Måned: oktober 2007

Dia das bruxas com boas novas

Dia das bruxas com boas novas

O dia das bruxas, ou Halloween aqui na Noruega vem se popularizando a cada ano que passa. Hoje à noite estamos esperando as crianças aqui do bairro virem nos visitar fantasiadas para pedir godteri (doces). Ano passado meu marido não botou fé que ia aparecer alguém, e no final, quase tivemos que nos esconder e apagar as luzes para evitar mais visitas. Engraçado é que eu contei isso no blog ano passado. É estranho e fascinante ao mesmo tempo saber que agora eu tenho registro de tudo que aconteceu comigo ano passado, quando cheguei aqui na Noruega.

A partir de hoje nós dois estamos passando por uma fase nova na nossa vida, estamos fazendo novos planos e estamos até pensando em nos mudar. Como ainda não temos nada definido, não posso dar muitos detalhes, mas á medida que as coisas forem acontecendo, vou escrevendo aqui. Vejo que agora, um ano depois, já adaptada e sem medo, eu posso encarar essas mudanças com muito mais preparo e coragem.

A primeira neve do ano

Hoje eu voltei do trabalho dirigindo (a prova é daqui a duas semanas, aiaiai) e começou a nevar muito intensamente. Quando a temperatura cai para zero, temos que tomar cuidado com a estrada, ela pode ficar muito escorregadia por causa do gelo que se forma. Aliás, hoje sem falta meu marido vai trocar os pneus de verão pelos de inverno, que têm pinos de aço para amortecer o efeito escorregadio da pista.

Não é da nossa conta

Ontem assisti a um programa de debates na tv e o assunto era a proposta de uma norueguesa de abolir o uso do hijad (véu que as muçulmanas usam) e da burca (traje usado pelas mulheres afegãs que cobre praticamente o corpo e o rosto todo) na Noruega. Aliás, ela quer proibir qualquer pessoa de cobrir se rosto ao sair na rua. Ou seja, se a proposta da senhora for aprovada, ninguém pode sair na rua com máscara de Halloween ou ir a baile de máscaras. E cadê a tão anunciada liberdade religiosa da Noruega? Acho que cada um usa o que quer.

Garantindo o futuro estudantil

Garantindo o futuro estudantil

Faz um tempinho que eu não escrevo sobre o que tem acontecido ultimamente, então as notícias acumularam.

Está nas mãos deles

Hoje eu enviei para um órgão norueguês chamado «Samordna opptak» uma carta contendo meu histórico escolar do segundo grau, minha permissão de trabalho e meu certificado de proficiência em inglês, para que eles analisem e decidam se eu posso fazer faculdade na Noruega. No curso de studiekompetanse eu já estou cursando norueguês e organização política e social da Noruega. Então, se eles exigirem apenas essas matérias, beleza. Andei lendo por aí que eles exigem o exame TOEFL  ou IELTS para provar que falamos inglês, mas isso é só se eles não reconhecerem o inglês que estudamos na escola no Brasil. Eu tenho outro certificado de proficiência, o da Universidade de Michigan. Se eles exigirem o TOEFL, vou ter que fazer em maio do ano que vem em Trondheim. E tem o teste de norueguês chamado «Bergenstest», que seria o TOEFL da Noruega. Esse teste não é obrigatório. O teste do Trinn 3 que eu vou fazer em fevereiro também é aceito, isso se o norueguês que eu estou fazendo no ensino médio aqui não bastar.

Fuso menos confuso

No último domingo os noruegueses ganharam uma hora a mais no dia, por que o horário de verão acabou. Agora, a diferença entre o Brasil e a Noruega caiu para três horas. Fica melhor para ligar para a família e encontrar amigos no MSN. Em contrapartida, o dia escurece mais cedo. Ano passado eu fiz um vídeo da escuridão que estava  na rua já às cinco da tarde. Mas, o lado bom é que podemos acender dezenas de velinhas em casa e o ambiente fica super aconchegante. Aliás, aqui eu aprendi a acender velas, no Brasil eu ouvia dizer que velas pela casa somente como enfeite chamava maus espíritos, que tinha que ter copo de água do lado, etc. etc. Aqui, acender velas decorativas é a coisa mais normal.

Pechincha

No último final de semana nós usamos e abusamos de uma promoção do provedor de internet aqui de casa, que está alugando filmes a 10 coroas (cerca de 3,50 reais) cada. Pagamos pela internet e assistimos no PC. Uma locação de DVD aqui sai por 50 coroas (cerca de 17 reais) por 24 horas. Assistimos vários filmes. E vamos continuar assistindo até a promoção acabar.

Bisbilhotando a carteira alheia

No início do mês foi divulgada a lista de todos os contribuintes da Noruega, contendo as rendas anuais e o valor de todos os bens que a pessoa possui. Há quem diga que esta lista tem mais é que ser divulgada para que a imprensa e a polícia investiguem pessoas que tenham enriquecido da noite para o dia e para evitar casos de corrupção. Mas, o lado negativo é que essa lista acaba se transformando em um termômetro de status. 

Algumas fotos tiradas nas últimas semanas:


Noite de lua cheia no sábado passado (27/10/2007)

Meu marido preparando as escadas para o «feieren» (homem que limpa as chaminés). Segundo ele, a vista de lá de cima é de tirar o fôlego. Eu não tive coragem :p

A velha paulicéia desvairada, quem diria…

A velha paulicéia desvairada, quem diria…

Ontem meu marido achou um artigo num jornal norueguês falando sobre os dez destinos de viagem mais «hype», ou mais populares do ano que vem segundo o guia de viagens «Lonely Planet». Qual não foi a nossa surpresa ao ver Sampa na lista! O artigo diz que São Paulo é conhecida pela nuvem de poluição, lojas, shopping centers e restaurantes. Eu nunca tinha ouvido falar que São Paulo era tão popular assim, afinal a popularidade de uma cidade sempre está associada a sol, calor, praia e bagagem histórica. Vai entender no que eles se basearam para montar essa lista. Eu ainda não consegui acreditar.

Comigo, tudo bem, consegui entregar a crônica ontem por email e estou livre para curtir o domingo. Pena que o tempo está horroroso, o jeito é ficar em casa e descansar.

Contando ‘causos’

Contando ‘causos’

Sábado eu e o Morten fomos limpar o shopping juntos e na volta ele me deixou na escola. Tivemos um curso onde aprendemos a escrever ‘kåseri’, ou casos, crônicas. Achei o estilo bem parecido com o que uso para escrever aqui no blog, onde, afinal de contas, eu conto casos do meu dia-a-dia e tento, pelo menos, encarar as coisas com muito bom humor. Terei que entregar uma crônica daqui a uma semana, e ela valerá nota.

Sexta-feira nós assistimos ao documentário «Ônibus 174», de José Padilha. Eu me lembrava do episódio que dá nome ao filme, mas o que eu vi foi uma perfeição em matéria de detalhes e imparcialidade. Ficamos profundamente marcados pela triste história do Sandro Rosa do Nascimento e pelas pessoas que estavam no ônibus. O que podemos fazer, aqui da Noruega, para salvar os meninos se rua? Domingo houve uma campanha nacional que foi até televisada para angariar fundos para as crianças africanas que são soro-positivas. Tomara que a próxima campanha seja voltada para essas crianças de ruas, não só do Brasil, mas do mundo todo.

Domingo fez um ano que eu me mudei de mala e cuia para Noruega, com visto de noiva e sem saber se eu me adaptaria ao país. Hoje posso dizer que eu amo morar aqui, apesar de ficar irritada com muita coisa. Mas, no Brasil tinha muita coisa que me irritava, então isto não é motivo para dizer que detesto morar aqui. Dizem que lar é onde seu coração está. Considerando que meu marido é daqui, sei onde é meu lar agora e enquanto Deus permitir.

Falando em coisas que me irritam aqui na Noruega, quero registrar a minha revolta com o que aconteceu com a brasileira Luciene em Bergen. Ela sofreu um caso visível de racismo em uma loja. Você pode ler a história dela neste post do Orkut. ATUALIZANDO: O caso da Luciene saiu no jornal Bergensavisen:

http://www.ba.no/nyheter/article3038411.ece

Um dia de cão

Um dia de cão

Ontem eu tive um dia e tanto. Aconteceram coisas excelentes, mas também algumas ruins: Aqui vai a lista:

COISAS BOAS

Meu marido tirou o dia de folga por que teve que receber o eletricista (na verdade, A eletricista, nunca tinha visto uma eletricista mulher antes) que fez a nova fiação elétrica do nosso novo quarto. Ele me ajudou na limpeza do shopping e por isso acabamos super-cedo.

A supervisora da empresa de limpeza onde eu trabalho me entregou uma chave que faltava no meu molho (eu ainda me lembro do substantivo coletivo de chaves!) e agora eu posso limpar a outra parte do shopping a hora em que eu quiser. Ela também levou um aventalzinho fofo que faz parte do uniforme e eu vou recebê-lo depois que uma funcionária que está trabalhando como vikar (substituta) acabar o seu período de trabalho.

Eu fui à escola e recebi a nota do artigo sobre a fome que eu escrevi.  As notas são dadas numa escala de zero a seis. Tirei 5 na parte escrita e 4,5 no conteúdo. Ainda estou em estado de choque bom.

Assistimos ao filme baseado no livro que lemos (quase metade da classe não leu até o final, alegaram que não entenderam nada), «Kjærleikens Ferjereiser». A Anne-Brit conseguiu vaga no cinema da ilha e fomos todos assistir ao filme lá. Até o Morten veio. Gostei do filme, bem anos 70.

COISAS RUINS

Estava com uma dor de cabeça tremenda o dia todo e acabei tendo uns chiliques – coitado do marido.

Saindo da sessão de cinema, larguei minha pasta com todas a folhas distribuídas ao longo do curso no teto do carro. Quando fomos para casa, a pasta deve ter voado do teto. Voltamos á escola para procurar por ela, mas não a encontramos. Minha esperança é de que alguém a tenha achado e a devolva na escola. Caso isso não aconteça, vou ter que pedir a Anne-Brit todas as cópias novamente.

Cinco minutos antes de ir me deitar, esbarrei no frasco de sabonete que fica na pia e ele se espatifou no chão, trincando o piso e deixando o chão lambuzado de sabonete.

Mas, hoje felizmente é um novo dia e foi tudo bem no shopping (finalmente recebi caixas e mais caixas com novas luvas e produtos de limpeza). Hoje não terei algo mais para fazer. Acho que vamos só à academia mais tarde.

Nem dá para acreditar que domingo que vem fará um ano que eu cheguei à Noruega! Dia 20 de outubro de 2006 eu embarquei e aterrisei em Trondheim dia 21. Falando nisso, sábado retrasado, 11 meses e 16 dias depois de ter vindo, recebi pelo correio uma carta da UDI contendo um folheto que traz na capa:

Welcome to Norway
Information for newly arrived immigrants on their rights, opportunitites and responsibilities in Norwegian society
(Bem-vindo à Noruega
Informações para imigrantes recém-chegados sobre seus direitos, oportunidades e responsabilidades na sociedade norueguesa)

Ahnn… obrigada. Bom, pelo menos o folheto chegou e é muito interessante. Só deveria ter chegado um pouquinho mais cedo – há um ano, hehehe. A foto mostra o folheto que eu recebi.

Mundo bizarro

Mundo bizarro

Em busca da carteira de motorista

Agora não dá mais para fugir. Minha prova de direção foi marcada para o dia 14 de novembro, aproximadamente daqui a um mês. Já estou com frio na barriga só de pensar nisso. Na verdade eu já estou me preparando  para caso eu seja reprovada, embora vá fazer o meu melhor. Se o nervosismo não tomar conta de mim e eu tiver aquela sorte extra, acho que dá. Senão, paciência, faço a prova quantas vezes for preciso, contanto que eu pegue a carteira norueguesa até dia 23 de janeiro, quando o prazo para eu trocar de carteira vence. Vou fazer duas aulas alguns dias antes e meu marido quer que eu faça uma aula antes do teste. Vou ter que alugar o carro da auto-escola para fazer a prova, então preciso treinar naquele carro, que tem algumas frescuras. A chave não é chave, é um retângulo de plástico. O breque de mão é um botão no painel. 

Momentos que eu preferiria não vivenciar 

Ontem tive um momento estressante durante a limpeza no shopping. Pouco antes de eu limpar um dos toaletes, um homem entrou. Como já estou acostumada com isso (alguém consegue me explicar o que as pessoas têm que ir fazer num shopping minúsculo às 8:30 da manhã, quando a temperatura não passa dos 5 graus Celsius?), limpei outros lugares, achando que o homem iria sair logo. Cinco minutos, dez, vinte, trinta, quarenta, cinqüenta, sessenta. Isso mesmo, ele ficou trancado lá uma hora! Eu desconfio de que ele estava lá dentro usando drogas, por que a última vez que eu fui checar se ele tinha saído e tentei abrir a porta, ele esbravejou, estava claramente descontrolado. Eu sei que tem muitas pessoas que usam drogas na Noruega, mas nunca pensei que viveria isto tão de perto. Achei deprimente.

Metade do caminho

Ontem eu fui à biblioteca depois do trabalho e fiquei lá durante cinco horas, lendo o livro para a escola. Resolvi fazer isso por que em casa eu acabava não lendo. Deu certo, li mais da metade do livro e amanhã vou ficar na bilbioteca novamente para ler o restante e começar a fazer a análise. A história é interessante e eu estou conseguindo entender praticamente tudo. Nada mal para minha primeira experiência literária em norueguês, e ainda por cima em nynorsk. Ainda falando em livros, segunda-feira começou a passar aqui uma minissérie baseada em um livro famoso de uma escritora chamada Anne B. Ragde. A história se chama «Berliner Poplene». Saiu no jornal que metade dos noruegueses assistiram á estréia, tamanha a popularidade do livro.

Desilusão

Hoje também li no jornal uma reportagem onde diz que metade das mulheres que procuram os «krisesentrene» (centros que auxiliam e amparam pessoas que têm problemas domésticos, como abusos e violência) são estrangeiras. Muitas são mulheres que são completamente dependentes dos maridos noruegueses. Acho que deve ter muitas mulheres que têm aquela ilusão de que vir para a Noruega é uma solução para todos os problemas e que a vida vai melhorar. Pois não é assim não. Aqui, se a mulher não trabalha, fica dependente do dinheiro do marido, que erroneamente se sente no direito de controlá-la e usar violência, principalmente se ele ingerir álcool em demasia. Por isso que é importantíssimo começar a aprender o idioma assim que se chega aqui. As portas para um emprego se abrem e a dependência fica menor.

Reunião

Terça-feira tivemos reunião na casa de uma colega. Muito bolo, café, chocolate. Os assuntos da reunião ficaram reduzidos a meia hora, mas valeu a confraternização com as colegas. Estamos pensando em ir a um hotel jantar na época de Natal, tomara que dê certo! Nessa reunião também foi apresentada a mais nova funcionária, a minha amiga brasileira Tatiana! Ela já está trabalhando muito, minha chefe está muito satisfeita com ela e creio que vai dar tudo certo. Adorei ter uma brasileira trabalhando comigo.

Para terminar vou agradecer pelas mensagens carinhosas de algumas meninas que começaram a ler o blog. É muito recompensador saber que as minhas vivências servem para informar pessoas que estão para vir pra cá. Lembro que quando eu estava para vir alguns blogs me ajudaram demais. É uma honra saber que agora é minha vez de ajudar.

 

Kvikk Lunsj – Takk For Turen

Kvikk Lunsj – Takk For Turen

Este é o comercial do chocolate Kvikk Lunsj. Este chocolate não pode faltar nas famosas caminhadas pelas montanhas, paixão dos noruegueses. Gostei da música e das lindas paisagens. Há uma cena em que eles pintam uma pedra com tinta vermelha. Aprendi na escola esta semana que toda trilha tem no caminho pedras com um ‘T’ pintado em vermelho, que sinaliza a trilha e também leva até um chalé público onde eles podem passar a noite. Takk for turen!

Jeg går en Tur – A self portrait by Lasse Gjertsen

Jeg går en Tur – A self portrait by Lasse Gjertsen

Lasse Gjertsen fez sucesso ano passado com uma engraçada montagem dele tocando bateria e piano. Este vídeo que ele fez para o teste de admissão em uma escola de arte da Noruega, eu vi na net, adorei e achei que vale a pena postar aqui. Eu quase me vi nesse vídeo, temos idéias muuito semelhantes! E para os visitantes do blog que estão aprendendo norueguês, este vídeo é uma excelente lição, tem um vocabulário bem útil para o dia-a-dia.