Måned: mars 2012

Nada é por acaso

Nada é por acaso

Quando eu tinha 12 anos, falei para minha mãe que queria desistir do balé para entrar em uma escola de inglês. A sapatilha de ponta e eu não estávamos nos dando bem e a professora, que até podia entender de balé, mas não entendia nada de pedagogia infantil, me desmotivou. Minha mãe me entendeu e me matriculou no CNA. Na escola de inglês, pelo contrário, eu encontrei a minha praia. Aprendia tudo tão rápido que, dois anos depois eu estava no último estágio, aos catorze anos junto com adultos. Depois disso o inglês passou a fazer parte da minha vida. Escrevi muitas cartas em inglês aos meus amigos por correspondência, todos fãs do A-ha (que saudade daquela época!) e lia os fanzines do fã-clube alemão em inglês. Aos 19 anos arrumei emprego de professora de inglês em uma escola de idiomas e esta tem basicamente sido minha profissão desde então. Cinco anos depois comecei a dar aulas particulares ao mesmo tempo em que trabalhava na escola e logo em seguida pedi demissão da escola para me dedicar somente aos alunos particulares. Com meu salário me mantive bem e sustentei ex-marido (essa parte eu prefiro pular) e alguns sombrios meses depois do divórcio comecei a usar a internet para conhecer pessoas (na época eu não admitia, mas hoje percebo que no fundo eu queria conhecer alguém especial). Nada de sites de relacionamento, eu entrava em salas de bate papo do pré-histórico mIRC para falar com pessoas de todo o mundo – em inglês, claro. Um belo dia em 2004, conheci um norueguês que logo na primeira conversa me mandou uma foto com um bacalhau de 15 quilos que ele havia pescado. Aí se iniciou a história que é o motivo pelo qual eu vim parar na Noruega. Ou seja, o inglês faz parte da minha vida e devo muito ao fato de eu ter aprendido inglês.
Depois de semanas de trabalho e estudos (recebi o resultado de duas provas e passei!), chegou o tão esperado dia. Amanhã vou finalmente conhecer o país de origem desse idioma que significa tanto para mim. Já estive nos EUA, mas Inglaterra é mais especial, pois desde quando estava no CNA sonhava em estudar lá. Lembro da minha mãe dizendo que, se ela pudesse, me mandaria para a Inglaterra por uns meses para estudar. Uma pena mamãe não estar mais aqui para ver que eu estou finalmente indo para lá, mesmo não sendo para estudar. Vou aprender muita coisa, mas sem ter estar em um banco de escola. Planejamos cada detalhe da viagem e tenho certeza de que vai ser inesquecível – e ainda por cima vamos dirigir na mão inglesa! Que medo!

Composed upon Westminster Bridge, September 3, 1802

Earth has not anything to show more fair:
Dull would he be of soul who could pass by
A sight so touching in its majesty:
This City now doth like a garment wear

The beauty of the morning: silent, bare,
Ships, towers, domes, theatres, and temples lie
Open unto the fields, and to the sky,
All bright and glittering in the smokeless air.

Never did sun more beautifully steep
In his first splendour valley, rock, or hill;
Ne’er saw I, never felt, a calm so deep!

The river glideth at his own sweet will:
Dear God! the very houses seem asleep;
And all that mighty heart is lying still!

William Wordsworth
Quase acabando

Quase acabando

Esta semana que está acabando tive provas na faculdade. Segunda tive prova de didática de inglés de manhã e prova de pedagogia de tarde. Na terça tive prova de didática de línguas estrangeiras de manhã e de tarde tive somente aula de pedagogia. Na quarta e na quinta tive somente aulas. Dá um alívio não ter mais que se preocupar com isso. Ainda não sei os resultados, mas estou confiante de que me saí bem, vamos ver. Fiquei sabendo que em nossa próxima reunião em maio vamos participar de um projeto que se chama «Escola ao ar livre». Vamos ter que ir a uma floresta longe de tudo e de todos e preparar atividades ao ar livre para alunos de 5ª à 7ª série em todas as matérias (no meu caso espanhol e inglês). Um belo de um desafio, mas eu o aceitei de bom grado. Alguns colegas, pelo contrário, começaram a resmungar quando escutaram a notícia. Eu fiquei chocada em ver o quanto algumas pessoas podem ser tão negativas e destrutivas. Eu vejo isso aliás no meu dia-a-dia como professora também. Qualquer sugestão de uma projeto novo é recebida com pedradas. Não é à toa que a motivação da criançada para aprender anda em baixa. Não posso afirmar que minha profissão é um mar de rosas, mas encarar tudo com pessimismo definitivamente não ajuda. 
Agora, tenho que escrever um trabalho de inglês que deve ter entre 7 e 10 páginas. Já reuni todo o material teórico que preciso e vou fazer de tudo para terminá-lo em uma semana, pois na última semana do mês quero dedicar-me somente aos preparativos para nossa viagem de férias de Páscoa. Vai ser uma maravilha poder fugir da rotina e saber que todas as obrigações estão cumpridas. Depois da Páscoa o tempo passará voando, os dias vão ficando cada vez mais claros e a primavera começa a dar o ar de sua graça por esses lados.
Os namoradinhos de madeira Knerten e Karoline
No final de semana passado aqui em Trondheim presenciamos uma cena digna de filme enquanto estávamos, aliás, à caminho do cinema. Várias viaturas de polícia e várias pessoas sendo algemadas e imobilizadas no chão. Mais tarde ficamos sabendo que a polícia havia sido chamada para conter uma passeata de um grupo neo-nazista formado predominantemente por suecos. Há um vídeo do momento em que a polícia chegou neste link aqui. Me assusta saber que existem pessoas cruzando o meu caminho aqui na cidade que são extremamente racistas e ainda por cima violentas. Pela primeira vez depois de cinco anos aqui vejo a possibilidade de sentir na pele a intolerância contra imigrantes. Espero que esse grupo se dissolva e que ninguém seja alvo de palavras ofensivas e ataques racistas. Parece que algo mudou por aqui depois dos ataques terroristas de 22 de julho. O país ficou mais violento, se ouvem notícias de crimes violentos quase todos os dias (no Brasil infelizmente isso é normal, mas aqui não era, não) e agora esses racistas.
Agradeço muito as felicitações em razão de meu aniversário de casamento. Não fizemos nada de especial para comemorar, mas minha sogra nos deu um presente. Um bonequinho do Knerten e de sua namorada, Karoline. Nós gostamos dos bonequinhos, mas não havíamos entendido o porquê do presente até ela nos explicar. O Knerten é um galhinho de árvore falante, e como fizemos bodas de madeira, a sogrinha achou o Knerten um presente perfeito. Muito creativo.
Bom, agora tenho que voltar pro meu trabalho de inglês.

Errata 23/3: A namorada do Knerten se chama Karoline, e no Josefine como eu havia escrito antes. Retificação feita.  

Bodas de madeira :)

Bodas de madeira :)

Trondheim, 2 de março de 2007
Foi, como hoje, numa sexta-feira, dia 2 de março de 2007 que eu, então aqui há somente 5 meses, me casei no tribunal de Trondheim. Já se passaram 5 anos e muita coisa boa aconteceu. O dia estava muito nublado e frio, e havia um pouco de neve aqui e ali. Hoje está chovendo muito e as temperaturas estão mais amenas.
Lembro que meu então namorado estava muito nervoso, eu cheguei até a pensar que ele estava amarelando! Mas, eu também estava muito nervosa. Felizmente tudo transcorreu muito bem e o dia foi inesquecível. Domingo passado fomos ao local onde jantamos depois da cerimônia, uma antiga fortaleza aqui em Trondheim chamada «Festningen».
A juíza que nos casou leu um poema no dia que eu ainda não entendia. Mas, hoje posso orgulhosamente traduzí-lo e entendo por que ele combina tanto com cerimônias de casamento.

A LUZ 
Halldis Moren Vesaas

Querido, pode ser que não entenderia
– tão impensável quanto tantas coisas assim são-
tudo o que você é e me mostra neste momento
se eu não te amasse tanto como eu te amo.

Eu me deteria sem saber ao certo, sem resposta,
como se eu estivesse perante um país desconhecido,
se o meu amor por ti não fosse
como uma lanterna em minha mão.

Meu amor me guia, e então eu posso entrar
e conhecer cada canto.
 Não é verdade que o amor é cego.
O amor é sábio.