Måned: januar 2012

Um encontro inusitado

Um encontro inusitado

Hoje aconteceu uma coisa no mínimo extraordinária. Lá vinha eu andando de volta para casa, em um frio de 8 graus negativos, quando um homem e uma moça se aproximaram. O homem me perguntou se eu sabia onde havia uma loja de brinquedos nas redondezas. Enquanto eu pensava na resposta, a moça me diz, pronunciando meu nome como só os brasileiros o fariam: «RAQUEL???» Eu então olho para a moça e reconheço-a imediatemente: «Camila???» Hahaha…e não é que era a Camila que mora em Bodø? Demos muitas risadas e ela então me explicou que estava em visita relâmpago a Trondheim por conta do seu trabalho. Contamos para seu colega (o que me perguntou da loja de brinquedos) a coincidência e ele ficou estupefato também. Uma pena que foi um encontro tão rápido. Mas, que surpresa agradável! 😀 Foi a primeira vez que encontrei (por acaso) uma brasileira que mora na Noruega e escreve um blog. Camila, quando passar em Trondheim novamente, me avisa!

Adeus, fadiga de inverno!

Adeus, fadiga de inverno!

Continuava sem saber como enfrentar o dia-a-dia sem padecer da tal fadiga de inverno. Recebi algumas dicas para aumentar a dose de vitamina D, mas o que acabou resolvendo o meu problema foi um rádio relógio. Explico. Sábado fomos dar uma olhada nas liquidações pós-Natal e encontramos um rádio relógio que, conectado a um abajur, funciona como «wake up light» (espécie de luz que acende gradativamente, enganando o cérebro e fazendo-o pensar que já é dia e por conseguinte ajudando a diminuir a fadiga de inverno). Estava em oferta, então compramos um para experimentar. Eu tenho um abajur de leitura bem acima da cabeceira da cama, então meu marido conectou o rádio relógio a esse abajur. Ah, tivemos que trocar a lâmpada, que era daquelas econômicas por uma normal, por que com essas lâmpadas econômicas não se pode programar a função de acender gradativamente (dimmer). Por exemplo, se eu acertar o alarme para as 5hs30min, a luz acende 20 minutos antes, bem fraquinha, e vai ficando mais intensa a cada dois minutos. Às 5hs30min, quando o alarme toca, a luz está bem forte, e aí o cérebro já foi ‘enganado’, fazendo o organismo pensar que é dia. Hoje meu dia está rendendo muito. Dei aula das 8hs30min às 14hs30min, fiquei trabalhando até às 16hs45min e ainda vou trabalhar mais um pouco. Não posso confirmar com 100% de certeza que foi o rádio relógio, mas vou testando-o e vendo se melhoro. Podemos escolher barulhinho de rio, floresta, passarinhos para acordar, além dos tradicionais rádio e buzzer (piii-piii-piii…).
Outra notícia boa é que aumentaram minhas horas de trabalho um pouco mais. Recebi uma proposta de dar aula de religião, ética e perspectivas de vida (RLE=religion, livssyn og etikk) para uma classe de oitava série. Comecei hoje e gostei. Nunca dei aula dessa matéria antes, mas parece um pouco com ciências sociais, que estudei por um ano na faculdade aqui. Com o aumento de horas de trabalho esse rádio relógio veio em boa hora.
Mais um ano se inicia

Mais um ano se inicia

Passamos o Natal na casa dos meus sogros, desta vez com a presença dos mais novos membros da família: nossos sobrinhos. Eles ainda são muito pequenos, têm quatro meses, então não entendem nada que está se passando ao seu redor. Ano que vem será mais divertido. Ganhamos alguns presentes que havíamos comentado que precisávamos (aqui é comum os familiares trocarem lista de presentes, isso facilita muito a vida), mas, também ganhamos algumas coisas que não agradaram tanto. Eu e meu marido tentamos trocar os presentes, e só não conseguimos trocar um ainda. Pode até soar arrogante da minha parte dizer que ganhei presentes de que não gostei (não posso deixar de lembrar da minha avó dizendo «cavalo dado não se olha os dentes»), mas o que acontece aqui na Noruega é que se dá muitos presentes, coisa com a qual eu não estou acostumada, e muitas vezes essa febre de se dar tantos presentes faz com que as pessoas se estressem e comprem a primeira coisa que veem pela frente, só para se livrar da tarefa. Além do mais, moramos em um apartamento pequeno, e sinceramente meus armários estão mais do que lotados. Ganhar uma coisa que eu sei que não vou usar e ter que espremê-la em um armário já lotado de antemão não soa muito prático. Outra coisa que costumamos fazer com presentes repetidos é guardá-los para dar de presente a outra pessoa. Mês sim, mês não, tem aniversariante na família, então sempre temos que estar pensando que presente vamos ter que dar. Cansativo, na minha opinião.
Nos dias entre o Natal e o Ano Novo eu não tive que trabalhar, mas minha vida social esteve bastante corrida. Visitei uma amiga, recebemos a visita dos meus sogros e amigos, mas na véspera de Ano Novo, como de costume, só eu e meu marido. No jantar saboreamos uma iguaria norueguesa chamada Rakfisk – trutas curtidas – acompanhadas de batatas cozidas, cebola, mostarda, manteiga e pão folha (Flatbrød). O peixe se compra pronto e é só fatiar e servir. Mais prático, impossível. Às onze e meia saímos para ver os fogos de artifício e tínhamos conosco nossos próprios fogos, que soltamos em um lugar onde se é permitido soltá-los. A noite estava agradável, não fazia um frio insuportável e não estava escorregadio nas ruas.
E assim nos despedimos de 2011 e entramos em 2012. Meu marido começou no novo emprego (mesmo batlocal, mesmos batcolegas, só que foi promovido a um cargo mais alto), e eu voltei para a escola, o estágio e as leituras para a faculdade. Entre janeiro e final de março vou ter que entregar 3 trabalhos, estudar para 3 provas, e nem sei quantas provas vou ter que corrigir na escola. O estágio também consome tempo e neurônios, mas felizmente ele terminará no final de janeiro. Uma coisa ótima que está acontecendo é que a minha mentora já me pediu novamente para ser sua substituta, o que significa que ela confia no meu trabalho e eventualmente pode me indicar novamente no futuro caso a escola precise de professor. Aos poucos vou construindo minha rede de contatos profissionais.
Ainda bem que em meados de fevereiro já teremos uma semana de férias, a chamada vinterferie (férias de inverno).
O inverno por aqui está muito rigoroso. Nem tanto pelo frio e pela neve, mas por causa da falta de sol. Há pouquíssimas horas de luz e eu percebo que a falta de luz solar me dá muita fadiga. Mesmo tomando óleo de fígado de bacalhau e indo à academia, tem dias que não tenho energia para ir estudar depois do jantar (entre 18 hs e 22hs). Isso é frustrante por que se perde muito tempo precioso. Em março a luz solar começa a dar o ar de sua graça e os dias ficam mais claros.