Nada é por acaso

Nada é por acaso

Quando eu tinha 12 anos, falei para minha mãe que queria desistir do balé para entrar em uma escola de inglês. A sapatilha de ponta e eu não estávamos nos dando bem e a professora, que até podia entender de balé, mas não entendia nada de pedagogia infantil, me desmotivou. Minha mãe me entendeu e me matriculou no CNA. Na escola de inglês, pelo contrário, eu encontrei a minha praia. Aprendia tudo tão rápido que, dois anos depois eu estava no último estágio, aos catorze anos junto com adultos. Depois disso o inglês passou a fazer parte da minha vida. Escrevi muitas cartas em inglês aos meus amigos por correspondência, todos fãs do A-ha (que saudade daquela época!) e lia os fanzines do fã-clube alemão em inglês. Aos 19 anos arrumei emprego de professora de inglês em uma escola de idiomas e esta tem basicamente sido minha profissão desde então. Cinco anos depois comecei a dar aulas particulares ao mesmo tempo em que trabalhava na escola e logo em seguida pedi demissão da escola para me dedicar somente aos alunos particulares. Com meu salário me mantive bem e sustentei ex-marido (essa parte eu prefiro pular) e alguns sombrios meses depois do divórcio comecei a usar a internet para conhecer pessoas (na época eu não admitia, mas hoje percebo que no fundo eu queria conhecer alguém especial). Nada de sites de relacionamento, eu entrava em salas de bate papo do pré-histórico mIRC para falar com pessoas de todo o mundo – em inglês, claro. Um belo dia em 2004, conheci um norueguês que logo na primeira conversa me mandou uma foto com um bacalhau de 15 quilos que ele havia pescado. Aí se iniciou a história que é o motivo pelo qual eu vim parar na Noruega. Ou seja, o inglês faz parte da minha vida e devo muito ao fato de eu ter aprendido inglês.
Depois de semanas de trabalho e estudos (recebi o resultado de duas provas e passei!), chegou o tão esperado dia. Amanhã vou finalmente conhecer o país de origem desse idioma que significa tanto para mim. Já estive nos EUA, mas Inglaterra é mais especial, pois desde quando estava no CNA sonhava em estudar lá. Lembro da minha mãe dizendo que, se ela pudesse, me mandaria para a Inglaterra por uns meses para estudar. Uma pena mamãe não estar mais aqui para ver que eu estou finalmente indo para lá, mesmo não sendo para estudar. Vou aprender muita coisa, mas sem ter estar em um banco de escola. Planejamos cada detalhe da viagem e tenho certeza de que vai ser inesquecível – e ainda por cima vamos dirigir na mão inglesa! Que medo!

Composed upon Westminster Bridge, September 3, 1802

Earth has not anything to show more fair:
Dull would he be of soul who could pass by
A sight so touching in its majesty:
This City now doth like a garment wear

The beauty of the morning: silent, bare,
Ships, towers, domes, theatres, and temples lie
Open unto the fields, and to the sky,
All bright and glittering in the smokeless air.

Never did sun more beautifully steep
In his first splendour valley, rock, or hill;
Ne’er saw I, never felt, a calm so deep!

The river glideth at his own sweet will:
Dear God! the very houses seem asleep;
And all that mighty heart is lying still!

William Wordsworth

2 Replies to “Nada é por acaso”

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