Måned: august 2013

Cem funcionários que não fazem o serviço de um

Cem funcionários que não fazem o serviço de um

Ontem, estivemos em uma loja de material de construção grande aqui em Santos. Compramos algumas ferramentas, uns parafusos e eu comprei um varal de chão pequeno para o apartamento. Este varal não tinha preço marcado nem na mercadoria nem na prateleira (isso acontece direto nas lojas e mercados daqui), mas eu havia visto outro varal maior por 45 reais e pensei: bom, se o varal maior está 45, esse menor dever estar mais barato. Ao final das compras, ainda encontramos um suporte para pendurar toalha em um saldão da loja.

Aí fomos passar no caixa…

A moça do caixa, ao ver o tal suporte que achamos no saldão, disse que teríamos que ter falado com um vendedor para tirar o pedido (como que iríamos saber uma coisa dessas?), pois ela não poderia passar esse suporte no caixa dela por que ele estava com o preço remarcado…Tivemos que retirar tudo da esteira do caixa, botar de volta no carrinho e levar até um atendente que escaneou produto por produto no leitor óptico para que, então pudéssemos pagar no caixa.

Ao escanear o varal de chão, constatei que seu preço era 60 reais! Eu disse ao vendedor que havia outro varal maior por 45. Ele simplesmente respondeu: «Ah, isso acontece muito.» Bom, disse então que iria trocar esse de 60 reais por o de 45. O vendedor ficou olhando para nós (esperávamos que ele fosse se oferecer para ir buscar o outro varal), mas não. O Morten foi lá trocá-lo. O vendedor estava dando sinais de impaciência. Quando o Morten voltou com o suposto varal de 45 reais e o vendedor passou o produto no leitor óptico, a surpresa: 70 reais! Eu disse ao vendedor que este varal estava anunciado por 45 na prateleira. Ele olhou para nós como se estivesse dizendo: «Vocês são uns otários» e ficou imóvel. Não se deu ao trabalho de conferir na prateleira, nada. Diante da indiferença dele, disse que não ia levar varal nenhum (voltando para casa achamos o varal em outro lugar por um preço bom).

Ao chegar ao caixa, pensei que a moça iria somente receber o pagamento, pois o outro vendedor já havia escaneado todos os produtos. Mas, NÃÃÃÃOOO!!! Ela escaneou tudo de novo! O Morten me perguntou por que ela estava fazendo aquilo de novo, e eu simplesmente não soube responder.

Saímos da loja irritados por concluir que a loja tinha muitos funcionários, mas que nenhum fazia seu trabalho com competência. Quando vou a supermercados, vejo dezenas de funcionários com o uniforme do estabelecimento que andam para lá e para cá, SEMPRE fazendo fofoca de algum outro funcionário que não está por perto. E eu constatei isso várias vezes e em várias lojas até escrever aqui, não foi uma vez só não. Uma vez, ao entrar em uma loja da Vivo para perguntar sobre internet móvel, a funcionária nos respondeu sem olhar para nós, pois ela estava muito ocupada mexendo no seu celular.

Aí, não tem como não comparar com a Noruega. Lá, há pouquíssimos funcionários em uma loja, mas eles fazem tudo: trabalham no caixa, são estoquistas, fazem a limpeza, escrevem os cartazes de preços, atendem ao público, etc. Quando se entra em uma Casas Bahia aqui, sempre vem um funcionário querer te atender. Quando se quer comprar uma televisão na Noruega, tem que pegar uma senha e esperar o coitado do funcionário atender outros clientes para então poder vir te dar atenção. No meus primeiros meses de Noruega, ficava muito irritada com esta longa espera, mas sempre que fui atendida por um funcionário, recebi um atendimento exemplar. Ele sabia tudo sobre cada produto da loja, aconselhava (até a procurar outra loja concorrente caso ele não tivesse o que procurávamos!) e nunca demonstrava que estava querendo te enganar e vender acima de tudo.

Para terminar, tenho que contar como que a gente pode pagar pelas compras na IKEA, rede de lojas de móveis e utilidades domésticas originária da Suécia com filiais em quase todo o mundo (por que não ainda no Brasil???): Você tem a opção de passar as suas próprias compras no caixa. Escaneia produto por produto com o leitor, escolhe quantas sacolas vai querer (lá se paga pelas sacolas), escolhe a forma de pagamento e passa o cartão, digita a senha e pega seu recibo. Tem uma funcionária ao fundo supervisionando tudo, mas ela só se aproxima se você tiver alguma dúvida.

Embora as lojas aqui no Brasil contem com muitos funcionários, raramente a gente recebe um bom atendimento. Geralmente é o contrário, somos até maltratados. E isso é uma pena. Ah, e a Copa do Mundo vem aí…

O Cisco e a trave

O Cisco e a trave

Quem era eu para falar mal da UDI norueguesa…

Desde que cheguei na Noruega e comecei meu complicado relacionamento com a UDI, o departamento de imigração deles, escrevi várias postagens reclamando muito do atendimento, da demora e do sistema que aparentemente não funcionava. Hoje, já com o visto permanente, não preciso mais enfrentar as filas e preencher a infinita pilha de formulários para garantir que a minha estadia no país esteja sempre na legalidade. E o atendimento melhorou muito no últimos anos.

Até que um dia, a situação se inverteu e foi o meu marido quem teve que pedir visto para ficar no Brasil mais de três meses (período máximo para estrangeiros residirem no país sem visto) junto à Polícia Federal.

Mordi a língua.

A bagunça já começou na Noruega, quando eu escrevi um e-mail para a embaixada perguntando sobre a necessidade de ele pedir visto, já que iríamos ficar no Brasil mais de três meses. A resposta que veio é que sim, ele teria que pedir visto temporário. Aqui, na polícia federal, me informaram que na verdade ele poderia, sim, ficar aqui mais de três meses sem visto se tivesse solicitado uma prorrogação de sua estadia.

Mas, sem ter recebido essa informação da embaixada (que eu tampouco achei no site da PF), lá fomos nós dar entrada na papelada. Preenchimento de formulários, pagamento de taxas nada razoáveis. Poucos dias depois, uma funcionária ligou da embaixada para meu marido falando um norueguês incompreensível e um inglês mais incompreensível ainda (não sabia que era tão fácil assim arrumar emprego em embaixada) dizendo que não havia recebido os pagamentos necessários. Depois de muitos telefonemas, até que enfim ela encontrou os pagamentos. Algumas semanas depois, avisaram que o visto havia sido concedido e que teríamos que comparecer à embaixada com o passaporte dele. Eu pensei que a etiqueta do visto seria colada no passaporte na hora, mas qual não foi a minha surpresa ao saber que não, o passaporte teria que ficar com eles entre duas e quatro semanas até a etiqueta ser colada. Mais irritação e ainda por cima o medo de o visto não ser colado à tempo da nossa viagem à Espanha, uma semana antes da viagem ao Brasil. Felizmente, o visto ficou pronto à tempo. Nos disseram que era obrigatório comparecer à PF em São Paulo no máximo 30 dias após chegar ao Brasil. Tudo bem, pensei, deve ser uma visitinha de praxe, só por formalidade.

Tá bom…

Assim que aterrissamos em Guarulhos, cerca de 6hs da manhã, tentamos resolver isso, indo ao escritório da PF que tem lá. Meu marido perguntou se o escritório estava aberto e responderam, com cara de espanto total: «Não, estamos fechados! Talvez vamos abrir às 8hs…». Não quisemos esperar, então fomos à sede da PF alguns dias depois, ainda achando que essa visita seria só uma formalidade. Chegando lá, recebemos a infeliz notícia de que teríamos que reunir mais documentos, pagar mais taxas e preencher mais formulários. A embaixada não havia dado visto temporário ao meu marido, mas sim, um visto permanente! Ele teria que tirar RNE, o RG do estrangeiro! Eu expliquei que esse não era o visto que havíamos pedido, pois vamos ficar aqui somente 5 meses. Eles responderam que agora que demos entrada na papelada, ele teria que concluir o processo, caso contrário poderia ter problemas com a imigração em futuras viagens ao Brasil. Lá fomos nós fazer tudo de novo.

Ontem, voltamos à PF com a documentação. Enquanto conferiam a documentação, as atendentes ficavam brincando entre si o tempo todo, conversando por SMS com seus respectivos namorados e bocejando. Estava tudo certo.  Meu marido teve que recolher as suas impressões digitais (na Noruega isso não existe, só para pessoas que são presas), mas aí veio outra bomba: a RNE dele não ficaria pronta antes de, no mínimo, 6 meses! Em 6 meses já estaremos de volta à Noruega! Expliquei isso para as atendentes, perguntei se não teria como elas apressarem o processo, mas nada feito. Uma delas teve até a cara de pau de dizer:
«Vocês têm que vir aqui retirar o RNE, nem que seja para viajar para cá somente por um dia» . Aham, como se viajar da Noruega para o Brasil para ficar um dia fosse muito fácil, para não dizer barato…

Disseram ainda que, se meu marido sair do Brasil e voltar com um protocolo vencido, corre o risco de não poder entrar. A solução vai ser fazer uma procuração (mais despesas com cartório), para que alguém da minha família retire o RNE no nome dele e nos envie pelo correio. Mais uma: para que seu RNE tenha validade, ele terá que vir ao Brasil em intervalos de no máximo 2 anos para que não o perca.

Conclusão: vale mais a pena entrar sem visto e tentar driblar a lei do que fazer tudo de modo legal. Nunca mais vou reclamar da UDI da Noruega.