Que Páscoa é essa?

Que Páscoa é essa?

Esta semana aconteceu algo inesperado. Vou contar do princípio. Aqui em Frøya, a situação na escola ginasial está caótica. Parece que os professores brigam entre si e que faltam muito, deixando os alunos sem aulas. O caos chegou a tal ponto que o “rådmann” (espécie de braço direito do prefeito) teve que intervir para resolver o problema. Houve uma reunião entre ele e os pais anteontem para colher sugestões de como solucionar a falta de aulas, por que as provas finais serão daqui a apenas dois meses. 

Eis que ontem recebi um telefonema da minha chefe, que também é melhor amiga da minha professora de norueguês, Anne Brit. As duas têm filhos estudando naquela escola. Ela falou que elas queriam perguntar pra mim se eu permitiria que elas sugerissem o meu nome para o “rådmann” como uma possível professora de inglês para ajudar os alunos a recuperarem o tempo perdido. Fiquei surpresa e disse que tudo bem. Pouco depois, o “rådmann” em pessoa me ligou e perguntou sobre minha experiência. Eu disse que lecionara 10 anos no Brasil mas, o que eu acho que não colou muito foi quando eu disse a ele que eu não tinha formação acadêmica e que pretendia fazer a faculdade aqui na Noruega. Ele respondeu que irá entrar em contato quando souber mais detalhes. Bom, se eu vou receber esta missão ou não, eu não  sei, mas só o fato de ter sido indicada foi algo além do que eu esperava.

Semana que vem é mais uma semana de férias para muitos noruegueses, a chamada “Påskeferie” (férias de Páscoa). Os estudantes terão a semana inteira livre na escola e os adultos terão pelo menos a quinta (skjærtorsdag), sexta (langfredag) e a próxima segunda-feira (2. Påskedag) livres, além do sábado e do domingo. Eu vou trabalhar até quarta à noite e depois vamos até o chalé da família do meu marido passar a quinta, a sexta e o sábado. Vou levar meus esquis que estão embrulhados desde o Natal para ver se, finalmente, sai uma aula de esqui.

Agora vamos às diferenças entre as Páscoas brasileira e norueguesa.  Enquanto no Brasil a estrela é o coelhinho da Páscoa, aqui é o pintinho da Páscoa:

Não vou dizer que o coelho também não faz parte da Páscoa daqui, mas em bem menor escala que o amarelinho aí em cima. Quase todos decoram suas casas com motivos amarelo,  laranja e, claro, pintinhos. Velas, toalhas de mesa, ovinhos, árvores de galhos com pintinhos e ovinhos pendurados, é bem diferente do Brasil.

Os ovos de chocolate não existem. Se bem que hoje eu vi num programa de culinária um chef ensinando a fazer ovo de chocolate. Pode ser que moda comece a pegar. O “pintinho da Páscoa” traz para a criançada ovos de papelão com doces e chocolates dentro. Assim:

Até aí tudo bem. Agora, tem uma coisa muito bizarra. Eu não sei se é por que eu cresci associando Páscoa a Jesus Cristo e sua crucificação e ressurreição, eu fico chocada com as outras tradições. Por exemplo, dizem que na semana da Páscoa é tradição ler um livro cujo tema é: crime! Eles têm até um nome para isso, “Påskekrim”. As redes de televisão exibem minisséries sobre assassinatos.

Não tem malhação do Judas no sábado de Aleluia e não tem bacalhau na Sexta-feira Santa. Por incrível que pareça! Mas, depois da volta eu conto mais, se tiver alguma outra tradição que eu ainda não conheça. Só espero que não seja bizarra.

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