Måned: mars 2008

Prioridade: escola

Prioridade: escola

Minha Páscoa foi a Páscoa mais norueguesa que eu já tive – das duas que eu passei aqui. Depois eu conto com mais detalhes. Tem até vídeo da minha estréia sobre os esquis, com tombos e mais tombos. Apesar disso, eu adorei.

Esta semana estou correndo para terminar de vez o meu trabalho de literatura. O prazo de entrega é segunda-feira dia 31, mas eu quero terminar antes do final de semana, por que amanhã, sexta, vamos para Trondheim. Eu que pensei que manjava o word, quebrei a cara. Meu marido me ajudou demais na formatação do trabalho e usou ferramentas do programa de texto que eu nem imaginava que existisse.

Depois de entregue o trabalho, tenho que preparar o seminário que apresentarei sábado dia 5. Felizmente depois dessa avalanche de trabalhos escolares, ficará tudo um pouco mais calmo.

Kos

Kos

Eu ouvi falar muitas vezes que a palavra «saudade» é uma exclusividade da língua portuguesa. Que nenhum outro idioma do mundo tem uma palavra para exprimir este sentimento. Mas, já ouvi dizer também que isso não passa de mito, que é invenção.

Na Noruega também existe uma palavra que eles alegam existir somente em norueguês. «Kos». «Kos» não tem uma tradução direta, mas seriam os momentos passados com gente que você gosta relaxando e fazendo coisinhas que dão prazer. Pode ser jantar, assistir filme, conversar, jogar baralho, namorar, etc. Enfim, se divertir. Como aqui o inverno é severo, a única opção na maioria das vezes é se trancar em casa e «kose seg». É frequente dizemos uns para os outros «Kos deg» quando queremos desejar que a pessoa se divirta, ou que a pessoa tenha momentos aconchegantes.

Mesmo tendo uma pronúncia um tanto peculiar para uma falante de português – cus – acho a palavra «kos» bem charmosa. Então, «kos deg»!

Que Páscoa é essa?

Que Páscoa é essa?

Esta semana aconteceu algo inesperado. Vou contar do princípio. Aqui em Frøya, a situação na escola ginasial está caótica. Parece que os professores brigam entre si e que faltam muito, deixando os alunos sem aulas. O caos chegou a tal ponto que o «rådmann» (espécie de braço direito do prefeito) teve que intervir para resolver o problema. Houve uma reunião entre ele e os pais anteontem para colher sugestões de como solucionar a falta de aulas, por que as provas finais serão daqui a apenas dois meses. 

Eis que ontem recebi um telefonema da minha chefe, que também é melhor amiga da minha professora de norueguês, Anne Brit. As duas têm filhos estudando naquela escola. Ela falou que elas queriam perguntar pra mim se eu permitiria que elas sugerissem o meu nome para o «rådmann» como uma possível professora de inglês para ajudar os alunos a recuperarem o tempo perdido. Fiquei surpresa e disse que tudo bem. Pouco depois, o «rådmann» em pessoa me ligou e perguntou sobre minha experiência. Eu disse que lecionara 10 anos no Brasil mas, o que eu acho que não colou muito foi quando eu disse a ele que eu não tinha formação acadêmica e que pretendia fazer a faculdade aqui na Noruega. Ele respondeu que irá entrar em contato quando souber mais detalhes. Bom, se eu vou receber esta missão ou não, eu não  sei, mas só o fato de ter sido indicada foi algo além do que eu esperava.

Semana que vem é mais uma semana de férias para muitos noruegueses, a chamada «Påskeferie» (férias de Páscoa). Os estudantes terão a semana inteira livre na escola e os adultos terão pelo menos a quinta (skjærtorsdag), sexta (langfredag) e a próxima segunda-feira (2. Påskedag) livres, além do sábado e do domingo. Eu vou trabalhar até quarta à noite e depois vamos até o chalé da família do meu marido passar a quinta, a sexta e o sábado. Vou levar meus esquis que estão embrulhados desde o Natal para ver se, finalmente, sai uma aula de esqui.

Agora vamos às diferenças entre as Páscoas brasileira e norueguesa.  Enquanto no Brasil a estrela é o coelhinho da Páscoa, aqui é o pintinho da Páscoa:

Não vou dizer que o coelho também não faz parte da Páscoa daqui, mas em bem menor escala que o amarelinho aí em cima. Quase todos decoram suas casas com motivos amarelo,  laranja e, claro, pintinhos. Velas, toalhas de mesa, ovinhos, árvores de galhos com pintinhos e ovinhos pendurados, é bem diferente do Brasil.

Os ovos de chocolate não existem. Se bem que hoje eu vi num programa de culinária um chef ensinando a fazer ovo de chocolate. Pode ser que moda comece a pegar. O «pintinho da Páscoa» traz para a criançada ovos de papelão com doces e chocolates dentro. Assim:

Até aí tudo bem. Agora, tem uma coisa muito bizarra. Eu não sei se é por que eu cresci associando Páscoa a Jesus Cristo e sua crucificação e ressurreição, eu fico chocada com as outras tradições. Por exemplo, dizem que na semana da Páscoa é tradição ler um livro cujo tema é: crime! Eles têm até um nome para isso, «Påskekrim». As redes de televisão exibem minisséries sobre assassinatos.

Não tem malhação do Judas no sábado de Aleluia e não tem bacalhau na Sexta-feira Santa. Por incrível que pareça! Mas, depois da volta eu conto mais, se tiver alguma outra tradição que eu ainda não conheça. Só espero que não seja bizarra.

1 ano de casados – Stavanger, 29.02 – 02.03.2008

1 ano de casados – Stavanger, 29.02 – 02.03.2008


Deixamos o registro de que estivemos na Solastranda.

Era um vez, no finalzinho de 2003 um estudante de jornalismo morando num apartamento no porão de uma casa em Stavanger que começou a conversar pela internet com uma brasileira que morava em São Paulo. Hoje eles estão casados há um ano. Esta é a nossa história. Nada melhor que comemorar nosso aniversário visitando o lugar onde tudo começou.

Redação nota «10»

Redação nota «10»

Conforme prometido no post anterior, aqui está a redação que me rendeu nota máxima tanto no conteúdo como no uso do idioma. As palavras em vermelho são os erros corrigidos. Estou muito ocupada, mas hoje vou tentar atualizar o blog.

Dialektens diktatur

 

 

       Thore Roksvold skriver i sin artikkel ”Norsk mediespråk” i Språknytt 1/1998: ”Den viktigste språkutviklinga som etter mitt syn har skjedd i de 25 åra Språkradet har eksistert, er at det nå er blitt gjengs å bruke dialekt i radio og fjernsyn”. Det må være bare i Thores syn at dette betyr språkutvikling.

I norskboka står det at Norge har hatt mange forskjellige dialekter på grunn av dalene som gjorde at transport og kontakt med folk fra andre steder i landet ble nesten umulig. Slik var situasjonen for tre, fire hundre år siden. I det siste hundreåret  har transportteknologi oppnådd en så stor fremgang at det er mulig å reise fra Kirkenes til Oslo på tre timer med fly. Daler, fjell og lange vintere kan slett ikke brukes som forklaring. Likevel har Norge, etter årtusenskiftet, ”like mange dialekter som det finnes steder” (Hallgeir Opedal, Dagbladet, 19.02.2000). Et land som er 386.433 km2 stort  og hvor 4.717.982 mennesker bor ifølge Wikipedia. 

Før jeg kom til Norge, trodde jeg at folk enten snakket bokmål eller nynorsk. Da jeg kom hit, oppdaget jeg at bokmål og nynorsk derimot er skriftlige språk. Det er ingen nordmann som snakker rent nynorsk eller rent bokmål. Likevel, er disse to landets ”offisielle språk”. Det betyr at dialektene er landets ”uoffisielle språk”. Det kan virke som om Norge er bebodd av forskjellige stammer, hver med sitt språk.  

Nordmenn påstår at dialektene er deres kulturarv og bærer deres forfedres minne. Jeg synes at det finnes andre måter å bevare kulturarven. Bunadene for eksempel. Det følgende innlegget på Hitra-Frøya lokalavis sine nettsider fra 07.02.08 er skrevet på hitterværing: ”Æ fatte itj. Vedtaket e gjort. D HAR ITJ NÅ Å SI ka dåkk syns!? Enn om dåkk brukt energien dåkkers på nå anna ætte kvart….?” På bokmål tilsvarer det: ”Jeg fatter ikke. Vedtaket er gjort. DET HAR IKKE NOE Å SI hva dere synes!? Tenk om dere brukte energien deres på noe annet etter hvert…?”. Da ser vi at mange bruker dialektene sine også som skriftlig språk. Ville en finnmarking eller en sørlending tørt å si noe og beriket denne nettdebatten slik Roksvold argumenterer for?

Derfor mener jeg at alle dialektene i Norge burde avskaffes, selv om jeg vet at det trolig er en for stor utfordring. Det kan sammenlignes med at regjeringen skulle tvinge brasilianere til å plutselig begynne å snakke portugisisk fra Portugal. Likevel er det min hjertesak at nynorsk burde innføres som landets både muntlige og skriftlige språk. Nynorsk nærmer seg de fleste dialektene og omsider ville Ivar Aasens verdifulle bidrag til Norges historie blitt anerkjent. Mange kan påstå at det er vanskelig å vende seg til å forandre språket fra dialekt til nynorsk. Fra jeg kom til Norge måtte mannen min venne seg til å snakke bokmål med meg. I starten fant han dette vanskelig. Nå har han derimot blitt så vant til det, at det er en utfordring å snakke dialekt med meg selv om jeg ber ham gjøre det.

       Jeg har ofte sett at dialektene blir framstilt i media på en humoristisk måte. Når en komiker som snakker nordlending er på tv, kommer bildet av en dum person. En som snakker trøndersk er treg. En som snakker bærumsdialekt er sossete. Det er ikke akkurat hva Roksvold påstår når han skriver at ”Dialekter blir ikke lenger latterliggjort i egenskap av dialekter – slik de ble før”. 

Bruken av dialektene er også en ekskluderingsfaktor for innvandrere. Norge tar imot flere og flere utlendinger hvert år, og det er vanskelig for oss å lære bokmål eller nynorsk på skolen og høre på dialekt når vi prøver å øve språket i butikken. I en samtale jeg hadde med to jenter som tok norskprøven for innvandrere sammen med meg forrige uke, spurte jeg dem om de ville etter hvert lære dialekta derfra de bor. En av dem svarte at mannen hennes vil at hun skal bare snakke bokmål fordi det høres ikke naturlig ut for en innvandrer å snakke dialekt. Hvis mange tenker som mannen hennes,  er det ikke anbefalt for en utlending å bruke dialekt, fordi det kan bli tolket som en fornærmelse.

       Men det er ikke bare utlendinger som opplever problemer ved å snakke dialekt. Adresseavisen 2. februar 2008 skriver at da Oslo-født advokat Abid Q. Raja var i Trondheim tingrett for å forsvare mannen som var siktet for en drapssak, gjorde han en stor tabbe. Han brukte nordnorskdialekten til aktor Kaia Strandjord for å gjenfortelle noe hun hadde sagt. Hun tok det som ”mangel på respekt” og Raja fikk senere to drapstrusler gjennom mobil og epost. Når en nordmann fra Oslo ikke kan snakke nordnorsk dialekt fordi han har lyst til det, ser jeg ikke ”ei stor demokratisk nyvinning”, som Roksvold hevder i artikkelen sin. I dette tilfelle kan derimot bruk av dialekter, i ytterste konsekvens, resultere i tap av menneskeliv.