Måned: august 2009

Lar, doce lar

Lar, doce lar

Hoje, quarta-feira, é o meu único dia livre na faculdade. Quer dizer, não deveria ser um dia livre, por que temos que estudar todos os dias, mas não há aulas nem grupos. A aula de segunda para quem não sabe nada de espanhol foi um sucesso. O professor é muito dinâmico e divertido. Adorei também ter aula em Gløshaugen, campus da NTNU onde se encontram as faculdades mais voltadas para exatas – engenharia, física, química, etc. Os prédios são mais antigos e dá uma certa nostalgia saber que há séculos havia estudantes andando por aqueles corredores.

Na segunda também tive aula de língua espanhola, que não é um curso do idioma, mas sim um curso sobre como o idioma é construído. Mais difícil, mas interessante. Cheguei à conclusão de que falantes de português que acham que espanhol é fácil estão redondamente enganados. Acho até que é uma desvantagem falar um idioma tão parecido, por que acabamos usando palavras portuguesas que não se usam em espanhol. Vou ter que falar muito até aprender a distinguir os idiomas.

Ontem, terça, teve aula de história e cultura latino americana. A professora quer que todo mundo participe e fale, o que eu achei ótimo, e haverá uma prova oral para todos mostrarem o que sabem. Eu marquei a minha para o final do semestre. Uma surpresa foi uma garota norueguesa que veio falar comigo no intervalo – em português perfeito! Ela me disse que havia morado em Birigüi, interior de São Paulo durante 6 meses e estava querendo aprender espanhol, mas achava muito difícil, pelos mesmos motivos que eu. Achei fofo quando ela disse que acha português muito mais bonito de se falar que o espanhol. Espero que ela não desista, seria legal ter uma colega um pouquinho brasileira.

Escola à parte, a grande novidade da semana é que finalmente, depois de mais de um ano morando com os sogrinhos, vamos alugar um apartamento! 😀 Segunda-feira fomos ver um no centro de Trondheim e eu e o Morten nos apaixonamos à primeira vista. O aluguel é razoável, e inclui a eletricidade, que aqui na Noruega é uma das coisas mais absurdamente caras que eu já vi. Meu marido vai poder ir a pé para o trabalho e eu tenho ônibus para a faculdade e para o trabalho na porta. O apartamento fica no último andar, o que reduz demais o barulho da rua. O prédio e o apartamento são muito charmosos! Vou postar fotos depois. Vamos tentar nos mudar já na semana que vem. Nunca morei no centro de uma cidade, vai ser mais uma experiência nova para mim. Mal posso esperar!

Típico norueguês

Típico norueguês

Hoje, domingão de sol raríssimo por essas bandas, resolvemos ir fazer algo muito, mas muito típico norueguês: nos enfiar no meio do mato atrás de frutinhas silvestres e cogumelos. Armados de botas de borracha, as famosas galochas, baldes, cesta e guia de cogumelos (é perigosíssimo comer cogumelos venenosos, alguns são letais), lá fomos nós para meu primeiro «bær- og sopptur».

Logo que chegamos à floresta encontramos muitas framboesas…

…e a blueberry

Os cogumelos apareceram logo depois. Meu marido teve que ler pacientemente o guia para não levar para casa um cogumelo venenoso. E a tarefa não foi muito fácil:

venenoso

venenoso

ficamos na dúvida quanto a este, então optamos por não apanhá-lo

até que enfim achamos um que era comestível, segundo o guia

Meu marido continuou com os cogumelos, e eu resolvi apanhar blueberries. Quase uma hora depois, ele voltou com muitos cogumelos:

E depois de quatro horas na floresta, voltamos para casa assim:

Adorei este passeio, quero repetir assim que possível. Eu fiz milk-shake com as framboesas e um pouco das blueberries assim que chegamos em casa, e meu marido limpou bem os cogumelos e vamos usá-los para preparar um jantar com a carne de ganso e de um pássaro chamado orrhøne, que meu marido caçou.

Mudando de lazer para escola, sexta a reunião foi bem interessante, achei os professores bem competentes e legais. Acabei me matriculando em mais um curso, o Espanhol I, espanhol para quem não sabe nada de nada. Este não é bem o meu caso, mas vou fazer este curso para conseguir 7,5 créditos extras no meu histórico escolar (o exame final deverá ser bem fácil, acredito), sem falar que quero ter o máximo de contato possível com a língua espanhola. Vendi todos os meus livros que havia anunciado, e consegui comprar um usado de espanhol. Então, amanhã começam as aulas pra valer.

Pensum, logo desisto*

Pensum, logo desisto*

Este ano estou muito mais esperta para vender meus livros velhos e comprar os novos. Hoje vendi dois e amanhã acho que vendo mais dois. Eu costumava ter muito apego aos meus livros, mas percebi que não compensa guardar livros que eu talvez nunca mais leia. Caso eu precisar de algum deles no futuro, compro usado, ou empresto da biblioteca. Sem falar que, quando nos mudarmos, será para um apartamento modesto e pequeno, então tenho que começar a me livrar dos cacarecos dos quais não precisamos. Eu e meu marido felizmente somos muito eficientes nesse ponto, pois não gostamos de amontoar tralhas.

O problema está sendo achar os livros de espanhol. Ou quase ninguém estuda espanhol na faculdade aqui, ou os que estudaram não querem se desfazer dos livros. Vou persistir no garimpo mais umas semanas, e se não der, vou acabar tendo que comprar os livros novos mesmo. Meu avô disse que vai me mandar o dicionário português-espanhol/espanhol-português dele pelo correio.

Falando em garimpo, ontem eu fui dar uma sondada no departamento de línguas modernas para ver se tinha algum aviso ou lista de grupos afixados no mural. Fui dar uma olhada em uma prateleira de livros que os professores doam para quem quiser pegar e eis que me deparo com um livro que eu venho cobiçando há tempos: a nova edição de Practical English Usage, do Michael Swan. Quase limpei meus óculos para ver ser estava vendo direito. Eu pensei em perguntar para a secretária se aquele livro estava realmente disponível para doação, mas como ele estava em uma prateleira escrito Gratis bøker (livros grátis), concluí que eu tive mesmo foi sorte de pegar o livro. Além deste arrematei um outro do escritor J.M. Coetzee chamado Diary of a Bad Year.

Amanhã finalmente vai acontecer alguma coisa na faculdade, a reunião de orientação para os estudantes de espanhol. Espalharam vários aparelhos de desinfecção para as mãos pela faculdade, é o medo da gripe suína.

*Parodiando a célebre frase de René Descartes Penso, logo existo, usando a expressão pensum, que significa bibliografia em norueguês.

Cotidiano

Cotidiano

Ontem foi meu primeiro dia da nova rotina escola + trabalho. Cheguei à universidade às 11 hs da manhã, resolvi umas pendências, pesquisei os preços dos livros (caríssimos!) e dei umas voltas. Percebi que tinha mais calouros, os veteranos chegam na semana que vem. Às 14 hs peguei o ônibus para o centro, dei uma olhadinha nas lojas (fazia quase 3 meses que eu não passava por ali, por causa do trabalho de verão) e encontrei meu marido às 15 hs. Treinamos na academia do trabalho dele por uma hora e ele pegou o ônibus de volta para casa enquanto eu dirigi até o jardim de infância. O trânsito estava infernal por causa da volta às aulas, mas eu consegui chegar às 17 hs sem problemas. Terminei a limpeza em 2 hs e 45 min cravados. Não achei cansativo, pois para quem trabalhava 8 horas direto, 3 horas são moleza. Ainda é cedo para dizer, mas eu acho que esta rotina vai ser perfeita para mim por um bom tempo, até eu poder começar a procurar emprego como professora de idiomas.

Hoje eu decidi não ir a faculdade por que não tem realmente muita coisa para fazer por lá nessa semana, pelo menos até sexta-feira, dia da reunião. Vou tentar ir ao trabalho de ônibus e ver se dá certo. Como eu tenho um cartão que carrego por um mês inteiro e posso usá-lo quantas vezes quiser durante o dia, compensa mais para mim ir tanto a faculdade como ao trabalho de ônibus. Infelizmente o ônibus aqui em Klæbu é muito demorado e passa só de uma em uma hora de tarde. Então vou ter que planejar bem a viagem para não chegar atrasada. Mal posso esperar para nos mudarmos para o centro, assim posso pegar um ônibus e pronto. No centro tem muitos ônibus que passam regularmente. 

Deus dá o frio conforme o cobertor

Deus dá o frio conforme o cobertor

Ontem, no meu último dia no emprego de verão, minha chefe ligou e perguntou se eu começaria a faculdade semana que vem, Respondi que sim (não é bem o início das aulas, mas vou começar a ir para me organizar). Eis que ela me propõe um emprego para limpar um jardim de infância situado a 15 minutos de carro onde eu moro. Respondi que sim na hora. O emprego é de 2hs 45 min por dia, posso limpar após às 17 hs e vou trabalhar sozinha. Eu já estava ficando meio borocoxô (adoro usar palavras que não usava há anos) por que não teria mais emprego quando voltasse à faculdade, mas no último dia recebo esta notícia excelente. Vou trabalhar sozinha, sem colega mal-educado, sem chefe, vou poder fazer tudo do meu jeito, não vou precisar pensar muito (trabalho braçal), ou seja, vou poder usar a cuca com outras coisas (como por exemplo ouvir espanhol e muita música), vou garantir a malhação do dia (só nessa brincadeira de emprego de verão perdi 5 quilos!) e não vou ter problemas com meus estudos, já que as aulas acabam às 16 hs.

E o mais importante de tudo sobre ter conseguido este empreguinho é o fato de que em breve poderemos pensar em nos mudar para nosso próprio apartamento! Já agradeci muito a Deus ontem e hoje, realmente, Deus dá o frio conforme o cobertor.

Hoje, eu, minha sogra e a mãe dela (avó materna do meu marido que eu adotei como minha também e na Noruega chama-se mormor – mãemãe, mãe ao quadrado, hahaha, fofíssimo) viajamos uma hora até um município chamado Rennebu para ver o Martnan, ou feira de artesanato. No verão existem esses Martnan por todo o país, é uma chance de ver trabalhos de artesãos, artistas e produtores de comida tradicional. Não gostei do fato de ter que pagar para entrar (100 coroas, cerca de 33 reais por cabeça), já que o propósito era comprar lá dentro, mas enfim, valeu a experiência. Tinha coisas lindíssimas e tentadoras, mas me contentei com comidinhas apenas.

Mais um verão se vai

Mais um verão se vai

Meu terceiro verão na Noruega está chegando ao fim, e eu estou mais do que satisfeita com tudo o que consegui fazer. Reformas na casa, trabalho de verão, viajei um pouquinho sem ficar com a consciência pesada, descansei. Semana que vem ainda não haverá aulas, somente reunião de orientação para os novos estudantes, mas mesmo assim vou começar a ir à faculdade diariamente para comprar livros, tentar vender meus livros do ano passado (rendem um bom dinheirinho e desocupam minha estante) e conferir as novidades. Incrível como já estou partindo para meu segundo ano de estudante, como passa rápido! Às vezes bate um desespero saber que os anos passam e eu em uma faculdade em vez de trabalhar com o que aparecer e ganhar dinheiro. Mas, outro dia, filosofando, cheguei à conclusão de que, se vivemos aproximadamente 80, 90 anos, o que são míseros 3, 4 anos? Se eu tiver sorte de viver até os 90, isto significa que só vivi 1/3 de tudo o que ainda tenho para viver! Estas idéias me animam a continuar e esperar pelo melhor.

Ontem assisti a um filme chamado «The Holiday», que achei muito longo e até entediante em certos momentos, mas o que me interessou foi a idéia de trocar de casas nas férias. Por exemplo, um casal francês que queira passar férias na Noruega troca de casas com os noruegueses, que passam suas férias na França. Vou me informar mais sobre este sistema e quem sabe, quando tivermos nossa casinha de novo, não experimentamos.

Estou contando os dias para meu trabalho de verão acabar. O meu colega está bem mais fácil de se lidar, e agora eu consigo decidir muitas coisas e ele acata. Sexta-feira passada, eu me senti meio que vingada pelas palhaçadas que ele tem aprontado. Primeiro, ele marca o horário de eu ir buscá-lo e nunca, mas nunca está pronto quando eu chego. A ‘chofer’ aqui tem que ficar esperando 10, até 15 minutos. E não para por aí. Na sexta, o garoto, que já tinha atrasado o trabalho por que não estava pronto quando eu cheguei, me inventa de ir comprar comida para passarinho. E ele simplesmente diz para a ‘chofer’: «Pare aqui que eu vou comprar comida para passarinho». Acontece que havia uma placa enorme de proibido parar ou estacionar. Eu disse isso a ele e ele disse que era para eu dar uma volta no quarteirão. Dei uma volta e cadê ele? Dei outra volta e ele apareceu. Eis que ele olha no relógio e se dá conta de que a loja dos correios fecharia em 10 minutos e nós ainda não tínhamos limpado lá. No final deu tudo certo e eu só ria por dentro, como eu gostei de ver o garoto em pânico por causa de seus próprios atrasos.

A foto é de um dos lírios que abriram no nosso jardim em Frøya.

Broken Flowers

Broken Flowers

Rating: ★★★★★
Category: Movies
Genre: Comedy

«Mamma Mia» às avessas

Broken Flowers conta a história de Don (Bill Murray, de «Lost In Translation») um conquistador que tem medo de relacionamentos longos, que recebe pelo correio uma carta de uma ex-namorada anônima contando-lhe que tivera um filho com ele 19 anos antes. Com a ajuda de seu vizinho exageradamente gentil, Don parte em uma viagem de carro para reencontrar suas ex-namoradas de 19 anos atrás na tentativa de identificar a mãe de seu suposto filho. Apesar de ser uma comédia, o filme aborda temas dramáticos, como a solidão, casamento por aparências e crises existenciais. Um ponto forte do filme é a trilha sonora, com o fantástico jazz do etíope Mulatu Astatke.

Ensaio Sobre A Cegueira

Ensaio Sobre A Cegueira

Rating: ★★★★★
Category: Books
Genre: Literature & Fiction
Author: José Saramago

Em um dia como outro qualquer, um homem fica cego de repente, enquanto dirige. Este é o primeiro caso de uma epidemia de cegueira, o mal branco, que ataca todos, exceto uma mulher. Saramago descreve nesta obra até que ponto o ser humano pode chegar quando tem que lutar pela sobrevivência em um mundo onde nada pode se ver. «Se podes olhar, vê; se podes ver, repara» é a mensagem principal deste livro que virou filme. Comprei o livro no Brasil em janeiro e só terminei de ler agora. Mal posso esperar para ver o filme.