Måned: juni 2014

A Copa por aqui

A Copa por aqui

Faz 12 dias que a Copa do Mundo começou no Brasil e, como era de se esperar, os olhos da maioria dos noruegueses estão voltados para lá. Documentários, reportagens de TV, jornais e internet sobre o Brasil vêm sendo exibidos/publicados quase que diariamente. Gostei do que vi até agora, parece que os noruegueses estão aos poucos se desfazendo dos preconceitos e estereótipos e mostrando o país mais próximo de sua realidade. Uma crônica que gostei de ler foi esta, chamada «Dez Mentiras sobre o Brasil» e escrita por um norueguês que escreveu um livro sobre o país recém-lançado por aqui. Não vou traduzir a crônica inteira, mas posso listar as tais 10 mentiras sobre as quais o autor escreve:

1. O Brasil foi descoberto por Portugal.
2. O Rio é a capital do Brasil.
3. Todos amam futebol no Brasil.
4. Brasil é samba, futebol e carnaval.
5. As diferenças entre pobres e ricos aumentam no Brasil (não sei se concordo, por que não foi bem isso que eu observei durante a minha última longa estadia no país).
6. Não existe racismo no Brasil.
7. O Brasil é muito mais pacífico do que o resto da América do Sul.
8. Os brasileiros são alegres e sociáveis.
9. O motivo dos recentes protestos no Brasil é a Copa.
10. O Brasil pode ser resumido em 10 ítens.

Estou finalmente de férias e tenho pela frente um mês e meio para fazer o que eu quiser. Ontem fiz uma viagem relâmpago até Kristiansund com meu marido, que esteve lá à trabalho. Não tenho planos concretos de viagens e passeios, vamos ver o que aparece. Quero usar esse tempo para, entre outras coisas, organizar a casa, ler muito, estudar francês e fazer trabalhos manuais.

Semana passada participei da festa de encerramento dos alunos da décima série, que deixam a escola para iniciarem o ensino médio em agosto. A cerimônia foi muito bonita e emocionante, ao final muitos alunos vieram se despedir de mim com palavras muito bonitas de agradecimento e elogios.

Amanhã sai o resultado da votação dos membros do sindicato de professores sobre o acordo firmado há algumas semanas. Se a maioria votar por manter o acordo, vamos ter que aceitar o regime de horas obrigatórias no local de trabalho, mas somente se o diretor da escola nos oferecer escritórios mais apropriados.

Ainda falando em escola, na semana passada o príncipe da Noruega anunciou que vai matricular seus dois filhos em uma escola particular. Isto foi recebido como um escândalo, pois a família real norueguesa sempre manteve a tradição de levar um estilo de vida o mais parecido possível com o de um norueguês comum. Escolas particulares são raras por aqui e para abrir uma é necessário cumprir muitas exigências. Isto para evitar que as diferenças sociais entre os cidadãos aumentem por causa do poder aquisitivo. Ontem escutei no rádio sobre uma vez em que o antigo primeiro ministro da Noruega visitou um chalé nas montanhas administrado por uma associação de turistas noruegueses. Como ele chegou de surpresa sem reservar um leito, não houve outra solução: ele acabou tendo que dormir no chão. Ou seja, aquela mentalidade do «Você sabe com quem está falando?», não surte efeito por aqui. E isso é bom, na minha opinião.

Sobre a quase greve e outras novidades

Sobre a quase greve e outras novidades

Não houve greve de professores aqui na Noruega, mas a maioria acha que o sindicato aceitou um acordo com péssimas condições de trabalho. Na parte salarial não houve nenhum descontentamento. Mas, o fato de que este novo acordo estabelece que os professores serão obrigados a estar na escola  durante 7 horas e meia de segunda à sexta não agradou quase ninguém. Geralmente, o professor tem a liberdade de escolher se vai ficar em seu escritório na escola e corrigir provas e preparar aulas antes e/ou depois de lecionar, ou se vai para casa ou outro local fazer este serviço. Com esta nova regra, teremos que chegar à escola às 8 hs (mesmo se, em um determinado dia, temos a primeira aula ao meio-dia) e ir embora às 15hs30min (mesmo se naquele dia temos que lecionar das 8hs30min ás 10hs por exemplo). A condição para que esta regra seja posta em prática é que cada professor tenha um escritório de no mínimo 6m², onde a escrivaninha tenha um tampo de altura regulável, a cadeira tenha regulagem para as costas e que haja prateleiras para a armazenagem de livros, pastas e outros materiais. Meu escritório não tem nem a metade deste tamanho e minha escrivaninha não tem tampo de altura regulável. O escritório deve ter boa ventilação e isolamento contra ruídos. Não creio que a escola onde trabalho preenche todos esses requisitos, então não temo ser obrigada a estar na escola quando posso estar fazendo o mesmo trabalho bem melhor no conforto e no silêncio da minha casa.

Outra preocupação que os professores tinham era que as férias de verão pudessem ser reduzidas. Muita gente que não sabe muito sobre a profissão aqui pensa que nós temos férias longas (cerca de 8 semanas, contra 5 semanas de uma pessoa que tem outra profissão). Acontece que as 3 semanas «extras» que temos é compensação pelas horas extras que temos que trabalhar durante o ano letivo preparando aulas, conversando com pais, fazendo excursões, etc. Um professor deve estar na escola quando o aluno está. Isto, para uma professora que tem família no Brasil não é nada prático, pois eu adoraria tirar 4 semanas de férias antes do Natal e passar o mês de janeiro inteiro desfrutando o verão brasileiro, quando o inverno e a escuridão na Noruega são quase insuportáveis.  Mas, sou forçada a tirar férias em julho e agosto, quando é verão aqui e inverno no Brasil. Percebo com frequência um sarcasmo vindo de outras pessoas que não são professores ao dizer frases como «Ah, você é professora? Humm, que bom, hein, férias longas…». Até a mídia escreve erroneamente sobre nossas «férias longas». Enfim, este ponto felizmente não foi alterado e continuaremos a tirar férias quando os alunos têm suas férias de verão. Oito semanas garantidas por lei.

Os membros do sindicato poderão votar pela internet para manifestar sua aprovação ou desaprovação. Caso o acordo não seja aceito pelos membros do sindicato, o acordo passará a ser inválido e novas negociações se iniciarão. Eu ainda nao me decidi, tenho que ler o acordo minuciosamente antes de votar.

Acordo aprovado ou não, semana passada fiquei sabendo que fui escolhida para ser a kontaktlærer (contato de classe) de uma nova oitava série que começará ano que vem. Felizmente eu não vou ser responsável pela classe sozinha, outra professora que já foi kontaktlærer comigo ano passado me acompanhará novamente. Em outra postagem posso escrever mais detalhadamente sobre outras tarefas de uma kontaktlærer. Isto significa que vou ter muito o que fazer no próximo ano letivo. Cargo 100% integral e mais a função de contato de classe!

Esta semana haverá exame oral dos alunos que estão concluindo a 10ª série. Eu já sei que terei um grupo, mas ainda não sei que alunos estão neste grupo. Neste exame, os alunos devem fazer uma pequena apresentação sobre um tema dado por mim e depois terão uma longa conversa comigo para mostrar o que sabem sobre a matéria. Quem dá a nota não sou eu, mas uma professora vinda de outra escola que observa todo o exame (para evitar que o professor favoreça seus próprios alunos com uma nota maior do que a merecida). Felizmente as matérias que leciono são bastante populares entre os alunos (exceto espanhol) e a grande maioria dos alunos teme ter exame em matemática.

Faltam somente 11 dias para as minhas férias de verão! Já tenho muitos planos em mente, mas ficam para uma outra postagem.