Måned: september 2013

Quer ir parar na Noruega?

Quer ir parar na Noruega?

Pelo menos uma vez por mês eu recebo um email de alguém com dúvidas sobre morar na Noruega. Eu nunca tive muito tempo de responder a esses emails por causa do trabalho e dos estudos e acabei mesmo ignorando a maioria. Eu nunca fiquei com a consciência pesada, por que eu mesma, antes de me mudar para lá, pesquisei tudo por conta própria. As poucas vezes que fiz a besteira de perguntar alguma coisa para uma brasileira que já morava na Noruega recebi quase sempre respostas negativas (uma delas, ainda lembro, garantiu que eu iria entrar em uma profunda depressão ao chegar na Noruega – tem dublê da mãe Dinah lá também!).

Agora, com tempo de sobra, resolvi escrever uma postagem com a informação que coletei na página oficial da Noruega e respostas a umas perguntas que recebi de um leitor do blog. É uma postagem longa, mas espero que daqui para frente as pessoas que necessitam de informações sobre a Noruega encontrem o que procuram aqui.

1. Onde posso encontrar informações sobre possibilidades de trabalhar na Noruega?
Se você não tiver cidadania norueguesa ou de outro país da Europa (que seja membro da União Européia (UE), do Espaço Econômico Europeu (EEE) ou da Associação Européia de Livre Comércio (AELC)), você precisa, em regra, requerer um visto de trabalho.
Para encontrar informações sobre como solicitar um visto de trabalho, veja o site do UDI (Direção de Imigração da Noruega).
2. Tenho cidadania de um país europeu, que faz parte da UE/EEE/AELC. Como faço para conseguir um emprego na Noruega?
Sua entrada na Noruega é permitida sem o visto e sua estadia é permitida por até 6 meses. Se neste período você conseguir encontrar trabalho, poderá pedir sua permissão de trabalho e residência.
É necessário que você tenha dinheiro suficiente para se manter no país durante os seis meses e que comprove essa situação financeira ao entrar no país.
Existe um link em espanhol que poderá ajudá-lo com informações mais precisas. Para ver esta informação, clique aqui.
No link seguinte poderá obter informações sobre como procurar trabalho: NAV.
Também poderá encontrar informações sobre o tema no site Ny i Norge
3. Não tenho cidadania de um país europeu. Como faço para conseguir um emprego na Noruega?
Se você não tiver uma cidadania da Noruega ou outro país da Europa (que é membro da União Europeia (UE), Espaço Econõmico Europeu (EEE), ou Associação Européia de Livre Comércio (AELC)), você precisa, em regra, pedir um visto de trabalho.
Para encontrar informação sobre como pedir a um visto de trabalho, veja o site do UDI (Direção de imigração da Noruega).
4. Não tenho cidadania de um país europeu. Como faço para conseguir um visto de trabalho na Noruega?
O processo para solicitar um visto de trabalho depende do seu grau de educação e do tipo de trabalho que irá  efetuar.

Quem não tem cidadania de um país que faz parte de UE, EEE ou AELC, poderá pedir a um visto de trabalho, caso queira trabalhar como:

As perguntas abaixo foram feitas por um leitor do blog. As respostas são baseadas nas minhas experiências na Noruega.
5. O trabalho aí é muito puxado/exigente?
Sim. Quando eu trabalhava com faxina, tinha um limite máximo de horas para executar a limpeza de um local, os clientes sempre exigiam um trabalho impecável. O norueguês paga caro por tudo, e por isso exige qualidade. Agora sou professora, mas ainda assim eu e meus colegas passamos por avaliações constantes tanto por parte dos alunos e pais como dos chefes.
Outra diferença grande do Brasil é que lá geralmente contrata-se um funcionário para exercer múltiplas funções. Uma professora, por exemplo, é obrigada a trabalhar como inspetora de alunos nos intervalos de aulas. Um funcionário de supermercado não é contratado para ficar somente no caixa. Ele tem que exercer a função de repositor, faxineiro, atendente, etc.

6. Dá para viver com tranquilidade com algum trabalho que não exija escolaridade? (eu sou formado em Sistemas de Informação e tenho Pós, mas não sei se será aceita aí. Minha esposa está terminando o mestrado em Psicologia).
Depois de sete anos aqui, prefiro responder que não. A Noruega é um país com alto custo de vida e se pode sobreviver com um emprego de salário modesto, mas fica difícil arrumar financiamento para uma boa casa própria, por exemplo, ganhando um salário baixo. A melhor coisa a se fazer ao chegar lá se a pessoa não tiver diploma do Brasil é aprender norueguês e fazer um curso superior para ampliar o leque de oportunidades de trabalho. O governo oferece empréstimos educativos para quem quer estudar a juros baixíssimos. Tendo força de vontade e disposição, é perfeitamente possível estudar e trabalhar meio-período sem problemas. Eu mesma fiz isso durante quase 5 anos.
Pessoas com curso superior do Brasil devem mandar traduzir seus diplomas e históricos para o norueguês ou inglês por um tradutor juramentado com selo do MRE e enviá-los a um órgão chamado NOKUT (http://www.nokut.no/en/). Eles analisarão os documentos gratuitamente e enviarão uma carta relatando que matérias são válidas e quais devem ser eventualmente cursadas na Noruega.

7.  Como funciona a aposentadoria na Noruega? Com o salário de aposentado dá para viver com conforto? Ou é como no Brasil, que a maioria dos aposentados precisa ter uma previdência complementar para viver com certa tranquilidade?

Uma pessoa deve contribuir com a previdência norueguesa por no mínimo 40 anos para, na velhice,  receber uma aposentadoria integral (compatível com o salário que se recebia antes de se aposentar). Com o aumento de idosos aposentados na Noruega, a tendência é a de que este número mínimo de anos de contribuição suba mais ainda para arrecadar mais dinheiro aos cofres da previdência. A alternativa para quem chega na Noruega com uma idade mais avançada e não pode contribuir por no mínimo 40 anos é fazer um plano de previdência privada em um banco juntamente com a contribuição à previdência estatal para garantir um bom pé-de-meia na velhice.
Há, porém, pessoas que recebem o que se chama de minstepensjon. É uma quantia de mais ou menos 10 mil coroas, exatamente o suficiente para sobreviver durante um mês. Os que recebem esta aposentadoria são pessoas que não tiveram trabalho assalariado durante a vida toda, entre outros casos. Teoricamente ninguém fica desamparado na velhice lá.
 
8. Aí na Noruega é seguro? Penso em morar em uma cidade mais no interior, não em grandes centros.
A Noruega já foi muito mais segura. Antes podia-se deixar as portas e janelas destrancadas quando se ia ao mercado, agora isso é mais arriscado de se fazer. Cada vez mais pessoas instalam alarmes em suas casas e os jornais publicam com frequência notícias sobre pessoas que arrombam casas e levam tudo. Manchetes sobre estupros também são infelizmente uma constante nos jornais.
Há mais falta de segurança nas grandes cidades (Oslo, Bergen, Trondheim, Stavanger, Tromsø, etc.) mas apesar do aumento da criminalidade, ainda assim a Noruega pode ser considerada um país seguro se comparada a outros países.

9. Que tipo de trabalho é possível exercer em cidades do interior?
No interior creio que é difícil penetrar no mercado de trabalhos mais atraentes sem um excelente currículo. Falo isso por experiência própria, pois quando cheguei à Noruega morei em uma ilha minúscula com 4 mil habitantes. O que sobra são as faxinas, empregos de cuidadores nos sykehjem (asilos para idosos), às vezes trabalhos na indústria pesqueira e na agricultura.  Mas, tendo amizades influentes pode-se conseguir alguma coisa melhor.

10. É possível andar na rua sem se preocupar em ser assaltado?
Nas grandes cidades há um risco maior de ser assaltado, mas nos lugares menores este risco diminui bastante. Na maioria dos assaltos o ladrão porta uma faca, muito raramente armas de fogo.

11. Até qual horário da noite é possível andar com segurança pelas ruas?
No verão creio que pode-se andar com uma certa segurança a noite toda, porque há claridade quase o tempo todo. No inverno escurece muito mais cedo e amanhece mais tarde, por isso há mais risco de assalto. Nos finais de semana há muitas pessoas embriagadas perambulando pelas ruas, o que pode acarretar episódios desagradáveis.
Notas de viagem setembro 2013

Notas de viagem setembro 2013

Estivemos em Santos no mês que passou e agora estamos de volta a São Paulo para, logo mais retornar ao litoral. As temperaturas estão subindo e o clima está cada vez mais parecido com o ideal. Meu marido já consegue se comunicar em português e está progredindo no seu aprendizado. Eu estou flertando com a ideia de aprender francês pela internet, tenho várias anotações e estou animada para começar.

A biblioteca de Trondheim disponibiliza um aplicativo chamado EbokBib, onde podemos baixar livros que estão livres de direitos autorais (todos os do Henrik Ibsen, por exemplo) e também livros mais recentes. Neste caso, é como se fosse um livro físico. Há cerca de três exemplares disponíveis de cada título, você empresta um exemplar (virtualmente) e pode ficar com ele durante um mês, para então devolvê-lo ou renovar o empréstimo. Andei visitando alguns brechós e encontrei mais alguns livrinhos que estou lendo pouco a pouco. O Morten leu O Mundo de Sofia e gostou muito. O próximo passo é  emprestar livros do EbokBib. Neste exato momento escuto meu marido dizer-me que um partido vencedor das eleições quer instituir taxa para se emprestar livros nas bibliotecas, isso seria trágico!

Aproveitamos os dias bonitos para fazer exercícios ao ar livre. Caminhamos e corremos pela orla da praia e estamos tentando consumir mais frutas e verduras, já que a variedade é enorme e os preços bem acessíveis. Investimos em eletrodomésticos para fazer sucos e todo dia tem suco natural aqui em casa.

Estamos também acompanhando as notícias da Noruega e segunda-feita passada (09/09) houve eleições. O voto na Noruega não é obrigatório e eu, como ainda não tenho a cidadania norueguesa, não posso votar nas eleições para o parlamento, somente nas eleições regionais. O sistema na Noruega é diferente do Brasil, já que o regime lá é a monarquia parlamentarista. Vou tentar explicar de uma forma breve. Há muito menos partidos políticos do que aqui, e eles se dividem predominantemente em dois blocos: o verde/vermelho, de partidos de centro e de esquerda, com tendências sócio-democratas e mais favoráveis ao controle do estado sobre os serviços básicos de assitência à população (por exemplo, hospitais e escolas)  e o azul, predominantemente formado por partidos de direita, de tendências  conservadoras e liberais e que são mais favoráveis à privatização de serviços básicos de assistência (escolas e hospitais particulares, por exemplo). Alguns desses partidos «azuis» demonstram uma clara intenção de restringir a entrada de imigrantes no país e alguns jornais internacionais chegaram até a noticiar que o partido político com o qual o atirador norueguês responsável pelos ataques terroristas em 2011 simpatizava fará parte do governo de coalizão.

Desde quando cheguei à Noruega em 2006 o governo é formado pelo bloco verde/vermelho. Será interessante acompanhar as mudanças que virão com este novo governo.

Preocupada por não ter preocupações

Preocupada por não ter preocupações

Engraçado como o ser humano nunca parece estar satisfeito. Há alguns meses, quando eu estava no meio de um turbilhão de coisas para fazer no trabalho e na faculdade, contava os dias para que as férias chegassem, para receber as notas da faculdade e para poder descansar por muitos meses sem ter que pensar em trabalho e estudos.

Mas, em meados de agosto, eu comecei a me sentir desconfortável com essa situação de estar absolutamente sem preocupações. Achei estranho não ter que preparar aulas, não ter que ler livros da faculdade, não ter que acordar cedo, não ter que cumprir prazos. Até que eu constatei que este desconforto se deve ao fato de eu nunca ter tido umas férias tão longas como essas desde que entrei no mercado de trabalho. Nos últimos dez anos, praticamente segui a filosofia viver para trabalhar e agora consegui entender que o importante é trabalhar para viver. Planejamos essas férias muito bem e depois de alguns dias de reflexão e conversas com o marido, já havia esquecido esse breve episódio de consciência pesada. Eu mereço!

Nesses quase dois meses de Brasil, já fiz muita coisa. Passei muito tempo com a família que não via há dois anos, me diverti, fui ao cinema, fui à praia, fiz muitas corridas e caminhadas, matei a saudade de comidinhas e bebidas do Brasil, assisti filmes e televisão e li muito. Acabo de terminar El Amor en los tiempos del cólera do Gabriel García Márquez e adorei. Este é o segundo livro dele que eu leio (O outro foi Crónica de una muerte anunciada para a faculdade). Comecei a ler Corações Sujos do Fernando Morais, livro que trata da imigração japonesa. Tenho ainda O Mundo de Sofia (que vou ler no idioma original, norueguês!), o Casa Grande e Senzala e outros clássicos da literatura brasileira e portuguesa que faz tempo que queria ler. Sem falar nos e-books que tenho no computador. Tenho também me dedicado à tradução do blog do maridão, que pelo jeito tem muitos leitores. Ainda tenho muitos meses de férias pela frente e estou administrando meu tempo do jeito que eu quero, mas sempre tentando usar bem o tempo livre.