Måned: oktober 2014

Artigo sobre empregos na Noruega

Artigo sobre empregos na Noruega

Nos últimos dias tenho recebido muitos e-mails de pessoas interessadas em trabalhar na Noruega. Creio que o motivo seja um artigo publicado recentemente na revista Exame. Eis o link:

3 países que querem profissionais brasileiros

Sugiro a todos que tenham interesse em trabalhar aqui leiam atentamente o artigo. Recomendo também a leitura do site da embaixada da Noruega em Portugal sobre empregos:

Empregos na Noruega

Está bem claro no artigo que a Noruega precisa de mão-de-obra qualificada na área de engenharia, saúde e educação. Infelizmente a Noruega tem regras rígidas para imigração e para brasileiros, as únicas  formas de emigrar para o país de uma maneira geral são:

1) Ter passaporte norueguês  (por ser nascido aqui ou por parte dos pais, por exemplo)
2) Ter passaporte de um país europeu que faça parte do tratado de Schengen
3) Ser casado (a) com um(a) cidadã(o) norueguês e estar em dia com a documentação de imigrante.
4) Requerer um visto de trabalho ainda estando no Brasil e já tendo em mãos a oferta de trabalho ou contrato

Recebo muitos emails de pessoas dizendo que querem vir para trabalhar «com qualquer coisa», mas não é assim que funciona. É necessário ter qualificações. Exceto, claro para pessoas que são casadas com um(a) norueguês(esa) ou que tenham passaporte de um país membro do acordo de Schengen. Elas podem vir e procurar emprego em faxina, restaurantes, etc. Um bom exemplo é o grande número de jovens suecos que se mudam para a Noruega para trabalhar no setor de serviços. Eu pude começar como faxineira por que tinha permissão de trabalho por ter vindo com visto de noiva de duração de 6 meses. Após me casar eu tirei outro visto, o de reunificação familiar, que me autorizava a trabalhar normalmente.

As autoridades norueguesas também são exigentes na hora de reconhecer diplomas de outros países. Nem sempre um profissional formado em outro país pode exercer aqui sem antes fazer cursos complementares com matérias que estão nos currículos dos cursos superiores daqui.

Sites para procurar emprego na Noruega:

https://tjenester.nav.no/stillinger/forside

http://www.finn.no/finn/job/fulltime/result

Os anúncios estão em norueguês em sua maioria. Isto quer dizer que as empresas esperam que os candidatos falem ou norueguês ou inglês fluentemente.

8 anos de Noruega!

8 anos de Noruega!

Tempos de faxina
Ontem, 22 de outubro, fez 8 anos desde que vim parar na Noruega. Para marcar a data resolvemos rever as fotos do dia em que cheguei e o que aconteceu nos próximos meses. Devo admitir que fiquei emocionada ao recordar todas as experiências que vivenciei nesses oito anos. As fotos mais especiais foram as da época em que eu trabalhava de faxineira. Uma época difícil, em que eu sentia que a vida não progredia por causa da falta de oportunidades e cheguei a pensar que teria que me contentar em trabalhar em ocupações que não condiziam com minhas ambições e competência. Fazer faxina era um trabalho digno, tranquilo, mas eu tinha uma meta de que esse serviço seria um ganha-pão temporário enquanto eu não conseguisse outras oportunidades. Mas, nunca, nunca mesmo cogitei a possibilidade de voltar ao Brasil. Desde o começo via a Noruega como meu novo e definitivo lar.
Foi quando me tornei fluente em norueguês e tirei minha carteira de motorista norueguesa que as primeiras portas se abriram. Ainda na faxina, mas com mais trabalho e melhor renda. O fato de eu poder dirigir meu próprio carro aonde eu quisesse me deu auto-confiança e forças para alçar voos mais altos. Passei de uma faxineira que sempre ia fazer limpeza junto com outras colegas a uma faxineira quase que autônoma, que podia ir sozinha a qualquer lugar para trabalhar por que sabia conversar com o cliente e não dependia de condução e de carona.

Artigo de jornal com minha classe do ensino médio para adultos
Mas, definitivamente, foi quando eu me matriculei no curso de capacitação para adultos que queriam fazer faculdade (Studiekompetansekurs) que eu percebi que havia ótimas oportunidades esperando por mim. Comecei a ler literatura de qualidade em norueguês, aprendi sobre a sociedade e estudei em uma classe formada somente de alunos noruegueses, o que me ajudou muito para melhorar o convívio social. Um grande erro é emigrar e não se misturar com os noruegueses, por que cria uma segregação voluntária por parte dos estrangeiros. Fiz o exame final em norueguês junto com todos os alunos do colegial (videregående skole), tirei nota 4 (nota máxima é 6) e tirei nota 6 na prova oral, também em norueguês. Nunca vou me esquecer da frase que a professora que me examinou disse ao me comunicar a nota: «Sua nota é seis, mas bem que poderia ser um sete!».

Ao deixar a vida na pequena ilha Frøya e me mudar para Klæbu, ao lado de Trondheim e com certificado de Studiekompetanse em mãos, me matriculei na NTNU para cursar um ano de Letras em Inglês. Foi nesse ano que comecei a sentir que meus sonhos poderiam, sim, se realizar. Estar em uma aula de literatura com professores ingleses que davam um verdadeiro show de conhecimento, que me puseram em contato com obras primas de textos e poemas alegravam os meus dias e me faziam querer aprender mais e mais. Lembro que me senti muito triste ao receber a notícia de que meu avô havia falecido e eu não poderia estar em seu funeral.

Ao completar o ano de Letras em Inglês, nos mudamos para um apartmento alugado em Trondheim e me matriculei em Letras em Espanhol. Nesta época fazia faxina em uma creche. Em janeiro de 2010 me cadastrei em uma agência de empregos temporários e, por ironia do destino, recebi, em março, uma proposta para trabalhar como professora em uma ilha chamada Frøya. Larguei a faxina e passei a lecionar dois dias por semana. Tinha que fazer uma viagem de barco de 2 horas, mais uma viagem de ônibus de 1 hora para chegar ao meu local de trabalho. Na volta, uma viagem de ônibus com duração de 3 horas. Foi nessa época em que recebi a notícia de que com mais 60 créditos eu poderia fazer Prática Pedagógica e tirar a licenciatura que me autorizaria a lecionar. Me matriculei então no curso de Ciências Sociais para obter esses 60 créditos. Em julho de 2010 recebi um telefonema da escola onde trabalho até hoje. Eles queriam me contratar como professora de espanhol. A mesma escola em que meu marido estudou. Nada de longas viagens para trabalhar, agora tinha um emprego na cidade vizinha à Trondheim! Comecei somente lecionando espanhol, logo passei a lecionar inglês e hoje leciono, além dessas duas matérias, história, geografia, estudos sociais e religião.

Esta vista é um privilégio e uma inspiração para continuar batalhando
Em agosto de 2011 começava a Prática Pedagógica junto com o trabalho. Foram certamente os anos mais estressantes da minha vida na Noruega. Sempre algo para ler, um trabalho para entregar, provas para corrigir e finalmente o estágio, que exigiu muito do meu tempo. Em maio de 2012 realizamos o sonho da casa própria  e compramos nosso apartamento que não trocaríamos por nada nesse mundo. Temos uma das vistas mais lindas da cidade. Em junho de 2013 entreguei meus trabalhos finais e fiz o exame oral. Nota A no exame oral de pedagogia, Nota A no trabalho escrito de pedagogia, Notas B nos dois trabalhos de didática de inglês e de espanhol. Havia chegado ao fim da linha. Tinha documentação que provava que eu era uma professora com competência formal para lecionar em qualquer escola do ensino fundamental e médio do país.

Viajamos para o Brasil em julho do ao passado e passamos 5 meses e meio descansando, férias longas e merecidas financiadas com muito trabalho e economias. Ao voltar eu já tinha contrato assinado com a escola para um emprego permanente. Recebi a proposta para aumentar a carga horária, de 80% para 100%. Hoje, trabalho com o que gosto e sinto que fiz as escolhas certas.

Os planos para o futuro são fazer ainda mais um curso na NTNU, de religião e conseguir ainda mais 60 créditos para melhorar meu currículo. Nesta semana enviei meus documentos e agora é aguardar a resposta.

Oito anos de muito trabalho, estudos, saudades da família, vitórias, derrotas e muitas alegrias. Que venham mais 8!