Måned: januar 2010

It’s not only only

It’s not only only

A expressão idiomática que eu escrevi no título da postagem é na verdade a tradução em inglês de uma expressão norueguesa, «Det er ikke bare bare» (Não é só isso, ou «o buraco é mais embaixo», como dizemos em São Paulo pelo menos). O instituto de línguas modernas da faculdade está lançando uma campanha publicitária para tentar atrair estudantes para a área de idiomas, que anda muito em baixa, principalmente alemão e francês. Eles usam essa expressão para mostrar ao público que traduzir diretamente do seu próprio idioma para outro não significa dominar um idioma estrangeiro. O pior é que muita gente influente por aqui fala esses absurdos na imprensa e muitos especialistas dizem que o norueguês em geral pensa que fala inglês bem, mas quando tem que falar com um inglês ou americano, se enrola todo. Eu lembro de ter lido um documento do governo onde eles afirmam que muitas empresas norueguesas perdem contratos milionários com outros países europeus por que não sabem falar inglês, alemão, francês, etc. Então, a situação é séria. Espero que esta campanha realmente atraia pessoas para a área de idiomas.

Quanto ao meu novo trabalho, posso empregar esta expressão norueguesa: «Não é só isso». Por que eu percebi que ser professora na Noruega não se limita somente a dar aulas, corrigir provas e participar de reuniões. Enquanto no Brasil há inspetores de alunos que fazem uma ronda na hora do recreio e vigiam os alunos, na escola onde eu trabalho são os professores que estão encarregados desta tarefa. Ontem eu fui inspetora por 15 minutos, e os professores se revezam, para que todos tenham também uma pausa para almoçar. Mais um reflexo da política norueguesa de economizar funcionários, e eu acho isso bem razoável.

As aulas começam às 9 horas da manhã, e há 2 pausas de 10 minutos mais uma pausa longa de 50 minutos. Os alunos comem seus lanches na classe junto com o professor e depois podem sair da sala de aula para o recreio. Todas as salas de aula têm laptops com acesso à internet que os alunos podem emprestar para usar durante as aulas. Ontem até projetor eu usei na minha aula. Estou achando interessante aprender a rotina escolar daqui, cada dia aprendo uma coisa nova.

Nunca havia visto tanta neve em Frøya como agora. Ontem de manhã tinha que ir para a escola cedo, mas não me atrevi a dirigir enquanto o ‘brøytebil’ (trator que varre a neve para fora das estradas) não tivesse passado na minha rua. Estrada com neve fresca é um perigo. Posso dizer isso por que quando dirigi para fora da estrada foi justamente por que havia neve fresca no chão. Conclusão, arrumar o emprego dos sonhos não significa que meus problemas acabaram, pois cada dia aparece um novo desafio. Ainda bem, por que a vida sem surpresas e aventuras deve ser chata demais.

It’s not only only

It’s not only only

A expressão idiomática que eu escrevi no título da postagem é na verdade a tradução em inglês de uma expressão norueguesa, «Det er ikke bare bare» (Não é só isso, ou «o buraco é mais embaixo», como dizemos em São Paulo pelo menos). O instituto de línguas modernas da faculdade está lançando uma campanha publicitária para tentar atrair estudantes para a área de idiomas, que anda muito em baixa, principalmente alemão e francês. Eles usam essa expressão para mostrar ao público que traduzir diretamente do seu próprio idioma para outro não significa dominar um idioma estrangeiro. O pior é que muita gente influente por aqui fala esses absurdos na imprensa e muitos especialistas dizem que o norueguês em geral pensa que fala inglês bem, mas quando tem que falar com um inglês ou americano, se enrola todo. Eu lembro de ter lido um documento do governo onde eles afirmam que muitas empresas norueguesas perdem contratos milionários com outros países europeus por que não sabem falar inglês, alemão, francês, etc. Então, a situação é séria. Espero que esta campanha realmente atraia pessoas para a área de idiomas.

Quanto ao meu novo trabalho, posso empregar esta expressão norueguesa: «Não é só isso». Por que eu percebi que ser professora na Noruega não se limita somente a dar aulas, corrigir provas e participar de reuniões. Enquanto no Brasil há inspetores de alunos que fazem uma ronda na hora do recreio e vigiam os alunos, na escola onde eu trabalho são os professores que estão encarregados desta tarefa. Ontem eu fui inspetora por 15 minutos, e os professores se revezam, para que todos tenham também uma pausa para almoçar. Mais um reflexo da política norueguesa de economizar funcionários, e eu acho isso bem razoável.

As aulas começam às 9 horas da manhã, e há 2 pausas de 10 minutos mais uma pausa longa de 50 minutos. Os alunos comem seus lanches na classe junto com o professor e depois podem sair da sala de aula para o recreio. Todas as salas de aula têm laptops com acesso à internet que os alunos podem emprestar para usar durante as aulas. Ontem até projetor eu usei na minha aula. Estou achando interessante aprender a rotina escolar daqui, cada dia aprendo uma coisa nova.

Nunca havia visto tanta neve em Frøya como agora. Ontem de manhã tinha que ir para a escola cedo, mas não me atrevi a dirigir enquanto o ‘brøytebil’ (trator que varre a neve para fora das estradas) não tivesse passado na minha rua. Estrada com neve fresca é um perigo. Posso dizer isso por que quando dirigi para fora da estrada foi justamente por que havia neve fresca no chão. Conclusão, arrumar o emprego dos sonhos não significa que meus problemas acabaram, pois cada dia aparece um novo desafio. Ainda bem, por que a vida sem surpresas e aventuras deve ser chata demais.

Parabéns, Sampa!!!

Parabéns, Sampa!!!

Hoje, 25 de janeiro, minha cidade São Paulo faz 456 anos. Bateu ainda mais saudade da correria no metrô, do barulho, das multidões, das conversas animadas, das filas para absolutamente tudo, das feiras, do pastel, do caldo de cana, da pizza entregue na porta de casa, do pãozinho quente da padaria do português… ah, dava para escrever uma lista gigante.

Para comemorar e tentar engolir a melancolia causada pela saudade, selecionei alguns vídeos e músicas que traduzem Sampa do melhor modo:

Esta é a vinheta da rádio Jovem Pan, que tocava logo cedinho no radinho de pilha que meu pai carregava pra lá e pra cá antes de ir trabalhar. Tinha também a vinheta da Rádio Bandeirantes: «O pulo do gatooooooooo…miauuuuu!».

As estréias

As estréias

Finalmente na quinta-feira estreei no novo emprego. Lecionei ao todo 6 horas entre quinta e sexta e não tive maiores problemas com os alunos. Ainda tenho muito que aprender sobre a rotina escolar norueguesa, mas sinto que meus colegas são bem atenciosos e querem ajudar. Há uma professora de inglês que irá embora para a Austrália em fevereiro, então até lá é ela quem se responsabiliza pelos programas de aulas. Depois, eu vou ter que assumir essa tarefa. Ainda não tenho mais detalhes, mas sei dizer que a primeira impressão foi muito boa.

À partir de amanhã já não tenho mais que trabalhar no jardim de infância, o que significa que estarei livre de tarde. Vou tentar voltar a fazer exercícios físicos, por que este inverno rigoroso daqui nos tira toda a energia se não nos exercitarmos.

Falando em estréias, ontem eu fui pela primeira vez ao teatro de Trondheim assistir à estréia de uma peça de Henrik Ibsen chamada «En folkefiende» (Um Inimigo do Povo). Estava com medo de não entender nada da peça por causa do idioma, mas felizmente consegui acompanhar a peça do começo ao fim. O teatro é muito bonito e moderno, os atores me impressionaram. O palco era composto por passarelas de madeira suspensas sobre uma espécie de piscina, onde os atores se movimentavam.

Como não tenho nem televisão nem internet em Frøya, levo meu computador e muitos filmes para assistir de noite. Assisti a um filme chamado «Enterre meu coração na curva do rio», sobre o massacre das tribos indígenas pelos americanos, «Um estranho no ninho», com Jack Nicholson, sobre os abusos sofridos por pacientes psiquiátricos, e «Lost In Translation», que eu já tinha visto, mas valeu a pena ver de novo. Recomendo muito este filme aos que estão em um país sem poder falar o idioma nativo.

As estréias

As estréias

Finalmente na quinta-feira estreei no novo emprego. Lecionei ao todo 6 horas entre quinta e sexta e não tive maiores problemas com os alunos. Ainda tenho muito que aprender sobre a rotina escolar norueguesa, mas sinto que meus colegas são bem atenciosos e querem ajudar. Há uma professora de inglês que irá embora para a Austrália em fevereiro, então até lá é ela quem se responsabiliza pelos programas de aulas. Depois, eu vou ter que assumir essa tarefa. Ainda não tenho mais detalhes, mas sei dizer que a primeira impressão foi muito boa.

A partir de amanhã já não tenho mais que trabalhar no jardim de infância, o que significa que estarei livre de tarde. Vou tentar voltar a fazer exercícios físicos, por que este inverno rigoroso daqui nos tira toda a energia se não nos exercitarmos.

Falando em estréias, ontem eu fui pela primeira vez ao teatro de Trondheim assistir à estréia de uma peça de Henrik Ibsen chamada «En folkefiende» (Um Inimigo do Povo). Estava com medo de não entender nada da peça por causa do idioma, mas felizmente consegui acompanhar a peça do começo ao fim. O teatro é muito bonito e moderno, os atores me impressionaram. O palco era composto por passarelas de madeira suspensas sobre uma espécie de piscina, onde os atores se movimentavam.

Como não tenho nem televisão nem internet em Frøya, levo meu computador e muitos filmes para assistir de noite. Assisti a um filme chamado «Enterre meu coração na curva do rio», sobre o massacre das tribos indígenas pelos americanos, «Um estranho no ninho», com Jack Nicholson, sobre os abusos sofridos por pacientes psiquiátricos, e «Lost In Translation», que eu já tinha visto, mas valeu a pena ver de novo. Recomendo muito este filme aos que estão em um país sem poder falar o idioma nativo.

Em estado de graça – meu dia chegou!

Em estado de graça – meu dia chegou!

Foram pouco mais de três anos nada fáceis, nos quais tive que amargar o fato de que, ao mudar para a Noruega, teria que abdicar de toda minha experiência profissional no Brasil e trabalhar com o que aparecesse. Tive patroas e colegas maravilhosos que me ajudaram e outros que não foram tão legais comigo. Tive que acordar às 4 horas da madrugada e ir trabalhar, dirigi sobre estradas cobertas de gelo, o carro derrapou para fora da estrada, enfim, daria para escrever um livro (o livro não saiu, mas tenho um blog onde está tudo registrado).

Há uns dois meses me cadastrei na página de uma empresa de recursos humanos e dois dias depois recebi um telefonema solicitando que eu comparecesse a uma entrevista. Finalmente minha experiência como professora no Brasil e minha competência em idiomas parecia ter impressionado uma empresa norueguesa de recursos humanos, que me recrutou.

Depois de algumas oportunidades de emprego que não pude aproveitar por causa dos horários da faculdade e das provas, eis que há duas semanas recebi uma proposta irrecusável para ser professora de inglês. A maior ironia é que a vaga é em Frøya, a ilha onde moramos quando cheguei do Brasil! Vou trabalhar dois dias por semana, com despesas de hospedagem, alimentação e transporte pagas. Vou poder ir à faculdade e não vou mais precisar trabalhar de noite. Não precisei pensar muito para aceitar.

Falei com o diretor da escola na segunda-feira e ele me ligou na terça de manhã para dizer que o emprego era meu. Uma coisa que me marcou é que ele disse que eu falo um norueguês impressionante. Parece que aquele mito de que imigrantes tem mais chance de conseguirem um bom emprego por falarem um bom norueguês do que por apresentarem muitos diplomas é verdadeiro. Pelo menos se mostrou verdadeiro para mim.

Vou lecionar quatro classes a princípio e ontem eu fui conhecer meus futuros alunos. Já tenho minha escrivaninha na sala dos professores e a maioria dos funcionários já se apresentou. Na próxima semana vou assumir as classes. Vou continuar a limpeza no jardim de infância até quarta-feira e então me despedir da minha carreira de faxineira na Noruega. Não descarto a possibilidade de ter que voltar a limpar, mas sei que com um emprego de professora no currículo minhas chances de continuar sendo professora vão aumentar.

Agradeço imensamente a Deus, ao meu marido pelo apoio, a todos que acreditam em mim, estejam vocês perto ou longe e a mim mesma, pela paciência e por eu nunca ter perdido a fé e a esperança de que meu dia iria chegar.

Em estado de graça – meu dia chegou!

Em estado de graça – meu dia chegou!

Foram pouco mais de três anos nada fáceis, nos quais tive que amargar o fato de que, ao mudar para a Noruega, teria que abdicar de toda minha experiência profissional no Brasil e trabalhar com o que aparecesse. Tive patroas e colegas maravilhosos que me ajudaram e outros que não foram tão legais comigo. Tive que acordar às 4 horas da madrugada e ir trabalhar, dirigi sobre estradas cobertas de gelo, o carro derrapou para fora da estrada, enfim, daria para escrever um livro (o livro não saiu, mas tenho um blog onde está tudo registrado).

Há uns dois meses me cadastrei na página de uma empresa de recursos humanos e dois dias depois recebi um telefonema solicitando que eu comparecesse a uma entrevista. Finalmente minha experiência como professora no Brasil e minha competência em idiomas parecia ter impressionado uma empresa norueguesa de recursos humanos, que me recrutou.

Depois de algumas oportunidades de emprego que não pude aproveitar por causa dos horários da faculdade e das provas, eis que há duas semanas recebi uma proposta irrecusável para ser professora de inglês. A maior ironia é que a vaga é em Frøya, a ilha onde moramos quando cheguei do Brasil! Vou trabalhar dois dias por semana, com despesas de hospedagem, alimentação e transporte pagas. Vou poder ir à faculdade e não vou mais precisar trabalhar de noite. Não precisei pensar muito para aceitar.

Falei com o diretor da escola na segunda-feira e ele me ligou na terça de manhã para dizer que o emprego era meu. Uma coisa que me marcou é que ele disse que eu falo um norueguês impressionante. Parece que aquele mito de que imigrantes tem mais chance de conseguirem um bom emprego por falarem um bom norueguês do que por apresentarem muitos diplomas é verdadeiro. Pelo menos se mostrou verdadeiro para mim.

Vou lecionar quatro classes a princípio e ontem eu fui conhecer meus futuros alunos. Já tenho minha escrivaninha na sala dos professores e a maioria dos funcionários já se apresentou. Na próxima semana vou assumir as classes. Vou continuar a limpeza no jardim de infância até quarta-feira e então me despedir da minha carreira de faxineira na Noruega. Não descarto a possibilidade de ter que voltar a limpar, mas sei que com um emprego de professora no currículo minhas chances de continuar sendo professora vão aumentar.

Agradeço imensamente a Deus, ao meu marido pelo apoio, a todos que acreditam em mim, estejam vocês perto ou longe e a mim mesma, pela paciência e por eu nunca ter perdido a fé e a esperança de que meu dia iria chegar.

E para encerrar, não resisti – para mim, não tem música que represente uma vitória mais do que essa: