Måned: oktober 2011

O ensino fundamental na Noruega

O ensino fundamental na Noruega

Como já deu para perceber, sou professora e me dei conta de que ainda não havia escrito uma postagem contando sobre a escola norueguesa. Aqui o professor tem muitas outras responsabilidades além de lecionar, o que torna nosso dia-a-dia bem cansativo. Aqui estão algumas características interessantes:
Duração do ensino fundamental obrigatório
Toda criança é obrigada a ir à escola no ano em que completa 6 anos até os 16 anos. Antes dos 6 anos os pais podem optar por matriculá-las no jardim de infância ou não. Pelo fato de o verão aqui ser no meio do ano, o ano letivo começa sempre em meados de agosto e dura mais ou menos até meados de junho. No Natal e no Ano Novo temos duas semanas livres, mas no primeiro dia útil depois do Ano Novo já estão todos de volta à escola. Temos uma semana de férias no meio do outono, uma semana no meio do inverno e uma semana na Páscoa, fora os feriados.
Do ano em que completam 6 anos até o ano em que completam 12 anos as crianças vão à barneskole (escola infantil. São 7 séries).
Do ano em que completam 13 anos até o ano em que completam 15 anos as crianças/adolescentes  vão à ungdomsskole (escola juvenil. São mais 3 séries). Isto quer dizer que o ensino fundamental obrigatório na Noruega dura 10 anos. Depois do ensino fundamental, os adolescentes escolhem se querem seguir para o ensino continuado (videregående skole) ou param de estudar e vão direto para o mercado de trabalho. Sem o ensino continuado os adolescentes não podem fazer faculdade, mas podem mais tarde fazer um curso de studiekompetanse para poder entrar na faculdade. Foi isso o que eu fiz em 2007/2008 para poder entrar na NTNU. Eu tinha, claro, o ensino médio no Brasil, mas me faltavam créditos em norueguês e alguns créditos em ciências sociais.
Matérias escolares na ungdomsskole
Na oitava série os alunos têm as seguintes matérias:
Norueguês (bokmål e nynorsk)
Matemática
Inglês
Ciências naturais (o mesmo professor leciona biologia, física e química)
Ciências sociais (o mesmo professor leciona história, geografia e educação moral e cívica)
RLE (religião, perspectivas de vida e ética)
Educação física
Educação artística e trabalhos manuais
Língua estrangeira. Os alunos na escola onde trabalho podem escolher entre alemão, espanhol, aprofundamento em inglês e aprofundamento em norueguês (este curso é mais para os filhos de imigrantes).
Na nona série os alunos têm as mesmas matérias da oitava série, mais Música e Mat og Helse (Alimentação e Saúde).
Na décima série os alunos têm as mesmas matérias da oitava e nona séries, menos Mat og Helse.
Além disso, há um programa para ajudar os alunos escolher um curso superior (Utdanningsvalg), que acontece no horário das aulas.
O dia-a-dia na ungdomsskole
Os aulas onde eu leciono começam às 8hs30min.  A primeira aula vai até ás 10hs e então os alunos têm recreio de 15 minutos. Na volta os professores levam uma cesta de frutas para a classe para os alunos. A segunda aula vai das 10hs15min até 11hs15min. Então um professor fica com eles até às 11hs35min. Os alunos comem seus lanches (matpakke, que eles trazem de casa) e alguns alunos recebem um frasco de leite ou achocolatado ou suco de laranja ou um pote de iogurte. Esses produtos são encomendados pelos pais, que devem pagar do próprio bolso. Às 11hs35min todos os alunos devem sair para a área externa da escola, não importa o tempo. Nessa hora os professores se revezam como inspetores para dar mais segurança aos alunos e impedir possíveis casos de bullying. Nós recebemos um plano com os dias e horários que temos que sair. Todos os professores devem usar coletes fluorescentes amarelos para que os alunos nos vejam o tempo todo. Nos recreios de 15 minutos os professores também devem sair para fazer inspeção. O recreio acaba às 12hs e então começa a terceira aula, que vai até ás 13hs. Um novo recreio de 15 minutos e a última aula vai das 13hs15min às 14hs15. A maioria dos alunos vai a pé ou de bicicleta para casa, enquanto outros que moram mais longe pegam ônibus (gratuito).
Na próxima postagem conto mais.
A última e mais árdua etapa

A última e mais árdua etapa

Mês passado tive minha primeira semana de aulas no meu novo curso na faculdade: Educação pedagógica prática flexível na Universidade de Trondheim, NTNU. Este curso é para pessoas que têm no mínimo 180 créditos (que devem ser em uma ou mais disciplinas escolares) e querem dar aulas no ensino fundamental (barne- og ungdomsskole) à partir da quinta série até o último ano do ensino médio (videregående skole). O curso pode durar um ano ou dois. Eu escolhi o de dois anos (daí o porquê de ele se chamar flexível) por que o curso de um ano tem aulas diariamente e exige que o estudante esteja presente em 80% das aulas. Isto torna impossível para o estudante trabalhar enquanto estuda. Já o curso de dois anos permite que o estudante trabalhe, pois há somente 10 dias de aulas por semestre (mas, nessas aulas a presença é obrigatória). Na primeira semana fiquei conhecendo os meus colegas, tive aulas de pedagogia e didática de inglês e espanhol. Semana que vem terei a segunda etapa de três dias. Ao longo desses dois anos terei também que fazer estágio em no mínimo duas escolas diferentes. Terei que ter uma espécie de mentor, um(a) professor(a) experiente que possa assistir às minhas aulas e me dar conselhos e críticas construtivas sobre o meu método de lecionar. Enviei solicitações de estágio para 14 escolas aqui de Trondheim e felizmente ontem fiquei sabendo que consegui estágio de espanhol em uma escola de ensino médio. Agora resta só o estágio de inglês. Felizmente eu posso cumprir 40 horas do estágio (que é de 100 horas) nas minhas próprias turmas na escola onde trabalho, sem mentor. Então tenho somente que cumprir 30 horas de espanhol (que acabei de conseguir) e 30 horas de inglês (que espero que eu consiga logo). Se bem que posso muito bem esperar para fazer o estágio de inglês depois de terminar o de espanhol, por que vou ter muito pouco tempo se eu for fazer dois estágios e lecionar 4 turmas. Os professores da faculdade recomendaram que nós terminemos o estágio antes de janeiro de 2013, por que naquele último semestre do curso teremos que fazer muitos trabalhos, o que vai reduzir nosso tempo para fazer outras coisas.
Esta semana é a chamada høstferie (férias de outono) aqui na minha região. Folga na quarta, quinta e sexta. Essas férias são na verdade um resquício do passado, quando as crianças eram quase todas filhas de agricultores e tinham que ficar em casa uma semana para ajudar na colheita das batatas. Hoje em dia pouquíssimas crianças têm pais que cultivam batatas, mas a tradição permanece. Para mim esses dias de folga uma semana antes das aulas de pedagogia vieram em boa hora, pois tenho uma montanha de textos para ler. Meio apavorada por tudo que terei que fazer daqui para frente, estou ao mesmo tempo feliz por saber que esta é teoricamente a última etapa da minha carreira estudantil na Noruega. Depois de três anos estudando inglês, espanhol e ciências sociais tenho pela frente somente essa educação pedagógica. Com um emprego fixo garantido poderei respirar aliviada.
Férias de verão 2011 – Trondheim

Férias de verão 2011 – Trondheim

Quarta e última parte: Trondheim e redondezas – 31 de julho a 14 de agosto de 2011.

Chegamos da Espanha em um sábado à noite e tiramos o domingo para descansar em casa e desfazer malas. O dia, porém, estava tão ensolarado e quente que fomos dar uma pequena volta pela cidade. Fomos inclusive a um mercado medieval que estava sendo realizado ao lado da Catedral de Nidaros como parte da programação de um festival chamado Olavs Festdagene. Nos dias que se seguiram visitamos muitos lugares, principalmente relacionados à música, um grande interesse do meu pai. Vou escrever aqui um resumo:
Fomos a muitos brechós na região, pois meu pai coleciona discos de vinil, especialmente de jazz. Ele não achou muita coisa nos brechós, mas em compensação na biblioteca daqui… muitas coisas interessantes que ele emprestou para escutar aqui em casa.
Em uma tarde passamos por acaso em frente a um hotel aqui perto e um pequeno grupo fazia uma apresentação de jazz. Meu pai ficou emocionado com as músicas, o grupo era excelente e atraiu um público grande.
Visitamos Rockheim, um museu que conta a história do rock na Noruega dos últimos 60 anos. Muita tecnologia e muitas novidades.
Participamos de um grande evento do festival Olavs Festdagene. Assistimos ao Requiem de Verdi na catedral de Nidaros com coral e orquestra sinfônica. Não conseguimos os melhores lugares, mas foi uma noite memorável.
Fizemos um churrasco na casa dos meus sogros e convidamos a família do meu marido. Eu e ele nos encarregamos de toda a comida e organização. Muito trabalho, mas o resultado final valeu a pena.
Fomos ao museu do rádio que fica em um município vizinho chamado Selbu. Muita história e discos de vinil, para a alegria do meu pai.
Em uma manhã chuvosa, fizemos uma surpresa ao meu pai. Dissemos a ele que iríamos todos à padaria comprar pão para o café de manhã. A caminhada até a padaria parecia muito longa e passava pelo porto de Trondheim. Até que chegamos a um dos navios turísticos Hurtigruten, que navegam pela costa da Noruega. Embarcamos e tomamos café da manhã no restaurante deles.
Visitamos o Museu folclórico de Trøndelag, onde havia muitas casas e objetos que contavam a história de Trondheim e redondezas. O dia estava lindo e o museu tem uma vista maravilhosa da cidade.
Aproveimos um outro dia de sol e fomos à Munkholmen, uma ilha a poucos metros da costa de Trondheim, onde tomamos sol e fizemos um churrasquinho.
No penúltimo dia da estadia do meu pai, fizemos outra surpresa para ele. Fomos ao restaurante Egon, que fica no alto de uma torre chamada Tyholt. Lá nos encontramos com meus sogros, que queriam se despedir do meu pai. O que meu pai não sabia é que o restaurante tem paredes de vidro e o chão do restaurante dá uma volta completa a cada hora, proporcionando uma vista panorâmica de toda a cidade. Não demorou muito para ele perceber o movimento do chão. O dia estava lindo, jantamos enquanto contemplávamos o por do sol. Todos se divertiram muito.
O triste dia da partida chegou e eu fiquei preocupadíssima com o fato de o meu pai estar viajando sozinho de volta ao Brasil. Tive uma série de imprevistos na ida e temia que o mesmo aconteceria com ele. Acompanhei os horários dos voos pela internet e nenhum deles atrasou. Escrevi instruções sobre o procedimento nos aeroportos e uma carta em inglês para ele entregar a um funcionário da companhia aérea caso ele se perdesse. Para o meu alívio fiquei sabendo que tudo correu bem quando telefonei para ele no domingo. Ele não precisou perguntar nada a um funcionário e não se perdeu. Fiquei orgulhosa por ele ter conseguido se virar sozinho. Agora sei que ele pode eventualmente vir pra cá em uma próxima vez sem problemas.
Na parte gastronômica, meu pai experimentou muitas comidas típicas. Frutas silvestres colhidas no pé, carne de alce, bacalhau (claro), kjøttkaker i brun saus (almôndegas com molho norueguês), rømmegrøt (mingau de creme azedo – ele achou estranho comer isso no jantar), caviar de tubo, geléias variadas, vafler (waffles noruegueses) e salsichas grelhadas.
E esse foi o final de talvez as melhores férias que eu tive em muitos anos. Ainda hoje penso nos dias que passei no Brasil, na Espanha e aqui com meu pai e espero que em breve eu possa repetir a experiência. Agora tenho que trabalhar muito para poder tirar merecidas férias novamente.