Måned: januar 2011

Matpakke (literalmente pacote de comida, ou lanche)

Matpakke (literalmente pacote de comida, ou lanche)

Uma das coisas mais norueguesas que existem é o lanche que todos que trabalham das 8 às 16 tem que preparar todo santo dia para comer no trabalho. Como aqui na Noruega comprar um almoço num restautante é impensável por causa dos preços (nunca se ouviu falar em vale-refeição) e não é costume almoçar comida quente, a única solução é o matpakke. Eu costumo comer o meu lá pelas 11 horas da manhã, pois o café-da-manhã que eu tomo às 6:30 já fora digerido há tempos. Mas, não basta fazer um lanchinho qualquer, não, o matpakke
norueguês tem algumas características muito particulares:

Primeiro, tem que fatiar o pão, que se compra no supermercado e não é nada fresquinho. Tem como fatiar o pão numa máquina que todo supermercado tem, mas aí o pão fica logo seco. O matpakke médio tem cerca de quatro fatias.

Depois, abra a geladeira e pegue manteiga, frios, geléia, queijo, patê de fígado, maionese (aqui vendida em tubos que nem pasta de dente), caviar (aqui vendido em tubos que nem pasta de dente também e cujos fama e sabor passam longe do famoso Beluga.

Passe manteiga em cada fatia e coloque o que desejar sobre cada uma, de acordo com seu gosto pessoal. Empilhe uma fatia sobre a outra, sem esquecer de colocar um mellomleggspapir entre cada uma delas. Existe até mellomleggspapir decorado.

Feito isso, embrulhe a torre de fatias de pão no matpakkepapir, que é um papel parecido com papel manteiga e feito só para embrulhar matpakke. O matpakke está prontinho. Coloque o matpakke em um saco plástico transparente (claro, próprio para matpakke) junto com frutas e/ou iogurte e nãon esqueça de colocá-lo na bolsa/mochila. Esquecer um matpakke em casa é uma tragédia, pois isso significa passar fome na hora do almoço ou ter que gastar preciosas coroas comprando sanduíche pronto no mercado/cantina.

Agora, imagine uma pessoa que trabalha em média 60 anos aqui na Noruega (aqui se aposenta por idade, 67 anos para homens e mulheres). São 60 anos de matpakke todo dia! Claro que depois de alguns anos todos se cansam do matpakke, aí inventam pållegg (coisas para se colocar sobre a fatia de pão) diferentes. Eu já vi colegas comerem banana e maçã sobre o pão, mas deve ter pessoas ainda mais criativas.

A conclusão é que o matpakke é mais uma necessidade do que um prazer. Não dá para não enjoar de comer o mesmo tipo de lanche anos e anos a fio. Tanto é que uma dupla muito querida na Noruega fez até uma música que explica melhor do que ninguém o sentimento dos noruegueses pelo matpakke. É uma música para crianças, mas tem muito adulto que se identifica com a situação que eles descrevem na canção.


Matpakkevise (Cantiga do lanche) – Knutsen og Ludvigsen

Det er ikke morsomt å spise sin mat, (não tem graça nenhuma comer sua comida)
når den ligger i pakke og ikke på fat. (quando ela está em um pacote e não em um prato)

Den øverste skiven var med syltetøy, (A fatia de cima tinha geléia)
den satt fast i papiret som med vinden fløy. (mas a geléia grudou toda no papel que voou com o vento)

Så skulle jeg starte med nummer to, (Aí eu ia começar com a fatia número dois)
men den var spist fra før fordi den var så god. (mas essa eu tinha comido antes por que estava tão gostosa)

I to halve hadde jeg delt skive tre, (Eu dividi a terceira fatia en dois,)
da den ene var spist, var den andre falt ned. (quando eu comi uma fatia, a outra caiu no chão)

Den fjerde var med majones og tomat, (a quarta tinha maionese e tomate)
majonesen var klemt ut tomaten var flat. (a maionese ficou esmagada para fora da fatia e o tomate ficou achatado)

Den osten jeg hadde på skiven til sist, (o queijo que eu tinha na última fatia)
satt fast under den forrige som jeg hadde spist. (ficou colado na outra fatia que eu já tinha comido)

Nei, det er ikke morsomt å spise sin mat, (não, não tem graça nenhuma comer sua comida,)
når den ligger i pakke og ikke på fat. (quando ela está em um pacote e não em um prato.)

Pequeno manual de sobrevivência no inverno norueguês

Pequeno manual de sobrevivência no inverno norueguês

Postagem do dia 18 de janeiro
Para responder a uma pergunta que li em um comentário na postagem passada resolvi escrever um míni manual de sobrevivência para os corajosos de primeira viagem que estão ou estão para se aventurar no inverno norueguês.

Regra número 1: Deixe a elegância parcialmente de lado. Esqueça botas / sapatos de salto agulha, meias-calças fininhas, casaquinhos curtinhos e justos, saias e minissaias. Para se proteger do frio temos que nos sujeitar a usar roupas menos elegantes e mais quentes. Já vi meninas andando – ou melhor dizendo, tentando se equilibrar nas ruas de gelo com salto alto e não ficou nada elegante. Pode ser que em outros lugares da Europa com um inverno menos rigoroso seja possível manter a classe, mas aqui, realmente, é praticamente impossível. A não ser que você saia de casa, entre num carro e só vá sair do carro na garagem do prédio onde trabalha e de lá de volta pro carro e dali para casa. Quem anda muito e usa transporte público tem que se agasalhar bem.

Peça fundamental número 1: Calça de lã. Você pode optar entre a meia calça de lã ou uma calça de lã. Elas são ótimas para se usar debaixo de calças jeans ou junto com um legging caso você se aventure a usar uma saia. Existem vários modelos, desde os escuros para todo tipo de situação até os mais delicados, em cores claras e com detalhes em renda.

Peça fundamental número 2: Meias de lã até a canela. Nada de usar meias soquete de algodão fininhas, no inverno tem que usar meias de lã grossas que vão até a canela e não ficam escorregando.

Peça fundamental número 3: Um bom suéter de lã. Embora faça um frio terrível lá fora dentro de lojas e dentro das casas há aquecedores que mantém a temperatura sempre alta, por volta de 25 graus Celsius. Então eu não recomendo que se use blusas tipo «cacharrel», ou blusas grossas com gola rolê, por que quando você entrar dentro de uma loja vai derreter de tanto calor. O melhor a se fazer é usar um top ou uma blusa fina por baixo, um suéter de lã e um casaco, assim você pode se refrescar tirando o casaco e/ou o suéter caso esteja muito quente.

Peça fundamental número 4: Um bom casaco de inverno. As mais tradicionais podem escolher um casaco de lã e as mais esportivas podem escolher uma jaqueta que parece um edredom, por que é estofada com penas de ganso. Também existem casacos compridos de penas de ganso que ficam muito elegantes e são bem quentinhos. Há a opção de capuz para as que não gostam de gorros e boinas.

Peça fundamental número 5: Cachecol de lã. O melhor é comprar/tricotar cachecóis de várias cores para combinar com a roupa do dia. Proteger o pescoço é importantíssimo, por que se você sentir frio no pescoço não importa o quão quentes o casaco e o suéter são, você vai começar a sentir frio no corpo todo. O bom do cachecol é que você pode tirá-lo facilmente quando sentir calor.

Peça fundamental número 6: Luvas de lã ou de couro. O melhor modelo de luvas são as «votter», as que só tem o polegar. Eu tenho várias assim que o avô do Morten tricotou para mim. Essas luvinhas esquentam muito mais que as luvas comuns. As de couro não esquentam tanto, mas servem caso você vá dirigir ou queira estar mais elegante.

Peça fundamental número 7: Gorros e/ou boinas. Assim como os cachecóis, é bom ter gorros e boinas de várias cores. Eu detestava usar gorro no Brasil, aqui aprendi que gorro é indispensável, principalmente quando está ventando muito. Os gorros devem proteger as orelhas também, pois quando está muito frio elas podem congelar!

Peça fundamental número 8: Um bom par de botas / sapatos de inverno. Aqui existem modelos para todos os gostos e bolsos, desde os forrados por dentro até os de couro mais elegantes. Eu não recomendo os modelos com muitos cadarços e fivelas, por que se você for visitar alguém vai ter que tirar os sapatos ao entrar e demora muito para calçar e descalçar os sapatos. Eu trabalho em uma escola e até lá tenho que tirar os sapatos que uso na rua e trocar por sapatos para se usar no interior do prédio. Questão de higiene.

Peça fundamental número 9: Os brodder, uma peça que se coloca na sola dos sapatos que contém ou tachinhas ou metal que protegem contra quedas no gelo. Eu tenho dois modelos. Quando vou fazer compras e tenho que sair e entrar de lojas, uso o modelo que é mais fácil de tirar e por:


Mas quando vou fazer caminhadas e quando eu vou trabalhar eu uso outro modelo, que dá mais trabalho para tirar e pôr.

Peça fundamental número 10: Essa não é exatamente relacionada ao inverno, mas sim à escuridão que assola a Noruega entre outubro e meados de março. Trata-se do refleks, uma peça fluorescente que se prega ao casaco ou à bolsa e faz com que os motoristas te vejam andando na rua e não te atropelem. Parece absurdo, mas na época escura por aqui um refleks pode sim salvar uma vida. Alguns modelinhos:

Matpakke (pacote de comida literalmente, ou simplesmente lanche)

Matpakke (pacote de comida literalmente, ou simplesmente lanche)

Uma das coisas mais norueguesas que existem é o lanche que todos que trabalham das 8 às 16 tem que preparar todo santo dia para comer no trabalho. Como aqui na Noruega comprar um almoço num restautante é impensável por causa dos preços (nunca se ouviu falar em vale-refeição) e não é costume almoçar comida quente, a única solução é o matpakke. Eu costumo comer o meu lá pelas 11 horas da manhã, pois o café-da-manhã que eu tomo às 6:30 já fora digerido há tempos. Mas, não basta fazer um lanchinho qualquer, não, o matpakke

norueguês tem algumas características muito particulares:

Primeiro, tem que fatiar o pão, que se compra no supermercado e não é nada fresquinho. Tem como fatiar o pão numa máquina que todo supermercado tem, mas aí o pão fica logo seco. O matpakke médio tem cerca de quatro fatias.

Depois, abra a geladeira e pegue manteiga, frios, geléia, queijo, patê de fígado, maionese (aqui vendida em tubos que nem pasta de dente), caviar (aqui vendido em tubos que nem pasta de dente também e cujos fama e sabor passam longe do famoso Beluga.

Passe manteiga em cada fatia e coloque o que desejar sobre cada uma, de acordo com seu gosto pessoal. Empilhe uma fatia sobre a outra, sem esquecer de colocar um mellomleggspapir entre cada uma delas. Existe até mellomleggspapir decorado.

Feito isso, embrulhe a torre de fatias de pão no matpakkepapir, que é um papel parecido com papel manteiga e feito só para embrulhar matpakke. O matpakke está prontinho. Coloque o matpakke em um saco plástico transparente (claro, próprio para matpakke) junto com frutas e/ou iogurte e nãon esqueça de colocá-lo na bolsa/mochila. Esquecer um matpakke em casa é uma tragédia, pois isso significa passar fome na hora do almoço ou ter que gastar preciosas coroas comprando sanduíche pronto no mercado/cantina.

Agora, imagine uma pessoa que trabalha em média 60 anos aqui na Noruega (aqui se aposenta por idade, 67 anos para homens e mulheres). São 60 anos de matpakke todo dia! Claro que depois de alguns anos todos se cansam do matpakke, aí inventam pållegg (coisas para se colocar sobre a fatia de pão) diferentes. Eu já vi colegas comerem banana e maçã sobre o pão, mas deve ter pessoas ainda mais criativas.

A conclusão é que o matpakke é mais uma necessidade do que um prazer. Não dá para não enjoar de comer o mesmo tipo de lanche anos e anos a fio. Tanto é que uma dupla muito querida na Noruega fez até uma música que explica melhor do que ninguém o sentimento dos noruegueses pelo matpakke. É uma música para crianças, mas tem muito adulto que se identifica com a situação que eles descrevem na canção.

Matpakkevise (Cantiga do lanche) – Knutsen og Ludvigsen

Det er ikke morsomt å spise sin mat, (não tem graça nenhuma comer sua comida)
når den ligger i pakke og ikke på fat. (quando ela está em um pacote e não em um prato)

Den øverste skiven var med syltetøy, (A fatia de cima tinha geléia)
den satt fast i papiret som med vinden fløy. (mas a geléia grudou toda no papel que voou com o vento)

Så skulle jeg starte med nummer to, (Aí eu ia começar com a fatia número dois)
men den var spist fra før fordi den var så god. (mas essa eu tinha comido antes por que estava tão gostosa)

I to halve hadde jeg delt skive tre, (Eu dividi a terceira fatia en dois,)
da den ene var spist, var den andre falt ned. (quando eu comi uma fatia, a outra caiu no chão)

Den fjerde var med majones og tomat, (a quarta tinha maionese e tomate)
majonesen var klemt ut tomaten var flat. (a maionese ficou esmagada para fora da fatia e o tomate ficou achatado)

Den osten jeg hadde på skiven til sist, (o queijo que eu tinha na última fatia)
satt fast under den forrige som jeg hadde spist. (ficou colado na outra fatia que eu já tinha comido)

Nei, det er ikke morsomt å spise sin mat, (não, não tem graça nenhuma comer sua comida,)
når den ligger i pakke og ikke på fat. (quando ela está em um pacote e não em um prato.)

Pequeno manual de sobrevivência no inverno norueguês

Pequeno manual de sobrevivência no inverno norueguês

Para responder a uma pergunta que li em um comentário na postagem passada resolvi escrever um míni manual de sobrevivência para os corajosos de primeira viagem que estão ou estão para se aventurar no inverno norueguês.

Regra número 1: Deixe a elegância parcialmente de lado. Esqueça botas / sapatos de salto agulha, meias-calças fininhas, casaquinhos curtinhos e justos, saias e minissaias. Para se proteger do frio temos que nos sujeitar a usar roupas menos elegantes e mais quentes. Já vi meninas andando – ou melhor dizendo, tentando se equilibrar nas ruas de gelo com salto alto e não ficou nada elegante. Pode ser que em outros lugares da Europa com um inverno menos rigoroso seja possível manter a classe, mas aqui, realmente, é praticamente impossível. A não ser que você saia de casa, entre num carro e só vá sair do carro na garagem do prédio onde trabalha e de lá de volta pro carro e dali para casa. Quem anda muito e usa transporte público tem que se agasalhar bem.

Peça fundamental número 1: Calça de lã. Você pode optar entre a meia calça de lã ou uma calça de lã. Elas são ótimas para se usar debaixo de calças jeans ou junto com um legging caso você se aventure a usar uma saia. Existem vários modelos, desde os escuros para todo tipo de situação até os mais delicados, em cores claras e com detalhes em renda.

Peça fundamental número 2: Meias de lã até a canela. Nada de usar meias soquete de algodão fininhas, no inverno tem que usar meias de lã grossas que vão até a canela e não ficam escorregando.

Peça fundamental número 3: Um bom suéter de lã. Embora faça um frio terrível lá fora dentro de lojas e dentro das casas há aquecedores que mantém a temperatura sempre alta, por volta de 25 graus Celsius. Então eu não recomendo que se use blusas tipo «cacharrel», ou blusas grossas com gola rolê, por que quando você entrar dentro de uma loja vai derreter de tanto calor. O melhor a se fazer é usar um top ou uma blusa fina por baixo, um suéter de lã e um casaco, assim você pode se refrescar tirando o casaco e/ou o suéter caso esteja muito quente.

Peça fundamental número 4: Um bom casaco de inverno. As mais tradicionais podem escolher um casaco de lã e as mais esportivas podem escolher uma jaqueta que parece um edredom, por que é estofada com penas de ganso. Também existem casacos compridos de penas de ganso que ficam muito elegantes e são bem quentinhos. Há a opção de capuz para as que não gostam de gorros e boinas.

Peça fundamental número 5: Cachecol de lã. O melhor é comprar/tricotar cachecóis de várias cores para combinar com a roupa do dia. Proteger o pescoço é importantíssimo, por que se você sentir frio no pescoço não importa o quão quentes o casaco e o suéter são, você vai começar a sentir frio no corpo todo. O bom do cachecol é que você pode tirá-lo facilmente quando sentir calor.

Peça fundamental número 6: Luvas de lã ou de couro. O melhor modelo de luvas são as «votter», as que só tem o polegar. Eu tenho várias assim que o avô do Morten tricotou para mim. Essas luvinhas esquentam muito mais que as luvas comuns. As de couro não esquentam tanto, mas servem caso você vá dirigir ou queira estar mais elegante.

Peça fundamental número 7: Gorros e/ou boinas. Assim como os cachecóis, é bom ter gorros e boinas de várias cores. Eu detestava usar gorro no Brasil, aqui aprendi que gorro é indispensável, principalmente quando está ventando muito. Os gorros devem proteger as orelhas também, pois quando está muito frio elas podem congelar!

Peça fundamental número 8: Um bom par de botas / sapatos de inverno. Aqui existem modelos para todos os gostos e bolsos, desde os forrados por dentro até os de couro mais elegantes. Eu não recomendo os modelos com muitos cadarços e fivelas, por que se você for visitar alguém vai ter que tirar os sapatos ao entrar e demora muito para calçar e descalçar os sapatos. Eu trabalho em uma escola e até lá tenho que tirar os sapatos que uso na rua e trocar por sapatos para se usar no interior do prédio. Questão de higiene.

Peça fundamental número 9: Os brodder, uma peça que se coloca na sola dos sapatos que contém ou tachinhas ou metal que protegem contra quedas no gelo. Eu tenho dois modelos. Quando vou fazer compras e tenho que sair e entrar de lojas, uso o modelo que é mais fácil de tirar e por:


Mas quando vou fazer caminhadas e quando eu vou trabalhar eu uso outro modelo, que dá mais trabalho para tirar e pôr.

Peça fundamental número 10: Essa não é exatamente relacionada ao inverno, mas sim à escuridão que assola a Noruega entre outubro e meados de março. Trata-se do refleks, uma peça fluorescente que se prega ao casaco ou à bolsa e faz com que os motoristas te vejam andando na rua e não te atropelem. Parece absurdo, mas na época escura por aqui um refleks pode sim salvar uma vida. Alguns modelinhos:

E mais um ano novo começa

E mais um ano novo começa

Primeiro quero expressar minha tristeza ao ver imagens das fortes enchentes no Brasil pela TV.

Passei o Natal com a família do meu marido e estava um frio, mas um frio…nunca havia feito tanto frio no Natal como este ano desde que cheguei aqui. A temperatura estava em torno de 22 graus negativos e não estava nevando. Eu acho lindo quando neva muito no Natal, mas este ano tive que me contentar só com o frio e com gelo nas calçadas.

O Ano Novo passamos aqui em casa só nós dois com jantar e depois fomos ver os fogos de artifício. A temperatura subiu um pouco e o resultado foi neve e gelo derretido nas ruas, o que dificultava andar de tão escorregadio e ensopado que estava.

Logo na segunda-feira, dia 3 de janeiro lá estava eu na escola para planejar o novo semestre letivo. Eu havia recebido uma proposta para aumentar minhas horas na escola, mas resolvi recusar. Ano passado eu assumi mais compromissos do que deveria e meu tempo ficou muito reduzido, o que fez com que eu tivesse muito pouco tempo para estudar. Não lembro se escrevi aqui, mas eu resolvi não continuar como estudante assistente na faculdade por esse mesmo motivo. Recebi uma das notas do ano passado e estou muito satisfeita, agora falta só mais uma.

Então, este ano vou me dividir entre a escola três dias na semana e a faculdade dois dias por semana. Vou ter duas matérias: Uma se chama introdução às ciências políticas. Vou estudar a estrutura política da Noruega e de outros países e também temas como corrupção, muito interessante. A outra matéria, mais interessante ainda para mim é introdução à sociologia. Já folheei os livros e acho que vou gostar muito. Em agosto vou iniciar a última etapa obrigatória dos meus estudos na Noruega, vou estudar pedagogia ao longo de dois anos. Eu tenho a opção de estudar um ano só, mas neste caso teria que parar de trabalhar para me dedicar somente aos estudos, já que o curso é intensivo e controla a presença dos estudantes. Como eu gosto muito do meu trabalho, decidi pelo curso flexível de dois anos. Assim vou poder trabalhar e vou estudar ao mesmo tempo. Depois de ter terminado Pedagogia creio que vou estudar mais um pouquinho para obter um bacharelado, ou em inglês ou em espanhol, assim meu nível salarial aumenta mais um pouco. Mestrado e doutorado não estão nos meus planos, então acho que em 3 ou 4 anos vou ter encerrado minha carreira acadêmica. Mas, não sei se vou parar de estudar completamente, vamos ver o que acontece.

Estou sem meu laptop por que tive que mandá-lo para o conserto por causa de um probleminha no monitor. Mas, para minha surpresa, a loja me emprestou um laptop até que o meu esteja pronto. Fiquei positivamente surpresa. Na terça-feira fui até a polícia e retirei meu passaporte com a nova etiqueta contendo meu visto permanente. Não vou precisar me preocupar com isso até 2013. Aí é só ir até a polícia – sem pegar fila – e pedir que colem uma nova etiqueta que valerá por mais dois anos. Mal posso acreditar que o pesadelo dos vistos chegou ao fim, agora posso viajar ao Brasil quando eu quiser!

Falando em visto, esta semana aqui na Noruega uma moça da Rússia de 25 anos que havia vindo para cá como refugiada junto com os pais há mais de 10 anos foi presa e está para ser deportada. Ela persistiu em ficar na Noruega mesmo depois de as autoridades terem negado o seu pedido de asilo no país. Além disso, ela conseguiu se matricular na faculdade e obteve um mestrado – tudo isso sem documentos noruegueses! Ano passado ela escreveu um livro onde narra sua vida como ilegal na Noruega. Ontem houve muitos protestos aqui em Trondheim apelando para que as autoridades a deixem ficar. Eu não tenho absolutamente nada contra a moça e contra outros imigrantes ilegais. O que eu não entendo é um sistema que deixa alguns ficarem aqui de forma ilegal e deporta outros. Embora meu caso seja completamente diferente, eu e meu marido procuramos desde o princípio cumprir com a lei e obter toda a papelada para eu emigrasse legalmente. E nesse período fiquei sabendo de emigrantes que vieram na mesma condição que a minha -com namorados(as) e noivos(as) aqui e não fizeram tudo o que eu tive que fazer. E nem é culpa deles, por que se o sistema não presta atenção sempre tem que tente o jeitinho mais fácil. É culpa do sistema que deixa passar. Eu acho que, ou as autoridades liberam os vistos, deixando que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo possa vir para cá, ou as autoridades cumprem suas próprias leis, deportando quem está ilegal e não perturbando quem está aqui legalmente. Depois de quatro anos aqui eu vi, ouvi e li muito sobre imigrantes e sei que cada história tem dois lados.

E assim vão passando os dias na Noruega, no meio de um inverno implacável, as ruas ‘ensaboadas’ de gelo, muitas saudades do verão do Brasil e aguardando ansiosamente uma viagem muito especial que vamos fazer…O bom de se trabalhar é que podemos nos dar presentes de vez em quando sem peso na consciência!
E mais um ano novo começa

E mais um ano novo começa

Primeiro quero expressar minha tristeza ao ver imagens das fortes enchentes no Brasil pela TV.

Passei o Natal com a família do meu marido e estava um frio, mas um frio…nunca havia feito tanto frio no Natal como este ano desde que cheguei aqui. A temperatura estava em torno de 22 graus negativos e não estava nevando. Eu acho lindo quando neva muito no Natal, mas este ano tive que me contentar só com o frio e com gelo nas calçadas. Não saio mais de casa sem brodder nos sapatos, as famosas solas com tachinhas para não escorregar.

O Ano Novo passamos aqui em casa só nós dois com jantar e depois fomos ver os fogos de artifício. A temperatura subiu um pouco e o resultado foi neve e gelo derretido nas ruas, o que dificultava andar de tão escorregadio e ensopado que estava.

Logo na segunda-feira, dia 3 de janeiro lá estava eu na escola para planejar o novo semestre letivo. Eu havia recebido uma proposta para aumentar minhas horas na escola, mas resolvi recusar. Ano passado eu assumi mais compromissos do que deveria e meu tempo ficou muito reduzido, o que fez com que eu tivesse muito pouco tempo para estudar. Não lembro se escrevi aqui, mas eu resolvi não continuar como estudante assistente na faculdade por esse mesmo motivo. Recebi uma das notas do ano passado e estou muito satisfeita, agora falta só mais uma.

Então, este ano vou me dividir entre a escola três dias na semana e a faculdade dois dias por semana. Vou ter duas matérias: Uma se chama introdução às ciências políticas. Vou estudar a estrutura política da Noruega e de outros países e também temas como corrupção, muito interessante. A outra matéria, mais interessante ainda para mim é introdução à sociologia. Já folheei os livros e acho que vou gostar muito. Em agosto vou iniciar a última etapa obrigatória dos meus estudos na Noruega, vou estudar pedagogia ao longo de dois anos. Eu tenho a opção de estudar um ano só, mas neste caso teria que parar de trabalhar para me dedicar somente aos estudos, já que o curso é intensivo e controla a presença dos estudantes. Como eu gosto muito do meu trabalho, decidi pelo curso flexível de dois anos. Assim vou poder trabalhar e vou estudar ao mesmo tempo. Depois de ter terminado Pedagogia creio que vou estudar mais um pouquinho para obter um bacharelado, ou em inglês ou em espanhol, assim meu nível salarial aumenta mais um pouco. Mestrado e doutorado não estão nos meus planos, então acho que em 3 ou 4 anos vou ter encerrado minha carreira acadêmica. Mas, não sei se vou parar de estudar completamente, vamos ver o que acontece.

Estou sem meu laptop por que tive que mandá-lo para o conserto por causa de um probleminha no monitor. Mas, para minha surpresa, a loja me emprestou um laptop até que o meu esteja pronto. Fiquei positivamente surpresa. Na terça-feira fui até a polícia e retirei meu passaporte com a nova etiqueta contendo meu visto permanente. Não vou precisar me preocupar com isso até 2013. Aí é só ir até a polícia – sem pegar fila – e pedir que colem uma nova etiqueta que valerá por mais dois anos. Mal posso acreditar que o pesadelo dos vistos chegou ao fim, agora posso viajar ao Brasil quando eu quiser!

Falando em visto, esta semana aqui na Noruega uma moça da Rússia de 25 anos que havia vindo para cá como refugiada junto com os pais há mais de 10 anos foi presa e está para ser deportada. Ela persistiu em ficar na Noruega mesmo depois de as autoridades terem negado o seu pedido de asilo no país. Além disso, ela conseguiu se matricular na faculdade e obteve um mestrado – tudo isso sem documentos noruegueses! Ano passado ela escreveu um livro onde narra sua vida como ilegal na Noruega. Ontem houve muitos protestos aqui em Trondheim apelando para que as autoridades a deixem ficar. Eu não tenho absolutamente nada contra a moça e contra outros imigrantes ilegais. O que eu não entendo é um sistema que deixa alguns ficarem aqui de forma ilegal e deporta outros. Embora meu caso seja completamente diferente, eu e meu marido procuramos desde o princípio cumprir com a lei e obter toda a papelada para eu emigrasse legalmente. E nesse período fiquei sabendo de emigrantes que vieram na mesma condição que a minha -com namorados(as) e noivos(as) aqui e não fizeram tudo o que eu tive que fazer. E nem é culpa deles, por que se o sistema não presta atenção sempre tem que tente o jeitinho mais fácil. É culpa do sistema que deixa passar. Eu acho que, ou as autoridades liberam os vistos, deixando que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo possa vir para cá, ou as autoridades cumprem suas próprias leis, deportando quem está ilegal e não perturbando quem está aqui legalmente. Depois de quatro anos aqui eu vi, ouvi e li muito sobre imigrantes e sei que cada história tem dois lados.

E assim vão passando os dias na Noruega, no meio de um inverno implacável, as ruas ‘ensaboadas’ de gelo, muitas saudades do verão do Brasil e aguardando ansiosamente uma viagem muito especial que vamos fazer…O bom de se trabalhar tanto é que podemos nos dar presentes de vez em quando sem peso na consciência!