Måned: april 2008

Olha o passarinho!

Olha o passarinho!

Infelizmente tive que trocar de template novamente por que o anterior deixou o blog muito bagunçado e difícil de ler. Queria ter achado outro template com motivos primaveris, mas não consegui. Então, peguei este que está mais para outono, mas pelo menos o blog ficou mais arrumadinho.

Me esqueci de contar (acho que inconscientemente eu queria mesmo esquecer) que há algumas semanas eu quebrei uma porta de vidro de um dos shoppings onde trabalho. Estava experimentando uma máquina de limpeza nova, perdi o controle e ‘crash’. Para minha felicidade e sorte, minha chefe reagiu com uma compreensão sem tamanho, não ficou brava e não gritou. E quando ela foi contar pros donos do local, eles também não se alteraram. Uma grande diferença entre a Noruega e o Brasil.

Ontem, após o trabalho, meu marido recebeu uma ligação do diretor de futebol de Frøya. Ele queria saber se eu poderia ajudar como intérprete numa reunião entre o clube e quatro brasileiros que acabaram de chegar para jogar pelo clube. São os mesmos brasileiros que vieram ano passado. Eu aceitei e acho que fiz um trabalho bom, para uma primeira vez. Eles disseram que me chamarão novamente.

Semana passada tivemos mais um simulado de redação e recebi a nota ontem. 5+, o que seria equivalente a 9,5 no Brasil. Agora, falta só um simulado e aí é se preparar para os exames no final de maio.

Dia 1 de maio será feriado aqui, como no Brasil. Pretendemos ficar em casa, já que dia 9 iremos para Trondheim, onde farei o exame de inglês, TOEFL no sábado. Já neste final de semana, vamos para um município vizinho a Trondheim, onde nosso amigo e padrinho de casamento tem uma fazenda construída no século XVII. Vamos tentar observar um pássaro chamado tiur, muito comum aqui. Nesta época eles acasalam e tem uma espécie de ritual – tiurleik – que poucos têm a oportunidade de ver, mas quem viu diz ser algo fascinante. Nunca observei pássaros na minha vida antes, mas se eu casei com um norueguês, povo que ama a natureza, e ainda por cima um que é caçador, tenho que me adaptar. Acho que vai ser divertido de qualquer maneira, com ou sem tiurleik.

 

Lei de Murphy

Lei de Murphy

Se ainda houver alguém que duvide que a lei citada acima exista, eu discordarei. Sábado de manhã eu e o Morten fomos à escola mais cedo para preparar a apresentação de slides e instalar o DVD na televisão. Ao chegar, percebemos que o projetor não estava na sala de aula! Ele fica lá o tempo todo, mas justamente no dia da minha apresentação, ele havia sumido. Falei com a Anne-Brit e ela vasculhou a sala dos professores inteira atrás do aparelho. Até que ela achou outro. O Morten tentou instalar e após váaarios contratempos, deu certo.

A apresentação foi tranquila, eu não fiquei nervosa e consegui exibir meu slide show e um trecho de um filme. O Morten teve permissão de ficar na classe e assistir. A impressão é que todos gostaram. É um alívio enorme saber que fiz minha apresentação e entreguei meu trabalho de literatura. Agora teremos apenas dois simulados antes dos exames no final de maio.

Ontem, domingo, trabalhei muito no jardim novamente. Plantei vários vasos e mudei as plantinhas que já tinha para outros vasos com terra adubada. Fico ansiosa e impaciente para ver as sementinhas brotarem.

 

Esposa prendada

Esposa prendada

Hoje o dia estava tão lindo aqui em Frøya que nós começamos a limpar e preparar o jardim para plantar flores e fazer uma horta. Nosso jardim é imenso e a casa esteve abandonada anos antes de nós a comprarmos, então teremos muito trabalho para deixar tudo em ordem. Eu arranquei ervas daninhas e revolvi a terra dos canteiros que rodeiam a casa e enchi vários vasos com terra. Vamos adubar a terra primeiro e depois plantaremos sementes de várias flores. Depois eu mostro o resultado.

Além da jardinagem comecei um trabalho de bordado em ponto cruz. Trata-se de um quadrinho escrito «Mat og vin» (Comida e vinho), que colocaremos na entrada da nossa adega e despensa no porão. O desenho eu encontrei num site de uma senhora aqui no Multiply.

Este ano eu estou notando que estou muito mais esperta com essas coisinhas de dona de casa. Ano passado eu estava perdidinha, não tinha vontade nem experiência para assumir uma casa enorme, não conseguia cozinhar direito, tinha dificuldade com esses pequenos afazeres. Em contrapartida, meu trabalho, estudo e adaptação foram de vento em popa logo do começo. Minha conclusão é que minha adaptação aconteceu de fora para dentro, isto é, eu me adaptei primeiro á vida profissional e estudantil para depois me adaptar à vida caseira. Aliás, no próximo dia 21 de abril (Tiradentes) vai fazer um ano e meio que eu me mudei para a Noruega.

A minha apresentação do Falkberget será neste sábado.

Para quem pediu a tradução da novela, vou escrever um pequeno resumo:

Isa e Pedro foram apaixonados na adolescência, mas os pais dela desaprovavam por que ele era pescador e pobre. A família de Isa deixa a cidade e eles nunca mais se vêem. Ela casa com outro homem, tem filhos e um dia ela reencontra Pedro na rua. Pedro propõe a Isa que eles se encontrem dentro de 5 anos na casa onde ela morava quando eles se conheceram. Isa cria os filhos e se divorcia. No dia marcado ela volta à casa. Só que em vez de Pedro, quem aparece é um amigo dele trazendo uma carta. Isa então entende que Pedro falecera e que era muito tarde para ela ser feliz.

Resumido parece meio sem graça, mas na novela eu garanto que é bem mais elaborado.

Mais um 10!

Mais um 10!

Ontem recebi minha novela e a nota. Mais um 6, o 10 norueguês! Abaixo está o texto. Eu escrevi a história com base em uma pintura de Salvador Dali que mostra uma mulher de costas, debruçada em uma janela com vista para o mar. A Anne-Brit escreveu isso na folha de avaliação:

«Teksten din grep meg slik at jeg begynte å gråte da jeg leste den. Den er så vakker.»
(«Seu texto me comoveu de tal modo que eu eu comecei a chorar quando o li. Ele é tão lindo.»)

 

 

Havet er vitnet

 

 

Hvinet av bussens bremser var ubehagelig å høre på, like ubehagelig som å sitte på det nedslitte setet i seks timer. Hun kjente seg igjen i den lille fiskerlandsbyen hun hadde tilbragt tjue av sine førti år.

 

– Tjue år…

 

Hun hadde med seg bare veska og et lyseblått silkeskjerf hun fjernet fra halsen sin for fire timer siden, da heten overvant motesansen. Etter noen skritt kunne hun få et glimt av sjøen. Himmelen var skyfri og vannet var like blått som hennes drakt. Hun gikk langs gata og stoppet ved huset. Det huset hvor de skulle treffes. Hjertet banket fortere nå. Hun kikket på uret sitt.

 

– En time til – tenkte hun.

 

Foran husets inngangsdør ble plutselig alle minnene klarere. Den kvelden foreldrene fant ut at hun hadde et forhold med ham. Alle de bitre ordene, alle truslene.

 

– Jeg vil heller være død enn å se deg sammen med en fattig ufyselig fisker!

 

Hun tok den gamle, litt rustne nøkkelen ut av veska og åpnet døra. Huset var tomt og støvet hadde tatt over alle hjørnene. Hun følte også at tristhet overtok kroppen hennes det øyeblikket hun satte føttene inn i stua.

 

De blå gardinene hang fremdeles på vinduene. De hadde mistet sin skarpe blåfarge, allikevel beskyttet de fortsatt stua fra det ustoppelige sollyset. Hun beveget seg mot vinduet og dreide den glemte, sovende vindusvrideren.

 

Umiddelbart var stua fyllt med varmen fra sola, og hun fikk se den svære, stille sjøen foran seg. Vannets dansende, beroligende lyd gjorde at hun merket hvor sliten hun var etter bussturen.

 

– Jeg må se ham. Jeg orker ikke en dag til uten ham.

 

En mild bris rørte hennes ansikt og sjølukten brakte med seg andre minner. Den dagen familien dro derfra for å ikke komme tilbake. Alle tårene hun hadde gråt, alle årene hun hadde ventet. Den dagen deres liv krysset hverandre igjen på en gate for fem år siden.

 

– Er du glad, Isa?

 

– Jeg har fått en familie. De sier at dette er glede.

 

– Du har ikke svart mitt spørsmål.

 

– Hva med deg? Er du glad, Pedro?

 

– Nei. Jeg tror ikke på glede. Ikke etter at de tok deg fra meg.

 

Tårene begynte å rulle fra øynene hennes.

 

Hun kunne ikke snakke, hun kunne ikke tro på at de hadde funnet hverandre.

 

– Isa, ville du gi alt opp for meg?

 

– Pedro…jeg har en familie…

 

– Du svarer aldri på det jeg spør om!

 

Hun ville svare ja, men hun var ikke modig nok.

 

– Jeg trenger tid, Pedro.

 

– Fem år. Du har fem år, Isa. Om fem år, tiende mars, klokken tolv, i huset der du sto og kikket på havet den første gangen jeg så deg.

 

Hun hadde fått tiden hun hadde bedt om. Barna hadde blitt voksne. Skilsmissen. Foreldrene kunne ikke lenger bestemme for henne. Endelig var hun fri. Havet foran henne var beviset på at hun var fri. Ingenting sto mellom henne og Pedro.

 

Klokken var snart tolv. Det var så mye å erindre at hun hadde ikke holdt regning med tiden. Hun ble urolig. Om fem minutter skulle livet hennes endelig bety noe.

 

Hun gikk rundt det støvete stua og hvert skritt laget knirkende lyder. Vinduet mot havet var det beste sted å vente. Hvert sekund som gikk forventet hun at Pedro skulle åpne døra.

 

Hun unngikk å se på uret en gang til. Kanskje det hadde gått bare ett minutt.

 

– Det gikk kanskje bare to minutter. Han kommer.

 

Isa hørte at noen åpnet døra. Med et smil og tårer i ansiktet snudde hun seg.

 

Han kom nærmere med sakte, trege skritt og ga henne et brev.

 

– Jeg lovte min venn at jeg skulle gjøre ham denne tjenesten… Det var tragisk.

 

Stillheten omringet de to i stua i lange sekunder.

 

Den knirkende lyden av skritt da mannen gikk, føltes som kniver i hennes hjerte.

 

Isa gikk tilbake til vinduet. Idet hun leste brevet, forstod hun at det var hun som var for sen.

 

Og hun forstod, at livet hennes hadde gått forbi uten at hun merket det.

 

Som havet forbi huset.

Páscoa 2008

Páscoa 2008

Foi preciso tempo e paciência para editar os vídeos e as fotos, mas finalmente ficou pronto! Aqui está um resumo de tudo que eu fiz na Páscoa 2008, 4 dias maravilhosos de sol – mas temperaturas em torno de 5 graus negativos – nas montanhas norueguesas. Esquiar é difícil, mas não é impossível. Me diverti muito, já estou com saudades.

Horário de verão

Horário de verão

Sexta-feira fomos para Trondheim levar o carro para conserto e fazer uma montanha de coisinhas que são impossíveis de se fazer em Frøya. Entre elas, encadernar meu trabalho de literatura. Deu tudo certo, voltamos para casa sábado à tarde.

Segunda-feira de manhã, levantei às 3:15, me arrumei e antes de começar a limpeza no shopping, liguei o rádio do celular, que eu ouço enquanto trabalho. Na hora das notícias, informaram: klokka 5. Cinco da manhã??? Mas, são quatro!!! Aí, caiu a ficha. Eu me esquecera de acertar o relógio do celular para o horário de verão. Perdi uma hora de trabalho! Eu nunca limpei tão rápido em toda minha vida. Felizmente deu tempo de fazer a limpeza nos dois shoppings sem problemas.

Na mesma segunda-feira à tarde, cheguei na escola e fiquei sabendo que a Anne-Brit não viria, pois está doente. Entregamos os trabalhos de literatura pro substituto e começamos um trabalho em grupo sobre a história do idioma norueguês. Amanhã ela também não virá, então vamos terminar o trabalho. Minha apresentação sobre o escritor Johan Falkberget, que seria no sábado, foi adiada. Isso é bom, por que terei tempo de aprimorar minha apresentação de slides.