Måned: september 2009

Cartão vermelho

Cartão vermelho

Tardei, mas não falhei. Aqui está o cumprimento da tarefa que recebi da Camila. Misturei cartões vermelhos entre situações mais isoladas e gerais. Meus dez cartões vermelhos vão para:

1) Para os racistas. Fazendo um trabalho sobre a imigração espanhola, me deparei com esta barbaridade, um ser degradante e covarde que agrediu uma equatoriana no metrô de Barcelona há dois anos: http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Agresion/racista/tren/Barcelona/elpepusoc/20071022elpepusoc_8/Tes

2) Para o Orkut, principalmente os fóruns de discussão de brasileiros na Noruega. Uma baixaria sem tamanho, informação útil que é bom, zero.

3) Para as pessoas que desperdiçam energia elétrica, não separam o lixo, enfim, para os miljøsviner (porcos do meio ambiente), como dizem aqui.

4) Para as pessoas que não respeitam uma sala de leitura ou de computação na faculdade, e batem papo e falam ao celular enquanto tem gente querendo fazer trabalhos ou estudar. Detalhe: há avisos em letras garrafais em todas as paredes das salas pedindo silêncio.

5) Para um ou vários idiotas que tocam a campainha do nosso apartamento no meio da noite por estarem bêbados e/ou não terem coisa mais interessante para fazer.

6) Para mim mesma quando esqueço chaves e cartão de acesso ao edifício em casa.

7) Para o governo ditatorial de Burma que não deixa a Aung Sang Suu Kyi em paz.

8) Para os espanhóis (e portugueses, e outros exploradores) da época colonial que assassinaram praticamente todo o povo indígena da América.

9) Para o atendimento ao cliente em geral aqui na Noruega. Salvo pouquíssimas exceções, o serviço é muito ruim.

10) Para os brasileiros que assassinam a nossa língua portuguesa (inclusive eu, mas pelo menos eu me esforço) cometendo erros crassos e imperdoáveis.

Já tem 10? Puxa, poderia escrever  muitos mais cartões, mas fica para a próxima.

De volta

De volta

Não estava com ânimo para escrever por causa da perda do vovô, mas também por que estou com coisas da escola para fazer, trabalho, sem falar no apartamento que ainda precisa de muita organização. Estou contente por ter uma vida tão agitada, por que parece que não penso tanto no Brasil e na distância. Queremos ir visitar o mais rápido possível, mas não acho que será para este ano.

Hoje passei por um apuro que quase estragou meu final de semana. Meu marido está viajando, então estou sozinha. Por volta das 20hs30, fui levar o lixo para fora e não me dei conta de que tinha que levar o cartão de acesso à porta interna do edifício para poder entrar de novo. Esperei para ver se alguém entrava ou saía para eu aproveitar a porta aberta, mas nada. Lembrei da escada de incêndio (imagine, ter que usar a escada 1 mês depois de ter me mudado), mas eu não consegui alcançá-la por estar alta demais. Chovia, fazia frio e eu sem jaqueta. Tentei tocar a campainha dos vizinhos, mas ninguém respondeu. Já estava me preparando para ter que passar algumas horas na porta do prédio esperando alguém chegar, mas felizmente esperei só uns 20 minutos. Agora aprendi que tenho que fazer com o meu cartão da porta  o mesmo que dizia aquele comercial de cartão de crédito: «Não saia de casa sem ele»…

Hoje passei boa parte do dia escrevendo uma redação para o curso de língua espanhola. Aliás, para quem quer aprender um pouquinho de espanhol, a Universidade produziu alguns vídeos de pronúncia, gramática e história. Os professores que lecionam nos vídeos também são meus professores na faculdade. Alguns links:

http://multimedie.adm.ntnu.no/mediasite/SilverlightPlayer/Default.aspx?peid=e125b768357b41e3b5e2349c98bb7402 Este é um vídeo de pronúncia com a Celia, que é espanhola.

http://multimedie.adm.ntnu.no/mediasite/SilverlightPlayer/Default.aspx?peid=45b759efb62643489ca1743d33816748 Este é de gramática.

http://multimedie.adm.ntnu.no/mediasite/viewer/?peid=da84a8ff-172f-4d6c-a4b7-b7ed8930b57c Este fala da revolução cubana e de Che Guevara.

Tristeza

Tristeza

Lembro de tantas coisas…

de quando ele brincava de pega pega conosco aos sábados à tarde. Ele esbanjava energia correndo por todo o lado…

…dele cantando «La cucaracha, la cucaracha, ya no puede caminar…» e a gente morria de rir…

…do cofrinho que ele mesmo fez e onde a gente colocava muitas moedinhas  toda vez que vínhamos visitar…

…de quando ele vinha me buscar na escola…às vezes, quando o sol estava muito forte, ele teimava em me fazer usar um chapéu de palha horrível…eu morria de vergonha dos colegas!

…das vezes em que ele me ajudou com muitas caronas ao médico, à casa das amiguinhas de infância…

…de quando ele falou para mim e para meu marido, quando ele veio da Noruega me visitar pela primeira vez, que a gente não devia ficar triste com a distância…por que seria muito pior se nós tivéssemos que ficar longe um do outro por causa de uma guerra…

…das conversas animadas por telefone, quando ele contava como a política do Brasil estava mal e não tinha mais nada que prestasse na televisão…

…do feijão e da tortilha espanhola que ele fazia tão bem…

Meu vovozinho querido se foi faz uma semana…mais triste que a partida dele, foi não poder estar lá com minha família…

Só resta mesmo a saudade…  

Colocando ordem na casa

Colocando ordem na casa

Estamos aos poucos colocando um fim no caos em que estava nosso apartamento logo após a mudança. Consegui lugar nos armários para todos os nossos utensílios de cozinha e agora restam pouquíssimas caixas para abrir. Uma coisa especial que eu me esqueci de contar é que nos três primeiros andares do nosso prédio funciona o conservatório de música da Universidade de Trondheim, departamento de jazz. Ou seja, o dia todo podemos ouvir música ao vivo de graça das nossas janelas. E o melhor, música da melhor qualidade, já que os estudantes de música de nível universitário tocam extremamente bem. Estou adorando morar aqui.

Uma coisa chata que aconteceu esta semana foi ter sido muito mal tratada por uma funcionária do jardim de infância onde trabalho. Não tenho problema algum em receber críticas sobre meu trabalho, mas ela falou, ou gritou comigo num tom muito desrespeitoso, e me tratou como cachorro com várias pessoas por perto. Fiquei super mal naquele dia, mas acho que superei. Prometo que jamais vou tratar uma pessoa que faz limpeza do jeito que ela me tratou.

Estou sozinha este final de semana por que meu marido foi caçar com os amigos. Tenho que ler dois documentos do governo norueguês de 200 páginas cada um e escrever uma redação para entregar semana que vem. Vai ser uma semana corrida de novo.

Mudamos de mala e cuia para Trondheim

Mudamos de mala e cuia para Trondheim

Agora eu e meu marido estamos oficialmente morando em Trondheim. Na quarta-feira, dia em que completamos 2 anos e meio de casados, a família dele se reuniu no que os noruegueses chamam de «dugnad» (mutirão) e nos ajudaram com a mudança. As coisas que estavam em Klæbu, mais as coisas que estavam no celeiro dos avós dele foram trazidas para cá. Eu tive que ir limpar o jardim de infância, então não pude estar junto com eles o tempo todo. Agora o apartamento está um verdadeiro caos, com caixas e móveis espalhados por todo o canto. Hoje eu não tenho aula, então estou desempacotando e organizando.

Ontem tive aula de fonologia espanhola no laboratório de línguas da faculdade. Nunca tinha tido aula de laboratório antes, achei o máximo a professora poder se comunicar conosco pelos fones de ouvido e corrigir nossa pronúncia. Pena que acabou.

Queria escrever mais, mas tenho que voltar para as minhas caixas.

Prova de fogo

Prova de fogo

Ontem, eu e o Morten estávamos super ansiosos por que foi o dia em que recebemos as chaves do nosso recém alugado apartamento. De manhã tive aula de espanhol em Gløshaugen, e no meio da aula uma voz no auto falante avisou que o alarme de incêndio havia sido ativado e que todos deveriam sair do prédio. Saímos todos sem pânico e ficamos esperando do lado de fora. Alguns minutos depois, todos voltamos para a sala, por que era aparentemente um alarme falso.

De lá peguei o ônibus para Dragvoll e tive aula de fonologia espanhola, com a Celia, uma espanholinha baixinha, com cabelos pretos ajeitados num coque, ela parecia uma dançarina de flamenco. Adorei ter aula com ela, ela fala um espanhol mais que perfeito, claro, mas de um jeitinho muito charmoso. Além disso, ela quer que todos participem e pede para os estudantes irem à lousa escrever as respostas dos exercícios. Achei muito fofo, me fez reviver os tempos de escola primária. O melhor disso tudo é que percebo que os alunos se aproximam mais uns dos outros, conversam, guardam os nomes. Conheci uma norueguesa de 50 anos que está na nossa classe e um estudante que fez inglês comigo ano passado, mas com quem eu nunca havia trocado uma palavra. Ele me disse hoje que acha português mais bonito que espanhol. Eu acho que vou começar a me engajar em um projeto de implantar a língua portuguesa na faculdade aqui, não sabia que português era tão apreciado!

Terminadas as aulas na facul, peguei o ônibus para o centro, onde encontrei com meu marido. Esperamos quase uma hora até a corretora poder encontrar a gente na frente do prédio onde vamos morar. Ela escreveu um relatório sobre todas as coisas no apartamento que não estavam em ordem e precisavam ser consertadas e então ela mencionou que eu e o Morten teríamos que descer pela escada de incêndio, para que ela se certificasse de que eu e ele estávamos familiarizados com o procedimento em caso de nosso apartamento ou outro apartamento do prédio pegar fogo. Lá fomos nós, abrimos a janela da cozinha, saímos direto no telhado super escorregadio e íngreme, chegamos a uma pequena passarela, e descemos a escada, muito alta e com degraus de ferro, que quase machucavam as nossas mãos. Ao pé da escada havia uma outra escada, desmontável, que levava ao andar térreo do prédio. A corretora tirou fotos e filmou tudo. Não foi muito divertido ter que descer cinco andares em uma escada de incêndio, mas agora sei como proceder em caso de incêndio. Que tremenda coincidência, duas simulações em um só dia.

Depois que a corretora foi embora, começamos a carregar as caixas que estavam no carro (meu marido foi de carro para o trabalho com parte da mudança) para o apartamento. Subir cinco andares com caixas pesadas não foi uma tarefa das mais prazerosas, mas conseguimos no final. Essas caixas são apenas 10% da nossa mudança, espero que consigamos ajuda da família para carregar o resto. Depois disso ainda fui limpar o jardim de infância e cheguei em casa às 22 hs, completamente exausta. Hoje tive aula com a Celia de novo às 8hs 15min, e agora estou escrevendo este post da faculdade. Não está sendo uma semana fácil, mas creio que até o final da semana estaremos instalados em nosso cantinho e isto compensará todo o esforço e cansaço.