Måned: september 2008

Apagaram a luz!

Apagaram a luz!

Hoje de manhã, quando o despertador tocou às 6 horas, abri os olhos e levei um susto. Estava um verdadeiro breu lá fora! Depois de quase dois anos morando aqui eu sei que o dia vai amanhecendo cada vez mais tarde à partir do outono, mas, ontem estava claro às 6 horas e hoje estava escuro! Ou seja, a mudança não é nada gradativa. Com isso, a gente sente no corpo os efeitos das trevas semi eternas. Preguiça de levantar, sonolência, cansaço, mesmo depois de horas de sono. A receita é tomar as cápsulas de óleo de fígado de bacalhau, malhar e arrumar coisas para fazer. Por que, se a gente deixar, este tal de mørketid (época escura) ganha a batalha.

Estou tendo uma pausa de duas horas até a próxima palestra. Hoje tivemos uma aula de linguística, onde o tema principal foi sintaxe. Ou seja, aprendemos – ou, no meu caso, revisamos aquela ladainha de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, adjunto adverbial, que eu tive lá no colegial no Luiza de Marillac. Quem diria, estudando isso de novo numa palestra da NTNU.

Graças a Deus é sexta-feira, ou, como diz a expressão em inglês, Thank God it’s Friday! O tempo está muito chuvoso, então vai ser um desafio arrumar alguma coisa legal para fazer. Pelo jeito, vai ser o cineminha de sempre.   

Mamma Mia! Tropa de Elite?

Mamma Mia! Tropa de Elite?

Esta semana fiquei parcialmente ‘abandonada’ pelo marido, que está em Bergen fazendo um curso ligado ao trabalho. Ele volta amanhã. Estou com dois trabalhos de faculdade para entregar em um mês, mas já comecei com as anotações. Um está praticamente pronto. Meu final de semana foi excelente. Primeiro, fomos todos a uma reunião de parentes, coisa bem comum na Noruega. Eles organizam uma confraternização com todos os membros da família a cada 3 anos mais ou menos. Cada um levou um prato de comida e bebidas, além de um presente, que foi sorteado numa rifa gigante depois do jantar. Tiramos foto para a posteridade e, quando eles começaram com o concurso de perguntas e respostas, tivemos que ir embora.

Sábado à noite fomos a um restaurante italiano em Trondheim chamado ‘Primo‘. Quase todos os restaurantes da cidade são administrados por imigrantes, turcos na sua maioria. Mas, este era italiano mesmo, por que ouvimos o chef conversando. Havia uma espécie de passa pratos entre o salão e a cozinha, então observamos o chef elaborando os pedidos. O Morten pediu «Fondina di Cozze con Brushetta all’ Aglio», um prato com mexilhões e mariscos, mas até lagostim tinha. Eu pedi um «Pollo alla Valdostana», frango grelhado recheado com presunto parma e queijo, vegetais, molho e batatas. Foi, sem exagero, um dos melhores jantares da minha vida. De vez em quando, mesmo que muito raramente, temos que nos dar ao luxo de desfrutar pequenos prazeres da vida. Por que fazer isso sempre, além de quebrar a magia, leva qualquer um à falência. Para terminar a noite, fomos tomar um cafezinho no «Kos Bar og Lounge«. Quem leu este post aqui sabe o que é kos.

Hoje minha sogra me convidou para ir ao cinema. Assistimos «Mamma Mia», filme que eu estava enrolando para ir assistir. Adoramos, foi bem além das minhas expectativas. Achei fantástico o modo como eles costuraram a história e as músicas do Abba tão perfeitamente. Sem falar nas cenas cômicas. Este eu vou assistir mais vezes, com certeza.

Um outro filme que, para minha surpresa, vai estrear aqui no próximo final de semana é «Tropa de Elite», de José Padilha. Morten e eu assistimos ao excelente documentário «Ônibus 174», do mesmo diretor e conseguimos ver alguns trechos do «Tropa de Elite» na internet. Estou muito curiosa para ver se o filme fará sucesso por aqui. Deve ser chocante para os noruegueses, que vivem em sua maioria um mundo onde tudo é perfeito como nos contos de fada, verem um Rio de Janeiro sem praia, sol e cerveja. Vou ficar bem atenta no cinema e esticar o ouvido para saber das reações.

Lasanha

Lasanha


Description:
Morar na Noruega não significa, em hipótese alguma, que temos que nos privar das delícias da culinária brasileira, ou, no caso, italiana adotada pela brasileira. Lasanha é um prato que agrada a todos da minha família norueguesa. Existe no supermercado daqui um kit para se fazer lasanha, mas eu particularmente não achei que fica igual à lasanha feita da estaca zero.

Ingredients:
MOLHO À BOLONHESA:
400 gramas de carne moída (kjøttdeig)
Cerca de 2 colheres de sopa de azeite ou óleo
1/2 cebola grande picadinha
1 dente de alho picado ou espremido
1 ou 2 (se você quiser muito molho) envelope(s) de molho para carne moída (kjøttdeigsaus)
Manjericão (basilikum), orégano e pimenta à gosto
MOLHO BRANCO:
2 colheres de sopa de manteiga ou margarina
1/2 cebola picada
1 dente de alho picado ou espremido
2 colheres de sopa de farinha de trigo
500 ml (5 dl) de leite
1 tablete de caldo de galinha (hønsebuljong)
Noz moscada (muskatnøtt), sal e pimenta à gosto
LASANHA
1 caixa de massa para lasanha (lasagneplater)
Cerca de 15 fatias de queijo branco (hvitost)
Cubinhos de presunto enlatado (Bogskinke)

Directions:
MOLHO À BOLONHESA:
Refogue a cebola e o alho no azeite e adicione a carne moída. Frite bem a carne. Retire a panela do fogo e adicione o pó para molho (kjøttdeigsaus). Acrescente 4,5 dl de água e volte com a panela no fogo, mexendo sempre até ferver. Tempere com manjericão, orégano, pimenta e sal (cuidado com o sal, o molho já é um pouco salgado e os outros ingredientes da lasanha também). Caso você queira usar dois envelopes de molho, a quantidade de água sobe para 9 dl.
MOLHO BRANCO:
Refoque a cebola na manteiga ou margarina no fogo médio. Quando a cebola estiver esbranquiçada, quase transparente, adicione a farinha. Eu recomendo muito o uso de um utensílio chamado «visp», que consegue dissolver bem a farinha de trigo.Mexa sem parar até que a farinha esteja bem incorporada. Acrescente o leite aos poucos e mexa sempre, para que não empelote. Quando o molho começar a ficar cremoso, acrescente um tablete de caldo de galinha (hønsebuljong), uma pitada de noz moscada (muskatnøtt) e pimenta. Não é necessário salgar, por causa do caldo de galinha.
MONTAGEM:
A lasanha fica melhor numa forma refratária retangular. Comece espalhando muito molho à bolonhesa no fundo. Em seguida, distribua folhas de massa para lasanha, de preferência uma ao lado da outra para que cubra o fundo. Você pode quebrar algumas folhas para preencher os espaços. Sobre as folhas, espalhe um pouco de molho branco. Sobre o molho branco, queijo branco e presunto. Repita a sequência: molho à bolonhesa, folhas de massa de lasanha, molho branco, queijo branco e presunto, até que você tenha completado no mínimo 3 camadas. A última camada deverá ser de folhas de lasanha e molho à bolonhesa. Se você quiser, salpique queijo branco ralado por cima. Cubra com papel alumínio e leve ao forno à temperatura de 200 graus C por cerca de 30 minutos.

Turista acidental

Turista acidental

Quinta-feira eu não fui à faculdade cedo como costumo fazer. Fiquei em casa e combinei de encontrar meu marido no trabalho dele, no centro de Trondheim, para irmos para a academia, que fica no mesmo prédio onde ele trabalha. Só que antes eu teria que ir ao shopping center, localizado perto de onde eu moro, para comprar algo para minha sogra. Eu nunca tinha pego um outro ônibus do shopping para o centro, mas resolvi arriscar.

Depois de alguns minutos nesse ônibus desconhecido, comecei a me preocupar. Parecia que ele estava se distanciando do centro cada vez mais, em direção à periferia. No letreiro do ônibus estava escrito ‘sentrum’ mas, eu de repente me dei conta de que poderia ser o ‘sentrum’ de outro município vizinho. Resolvi, mesmo assim, permanecer no ônibus e seguir viagem. Afinal, eu tinha ainda uma hora para chegar no trabalho do marido, então, caso eu tivesse que trocar de ônibus, não haveria problema. O ônibus fez um verdadeiro ‘city tour’, passando por diversos bairros que eu nunca havia visto antes. Quando o ônibus finalmente entrou numa rua do centro que eu conheço, relaxei. O passeio foi super interessante. Cheguei ao meu encontro no horário marcado, e fui uma turista acidental. Eu me esqueço frequentemente que estou morando numa cidade centenas de vezes menor do que São Paulo, então o fato de se perder ou tomar o ônibus errado não é um bicho de sete cabeças. Em São Paulo, é outra história. 

Nerd

Nerd

E eu que pensei que a minha fase nerd (ou cdf, como queiram) tinha acabado lá no colegial, me enganei redondamente. Os meus dias durante a semana entre nove da manhã e duas da tarde se resumem única e exclusivamente a ficar numa sala de estudos lendo e escrevendo, sempre acompanhada de música clássica no mp3 player. O bom aqui em Dragvoll é que tem muita coisa para distrair, então de vez em quando eu saio para dar uma voltinha e espairecer.

Ás terças e quintas, eu encontro meu marido no trabalho dele após o expediente e nós treinamos na academia do prédio, de graça. E os resultados já apareceram. Tenho tido muito mais energia e força. Temos um acordo com meus sogros sobre o jantar. Uma semana sim, uma semana não, nós temos que cozinhar. Tem funcionado muito bem, pois o cardápio varia entre as minhas especialidades e as da minha sogra. Após o jantar, costumamos assistir filmes ou televisão e surfar na internet.

Aos finais de semana, agora que a rotina Trondheim-Frøya acabou, ainda não planejamos muito o que fazer. Vamos passear e relaxar em casa. Brasil, faltam 104 dias para eu chegar aí!

Um capítulo que se encerra

Um capítulo que se encerra

Neste final de semana que passou, fomos para Frøya de novo. Desta vez, meus sogros nos acompanharam para nos ajudar com a parte final da mudança. Carregamos fogão, geladeira, máquina de lavar, cortamos a grama, limpamos a casa toda. A casa foi finalmente alugada. Assim, não teremos que viajar para lá pelo menos por um tempo. Parece que um capítulo das nossas vidas se encerrou e outro esta começando. Deixamos para trás Frøya, a ilha repleta de indústrias pesqueiras e tão pouca gente que todos se conhecem – e se não conhecem, esticam o pescoço e nos encaram, tentando descobrir de onde saímos. Tenho boas e más lembranças de lá. Adorava o silêncio permanente, interrompido apenas pelas gaivotas e outros passarinhos que cantavam de manhã. Meu primeiro contato com a Noruega foi naquela ilha. Arrumei emprego, tive que dirigir no gelo às 4 horas da madrugada, rodopiei com o carro no meio da rua coberta de neve…Mas, tambem estudei, aprendi norueguês, tirei meu studiekompetanse. Me apeguei demais à nossa casa. Da ate um certo ciúme entregá-la para estranhos. Mas, saber que não teremos que nos desfazer dela por enquanto me tranquiliza.

Agora, é olhar para a frente e recomeçar aqui em Trondheim. Hoje, escrevendo aqui da faculdade, percebo que a mente não fica mais dividida entre lá e cá. Frøya é passado, cidade grande é presente. A concentração é melhor. Estamos indo para o Brasil daqui a três meses, estou contando os dias. Até lá, tenho muito trabalho de faculdade para entregar e livro para ler.

Bate e volta

Bate e volta

Nossos dois últimos finais de semana tem sido muito corridos. Estamos arrumando nossa casa em Frøya para alugá-la. Na sexta-feira, meu marido me busca na faculdade, passamos em casa, comemos um lanche e lá vamos nos, 3 horas dirigindo até Frøya. Estamos pintando, limpando, arrumando o jardim. Felizmente, parece que enfrentaremos esta maratona somente mais um final de semana. Mas, ontem, ainda tivemos energia para passear por Trondheim no final do domingo. O dia estava ensolarado e quente, então resolvemos experimentar o «melhor hamburguer de Trondheim», numa lanchonete chamada «Sesam», encrustrada no enorme prédio da «Studenter Samfundet». Aqui está uma foto do prédio:

Eu pego o ônibus para Dragvoll todo dia no ponto do lado esquerdo da Samfundet 

Eu concordei, o hamburguer realmente é o melhor de Trondheim. Sentamos num gramado no parque da universidade de Gløshaugen, que fica ao lado da Samfundet e depois seguimos para o cinema. Assistimos a um filme noruegues chamado «Den siste revejakta». Ele trata de um assunto bem polêmico, drogas. Achei o filme bem feito, mas a história não foi tão interessante.

Hoje é segunda, e tenho aula somente das 15:15 as 17:00. Ao contrário dos outros dias, não vou cedinho pra Dragvoll estudar. Ao invés disso, vou cuidar de assuntos do dia a dia e irei para facul mais tarde. Uma coisa engraçada que tenho percebido em mim mesma é que agora estou bem mais familiarizada com a cidade. Sei onde tenho que pegar o ônibus, onde tenho que descer e os caminhos estão ficando bem mais fáceis de memorizar. Incrível como a gente se adapta rápido quando precisa.