Måned: februar 2008

Estrela d’urso Filho de urso

Estrela d’urso Filho de urso

Ontem na escola uma colega falou sobre o escritor cujo nome traduzido para o português está escrito acima. Não, ele não é um nativo de uma tribo indígena sioux ou cherokee lá da América do Norte. Trata-se do norueguês Bjørnstjerne Bjørnson, um célebre escritor que ganhou o prêmio Nobel e escreveu a letra do hino nacional da Noruega. É hilário como, quanto mais tempo eu vivo aqui, mas entendo a tradução dos nomes. Nomes que à primeira vista são lindos de ler, mas que na verdade significam ‘monte’, ‘lago’, ‘passarinho’, etc. Acho que deve ser a mesma coisa do lado oposto, eles vêem os nomes latinos e acham o máximo.

Recebi minha redação e tirei 6 no conteúdo e 6 no idioma. Ainda não acredito completamente que tirei a nota máxima. Tem mais redação para fazer, não sei se eu repito a façanha de tirar 6 de novo. A redação eu publico no próximo post. 

Acabei de mandar o requerimento para os cursos superiores que eu tenho vontade de fazer caso dê tudo certo com a papelada. Vou saber a resposta mais pra frente. O que eu vou fazer e deixar de fazer está dependendo do rumo que a nossa vida vai tomar e isso só vamos saber daqui a alguns meses.

Faltam só 2 dias para nossa viagem romântica a Stavanger. Vou fazer muita limpeza amanhã e quinta de manhã depois do shopping em Hitra, vamos cair na estrada para Trondheim e o avião parte sexta de manhã. Nós nunca viajamos de avião juntos, vai ser a primeira vez. Ele foi sozinho ao Brasil, eu vim sozinha pra cá. Nós só andamos juntos de carro, ônibus, barco, bonde, balsa, metrô e trem.

Måneformørkelse

Måneformørkelse

Ontem, conforme meu plano, escrevi mais coisas para meu trabalho de literatura. Sintonizo a rádio Cultura FM de São Paulo pela net e, ao som de música clássica eu entro no embalo. Passei horas escrevendo e o resultado foi bom. Meu marido deu uma olhada e disse que é exatamente aquilo que a professora espera que eu escreva. Eu preciso muito da orientação dele, por que os noruegueses têm um código de escrita diferente dos brasileiros. Por exemplo, eu sempre aprendi nas aulas de redação que devemos evitar muitos pontos finais e abusar de conectores. Aqui, é o oposto. Quanto mais sentenças curtas, melhor.

Hoje eu acordei meia hora mais cedo por que deu no jornal local que a gente poderia ver o eclipse lunar (que é a tradução da palavra no título do post). Ajustei o despertador para as 2:45 da madrugada e saímos lá fora para ver. Infelizmente havia muitas nuvens encobrindo a lua. Estávamos meio desapontados, até que aconteceu. Mesmo com algumas nuvens, vimos o momento exato em que a lua sumiu. Eu não sabia que era tão rápido! Lindo, valeu a pena cair da cama.

Falando na palavra «rápido», eu dou risada quando vejo quantas palavras latinas os noruegueses gostam de usar aqui. Se no Brasil a moda é usar e abusar do ‘ingreis’, aqui o que reina mesmo é espanhol e português. Por exemplo, tem um aspirador de pó chamado «Ergo Rapido» e no comercial o locutor fala raPÍdo em vez de RÁpido. Já vi uma marca de toalhas de papel para as mãos chamada «Ultima towels». Se eu fosse dona de uma marca, jamais a chamaria de «última», por razões óbvias, hahaha. E ainda mais aqui em Frøya, cheinho de indústrias que processam peixe, é um tal de «SalMAR», «SanaMAR», «BioMAR». Se eu vir mais alguma marca com nome latino eu posto aqui.

Bestått

Bestått

Ontem recebi pelo correio o resultado da prova oral do Trinn3 que eu fiz há dez dias. Aqui está:

Onde lê-se «bestått» significa «aprovada». Dia 13 de março eu recebo o resultado da prova escrita. Mas, para que serve essa prova, afinal? Na prática, para nada, por que esta prova não me autoriza  entrar na faculdade, por exemplo. Mas, ela documenta que eu, como imigrante, estou no nível mais alto exigido para se arrumar trabalho e também me libera das 300 horas/aula de norueguês que um imigrante precisa ter completado na hora de tirar o visto de permanência. O meu só vou tirar ano que vem, mas estarei dispensada das aulas se passar na escrita também.

O tempo foi passando e eu me esqueci de contar que eu consegui meu histórico escolar na USP. Eu fiz 1 ano e meio de faculdade de Letras com habilitação em alemão e português na USP em 1996/1997, mas larguei tudo e nunca mais retomei. Em janeiro meu pai foi buscar o histórico pra mim na Letras, enviou pro tradutor e eu recebi semana retrasada. Com esse papel, mais a aprovação no colegial norueguês, mais 500 pontos no exame de inglês TOEFL eu posso conseguir finalmente o ‘real kompetanse’, que é a habilitação para entrar na faculdade.

Ontem eu adiantei um pouquinho meu trabalho de literatura e hoje vou trabalhar mais nisso. Quero terminar bem antes do prazo, por que ainda nem comecei a organizar a apresentação do Falkberget.

Mais uma coisa que eu já ia me esquecendo: Depois de 2 meses e 5 dias, minha família no Brasil recebeu o pacote que eu mandei com presentes de Natal (?!). Eu já tinha até perdido as esperanças e estava com muita raiva do correio e da alfândega, pois achava que eles haviam aberto o pacote e afanado tudo. Mas, entregaram na porta, meu pai disse que estava tudo em ordem e eles adoraram tudo. Agora já sei que quando mandar outro pacotão de 8 quilos como aquele, terei que mandar com muito mais antecedência.

Férias de inverno

Férias de inverno

Como eu já escrevi antes, aqui nós estudantes não temos férias longas após as festas de fim de ano como acontece no Brasil. Dia 2 de janeiro já estamos todos de volta às aulas. Só que, felizmente, esta semana temos um descanso. Trata-se das «vinterferie», férias de inverno, sem aulas por uma semana. Muitas famílias viajam para os chalés nas montanhas e vão esquiar, mas, como eu trabalho, vou ficar em casa mesmo curtindo o tempo livre. Se bem que eu não vou me afastar dos livros, por que quero adiantar bem o trabalho de literatura que vou ter que entregar dia 31 de março. Aliás, logo após outra semana de férias aqui na Noruega, a «Påskeferie» (férias de Páscoa).

O motivo pelo qual eu quero adiantar bem o trabalho é que semana que vem eu e o Morten vamos passar um final de semana em Stavanger para comemorarmos nosso primeiro aniversário de casamento. Por que Stavanger? Por que quando nós começamos a nos falar pela internet em 2004, ele estava morando lá ainda como estudante de jornalismo. Então temos muitas boas memórias de lá.

Falando em aniversário, sábado foi aniversário dele e recebemos visita da família dele. Passou tudo muito rápido, mas a comida e o bolo agradaram e todos nós nos divertimos muito, principalmente o aniversariante 😉 

Faxina geral

Faxina geral

Com o aniversário do meu marido se aproximando e reforma terminada até segunda ordem, eu e ele vamos fazer a faxina geral, a famosa «rundvask», como eles a chamam aqui. Lavar teto, paredes, rodapés, janelas, armários, e chão. As casas aqui têm praticamente 100% de sua estrutura composta de madeira, em vez do cimento e pisos cerâmicos do Brasil. Então, aqui não dá para jogar água em tudo com o balde, escovar com muito sabão e enxaguar tudo com mais água, por causa da umidade que causa mofo.

Fotos do yndregang (segundo hall) antes:

                                         

 

 

 

 

E depois:

 

 

 

 

 

 

 

Não entrou um pedreiro, arquiteto, decorador em casa, não. Fomos nós que decidimos tudo e ele que executou o trabalho. Estou orgulhosa dele, sim! 😉

Saindo do período das trevas

Saindo do período das trevas

Hoje o dia clareou super cedo, às 8 da manhã. Depois do período aqui conhecido com «mørketid» – tempo da escuridão, que provoca uma sensação de tristeza, apatia e para alguns até depressão, estamos nos aproximando de dias melhores.O sol está brilhando lá fora, embora a temperatura ainda esteja baixa, perto de 0 grau. Esses dias eu me dei conta de como o corpo se aclimata a novos lugares. Lembro que em Sampa quando a temperatura estava abaixo dos 20 graus, sentia frio, saía de casaco e com todo o arsenal. Aqui, quando está 4, 5 graus, eu exclamo «Hoje está quente!». E realmente, não preciso de calça de lã, casacos pesados, luva, cachecol e gorro Um suéterzinho e uma jaqueta resolvem.

Esta semana será corrida. Aniversário do maridão sábado, visita da família dele em peso no final de semana. Reformas na reta final, pelo menos por enquanto. Hoje à noite teremos aula só 45 minutos, depois a professora e a maioria dos alunos vai ao teatro.

Não é fácil

Não é fácil

Ultimamente os noticiários noruegueses tem trazido casos de imigrantes estrangeiras que receberam ordem de expulsão do país das autoridades imigratórias da Noruega.

O primeiro é de uma cientista russa que trabalhava com tecnologia de navegação por GPS. Ela veio para a Noruega em 1997 com visto de estudante. Em 2004 ela conseguiu uma bolsa de doutorado na universidade de Trondheim. Em 2004 ela se casou com o namorado de longa data, um russo que já era cidadão norueguês. Acontece que eles tinham residência fixa em Kristiansand, extremo sul enquanto ela tinha que se deslocar para Trondheim, centro da Noruega para trabalhar. Pouco tempo depois eles se divorciaram e a UDI, o departamento de imigração, negou a ela o visto de permanência, obtido após 3 anos de residência no país. Ela alega que informou duas autoridades que tinha que se deslocar para trabalhar e eles disseram que isso não seria problema. Mas acabou sendo. A imigração suspeita de que ela e o namorado russo se casaram por conveniência, ou seja, apenas para que ela obtivesse o visto e depois eles dissolveram a união. E ainda alegaram que é proibido pela lei que casais de imigrantes se desloquem grandes distâncias para trabalhar. Após muitos pedidos de revisão e recursos e muita exposição na mídia, ela acabou mesmo sendo expulsa. Agora ela pretende continuar seu trabalho de pesquisa na univesidade de Calgary no Canadá, de quem já recebeu convite.

Houve uma grande mobilização para que ela permanecesse, mas não adiantou. O governo bateu o pé e disse que a lei está lá para ser cumprida e que, se eles abrirem uma exceção, vira tudo bagunça. Eles pareciam ter absoluta certeza de que ela realmente tinha tido um casamento por conveniência. Será que houve investigação secreta?

O outro caso é de uma vietnamita que veio casada com um norueguês em 2000 e quando faltavam 4 meses para completar 3 anos de residência na Noruega, eles se divorciaram. A lei diz que é obrigatório morar na Noruega 3 anos com vistos temporários para então obter o visto definitivo de permanência. Ela estava grávida nesta época e infelizmente sua filha veio a falecer alguns meses depois. Desde então ela só vem recebendo notificações de expulsões do país, até que o caso veio parar na mídia. Ela tem irmã aqui, tem emprego fixo e para completar, está esperando bebê. Há muitas mobilizações para ajudá-la também e o desfecho do caso ainda está indefinido.

A minha opinião é que se há uma lei e um imigrante burlou essa lei, deve ser punido. Mas, como saber se tudo que a UDI diz que eles fizeram de errado procede ? Eles estão sendo tiranos ou justos? Eu sei o transtorno que é depender da UDI e sei que eles são muito desorganizados e desinformados. Agora fica  o aviso. Quem é casada aqui, não pode se desgrudar do marido e ir trabalhar e estudar em outras bandas antes dos 3 anos de residência. Acho isso falta de liberdade para ir e vir. Eu não posso viajar ao Brasil antes de ter conseguido meu segundo visto, que pedirei agora em abril. São tantos pequenos detalhes que chega a assustar.    

Mais uma missão cumprida

Mais uma missão cumprida

O meu dia hoje na verdade começou ontem. Eu tive que ir limpar o shopping em Frøya quarta-feira à noite. Hoje de manhã terminei o serviço nos outros dois locais e fomos para Orkanger. Uma hora e meia de viagem. Estava cansada, mas isso não tirou minha animação. Já na chegada cumprimentamos o diretor da prova e uma hora depois o Morten me deixou no local de prova.

Havia somente eu e mais três garotas. Uma russa, uma romena e uma australiana. Logo de cara começamos a conversar e todas eram muito simpáticas. A primeira parte da prova foi compreensão auditiva. Vinte e sete exercícios que completamos em meia hora.

A segunda parte da prova veio logo em seguida. Leitura. Cinco textos com perguntas relacionadas. Eu achei fácil, era só copiar as respostas do texto. O diretor da prova entrou na sala e nos presenteou com uma fruta cada. Achei super gentil.

Tivemos uma pausa de meia hora e todas nós mais o marido de uma delas fomos comer um lanchinho rápido num café ao lado.

Voltamos e foi a vez de escrever redações. A primeira tratava-se de uma carta reclamando de um serviço de marcenaria mal feito em minha casa. A segunda parte tinha duas opções, das quais eu escolhi uma. A primeira era uma dissertação sobre a igualdade dos sexos e a segunda era uma redação sobre meus sonhos para o futuro.

Acabada a parte da redação, nós três nos reunimos em uma sala de espera e conversamos enquanto esperávamos pela prova oral, que começou às 15hs.  Os examinadores nos chamaram e a prova começou. Nós três conversamos sobre o que nós faríamos se ganhássemos 10 milhões na loteria. Depois foi a vez de cada uma divagar sobre um tema. O meu foi o modo como eu encaro os meios de transporte que eu uso. Eu incluí poluição, meio ambiente e diferença entre Noruega e São Paulo na conversa.

Finalmente foi a vez de um debate sobre o cuidado com os idosos. Foi muito interessante e todas falamos bem e nos entendemos. Acabada a prova, o Morten me esperava com flores e uma lembrancinha. Foi um dia extremamente cansativo, mas estou muito feliz por tudo ter ido bem. O resultado da prova oral sai em 15 dias e a escrita sai em um mês.

Terça-feira gorda

Terça-feira gorda

Hoje no Brasil é feriado, mas aqui não. Dia normal de trabalho e escola. Ouvi no rádio que a terça-feira gorda tem este nome por que é o primeiro dia após um longo jejum de 40 dias que se praticava antigamente por influências religiosas. Então, na terça-feira todo mundo se esbaldava com bacon, outras comidas pesadas. Só agora é que eufui entender o por quê da terça ser «gorda».

O Carnaval aqui significa festinha a fantasia, mais comum nos jardins de infância. Aliás, eu notei que a Noruega, em razão do frio e escuridão que marcam esta época do ano, precisam desesperadamente de algo para tentar fazê-los esquecer ou maquiar esta depressão que sempre anda à espreita. Santa Luzia, Natal, Carnaval, Páscoa…são ocasiões repletas de tradições e eles levam muito à sério. Eu não gosto muito desse excesso de tradições. Por exemplo, domingo passado, segundo a tradição, teríamos que ter feito pães doces (boller). Felizmente não somos paranóicos.

Tive minha última aula com a Valborg antes da prova quinta-feira. Não estou nervosa ainda, mas sei que na hora da prova oral eu vou ficar. Será um bate-papo com outro candidato em norueguês com duração de 15 a 20 minutos. Eu não pretendo parar com as aulas, mas deverei ir com menos frequência caso eu passe.

No ensino médio eu recebi meu boletim do primeiro semestre. Tirei 5 em norueguês (nota máxima 6) e 4 em OSPN. A primeira metade do curso ficou pra trás.

Sempre tem uma primeira vez…

Sempre tem uma primeira vez…

Hoje de manhã, às 6 hs, após terminar a limpeza no shopping de Frøya, iria passar na casa da minha chefe e colocar uns mopps para lavar. Estava nevando muito intensamente e nenhum «brøytebil» (tratores que varrem a neve para fora da estrada) havia passado ainda. Eu dirigia muito devagar, mas mesmo assim, não deu para evitar. O meu carro rodopiou no meio da estrada e foi parar no canto, num monte de terra. Felizmente eu não sofri nada e consegui manter a calma. O carro também não bateu em nenhuma pedra. Nenhum arranhão. Ele ficou atolado entre a estrada e o monte de terra. Enquanto eu tentava ligar para o meu marido para saber o que fazer, tentei sair do buraco, sem sucesso. Até que um taxista parou e perguntou se estava tudo bem. Pouco depois chegou uma mulher que também ofereceu ajuda. Eles me disseram que eu deveria ligar o carro e dar marcha ré. Os dois levantaram a frente do carro e nós conseguimos tirá-lo do buraco! Agradeci demais e voltei para casa para relaxar um pouquinho e pedir ao meu marido para dirigir até Hitra, por que eu estava com medo de dirigir. Deu tudo certo, estamos em casa sãos e salvos. E eu não fui a única, por que em Hitra paramos para ajudar um outro taxista que tinha saído da estrada também. Eu estava preparada para que isso acontecesse algum dia. Foi assustador, mas espero que este acidente tenha me dado experiência.

Amanhã tem escola das 10hs às 15hs. Vamos ler uma obra de Henrik Ibsen e estudar o romantismo norueguês.