Não é fácil

Não é fácil

Ultimamente os noticiários noruegueses tem trazido casos de imigrantes estrangeiras que receberam ordem de expulsão do país das autoridades imigratórias da Noruega.

O primeiro é de uma cientista russa que trabalhava com tecnologia de navegação por GPS. Ela veio para a Noruega em 1997 com visto de estudante. Em 2004 ela conseguiu uma bolsa de doutorado na universidade de Trondheim. Em 2004 ela se casou com o namorado de longa data, um russo que já era cidadão norueguês. Acontece que eles tinham residência fixa em Kristiansand, extremo sul enquanto ela tinha que se deslocar para Trondheim, centro da Noruega para trabalhar. Pouco tempo depois eles se divorciaram e a UDI, o departamento de imigração, negou a ela o visto de permanência, obtido após 3 anos de residência no país. Ela alega que informou duas autoridades que tinha que se deslocar para trabalhar e eles disseram que isso não seria problema. Mas acabou sendo. A imigração suspeita de que ela e o namorado russo se casaram por conveniência, ou seja, apenas para que ela obtivesse o visto e depois eles dissolveram a união. E ainda alegaram que é proibido pela lei que casais de imigrantes se desloquem grandes distâncias para trabalhar. Após muitos pedidos de revisão e recursos e muita exposição na mídia, ela acabou mesmo sendo expulsa. Agora ela pretende continuar seu trabalho de pesquisa na univesidade de Calgary no Canadá, de quem já recebeu convite.

Houve uma grande mobilização para que ela permanecesse, mas não adiantou. O governo bateu o pé e disse que a lei está lá para ser cumprida e que, se eles abrirem uma exceção, vira tudo bagunça. Eles pareciam ter absoluta certeza de que ela realmente tinha tido um casamento por conveniência. Será que houve investigação secreta?

O outro caso é de uma vietnamita que veio casada com um norueguês em 2000 e quando faltavam 4 meses para completar 3 anos de residência na Noruega, eles se divorciaram. A lei diz que é obrigatório morar na Noruega 3 anos com vistos temporários para então obter o visto definitivo de permanência. Ela estava grávida nesta época e infelizmente sua filha veio a falecer alguns meses depois. Desde então ela só vem recebendo notificações de expulsões do país, até que o caso veio parar na mídia. Ela tem irmã aqui, tem emprego fixo e para completar, está esperando bebê. Há muitas mobilizações para ajudá-la também e o desfecho do caso ainda está indefinido.

A minha opinião é que se há uma lei e um imigrante burlou essa lei, deve ser punido. Mas, como saber se tudo que a UDI diz que eles fizeram de errado procede ? Eles estão sendo tiranos ou justos? Eu sei o transtorno que é depender da UDI e sei que eles são muito desorganizados e desinformados. Agora fica  o aviso. Quem é casada aqui, não pode se desgrudar do marido e ir trabalhar e estudar em outras bandas antes dos 3 anos de residência. Acho isso falta de liberdade para ir e vir. Eu não posso viajar ao Brasil antes de ter conseguido meu segundo visto, que pedirei agora em abril. São tantos pequenos detalhes que chega a assustar.    

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