Måned: desember 2011

Um dia antes das férias de Natal

Um dia antes das férias de Natal

A confraternização de Natal da escola foi tranquila. Alguns colegas chegaram mesmo no restaurante pra lá de Bagdá e deram discursos, contaram piadas (dei boas risadas), mas, felizmente ninguém deu vexame. Fiquei decepcionada com a comida. Estava ansiosa para comer um bifão bovino com molho de cogumelos, mas estava totalmente sem tempero. Eu e meu marido conseguimos fazer um bife bem mais saboroso. Bom, agora pelo menos sei onde não vou jantar na próxima ocasião especial. Lá pelas 11 horas me despedi do povo e encontrei meu marido. Fomos a um pub escocês aqui perto de casa. Conversamos, escutamos música ao vivo e me diverti muito mais do que na confraternização.
Sábado, decoramos os biscoitinhos de pimenta com glacê e M&Ms e no domingo, fizemos as bolinhas de conhaque. Este ano estou feliz por que consegui fazer muitas comidinhas natalinas. Quinta e sexta, vou decorar a casa para o Natal. Me convenci que realmente decorar a casa dia 10 de dezembro como eu fazia em São Paulo é cedo demais. Falando em Natal, a emissora de rádio e TV estatal daqui, NRK, criou uma rádio digital que toca só música de Natal o mês inteiro. Ando escutando essa rádio ultimamente, há canções natalinas muito bonitas por aqui.
Hoje, 20 de dezembro, é talvez o dia mais escuro do inverno norueguês. Isso porque amanhã é o dia do solstício de inverno, ou seja, à partir de amanhã os dias vão ficando pouco a pouco mais claros, até culminar no dia 23 ou 24 de junho, dias em que a claridade dura mais tempo. Ouvi vários comentários de pessoas que esperam ansiosamente pelo dia 21 de dezembro, por que essa escuridão deixa muita gente pra baixo. Está amanhecendo por volta das 9hs30 min da manhã e anoitecendo às 15hs30 min aqui na minha região (lá pro extremo norte simplesmente não amanhece, as noites são eternas).
Amanhã também é o meu último dia de trabalho na escola antes do Natal. Meu marido tem um prêmio todo final de ano. Ele pode tirar metade de um dia de folga e escolhemos amanhã por que eu também vou trabalhar só na parte da manhã. Vamos na academia e depois ainda não resolvemos o que vamos fazer mas, só o fato de estar de folga é uma coisa maravilhosa.
Me despeço desejando a todos que leem e que não leem o blog um feliz Natal. Nessa época penso ainda mais naqueles que não têm nada para se alegrar na época do Natal, por isso deixo uma canção que escuto muito na rádio de Natal da Noruega. Trata-se do menino que o Papai Noel esqueceu, por que ele não tem pai.

Terapia na cozinha

Terapia na cozinha

Embora eu não tenha provas na faculdade este ano (tive provas em dezembro ano passado, retrasado e o anterior), tenho muitas coisas para ler e escrever. Em fevereiro terei que entregar dois trabalhos, em março outro, mais apresentações, resumos e provas mais para frente. Hoje, ontem e anteontem tive as últimas sessões de aulas e no final de janeiro nos reuniremos de novo. Sinto que estou aprendendo muito, e o melhor de tudo é que posso aplicar toda a teoria que aprendo na faculdade no meu trabalho. Tem muita coisa que eu não sabia, mas também muita coisa que eu já fazia e os professores mencionam. Isso significa que estou fazendo uma boa parte do meu trabalho corretamente.
Em alguns dias eu estudo muito durante o dia e no final da tarde não consigo mais me concentrar na leitura. Aí eu gosto de achar alguma receita de bolo, pão ou outra coisa e tentar fazer. Domingo passado eu e o Morten fizemos os biscotinhos de pimenta (que de pimenta não têm nada) para o Natal. A massa eu fizera dois dias antes e no domingo modelamos os biscoitos e os assamos. Neste domingo vamos decorá-los com glacê e M&Ms.
Ontem foi o dia de Santa Luzia aqui.Apesar de predominantemente protestante e atéia, a Noruega preserva uma tradição originalmente sueca de celebrar o dia da santa. Na aula de ontem eu até comentei que no Brasil dizemos que essa santa protege os olhos e eles acharam muito interessante saber disso. E faz sentido aqui, pois as crianças costumam vestir roupas de anjos e fazer uma procissão com velas, para homenagear LUZia – ou Lucia como a chamam por aqui.
Bom, voltando ao papo da cozinha, ontem eu resolvi relaxar a mente de tanto livro e aula e fui tentar fazer uns pãezinhos típicos do dia de Santa Luzia, os Lussekatter. Originalmente, a receita leva açafrão. Pedi pro meu marido comprar quando voltasse para casa do trabalho, mas ele não achou. Tenho um tempero indiano bem amarelinho que não tem sabor de nada (cúrcuma, que descobri também chamar-se açafrão da terra) e usei esse mesmo. Morten veio ajudar a modelar as Lussekatter e o resultado foi esse:

Estavam muito saborosas, crocantes por fora e macias por dentro. Não são muito doces e têm uvas passas na massa. Gostamos muito do resultado. Vou deixar a receita aqui para quem quiser se aventurar:

Lussekatter (pãezinhos doces de Santa Luzia)

Ingredientes para 40 unidades (eu fiz metade da receita):

175g de manteiga ou margarina (com a escassez de manteiga por aqui usei margarina). As medidas culinárias na Noruega são em gramas, por isso ajuda muito ter uma balancinha de cozinha.
500 ml de leite
50 g de fermento biológico seco
1/2 colher de chá de sal
Quase 200 ml de açúcar (a receita diz 100 ml + 3/4 de 100 ml, ou seja, quase 200 ml)
1 grama de açafrão (ou cúrcuma)
1 ovo
100-150 ml de uvas passas
Mais ou menos 825 g de farinha de trigo
Uvas passas para decorar
1 ovo para pincelar

Modo de preparo:

Derreta a margarina ou manteiga em uma panelinha. Adicione o leite e esquente a mistura até a temperatura alcançar 40 graus celsius (eu tenho termômetro de cozinha, que ajuda muito). O fermento seco, pelo menos na Noruega, precisa de uma solução mais quente que o fermento fresco. Se usar o fermento fresco a temperatura deve ser 37 graus Celsius. Coloque o fermento em uma tigela e despeje um pouquinho da mistura de leite e manteiga. Mexa bem. Despeje o resto do leite com manteiga,o sal, o açúcar, o açafrão ou a cúrcuma, o ovo e as uvas passas. Vá adicionando farinha de trigo e sove a massa até que desgrude da tigela. Eu usei batedeira planetária com o batedor de massa. Cubra a tigela com um pano ou um saco plástico, coloque-a em um lugar aquecido (eu costumo colocar minhas massas dentro do forno desligado) e deixe-a crescer por 30 minutos.
Despeje a massa em uma bancada enfarinhada e sove mais um pouquinho, adicionando mais farinha se necessário. Divida a massa em pedaços pequenos e faça cobrinhas com os pedaços de mais ou menos 15 cm e mais ou menos com um dedo de grossura. Forme os pãezinhos em forma de caracol, tranças, etc. Nessa foto se pode aprender alguns formatos. Coloque uma ou duas uvas passas em cada pãozinho para decorar. Depois eu fiquei pensando que as passas nos pãezinhos se parecem com olhinhos, que é o que a santa protege. Coloque os pãezinhos em uma fôrma coberta com papel manteiga, cubra a fôrma com um pano e deixe os pãezinhos crescerem mais 30 minutos.
Enquanto eles crescem, pré-aqueça o forno a 250 graus Celsius. Pincele os pãezinhos com um ovo batido e leve-os para assar durante 8-10 minutos ou até eles ficarem douradinhos.
Retire-os do forno e coloque-os em uma grade para esfriar. Na grade eles ficam sequinhos e crocantes.
(Receita tirada do livro Gyldendals store kokebok)
Mais um obstáculo superado

Mais um obstáculo superado

Hoje foi um dia que eu esperei com apreensão. Uma professora da faculdade veio até a escola onde estou fazendo estágio para fazer uma avaliação da minha aula. Tive que escrever um documento extenso onde não somente tive que escrever tudo o que faria durante a aula, mas também justificar tudo o que iria fazer. Um trabalho bem minucioso. Eu pensei que iria estar muito nervosa, mas felizmente consegui manter o controle e dei uma boa aula, segundo a avaliação da professora. Vou continuar o estágio ali até o final de janeiro e é um grande alívio ter recibido a visita da professora. Ela vem só uma vez. Depois de terminar o estágio de espanhol vou começar o de inglês, que vou tentar conseguir na escola onde trabalho.
A neve chegou pra valer por aqui e a paisagem fica belíssima, mas o meu maior problema no inverno começa: as ruas escorregadias. Ainda não tive que usar as minhas solas de gelo, mas passei a levá-las na mochila caso eu necessite.

Outro dia vi um filme chamado «Julie & Julia», sobre uma blogueira que decide fazer todos os pratos de livro de receitas de uma famosa cozinheira americana. Eu gostei muito. Também vi «Somewhere» da mesma diretora de «Lost in Translation», que eu adorei, mas me decepcionei. A nossa fornecedora de TV à cabo liberou o sinal de todos os canais durante um período e domingo eu assisti a uma minissérie da HBO chamada «Mildred Pierce». Foi uma série muito longa, mas muito interessante.

Dentro de pouco mais de uma semana vou a um jantar de confraternização da escola. Este ano eles resolveram não fazer uma festa em um salão (Julebord), mas um jantar em restaurante. Podemos escolher o que vamos comer com antecendência e, como comprar bebida em restaurante é muito, mas muito caro, creio que muitos vão aparecer no restaurante já com umas a mais (haha, adoro usar expressões que não usava há séculos). Sim, por que essas confraternizações são para quase todos sinônimo de ficar bêbado, soltar a franga (haha, de novo) e aparecer no trabalho dias depois como se nada tivesse acontecido. Eu particularmente não gosto nada desse tipo de comportamento e me sinto um peixe fora d’água nesses eventos. Primeiro por que eu bebo muito pouco e não vejo a menor graça em passar da conta e dar show. Mas, como tenho que fazer um social, me convenci a comparecer nesse jantar. Relatos sobre a noite virão. Além do mais será em um restaurante bem famoso daqui e vou comer carne bovina (que não entra na minha geladeira faz um bom tempo devido ao preço).
Falando em comida, a Noruega está passando por uma grande escassez de manteiga no mercado. Por falta de matéria prima e da por causa da tal dieta baixa em carboidratos a manteiga simplesmente sumiu das prateleiras. Nós demos sorte e conseguimos garantir meio quilo de manteiga para fazer os biscoitinhos de pimenta e as bolinhas de conhaque. A Noruega está providenciando a importação de manteiga, mas até agora nada. Se bem que, mesmo se amanhã milhares de potes de manteiga francesa aparecessem nas geladeiras dos mercados, muitos noruegueses não comprariam. Isso porque aqui existe uma espécie de ultranacionalismo em relação aos produtos alimentícios. Por exemplo, nas embalagens de carne vem escrito norsk kjøtt (carne norueguesa), e muitos não passam nem perto de produtos que não tenham essa inscrição (norsk + produto). Essa eu também não entendo, pois embora muitos produtos noruegueses sejam excelentes, existe muitos produtos de outros países que são de qualidade superior aos noruegueses. E não raramente aparece no noticiário que crianças e adultos têm intoxicação alimentar que contraíram depois de comer carne norueguesa.
Ainda no assunto comida, uma leitora comentou que não conhece o Gløgg. Trata-se de uma bebida servida no mês de dezembro que lembra muito o quentão das festas juninas. Basicamente ela é feita de frutas, especiarias e opcionalmente bebidas alcóolicas como vinho ou álcool destilado (é, coisa de norueguês). Eu compro o Tomte Gløgg, que vem pronto. Olha a foto do frasco:

Misturamos uma parte de Gløgg e duas partes de água e levamos a mistura ao fogo quase até ferver. Outro dia adicionamos um pouquinho de rum e ficou muito bom. Para completar picamos amêndoas, misturamos com uvas passas e adicionamos à caneca de Gløgg. Essa bebida se saboreia devagar e ao final, com uma colherzinha de chá, comemos as passas e as amêndoas que sobraram no fundo. É muito bom!

Nossa, era para ser uma postagem curta e ficou gigante…