Måned: mai 2009

Minha nada mole vida de imigrante – segundo episódio da saga

Minha nada mole vida de imigrante – segundo episódio da saga

Chegando ao balcão, entreguei o formulário e a atendente achou estranho o meu formulário ser tão ‘curto’. Eu disse que havia impresso o formulário no site da UDI (Diretório de Imigração), mas ela quis checar com outra pessoa. Ela voltou, e disse que o formulário seria aceito. Ainda bem, pensei. Lendo o formulário para ver se o preenchimento estava correto, ela me informa que, como eu estou pedindo um visto de reunificação familiar por meio de casamento, meu marido teria que estar presente!!! (Tive vontade de gritar, que nem o homem na pintura famosa do Edvard Munch). Eu disse a ela: «Mas, meu marido está trabalhando agora!», ao que ela respondeu calmamente: «Ah, ele tem que pedir um dia de folga e vir aqui com você assinar um formulário que prove que vocês continuam casados…»

Eu respirei fundo e disse que eu tentaria ligar para ele e ver se ele poderia vir naquele dia mesmo (faltando 45 minutos para a repartição fechar), mas se ele não pudesse, eu voltaria na segunda. Eis que ela me diz: «Mas, na segunda, nós estaremos fechados, por que é feriado de Pentecostes!» Ela me disse que se nós conseguíssemos voltar no mesmo dia, nós não teríamos que pegar outra senha, era só ir até o balcão. Liguei para o meu marido, que felizmente trabalha no centro de Trondheim, e ele conseguiu uma hora livre para vir me ‘salvar’. Ele chegou depois de 15 minutos.

Voltamos ao balcão e finalmente conseguimos entregar a papelada. Meu marido e eu, muito revoltados com a falta de informação (não vimos nada no site sobre esta regra de que o marido tem que estar presente), ‘bombardeamos’ a atendente com perguntas. Fiquei sabendo, por exemplo, que eu não posso entrar com o pedido de visto de moradia em outubro, quando eu completo 3 anos de Noruega, por que o meu primeiro visto, de noiva, faz parte de um outro parágrafo da lei, e que os vistos que valem são o segundo, terceiro e quarto, o que eu estou esperando agora. «Ou seja», meu marido disse para a atendente, «vale mais vir para Noruega como turista e casar do que fazer tudo dentro da lei, por que na verdade o primeiro visto não vale nada.» Ela respondeu que não era bem assim, por que os turistas que casavam sem visto corriam o risco de serem deportados mesmo estando casados para esperarem a resposta no país de origem. É só risco mesmo, por que eu nunca ouvi falar de um turista (pelo menos brasileiro) que tenha se casado aqui e tenha sido deportado. Só li sobre uma turista que estava grávida de um norueguês, mas não era casada e foi deportada. Mas, enfim…

Moral da história: eu concluí que imigrantes são tratados muito mal pelas autoridades daqui, e isto se deve ao fato que imigrantes não têm voz para reclamar, ou não são ouvidos. Eu não estou criticando somente por que isto aconteceu comigo, mas vi ontem que isto acontece com quase todos os imigrantes. Quando é que um norueguês aceitaria esperar numa fila em uma saleta apertada durante 3, 4 horas e aceitar tudo numa boa? No consultório médico, 15 minutos de atraso já é motivo de reclamação! Além disso, imigrantes pagam e muito caro por cada pedido de visto (eu desembolsei o equivalente a quase 400 reais dessa vez). Na terceira maior cidade da Noruega, um escritório de imigração que abre somente três vezes por semana e 4 horas por dia é no mínimo absurdo. Felizmente, o meu caso se resolveu, depois de muitos contratempos. Ano que vem estarei preparada para enfrentar a avalanche de burocracia – o grau de dificuldade vai aumentar por que eu vou entrar com pedido de visto permanente de moradia – e vou me lembrar de pegar senha mais cedo e de levar meu marido junto. 

Minha nada mole vida de imigrante – primeiro episódio da saga

Minha nada mole vida de imigrante – primeiro episódio da saga

Tendo terminado minhas provas na faculdade, tive que me concentrar em outra tarefa: renovar meu visto de permanência pela terceira e última vez. Eu pensei que seria mais fácil fazer isso morando do lado da terceira maior cidade de Noruega em vez de uma ilhazinha com 400 mil habitantes, mas…estava redondamente enganada. Vou explicar por que.

Como meu visto vence dia 19 de junho, eu teria que entrar com o pedido no mínimo um mês antes de ele vencer, o que seria dia 19 de maio. Fui até a polícia de Trondheim antes disso, sexta-feira dia 15 de maio depois da minha primeira prova e fiquei sabendo que a repartição de imigrantes estava fechada. Eles funcionam somente às segundas, quartas e quintas, das 10 às 14 hs.

Planejei, então, voltar lá na quarta-feira dia 20 de maio, depois da minha segunda prova. Cheguei lá cerca de 12hs30min, ou seja, 1 hora e meia antes da repartição fechar. Qual não foi a minha surpresa ao ver que eles não estavam distribuindo mais senhas naquele dia! Concluí que eles queriam trabalhar o mínimo possível e correr para casa, já que quinta-feira seria o feriadão da ascensão de Cristo. Não havia mais nada a fazer a não ser voltar para casa sem ter dado entrada no visto pela segunda vez…

Quinta-feira, dia 21, a repartição estava fechada devido ao feriadão, e segunda-feira, dia 25, eu não iria lá por nada nesse mundo, por que teria prova na terça e tinha que estudar.  Na quarta, dia 27, eu tive outro compromisso e também não pude ir. Liguei para a delegacia de polícia do município onde eu moro, na esperança de que eles receberiam meus documentos e os mandariam para Trondheim. «Não», me responderam, eu teria que ir mesmo a Trondheim. A solução foi ir até lá ontem, dia 28. Estava muito preocupada por que eu tinha que ter entrado com a papelada dia 19 e já haviam se passado 9 dias!

Pensei que se eu chegasse pouco antes das 10 hs da manhã, hora que a repartição abre, eu pegaria uma senha para ser atendida logo. Ledo engano. Peguei uma senha de número 645 e eles começaram a atender a partir do número 600! Ou seja, havia no mínimo 44 pessoas na minha frente! Depois eu fiquei sabendo que a distribuição de senhas começa às 8 hs, por isso tanta gente na minha frente logo cedo. Ainda bem que levei rádio e palavras cruzadas, senão morreria de tédio. Depois de duas horas, esperando, ainda havia 15 pessoas na minha frente. Usei meu estoque de paciência e esperei mais uma hora, até que finalmente havia chegado a minha vez, depois de 3 horas e meia esperando.

Continua no próximo post

Bolo de Oreo

Bolo de Oreo

Description:
Atendendo a pedidos, vou postar a receita do bolo que meu marido fez para o batizado da filha de nossos amigos. Como esta receita é daqui da Noruega, pode ser que as medidas não sejam as mesmas dos ingredientes do Brasil, mas espero que dê certo para quem tentar fazer o bolo. É um bolo trabalhoso e um pouquinho caro, portanto é apropriado para ocasiões especiais.

Ingredients:
1 caixinha de queijo cremoso Philadelphia Classic (200g)
1 caixinha de creme de leite que bate chantilly (mais ou menos 330 ml)
250 ml de açúcar de confeiteiro
450 g de bolachas Oreo
100 gr de manteiga derretida
2,5 colheres de sopa de açúcar
1 pacote de pó para mousse de chocolate (não sei de existe pó para mousse no Brasil)

Directions:
Coloque 100 gr das bolachas Oreo em uma tigela e quebre-as de forma grosseira em pedaços pequenos. Reserve. Estes pedaços serão usados na montagem do bolo.

Base do bolo:

Coloque as outras 350 g das bolachas em um saco plástico e triture-as bem até que elas virem migalhas (pode-se usar rolo de macarrão ou o cabo de uma faca para triturá-las).
Coloque as migalhas em uma tigela e adicione a manteiga derretida. Misture tudo muito bem. Despeje esta mistura em uma fôrma para bolo redonda de 24 cm de diâmetro. Espalhe a mistura igualmente sobre a fôrma e pressione muito bem.

Primeiro recheio:

Misture o queijo cremoso e o açúcar de confeiteiro na batedeira ou com um mixer até a massa ficar aerada e cremosa. Em uma outra tigela, bata o creme de leite com o açúcar até obter um chantilly. Misture metade do chantilly com o creme de queijo cremoso. Reserve a outra metade do chantilly e guarde na geladeira (será usado na montagem do bolo). Distribua o creme de queijo misturado com o chantilly sobre a base do bolo e espalhe metade das bolachas quebradas que estavam reservadas por cima do creme. Leve o bolo à geladeira e deixe-o gelar por 30 minutos.

Segundo recheio:

Prepare o mousse de chocolate de pacote conforme as instruções. Misture a outra metade das bolachas quebradas com o mousse. Retire o bolo da geladeira, espalhe o mousse sobre ele e coloque-o de volta na geladeira por mais 1 hora.

Antes de servir:

Espalhe o chantilly reservado sobre a camada de mousse, e enfeite o bolo com mais pedaços de bolachas, chocolate derretido em banho-maria ou outro tipo de decoração. O bolo fica mais firme e saboroso se for preparado na véspera e ficar na geladeira até a hora de servir.

Férias! :D

Férias! :D

Ontem fiz minha última prova, a de Civilização inglesa e americana. Usei 5 das 6 horas disponíveis para escrever muito. Na primeira parte, tive que escrever as definições dos termos «capital punishment» (pena de morte), «climate change» (mudanças climáticas), «2nd amendment» (segunda emenda) e «affirmative actions» (ações afirmativas) e explicar por que eles têm importância no contexto das suas civilizações. Na segunda parte da prova, tive que escrever uma redação sobre o sistema eleitoral dos dois países e explicar por que alguns críticos dizem que eles não são democráticos e proporcionais. Na terceira parte, para minha alegria e satisfação, tive que escrever uma redação sobre os afro-americanos e discutir se o sonho de Martin Luther King foi realizado. Era tudo o que eu queria, um tema falando exatamente sobre o que eu escrevi no meu trabalho de civilização! As notas começam a ser divulgadas dia 10 de junho. O jornal daqui publicou uma foto de um dia de exames, foi no ginásio de esportes da universidade:

Domingo fomos ao batizado da filha dos nossos amigos e padrinhos de casamento. Meu marido fez um bolo para ser servido durante o café (na casa dos avós da menininha) depois do almoço (em um restaurante). Eu aprendi a fazer rosinhas de marzipã, e olha o resultado:

O bolo fez muito sucesso todos queriam a receita. É um bolo de bolachas Oreo, depois eu coloco a receita no blog. Quando chegamos à casa dos avós da menina para entregar o bolo antes ir para a igreja, a casa estava toda preparada, com flores e bandeira da Noruega hasteada:

O dia estava maravilhoso e a igreja era bem antiga e ficava num lugar que tinha vista para a cidade toda:

Havstein kirke

Para meu espanto e surpresa, o padre começou a explicar que o primeiro salmo da cerimônia seria um salmo originário do Brasil, e que o primeiro verso do salmo seria cantado em português! Não sei explicar o que foi ouvir toda a congregação, mais o padre cantando no meu idioma (cantaram muito bem por sinal!)

«Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao senhor um cântico novo…»

Além da filha dos nossos amigos, havia mais 5 menininhas que seriam batizadas. A cerimônia foi muito bonita, no final o padre erguia cada bebezinho e desejava as boas vindas, e todos aplaudiam. Foi um dia muito especial.

Melody Gardot – Baby I’m A Fool

Melody Gardot – Baby I’m A Fool

Essa música tocou no rádio alguns dias atrás e eu adorei. Exatamente meu tipo de música e texto. Pesquisando mais sobre a cantora, Melody Gardot, descobri que ela é uma americana de 23 anos. Aos 19 ela foi atropelada quando andava de bicicleta. Depois de um longo tempo tentando voltar à vida normal, ela começou com musicoterapia e descobriu um talento que a revelou para o mundo. Até hoje ela tem dificuldades para andar e é sensível à luz (usa quase sempre óculos escuros) e barulho. Fiquei sabendo que ela vai tocar no Molde Jazz Festival aqui na Noruega em julho! Quero ir!!!

Melody Gardot – Baby, I’m a Fool

How was I to know that this was always
only just a little game to you
All the time I thought you gave your heart
I thought that I would do the same for you
Tell the truth I think I should have seen it coming
from a mile away
When the words you say are
Baby I’m a fool who thinks it’s cool to fall in love
If I gave a thought to fascination
I would know it wasn’t right to care
Logic doesn’t seem to mind
that I am fascinated by a love affair
still my heart would benefit from a little tenderness
from time to time but nevermind ’cause
baby I’m a fool who thinks it’s cool
to fall in love

Maybe I should hold on just a moment
and be sure it’s not for vanity
Look me in the eye and tell me
Love is never based upon insanity
Hear the way my heart is beating
Hurry up the moment’s fleeting
Kiss me now
Don’t ask me how ’cause
Baby I’m a fool who thinks it’s cool to fall
Baby I’m a fool who thinks it’s cool to fall
and I would never tell
if you became a fool and fell in
Love…

Hurra for 17. mai! (Viva o 17 de maio!)

Hurra for 17. mai! (Viva o 17 de maio!)


Peguei o ônibus mais ‘elegante’ em toda a minha vida. Todos os homens de terno e as mulheres ou de bunad, ou com suas melhores roupas. Aqui na ponte Elgeseter, que cruza o rio Nid. Ao fundo a catedral de Nidaros.

Dia 17 de maio é o feriado nacional da Noruega. O dia em que a Noruega outorgou sua primeira constituição, em 1814 é comemorado com paradas onde as crianças são os participantes principais, muito cachorro-quente, sorvete e um festival de bunader, trajes típicos do país. Para nossa sorte, o dia estava lindo.

Ganhamos! :D :D :D

Ganhamos! :D :D :D

Eu sinceramente não sabia que o concurso de música Eurovision era tão popular. Para se ter uma idéia, é só pensar no nervosismo de uma final de Copa do Mundo em que o Brasil esteja jogando. A Noruega ganhou de 41 países europeus (mais Israel, que uns dizem que é Europa, outros dizem que é Oriente Médio), com uma pontuação recorde. A maioria dos países deu a pontuação máxima para a Noruega. Independentemente de torcida, eu achei a canção da Noruega a melhor, mas na minha opinião havia outras músicas lindíssimas, como a de Portugal, que eu postei antes, mais algumas, cujos links vou postar aqui (clique no nome do país para ver/ouvir as músicas):

Armênia – Gostei da apresentação e da melodia, exótica e pop ao mesmo tempo. Ficou em décimo lugar;

Estônia – Traços de música clássica, adorei. Ficou em sexto lugar;

Moldávia – A cantora, Nelly Ciobanu, pagou a viagem para a final em Moscou e a estadia do próprio bolso, por que o governo da Moldávia se recusou. Mas, como ela foi para a final, o governo cobriu todas as despesas. Esta música mostra muito da cultura e das danças típicas da Moldávia, e dá uma vontade de sair dançando! Ficou em décimo-quarto lugar;

Rússia – A canção do país sede do concurso neste ano era muito especial, bem melhor que a do ano passado, que ganhou o concurso. Quero aprender a falar russo! Ficou em décimo-primeiro lugar.

A Noruega ficou em primeiro, a Islândia em segundo  e o Azerbaijão em terceiro lugares.

A apresentadora da transmissão do concurso para a Noruega recebeu duras críticas por falar o tempo todo e fazer comentários muito bobos.

É uma pena não haver este tipo de concurso na América Latina, por que eu mal conheço a cultura dos países ao redor do Brasil. Assistindo ao Eurovision eu aprendi muitas coisas de outros países europeus. Viva o intercâmbio cultural!

Eurovision Song Contest – Portugal – Flor-de-Lis – Todas as ruas do amor

Eurovision Song Contest – Portugal – Flor-de-Lis – Todas as ruas do amor

Esta é a canção que concorre por Portugal este ano.

Todas as ruas do amor

Se sou tinta, tu és tela
Se sou chuva, és aguarela
Se sou sal, és branca areia
Se sou mar, és maré-cheia

Se sou céu, és nuvem nele
Se sou estrela, és de encantar
Se sou noite, és luz para ela
Se sou dia, és o luar

Sou a voz do coração
Numa carta aberta ao mundo
Sou o espelho d’emoção
Do teu olhar profundo

Sou um todo num instante
Corpo dado em jeito amante
Sou o tempo que não passa
Quando a saudade me abraça

Beija o mar, o vento e a lua
Sou um sol em neve nua
Em todas as ruas do amor
Serás meu e eu serei tua

Beija o mar, o vento e a lua
Sou um sol em neve nua
Em todas as ruas do amor
Serás meu e eu serei tua

Se sou tinta, tu és tela
Se sou chuva, és aguarela
Se sou sal, és branca areia
Se sou mar, és maré cheia

Se sou céu, és nuvem nele
Se sou estrela, és de encantar
Se sou noite, és luz para ela
Se sou dia, és o luar

Beija o mar o vento e a lua
Sou um sol em neve nua
Em todas as ruas do amor
Serás meu e eu serei tua

Beija o mar o vento e a lua
Sou um sol em neve nua
Em todas as ruas do amor
Serás meu e eu serei tua

Beija o mar o vento e a lua
Sou um sol em neve nua
Em todas as ruas do amor
Serás meu e eu serei tua

Serás meu e eu serei tua
Serás meu e eu serei tua

Visita relâmpago

Visita relâmpago

Depois de uma semana em Frøya trabalhando na reforma da casa (agora virei expert em pintura de paredes, tetos, rodapés, janelas, corrimãos de escada, etc.) e depois de voltar para casa com o cabelo cheio de tinta à óleo, passei a semana estudando para as provas que começam amanhã. Terei outra prova dia 20 e a última dia 26 de maio. O tempo esteve muito chuvoso, mas o sol voltou.

Domingo é o feriado nacional da Noruega, 17. mai. Acho que vamos assistir à parada em Trondheim, mas ainda não temos certeza.

Dia 24 é o batizado da filhinha dos nossos amigos/padrinhos de casamento.

Daqui a pouco começa a semifinal do concurso de música Eurovision, super popular aqui na Europa. Dizem que é brega, mas eu adoro. A Noruega vai concorrer hoje com aquela música que eu postei neste link aqui. Sábado é a final. Estou torcendo pela Noruega e por Portugal, com a música «Todas as ruas do amor», que eu achei muito fofa. Vou postar a música no blog.

Estamos com sérios problemas com a nossa internet aqui, por isso a demora em responder aos comentários.