Måned: januar 2008

Dirigindo na neve

Dirigindo na neve

Filmado hoje de manhã enquanto eu dirigia do trabalho para casa. Filmei com o celular, então a qualidade não está tão boa. Mas, se não dá para ver a neve caindo, pelo menos dá para ver a estrada e as árvores branquinhas.

Isso é que é sorte

Isso é que é sorte

Neste final de semana eu consegui fazer muitas coisas que estavam pendentes. A principal delas foi começar a escrever e planejar meu trabalho de literatura. Eu li os dois livros do Erlend Loe e decidi escrever sobre as crises existenciais dos personagens de ambos os livros. O segundo livro «Tatt av kvinnen» me decepcionou muito. Nem tanto pelo livro em si, mas por saber que muitas mulheres na Noruega (e no mundo todo) são exatamente como a Marianne descrita na história. Dominadora, egoísta, relaxada, anti-romântica. Pior é que são sempre elas que levam a melhor, fazer o que? Mas, deixa pra lá.

Domingo nós fomos ao cinema para assistir a um filme norueguês chamado «Kautokeino Opprøret». Ele narra a história de uma revolta que um grupo de samis (povo nativo que habita o norte da Noruega, Suécia e Finlândia) instaurou em 1852 e resultou na morte de duas pessoas. O motivo, venda abusiva de bebidas alcóolicas que viciavam os nativos e conflitos com a igreja.

Nós chegamos ao museu (aquele museu que eu limpava e onde também fica o cinema) às 20 hs, uma hora antes do filme começar. Ao perguntar por ingressos, a recepcionista nos informou que a sessão estava esgotada! Nunca pensamos que isso aconteceria, pois  Hitra é minúscula. Ficamos muito tristes e começamos a pensar no que faríamos para passar o tempo até ás 22 horas, horário em que iríamos limpar o shopping, que fica ao lado. Quando estávamos abrindo a porta para ir embora, a recepcionista nos chamou e disse que uma pessoa tinha cancelado a reserva de seus ingressos! Voltamos e ela disse que eram os melhores lugares! O mais engraçado é que perto da sessão começar havia mais lugares vagos, sinal de que mais pessoas tinham desistido de ir. Bom para os retardatários que também não tinham ingresso.

Depois do filme nós limpamos o shopping e chegamos em casa às 00hs30 min. Hoje eu só tive o shopping de Frøya e depois fui conversar com a chefe sobre o que eu vou fazer enquanto ela estiver viajando por 3 semanas.

Hoje à noite eu não sei se haverá aula de norueguês do ensino médio, por que às 18 hs os alunos do ginásio irão apresentar uma peça musical e a Anne-Brit falou que quem quisesse ir estaria dispensado.

E a neve cai lá fora…

E a neve cai lá fora…

Quando escrevi o post anterior, me esqueci de colocar umas fotos de Fillan, centro comercial de Hitra onde fica o shopping que eu limpo. Tudo branquinho!

 

 

 

 

 

 

Estacionamento

 

 

 

 

Rua principal

 

 

 

 

Depois, esquentou um pouquinho, a neve virou ‘sludd’ (metade água metade gelo) e voltou a esfriar. Isto é perigoso por que a água depositada no chão congela, a estrada fica escorregadia e as calçadas e ruas também. Existe até um acessório que podemos usar embaixo dos sapatos chamado isbrodder. É uma espécie de sola com garras, que se fixam no gelo enquanto andamos e impedem que escorreguemos. Achei uma foto para ilustrar:

Eu ainda não sei se compro um par

Ontem assistimos ao filme «O jardineiro fiel» e adoramos. O diretor é o mesmo de «Cidade de Deus», Fernando Meirelles.

Também ontem recebi o histórico do curso superior que comecei na USP há 12 anos. Meu pai que foi buscar e enviou pra mim. Eu tranquei na metade, mas aqui na Noruega um ano de universidade fora do país já me ajuda a conseguir o realkompetanse, que é o passaporte para a faculdade aqui. Mesmo assim vou ter que concluir o norueguês do ensino médio, mais OSPN e fazer o TOEFL em maio para certificar o nível de inglês. Conto mais detalhes à medida que eu for concluindo as etapas.

Finalmente chegou o final-de-semana. Trabalho amanhã em um shopping, mas meu marido vai me ajudar. Preciso começar a escrever o trabalho de literatura!

Minha redação

Minha redação

Aqui está a redação que eu fiz dia 11 e que a professora leu para a classe segunda-feira. As palavras em vermelho apontam os erros, mas no texto abaixo elas estão corrigidas.

 

 

En god lærer

 

Å beskrive hva en lærer er er ikke så enkelt. I gamle dager kunne vel noen si at en lærer var en person som underviste i å skrive, lese og regne. Da hadde læreren mye makt og fullstendig frihet til å straffe elevene ved juling. Og hvis dette hendte, ble foreldrene veldig sinte og skuffet – over barnet deres. Jeg var i spenn hver gang moren min skulle på foreldremøte fordi det lærerne syntes om prestasjonene mine var fryktelig avgjørende i livet mitt. De gangene jeg skuffet læren er umulig å glemme for så vidt.

 

For øyeblikket er læreryrket helt annerledes. En lærer har blitt et barnevakt som eventuelt underviser noe, eller forsøker å gjøre det.  Elevene har mistet all respekt for læreren. De er ikke interesserte i å lære og bruker skolen kun som et tilholdssted. Det har aldri vært så vanskelig å pålegge disiplin som nå. Årsakene til problemet ligger i barnas hjem. Foreldrene er i høyeste grad ansvarlig for måten barna oppfører seg på skolen. I et innlegg i VG 10.01.2002 skrev J.J.: ”Elevene/barna har nå fått så stor grad av frihet at de kan gjøre som de vil.”

 

Til tross for vanskelighetene og håpløsheten det er mulig å være en god lærer. Først og fremst må lærerne lære yrket og mestre det de skal lære bort slik at elevene forstår at personen som står foran dem virkelig er kompetent og har noe å tilby dem. I Geir Salvesens artikkel i Aftenposten 10.12.2001 sier elev Jeanine Watz (15): ”Lærerne får ikke disiplin og respekt fordi de ikke kan det de skal.” De fleste elevene vet i utgangspunktet at de trenger å lære noe på skolen, men når de innser at personen som burde hjelpe dem er usikker, stammer alt for mye og undervurderer dem, ser de ikke noe vits ved å delta i timene og gjøre en god innsats. Roy Jacobsen, en tidligere slem elev på Sinsen gymnas i begynnelsen av 70-tallet sier til Alexander Henriksen i Utdanning nr. 10, april 2002: ”Men du (mattelæreren hans Odd Heir) klarte å lure oss til å se skjønnheten i matematikken. For første gang ble det kult å gjøre lekser.”

Samtidig må lærerne være beskjedne og respektere elevenes idéer og individualitet. De må få elevene til å forstå at de har et utmerket potensiell og hva de mener er viktig for alle. Ingvar Ambjørnsen skriver i VG 27.04.2002 at han har lyst til å drepe en norsklærer fordi de fratar barnas leselysten ved å kreve at elevenes svar skal være akkurat som de vil.

       Selvfølgelig har lærerne ikke hele skylda. De har ikke autonomi til å styre landets skolesystem. Reform 97 gjorde at lærerne fikk bare en birolle i undervisningen. Elevene jobber med prosjekter og må i utgangspunktet klare alt selv. Lærerne har mistet sine stillinger som ledere i klasserommet. Elevene har blitt uavhengig av lærerne og skolen krevet mye mindre fra dem.  Resultatene er forbløffende. Kjartan Brügger Brånesøy skriver i Dagbladet 05.01.2002 at: ”(…) ein lite gledeleg rapport fortalde at norske 15-åringar ligg på 13. til 17. plass blant elevar frå 31 land når det gjeld leseevne og kunnskapar i matematikk og naturfag.” Regjeringen må forbedre systemet og sette lærerne tilbake til klasserommet som hovedpersonen i undervisningen. Skoletimene med bare gruppearbeid og prosjekter må bort, data i enhver aktivitet og for mye frihet må reduseres.

       Læreutdanningen må også forbedres slik at nyutdannete lærere er forberedt på å takle disiplinproblemer, oppmuntre sine elever og å forberede timene på en bra og effektivt måte.

Lærerne og elevene må forstå at utdanning er fremfor alt en forberedelse for livet, og det må taes alvor. Hvis vi tenker på denne måten kan vi forstå hva Roy Jacobsen sa til Alexander Henriksen i Utdanning nr. 10, april 2002: ”Læreryrket er det viktigste i landet. Viktigere enn statsministeren.”  Og det er dagens elever som skal avgjøre landets framtid.

 

 

Meio da semana com muita coisa pra contar

Meio da semana com muita coisa pra contar

Sábado fomos a um «loppemarked», que nada mais é que um bazar onde se vende roupas, móveis e objetos antigos. Não compramos muitas coisas, mas a aquisição mais especial foi uma máquina de escrever de 20 anos atrás que o Morten arrematou por 50 coroas, cerca de 18 reais. O jornalista aí da foto sempre sonhou em ter uma máquina dessas. Desejo realizado:

 

 

 

 

 

Domingo, enquanto tirávamos um cochilo no meio da tarde ouvi a campainha. Sem vontade alguma de atender, fiquei enrolando um pouco. Mas, eis que escuto a porta se abrindo! Pulei do sofá e era minha chefe trazendo as chaves do shopping. É, parece que aqui em Frøya o povo vai entrando na casa dos outros sem a menor cerimônia. Vou lembrar de trancar a porta daqui pra frente!

No final de semana assistimos a muitos filmes, coisa que eu amo fazer: An-Magritt (filme norueguês de 1969 baseado em romance do Falkberget, autor da minha apresentação), We were soldiers, do Mel Gibson, 16 blocks com o Bruce Willis e Finding Neverland, com Johnny Depp.

Segunda-feira tive um contratempo. Faltava uma chave do shopping no molho que a chefe me trouxe domingo. Tive que ir até Hitra limpar primeiro, pegar a chave faltante com ela e limpar o shopping em Frøya em seguida. Parece que segunda é o dia do imprevisto.

No jantar fizemos um prato diferente, que eu confesso que não achava que iria gostar. Espaguete com mexilhões. Eu, que sempre disse que não suportava frutos do mar, estou ‘pagando a língua’. Delicioso!

 

 

Segunda, na aula de norueguês do ensino médio, a Anne Brit distribuiu as redações que fizemos há dois sábados. Ela pediu permissão pra ler a minha em voz alta para os outros, por que ela queria mostrar a eles como é importante usar a apostila que ela havia nos dado antes da redação. Eu citei muitos textos desta apostila, e ela adorou. Tirei 5 no idioma e 5,5 no conteúdo, sendo que o máximo é 6.

Vou publicar a redação no próximo post.

O dia em que a bruxa estava solta

O dia em que a bruxa estava solta

Para poder passar a quinta em Trondheim, eu tive que trabalhar dobrado na quarta. Limpei os dois shoppings, de manhã e depois á noite. Quando acabei o segundo shopping, nós partimos para Trondheim. Eram mais ou menos 21hs30min. Depois de dirigir por pouco mais de uma hora, nos deparamos com triângulos de advertência na estrada. Sinal de acidente. Três caminhões transportando salmão patinaram na estrada e tombaram no canteiro. Previsão para a liberação da pista – 4 horas! Tivemos que retornar. Na estrada entre as duas ilhas, um carro que também tinha saído da pista e batido no canteiro. Espera de 15 minutos. E mais adiante, na entrada do túnel, um aviso de que ele estava fechado! Mais 15 minutos de espera. Chegamos em casa à meia-noite.

No dia seguinte, acordamos às 5hs da manhã e lá fomos nós de novo. O noticiário do rádio anuncia que a estrada ainda não havia sido liberada! Como meu marido tinha um compromisso importante, resolvemos tentar chegar até o ponto onde a estrada estava bloqueada na esperança de que até lá ela estaria livre para o tráfico. Deu certo, poucos minutos depois disseram que estava tudo normalizado.

No final, meu marido conseguiu chegar a tempo para o compromisso e eu esperei por ele na biblioteca de Trondheim, onde emprestei um filme baseado em um livro do escritor sobre o qual vou falar na minha apresentação. Visitamos minha sogra e voltamos pra casa. Eu ainda tive aula de OSPN (organização social e política norueguesa) das 17hs às 18hs45min. Estamos muito cansados por causa do estresse todo. O que valeu a pena foi a paisagem em Trondheim e Klæbu ontem (foto). Isto  é o que eu chamo de inverno.

Muita lição

Muita lição

Esta semana está passando rápido, já é quarta-feira! O bom é que estou tendo mais tempo livre do que habitualmente. Amanhã não haverá nem aula norueguês para imigrantes nem aula de norueguês para ensino médio. Só terei organização política e social norueguesa e mais cedo. Terei o final-de-semana livre de trabalho, mas em compensação lotado de coisas da escola pra aprontar. Daqui a algumas semanas todos os alunos vão apresentar um escritor importante na literatura norueguesa e eu tenho que preparar uma apresentação sobre Johan Falkberget.

A Valborg do norueguês pra imigrantes me deu três livros de gramática recheados de exercícios para eu fazer como preparação para a prova, daqui a 3 semanas. Perguntei a ela se eu poderia continuar freqüentando o curso mesmo após de ter feito a prova e se eu tiver passado, e ela respondeu que não tem problemas, que eu a ajudo muito no computador.

A Noruega está tendo uma triste semana, em decorrência do atentado suicida no hotel em Kabul, Afeganistão, onde a delegação norueguesa, incluindo o ministro das relações exteriores estava hospedada. O atentado causou a morte de um jornalista que cobria a visita. Discutiu-se a facilidade com que qualquer pessoa pôde ter acesso ao programa da delegação naquele país. Internet tem lados bons e ruins.

Faremos uma viagem relâmpago esta noite.

Sábado escolar

Sábado escolar

Ontem, então, foi a prova sobre a qual eu falei no último post. Levei o PC pra escola, a apostila distribuída dois dias antes, minhas redações anteriores, água, suco e sanduíche para agüentar a maratona de cinco horas tentando escrever algo decente. Na primeira hora eu só enrolei. Ouvia música e folheava a apostila em busca de inspiração. Somente a partir da segunda hora é que eu comecei a produzir. Escrevi sobre o que é um bom professor. Terminei quando faltava 1 hora e meia para acabar o prazo. Como eu salvei o que escrevi no computador e imprimi na escola, meu marido pôde ler minha redação em casa e disse que eu cometi uns 10 erros, que em algumas frases fica bem claro que é uma estrangeira escrevendo. E, que algumas frases são longas demais. Nas aulas de redação no Brasil a gente tinha que escrever frases longas, usar conectores, mas aqui é completamente o oposto. Go figure. Mas, ele chutou que eu tiro um 4, e se tiver sorte um cinquinho. Tomara!

Balanço depois da primeira semana acordando com as galinhas:

– Consigo acordar 3:30 sem problemas. Chego no primeiro shopping com muito pique e termino o trabalho em menos de duas horas, o tempo estipulado pela chefe. Isto à base de música boa nos ouvidos, com mp3 player.

– Dirijo pro outro shopping e lá faço o serviço todo voando. Não resta dúvidas de que sou uma A-menneske (expressão norueguesa que descreve pessoas que rendem bem pela manhã).

– Terças e quintas tem um escritoriozinho entre os dois shoppings. Quinta-feira bati o recorde: 20 minutos e tudo estava limpinho.

– Terças e quintas tenho curso de norueguês para imigrantes. Mesmo já com a bateira fraca, consigo acompanhar. E outra, depois de 7 de fevereiro, paro de ir.

– Chego em casa caindo de sono, durmo umas duas horinhas e consigo tirar o resto do dia pra fazer outras coisas. Segundas e quintas à noite tem escola.

Estou gostando, é uma delícia trabalhar de madrugada sem gente atrapalhando o meu serviço.