Måned: juni 2012

Blog com cara de verão

Blog com cara de verão

Com a chegada do verão, resolvi mudar a cara do blog. A foto que aparece no título é a vista que eu tenho do nosso novo lar. Estamos muito felizes de morar aqui e com esse tempo maravilhoso que tem feito nos últimos dias então, nem se fala. Ontem fizemos churrasco na varanda do prédio e já nos apresentamos para alguns vizinhos. O prédio é muito silencioso e até agora não encontramos nada do que reclamar. Estou de férias até dia 14 de agosto e não temos muitos planos, o que na verdade é muito bom. Aos poucos vamos ajeitando nossas coisas no novo apartamento e assim os dias vão indo.
Estou muito satisfeita com o novo visual do blog.
Sentindo o preconceito quase na própria pele

Sentindo o preconceito quase na própria pele

O apartamento em que morávamos antes era alugado. Nosso contrato venceria em agosto e, como saímos de lá dia 10 de junho, estávamos procurando um novo inquilino que pudesse assumir o apartamento antes de agosto para que nós então deixássemos se pagar aluguel entre 11 de junho e 10 de agosto, quando o nosso contrato vence. O Morten anunciou na internet, no jornal, fez cartazes e espalhou por supermercados de redondeza e marcamos um dia para que os interessados pudessem vir ver o apartamento. Recebemos pouquissimas respostas ao anúncio e já estávamos achando que ninguém viria até recebermos a ligação de uma moça. Ela quase nem olhou o apartamento e disse que estava muito interessada em alugar. Ela disse que era da Tailândia e que morava com o namorado, também da Tailãndia. Eles trabalham como cozinheiros no restaurante de um hotel bem conceituado e tinham ótimas referências. Eu e o Morten ficamos muito felizes com o fato de termos arrumado um novo inquilino. A imobiliária teria que aprovar os novos inquilinos, mas pensamos que isso não seria um problema por causa das boas referências que o casal tinha.
Porém, quando o Morten comunicou a imobiliária sobre o casal, veio a surpresa. A funcionária da imobiliária disse que o casal não fora aprovado por que trabalhavam no ramo de restaurantes. Sem aceitar essa jusitificativa ridícula, o Morten perguntou mais e mais, até a mulher admitir, sem culpa nenhuma, que eles não alugavam apartamentos para imigrantes, por que eles haviam tido más experiências no passado. Preconceito explícito! Furioso, o Morten lembrou a senhora que nós somos inquilinos metade imigrantes (eu sou brasileira!), mas a senhora tratou de ressaltar que nossa situação era diferente (se tem um norueguês na parada tudo bem, não é?). O Morten disse então que iria anunciar o apartamento novamente e escrever que a imobiliária não queria inquilinos que trabalhassem em restaurante, que fossem imigrantes e que tivessem filhos (ela veio com essa também). Mas ela logo falou para ele não fazer isso, por que é ilegal. Ficamos chocados e cogitamos até a possibilidade de denunciar o episódio na polícia ou mandar a história para a imprensa.
Eis que alguns dias depois, a senhora liga novamente e diz que havia checado as referências e que elas eram tão boas que ela iria convocar o casal tailandês para uma reunião. Depois da reunião recebemos a notícia que a imobiliária havia aceitado os novos inquilinos. Ela deve ter ficado com medo de alguma repercussão negativa, ou então pensou melhor e percebeu o quão racista ela estava sendo. Felizmente essa situação se resolveu, mas quantos imigrantes passam por essa situação todo dia sem que ninguém faça nada? Em um país onde um maluco atirou em pessoas que defendiam o multiculturalismo, não é difícil entender por que ele fez isso, com tantas pessoas por aí que pensam como ele…
Mudança (não só de casa) e um acidente chato

Mudança (não só de casa) e um acidente chato

Domingo passado foi o dia da nossa mudança para o apartamento novo. Meus sogros e meus dois cunhados ajudaram e mesmo assim a mudança demorou o dia todo. Morávamos no quinto andar de um prédio sem elevador e carregar caixotes e móveis não foi nada fácil. Eu me senti um pouco inútil por ter que ficar no apartamento novo abrindo as caixas e tentando arrumar lugar para nossas coisas, mas se eu não tivesse feito isso, creio que o apartamento ficaria lotado de caixas e nós não teríamos lugar para andar. Hoje, quase uma semana depois a casa ainda está bagunçada, mas aos poucos vamos organizando tudo.
Na sexta antes da mudança recebi um telefonema do diretor da escola onde trabalho. Ele me ligou para dizer que eu seria a nova kontaktlærer de uma classe da nona série, substituindo um professor que vai se aposentar. Kontaklærer é um(a) professor(a) que tem funções extras além de lecionar. Uma delas é manter contato com os pais dos alunos. Eu fiquei muito feliz com a notícia, mas ao mesmo tempo entrei em pânico, por que andei observando o quanto de trabalho um kontaktlærer tem. Mas, vou encarar o desafio e tentar fazer o meu melhor. O ano letivo que vem vai ser muito corrido, com essa mudança no trabalho e o último ano do curso de pedagogia. Não vou conseguir relaxar totalmente nessas férias de verão pensando no que vem por aí.
Ontem foi a confraternização de verão da escola. O local da festa era secreto, até subirmos em um bondinho antigo e entendemos que iríamos a um restaurante chamado Lian. Depois do jantar fomos a um lago nas redondezas e os organizadores da festa tinham preparado uma espécie de competição. Formamos times e tínhamos que ir a diferentes postos onde havia tarefas a serem cumpridas. Em uma das tarefas, um membro do time tinha que beber uma garrafa de cerveja de 350 ml no tempo mais curto possível. Na outra, o membro do time tinha que tentar beber cinco doses de uma vodca mais fraca que a normal, mas ainda sim com alto teor alcoólico. Não fui eu quem executou essas tarefas por que não tolero tanto álcool assim, mas fiquei chocada com esse tipo de tarefa em uma festa para professores bem crescidinhos. Tudo bem que essa é a cultura norueguesa e eu tenho que aceitar, mas, que é desconfortável ver os colegas de trabalho mudarem o comportamento por efeito do álcool, isso é.
Na hora de ir embora e pegar o bondinho de volta, pisei em falso e levei um tombo ao descer o morro entre o restaurante e a estação. Não havia bebido uma gota de álcool e estava de sapato baixo. Puro acidente. Torci meu pé esquerdo e quase que não chego em casa de tanta dor. Felizmente uma colega me ofereceu carona até a porta de casa. Hoje estou de molho em casa quando deveria estar no apartamento do qual mudamos pintando as paredes antes de entregar as chaves para a imobiliária. É a primeira vez que sofro uma torção assim, e percebo como é horrível ter que ficar imóvel sem poder sair. Espero que eu melhore até segunda-feira, senão vou ter que faltar ao trabalho. Ainda bem que haverá aulas somente até quinta e depois vou entrar de férias.
Um ano mais experiente, mas com muito suspense!

Um ano mais experiente, mas com muito suspense!

Nesta semana que passou fiz aniversário, completei 36 aninhos. Estamos empacotando nossas coisas para mudar, então não quis comemorar aqui em casa. Eu não sou de comemorar com festa, mas no dia, tive vontade de fazer um bolo para mim e para o marido. Ficou muito bom, com morangos belgas docinhos. Esta semana também assinamos o contrato do empréstimo para a compra do nosso apartamento. Agora estou endividada até o pescoço pelos próximos 25 anos, mas felizmente aqui na Noruega podemos viver tranquilamente pagando empréstimo para a compra da casa própria sem ter que passar fome, por que os juros são minúsculos. Tenho também o empréstimo do crédito educativo, que eu inclusive já comecei a pagar.
Exatamente por causa de tantos compromissos com bancos eu estava muito apreensiva esta semana que passou por que o diretor da escola onde eu trabalho começou a comunicar os funcionários que haviam solicitado revonação de contrato se eles iriam continuar ou não. Na quinta-feira, fiquei sabendo que duas professoras que eu jurava que iriam continuar receberam a notícia triste de que não iriam renovar o contrato. Eu comecei a ficar nervosa pela possibilidade de, de repente, ficar desempregada logo depois de ter comprado minha primeira casa própria na Noruega. O tempo passava, eu encontrava com o diretor nos corredores e ele nada de me chamar no escritório para me dizer se eu continuaria ou não. As minhas colegas também me perguntavam a toda hora se eu havia ouvido algo, e eu respondia que não. Até que, na hora de ir embora, uma colega me disse que eu tinha que ir falar com o diretor e perguntar se eu ia continuar ou não. Realmente, eu não queria passar o final de semana agoniada sem saber ao certo se estava no olho da rua ou não. Criei coragem, bati na porta e, ao entrar, expliquei que gostaria de saber o que eles haviam decidido. O diretor então responde que eles querem, sim, renovar o meu contrato, mas temporário com duração de um ano, por que ainda não terminei o curso de pedagogia (traduzindo: em junho do ano que vem, quando eu me formar, provavelmente vou receber uma proposta de contrato efetivo, que aqui se chama fast jobb, e minhas preocupações vão acabar!). Eu comentei com ele que temia que outro candidato com mais formação acadêmica que eu havia conseguido a vaga então ele disse: «Bom, pode até ser que nós recebemos currículos de candidatos com melhor formação acadêmica que a sua, mas isso não significa que eles tinham melhores qualificações que você.» Nessa hora me senti orgulhosa de mim mesma e muito aliviada por saber que não perdi meu precioso emprego. Sem falar no fato de que vou seguir com os mesmos alunos e com quase os mesmos colegas.
Daqui a três semanas entro de férias no trabalho e retornarei somente no meio de agosto. Com a compra do apartamento, não vou poder ir ao Brasil nessas férias de verão aqui, mas vou tentar ir para passar o Natal e o Ano Novo. Tenho que arrumar o novo lar, estudar (já tenho trabalho de pedagogia para entregar, que beleza…) e claro, descansar, por que esse ano letivo que se encerra foi muito tenso e cansativo.