Måned: april 2013

Lugar ao gelo garantido por escrito

Lugar ao gelo garantido por escrito

Ontem, o diretor da escola me chamou para assinar meu contrato de trabalho. Li atenciosamente o contrato e lá estava a palavrinha mágica: «fast stilling». Emprego efetivo. Ninguém tirará o emprego de mim, a não ser que eu mesma peça demissão ou faça algo muito, mas muito sério. Nada mais de nervosismo ao final de cada ano letivo, pensando «será que eles vão renovar o contrato para o ano que vem?» e «e se aparecer uma pessoa melhor qualificada e eles a escolherem?» Vou trabalhar 80 %, ou seja, 24, 6 horas semanais. Mas, primeiro vou tirar férias. Longas e merecidas, esquecer trabalho e faculdade por um bom tempo. Ainda não recebi minha cópia do contrato, só vou acreditar completamente quando o tiver em minhas mãos.

Hoje foi o dugnad de primavera aqui no prédio onde moro. Dugnad significa mutirão e todos os moradores (pelo menos no papel) têm que comparecer e trabalhar nas áreas comuns do prédio. Eu e o meu marido trabalhamos no jardim, rastelamos as folhas secas no terraço na parte anterior do prédio, podamos os arbustos e as árvores, lavamos o corredor entre a entrada principal e o terraço, enfim, acho que contribuímos mais que o suficiente. Somente dois moradores não deram sinal de vida, mas, felizmente, aqui é difícil alguém fugir de sua responsabilidade, eles terão que trabalhar depois. Se alguém não paga o condomínio do apartamento, o apartamento é vendido para pagar a dívida e o caloteiro tem que se mudar. Quando eu morei em prédio no Brasil, muita gente não pagava o condomínio e ficava impune (mas, carro zero, ah, isso eles podiam pagar…).

Resultado do nosso trabalho no dugnad de primavera

 

O outro lado da moeda

O outro lado da moeda

Há algumas semanas, publiquei uma postagem com um artigo escrito por uma americana sobre a falta de simpatia dos noruegueses. E hoje, encontrei um artigo (na verdade, uma postagem em um blog) de um francês contando suas impressões sobre o Brasil. Aqui está o link para a postagem:

Curiosidades brasileiras

Não publicarei o texto aqui por que é muito longo e não pedi permissão ao autor. 
Achei interessante ele começar o texto por dizer que as impressões podem ser um pouco exageradas.
Concordei plenamente com as seguintes impressões: 
1 Sinto tanto a falta de filas na Noruega!
3 Faço isso aqui quando como hamburguer, não consigo deixar de usar guardanapo!
6
9 Passei por essa experiência em uma churrascaria, realmente irritante
13 Sou neta de japoneses por parte de mãe, e sofri muito com bullying por ser descendente de japoneses. Horrível como as pessoas generalizavam e atacavam os asiáticos! Espero que isso não aconteça hoje em dia!
15, 16, 17
19 Adoro assistir a minisséries e algumas novelas antigas – tenho o DVD da Escrava Isaura, mas essas novelas atuais não consigo mais assistir, não!
21 E mesmo assim, com tanta comida, há gente passando fome
22 Quem reclama do café brasileiro ainda não experimentou o norueguês!
23, 24, 25
28 Aqui na Noruega ninguém nunca ouviu falar em buffet adulto, muito menos infantil!
42 Tive que vir à Noruega fazer faculdade para conhecer a cultura latino-americana. Que vergonha!
46 Na Noruega, as coisas funcionam um pouco melhor, mas ainda longe da perfeição.
47, 50, 54, 56, 57

Quanto às outras impressões, há algumas com as quais concordo parcialmente e outras que, na minha opinião, são estereótipos. Mas, na verdade, todas as impressões são esterótipos, e temos que sempre ter cuidado com eles.

Vim, sofri e venci

Vim, sofri e venci

Na descrição do meu blog, escrevi que estou batalhando dia a dia para conquistar meu lugar ao gelo. Pois, este dia chegou. Semana passada, fiz entrevista na escola onde trabalho para tentar um emprego efetivo (fast jobb em norueguês). Na Noruega, nenhum professor pode ter fast jobb sem ter curso superior em pedagogia (se bem que há muitos municípios pequenos por aqui empregando gente despreparada para lecionar, geralmente gente da família ou conhecidos – é, existe nepotismo aqui também). Professor sem formação pedagógica tem que se contentar com vikariat (trabalho temporário). Como vou terminar meu curso de pedagogia em junho, em agosto poderei trabalhar como efetiva. Me saí bem na entrevista, mas havia uma questão que poderia fazer com que eu não conseguisse o emprego. Eu quero passar mais de um mês no Brasil nas próximas férias, e por isso teria que recomeçar na escola mais tarde do que os outros professores. Na minha solicitação de emprego, escrevi que queria não somente o emprego, mas também uma licença mais prolongada depois das férias de verão aqui.
Me disseram que eu receberia uma resposta na semana seguinte. Na quarta-feira, o diretor da escola me chamou no escritório e me disse que EU TINHA CONSEGUIDO O EMPREGO E A LICENÇA!!! 🙂. Fiquei, claro, muito feliz! Finalmente, depois de quase sete anos de Noruega, trabalhando dois anos na faxina, fazendo cinco anos de faculdade, sempre com textos para ler, provas, trabalhos para entregar e três anos trabalhando em escolas, sempre sem saber se eu iria estar empregada no ano seguinte, agora poderei respirar aliviada e contar com emprego garantido para sempre! Vou também terminar a faculdade em junho. Daqui pra frente qualquer estudo que eu quiser fazer será um bônus para minha carreira, e não uma obrigação. Claro que eu não vou parar de estudar, mas vou me dar um presentão e descansar muito nessas férias que vêm por aí com meu maridão querido, que nunca, nunca mesmo deixou de me incentivar e dar apoio (mesmo quando a casa estava de cabeça para baixo por que eu tinha que estudar para as provas). Já temos tudo planejado, daqui a mais ou menos dois meses e meio, quando receber meu diploma da faculdade, vou poder gritar para quem quiser ouvir: «CONSEGUI MEU LUGAR AO GELOOOO!».
Para terminar, minha música de vitórias: