dizem que eles falam como se tivessem uma batata quente na boca. Consegui entender a maior parte do que ele disse, deu tudo certo.

Quarta-feira, eu finalmente conversei com um dos quatro jogadores de futebol brasileiros que estão jogando aqui no time da ilha. Eles jogaram um tempo na Suécia e agora estão aqui. Mas, não por muito tempo, pois os vistos deles vão expirar mês que vem e eles vão passar um tempo no Brasil e pensar se voltam ou não. Foi muito bom poder falar português.

Semana passada eu mandei minhas duas carteiras de habilitação (a brasileira e uma internacional) para o Detran da Noruega e ontem chegou uma carteira provisória que eu poderei usar até fazer a prova e tirar a norueguesa. A excelente notícia que eu recebi é que eles ampliaram o prazo para eu trocar a carteira – de outubro para janeiro! Dá pra treinar mais um pouquinho, estava começando a me estressar com o prazo tão curto. E outra, as auto-escolas aqui da região estão sem horários, mal consigo marcar aulas. Sábado eu vou fazer 3 horas seguidas numa auto-escola em Heimdal de novo. Hoje eu criei coragem e fui para o curso sozinha de carro, não fiquei nada nervosa e acho que me saí bem, já estou mais acostumada com o carro.

Amanhã cedinho, nós dois vamos fazer a limpeza juntos e de lá seguiremos para Trondheim. Vou ter que carregar comigo os livros e lição de casa para fazer, então esta viagem, para mim, terá muito pouca diversão. Tenho que entregar a autobiografia segunda-feira.

As eleições aqui em Frøya ainda não estão decididas, ninguém sabe quem vai ser o prefeito. Eles tiveram que recontar os votos e sei lá quando vai sair o resultado.