Måned: mai 2008

A ficha caiu

A ficha caiu

Hoje eu fiz a segunda e última prova de norueguês do ensino médio. Quinta-feira passada foi a primeira, a qual todos escreveram em bokmål.  Eu escolhi escrever uma análise e um comentário de um artigo que falava muito mal da juventude norueguesa. A autora dizia que eles só pensam em sexo, álcool, cocaína, roupas e carros. Eu, que abomino este estilo de vida, claro que me deliciei com este artigo e não foi difícil escrever um comentário. Buscando fazer um trabalho perfeito, demorei quase 5 horas para terminar. No meio da prova, para fazer uma pausa, eu olhei em volta e pensei: ‘Eu estou na Noruega há 1 ano e 7 meses e estou sentada aqui nesta carteira, junto com dezenas de estudantes noruegueses fazendo exatamente a mesma prova que a minha, tentando fazer o meu melhor.’ Meus olhos se encheram de lágrimas. Até aquele momento, eu ainda não tinha me dado conta do quanto eu já alcancei neste 1 ano e 7 meses. Agradeci em silêncio a Deus por ter me dado forças e um marido que me apóia demais. Depois, tive que voltar pro computador e continuar a redação.

Hoje a prova foi em nynorsk para os outros e em bokmål para mim. Estrangeiros tem dispensa de nynorsk. O tema da prova deste ano foi ‘Makt’ (poder). Eu escolhi escrever um artigo sobre a situação das minorias na Noruega. Eu, como brasileira e parte de uma minoria aqui, a dos imigrantes, escrevi bastante. Demorei um pouco menos, 4 horas e meia.

Semana que vem vou ficar sabendo sobre qual matéria farei a prova oral. Não estava correta a informação de que eu poderia ser dispensada da prova. Então, será ou norueguês ou sociedade e política norueguesa. Vamos também receber o tema no qual a prova se baseará e eu terei dois dias para me preparar. Tomara que seja norueguês.

A nossa viagem para o Brasil está marcada para dezembro. Eu irei sozinha antes do meu marido e dos meus sogros para preparar tudo pro Natal. Eles chegam pertinho do Natal e nós ficaremos todos juntos até janeiro. En dezembro terão se passado 2 anos e 2 meses desde que eu parti. É muito tempo! Mas, depois que eu conseguir um emprego melhor, pretendemos viajar ao Brasil uma vez por ano pelo menos. Ou, convidar alguém da família pra vir nos visitar.

Estou ensinando português pro Morten há alguns meses e estamos progredindo. Gostaria que ele chegasse no Brasil falando o básico.

O 17 de maio acabou sendo mesmo o tradicional

O 17 de maio acabou sendo mesmo o tradicional

Com muito atraso por causa das provas, estou escrevendo num domingo de manhã ensolarado e quente. Nossos planos de ir acampar no feriado nacional da Noruega não se concretizaram. Minha sogra viu a previsão do tempo para aquele fim de semana, e não era das melhores. Então, ela gentilmente nos convidou para ir até Klæbu e passar o 17 de maio com eles. É incrível como este dia é importante para os noruegueses. Logo de manhã, tivemos um café da manhã digno de dia de Natal, com frios, queijos, geléias e outras comidinhas típicas. Às 11 horas, depois de nos arrumarmos impecavelmente, seguimos todos para a rua principal para assistir à parada. Eu tinha, felizmente, duas opções de roupas para o dia e, meu marido me ajudou a decidir qual usar. Acabei optando por uma saia que até lembrava os bordados maravilhosos do bunad, o traje típico daqui:

Bandeirinha da Noruega e fitinha azul e vermelha na lapela não podem faltar

O dia, como mostram as fotos, estava lindo. Fiquei me perguntando se a previsão do tempo para aquele dia era mesmo ruim, ou se minha sogra inventou isso para que nós passássemos o feriado com eles. De qualquer maneira, eu adorei a mudança de planos. Aqui estão as fotos da parada. Os filhos dos primos do Morten e os avós maternos dele desfilaram.

 

 

O delegado (xerife) vem sempre marchando na frente e o prefeito do lado esquerdo

 

 

 

 

 

Bandeiras da Noruega de todos os tamanhos enchem a paisagem das ruas neste dia

 

 

 

 

 

 

Existem duas fanfarras que tocam marchas no desfile. A das crianças e a dos adultos.

 

 

 

 

 

Cada classe desfila com uma flâmula desenhada pelos próprios alunos. A classe com a flâmula mais bonita ganha um prêmio, assim como a classe mais animada. Os pais e professores estão sempre junto apoiando a criançada.

 

 

 

Depois de terminada a parada, nos dirigimos para o ginásio poliesportivo de uma das escolas para assistir a um espetáculo organizado pela prefeitura com direito a coral, dança típica, cantores, guitarristas e até rapper. Quase todos amadores e moradores de Klæbu. Tinha entretenimento para todos os gostos e faixas etárias. Isso tudo regado a muuuito sorvete, cachorro-quente e refrigerante. Só para relembrar, no dia 17 de maio as crianças podem pedir quantos sorvetes, cachorros-quentes e refrigerantes elas tiverem vontade. A apresentação durou cerca de duas horas e de lá fomos para a casa dos meus sogros descansar.

Às 17hs saímos novamente, desta vez para ir a casa dos avós maternos do Morten. Eles tradicionalmente oferecem um jantar para todos os familiares que quiserem comparecer. O prato foi Sodd, aquelas bolinhas de carne com batatas e cenoura que eu adoro. Sorvete de sobremesa e café depois. Foi uma reunião muito agradável, conversamos tanto que o tempo voou.

Domingo eu voltei para casa sozinha, de barco, por que o Morten teria que ir a Trondheim na segunda-feira. Foi um 17 de maio beeem melhor do que meu primeiro, ano passado, quando eu ainda me sentia deslocada e sem saber o que fazer.

Tem mais coisas para escrever, mas elas entrarão no próximo post.

O mar estava pra peixe!

O mar estava pra peixe!

Eu estou confiante. Fiz o TOEFL sábado de manhã e os simulados que fizera antes me ajudaram muito. A fórmula foi exatamente a mesma. O tema da redação nos perguntava se os cientistas tinham mais importância na sociedade que os artistas. Achei interessante e escrevi muito para 30 minutos. o tempo limite. O que me irritou muito foi ver que algumas pessoas nem sequer tinham lido as regras do exame, que recebemos pelo correio meses atrás. Perguntas idiotas e interrupções sem motivo que atrapalharam muito a concentração.

Depois da prova fomos a um churrasco para comemorar o aniversário do meu sogro. O dia estava lindo, muito quente e ensolarado. Tínhamos pensando em voltar pra casa no sábado, mas adiamos para domingo. Ontem, segunda foi feriado, então não trabalhei. Resolvemos ir pescar, a minha primeira pescaria do ano. Depois de alguns bacalhaus, fisgamos ao mesmo tempo 3 peixões chamados «sei». Eu não ‘sei’ o nome do ‘sei’ em português, mas aqui estão as fotos:

 

 

Este sei pesava 10 kg!

 

 

 

 

 

 

 

Um bacalhau

 

 

 

 

 

E outro sei

 

 

 

 

 

Depois vieram muitos bacalhaus. Resultado, enchemos o freezer com muito peixe. Não temos mais desculpa para não consumir peixe regularmente.

Uma empresa de seguros da Noruega está enviando uma carta para seus clientes informando que, devido ao imenso lucro que eles estão tendo, eles vão ‘distribuir’ dinheiro e pedem o número da conta bancária para enviar a parte de cada cliente. Bom saber que o dinheiro volta para os clientes e não vai parar no bolso de corruptos, historinha que eu cansei de ver lá no lugar de onde eu venho.

Sábado é o dia nacional de Noruega. Nós resolvemos ir fazer algo diferente este ano. Vamos acampar! Eu participei da parada ano passado e tivemos que ajudar na festa super desorganizada do bairro.  Este ano não queremos ser intimados a ajudar, então vamos desaparecer. Tomara que não chova!

Lá vem a tenebrosa época das provas

Lá vem a tenebrosa época das provas

Sábado agora irei para Trondheim fazer o exame de inglês TOEFL. Não lembro se escrevi antes, mas eu vou ter que fazer esta prova por que as autoridades de ensino daqui não reconheceram nem o inglês que tive na escola no Brasil e nem os certificados que tirei na época que era professora. Sem problemas, eu até acho bom fazer este exame por que, depois que norueguês virou minha língua oficial, meu inglês ficou bem enferrujado. No final de semana passado fiz um simulado e alcancei uma pontuação muito boa, bem maior que o exigido pelas autoridades de ensino. A prova será em um dos dois campi da NTNU, Gløshaugen. Vai ser legal conhecer um pouco da universidade.

No ensino médio, as provas também estão marcadas. Amanhã teremos uma prova de política e sociedade norueguesa. Dia 22 será prova de norueguês ‘fagdag’. Trata-se de uma prova que envolve questões de literatura, interpretação de texto e história do idioma. Dia 26, será uma prova que todos os noruegueses escreverão em nynorsk, o segundo idioma oficial. Eu, como sou estrangeira, vou escrever em bokmål. Dois dias antes vamos receber um folheto com diversos artigos e textos para estudar. Na segunda, vamos escrever uma redação sobre um tema entre cinco alternativas, usando aquele folheto como apoio.

Nesse mesmo dia, vamos ficar sabendo qual matéria foi sorteada para nossa prova oral, que será dia 6 de junho. Ou eu vou fazer prova de norueguês, ou de política e sociedade norueguesa. Mas, fiquei sabendo que, como só faço duas matérias, o sorteio vai ter a opção ‘dispensada’. Tomara que eu pegue dispensa. Nem tanto pelas matérias em si, mas fico nervosa só de pensar que vou ter que apresentar uma palestra para os examinadores.

A segurança aqui é tão rígida que, quem quiser fazer as provas usando o próprio computador, vai ter que entregá-lo para uma pessoa da escola e esta pessoa removerá todos os documentos salvos no PC. E nos dias que dividem uma prova da outra, não vamos poder ficar com o computador. Eu achei um tanto complicado, por isso vou fazer a prova escrita à mão mesmo. Falando nisso, hoje de manhã ouvi no rádio que os examinadores da NTNU estão tendo problemas para corrigir trabalhos dos estudantes devido à péssima caligrafia. Um examinador disse que, se ele não entender o que está no papel, ele reprova na hora.

Segunda-feira, dia 12 é feriado aqui. Por que dia 11 é dia de Pentecostes, eles folgam na segunda-feira. Uma coisa que eu nunca vou entender aqui é por que há tantos, mas tantos feriados religiosos se a maioria do pessoal aqui não é chegada a uma igreja. Eu acho que no Brasil há bem menos feriados religiosos…

Dia 17 de maio é o dia mais importante da Noruega, o dia da constituição.Acho que vamos comemorar de um jeito bem diferente, mas ainda não temos nada definido.

Por que é tão difícil encarar as mudanças?

Por que é tão difícil encarar as mudanças?

Há exatos 2 anos eu estava indo ao consulado da Noruega em São Paulo dar entrada no pedido de visto de noivado para me mudar aqui para a Noruega. Não estava nervosa, não tinha a mínima sombra de dúvida. Aquilo era tudo o que eu queria. Quando o visto saiu, comprei passagem, vendi alguns dos meus pertences, larguei emprego e entrei num avião sozinha pela primeira vez na vida. Não me arrependo de nada, pois estou muito feliz.

Agora nós dois estamos enfrentando um período de mudanças. Devido à falta de empregos melhores aqui na ilha tanto para mim como para meu marido, resolvemos ‘puxar o carro’ em direção à cidade grande. Lugares pequenos na Noruega são quase que uma muralha para forasteiros. Ou você conhece alguém que trabalha no lugar onde você quer emprego, ou nada feito. Não importa quanta educação superior e experiência você tenha. Claro que não estou falando dos empregos desprezados pelos nativos, como operário de indústria pesqueira, faxineiro, etc.

E é essa mudança relativamente pequena perto daquela que fiz do Brasil para cá em 2006 que está me amedrontando. Acho tão difícil abandonar a segurança que temos aqui com nossa casinha, nossa rotina e nossa tranquilidade que estou num período de negação. Não quero ir. Mas, sei no fundo que as chances para nós numa cidade grande vão se multiplicar. Que venha então a mudança.

«Only I can change my life. No one can do it for me.»
Carol Burnett (1936 – )
http://www.quotationspage.com

Programa de viking

Programa de viking

Eu não sabia se ir a Leksvika observar pássaros seria ou não o que nós paulistanos chamamos de ‘programa de índio’. Não foi. Eu prefiro chamar o passeio de programa de viking. Por que? Empacotamos mochilas com sacos de dormir e roupas de lã e enchemos quatro sacolas pesadas com comida e bebida para levar ao chalé. Isso por que estávamos certos de que o carro chegaria até a porta. A uns 2 quilômetros de lá, depois de muita subida, fim da linha para o carro. Neve ainda não derretida estava por toda a estrada. Tivemos que carregar as mochilas e sacolas montanha acima até chegar lá. Se fosse só carregar, não seria nada de mais, uma caminhada até que faz bem.  O problema é que a neve estava tão alta e mole que cada passo que dávamos a perna afundava na neve. Eu, que tenho 1m62cm, andei com neve até o joelho. Minha calça, meias e sapatos ficaram encharcados. Eu era a única que parecia estar insatisfeita com o percurso, por que os noruegueses que me cercavam não estavam nem aí. Meu marido disse que é um desafio para eles e que os faz sentirem-se bem chegar e saber que conseguiram. Então, tá.

Quando eu pensei que depois de tanto esforço e determinação, eu finalmente passaria o meu precioso final de semana relaxando e não fazendo nada, me deparei com um chalé charmoso, mas sem as mínimas condições de conforto. Fiquei com dor nas costas por causa do colchão. O esquema do banheiro com sistema de fossa do lado de fora eu até que já aceitei. Não conseguimos ver tiur e tiurleik, mas eu vi um alce no jardim de uma casa na volta. Aliás, a volta foi a mesma coisa, carregamos tudo de volta atolando as pernas na neve. Resultado, fiquei com as calças, sapatos e meias encharcados de novo. Por não ter levado sapatos extras tive que ir tomar café no restaurante da balsa de meias. Ainda bem que na Noruega vale tudo.

Mas, olha só que prático, lá em cima no chalé a gente não precisa de geladeira!

Uma coca-cola geladinha no capricho!