Kategori: Brasil

Vim parar no Brasil

Vim parar no Brasil

Meu marido finalmente começou a escrever seu blog, Vim Parar no Brasil. Eu o estou ajudando com as postagens em português, um verdadeiro trabalho em equipe.

Temos sofrido muito com o frio que anda fazendo em São Paulo. Esquecemos que as casas no Brasil não têm aquecimento elétrico, então sentimos falta de um fogão à lenha para aquecer a casa. Sente-se mais frio no Brasil dentro de casa do que na Noruega, porque lá, mesmo se a temperatura for 30 graus negativos do lado de fora, sempre temos cerca de 25 graus positivos dentro de casa. Aqui não: se está 10 graus do lado de fora, está também 10 graus dentro de casa. Nos arrependemos de não haver trazido mais roupas de lã da Noruega. Felizmente, os dias estão esquentando novamente e esperamos por dias mais ensolarados e quentes por aqui. Sabemos que ainda é inverno, creio que em setembro a primavera chegará.

Acabei de ler o livro The Help, gostei muito. Li também O Cortiço em versão digital. Agora vou começar o diário da tia avó do Morten como missionária no país de Camarões na África. Como é bom poder escolher o que se quer ler!

A volta ao Brasil depois de dois anos de ausência, sete ao todo morando fora daqui me fez ver certas coisas com perspectivas totalmente diferentes. As novelas da Globo, por exemplo, que antes eu assistia meio que automaticamente (nunca fui noveleira, mas assistia passivamente), são agora para mim tão desinteressantes, tão repetitivas, tão fora da realidade! Respeito quem gosta, mas não me vejo mais assistindo novelas das 18hs até as 23 hs (agora tem até novelas das 23hs!). Vou usar meu tempo para ler, ver filmes e séries em DVD.

Mais sobre diferentes perspectivas nas próximas postagens.

Na falta de palavras…

Na falta de palavras…

Daqui a poucos dias estarei aí…mal posso esperar. 

QUERELAS DO BRASIL (Maurício Tapajós / Aldir Blanc)

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapir, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aqui, ataúde
Piá, carioca, porecramecrã
Jobim akarore Jobim-açu
Oh, oh, oh
Pererê, câmara, tororó, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará

O Brazil não merece o Brasil
O Brazil ta matando o Brasil
Jereba, saci, caandrades
Cunhãs, ariranha, aranha
Sertões, Guimarães, bachianas, águas
E Marionaíma, ariraribóia,
Na aura das mãos do Jobim-açu
Oh, oh, oh
Jererê, sarará, cururu, olerê
Blablablá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, SOS ao Brasil
Do Brasil, SOS ao Brasil
Do Brasil, SOS ao Brasil
Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, Cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, Olará
Cascadura, Água Santa, Acari, Olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, Olará
Do Brasil, SOS ao Brasil
Do Brasil, SOS ao Brasil

O outro lado da moeda

O outro lado da moeda

Há algumas semanas, publiquei uma postagem com um artigo escrito por uma americana sobre a falta de simpatia dos noruegueses. E hoje, encontrei um artigo (na verdade, uma postagem em um blog) de um francês contando suas impressões sobre o Brasil. Aqui está o link para a postagem:

Curiosidades brasileiras

Não publicarei o texto aqui por que é muito longo e não pedi permissão ao autor. 
Achei interessante ele começar o texto por dizer que as impressões podem ser um pouco exageradas.
Concordei plenamente com as seguintes impressões: 
1 Sinto tanto a falta de filas na Noruega!
3 Faço isso aqui quando como hamburguer, não consigo deixar de usar guardanapo!
6
9 Passei por essa experiência em uma churrascaria, realmente irritante
13 Sou neta de japoneses por parte de mãe, e sofri muito com bullying por ser descendente de japoneses. Horrível como as pessoas generalizavam e atacavam os asiáticos! Espero que isso não aconteça hoje em dia!
15, 16, 17
19 Adoro assistir a minisséries e algumas novelas antigas – tenho o DVD da Escrava Isaura, mas essas novelas atuais não consigo mais assistir, não!
21 E mesmo assim, com tanta comida, há gente passando fome
22 Quem reclama do café brasileiro ainda não experimentou o norueguês!
23, 24, 25
28 Aqui na Noruega ninguém nunca ouviu falar em buffet adulto, muito menos infantil!
42 Tive que vir à Noruega fazer faculdade para conhecer a cultura latino-americana. Que vergonha!
46 Na Noruega, as coisas funcionam um pouco melhor, mas ainda longe da perfeição.
47, 50, 54, 56, 57

Quanto às outras impressões, há algumas com as quais concordo parcialmente e outras que, na minha opinião, são estereótipos. Mas, na verdade, todas as impressões são esterótipos, e temos que sempre ter cuidado com eles.

E mais um ano novo começa

E mais um ano novo começa

Primeiro quero expressar minha tristeza ao ver imagens das fortes enchentes no Brasil pela TV.

Passei o Natal com a família do meu marido e estava um frio, mas um frio…nunca havia feito tanto frio no Natal como este ano desde que cheguei aqui. A temperatura estava em torno de 22 graus negativos e não estava nevando. Eu acho lindo quando neva muito no Natal, mas este ano tive que me contentar só com o frio e com gelo nas calçadas. Não saio mais de casa sem brodder nos sapatos, as famosas solas com tachinhas para não escorregar.

O Ano Novo passamos aqui em casa só nós dois com jantar e depois fomos ver os fogos de artifício. A temperatura subiu um pouco e o resultado foi neve e gelo derretido nas ruas, o que dificultava andar de tão escorregadio e ensopado que estava.

Logo na segunda-feira, dia 3 de janeiro lá estava eu na escola para planejar o novo semestre letivo. Eu havia recebido uma proposta para aumentar minhas horas na escola, mas resolvi recusar. Ano passado eu assumi mais compromissos do que deveria e meu tempo ficou muito reduzido, o que fez com que eu tivesse muito pouco tempo para estudar. Não lembro se escrevi aqui, mas eu resolvi não continuar como estudante assistente na faculdade por esse mesmo motivo. Recebi uma das notas do ano passado e estou muito satisfeita, agora falta só mais uma.

Então, este ano vou me dividir entre a escola três dias na semana e a faculdade dois dias por semana. Vou ter duas matérias: Uma se chama introdução às ciências políticas. Vou estudar a estrutura política da Noruega e de outros países e também temas como corrupção, muito interessante. A outra matéria, mais interessante ainda para mim é introdução à sociologia. Já folheei os livros e acho que vou gostar muito. Em agosto vou iniciar a última etapa obrigatória dos meus estudos na Noruega, vou estudar pedagogia ao longo de dois anos. Eu tenho a opção de estudar um ano só, mas neste caso teria que parar de trabalhar para me dedicar somente aos estudos, já que o curso é intensivo e controla a presença dos estudantes. Como eu gosto muito do meu trabalho, decidi pelo curso flexível de dois anos. Assim vou poder trabalhar e vou estudar ao mesmo tempo. Depois de ter terminado Pedagogia creio que vou estudar mais um pouquinho para obter um bacharelado, ou em inglês ou em espanhol, assim meu nível salarial aumenta mais um pouco. Mestrado e doutorado não estão nos meus planos, então acho que em 3 ou 4 anos vou ter encerrado minha carreira acadêmica. Mas, não sei se vou parar de estudar completamente, vamos ver o que acontece.

Estou sem meu laptop por que tive que mandá-lo para o conserto por causa de um probleminha no monitor. Mas, para minha surpresa, a loja me emprestou um laptop até que o meu esteja pronto. Fiquei positivamente surpresa. Na terça-feira fui até a polícia e retirei meu passaporte com a nova etiqueta contendo meu visto permanente. Não vou precisar me preocupar com isso até 2013. Aí é só ir até a polícia – sem pegar fila – e pedir que colem uma nova etiqueta que valerá por mais dois anos. Mal posso acreditar que o pesadelo dos vistos chegou ao fim, agora posso viajar ao Brasil quando eu quiser!

Falando em visto, esta semana aqui na Noruega uma moça da Rússia de 25 anos que havia vindo para cá como refugiada junto com os pais há mais de 10 anos foi presa e está para ser deportada. Ela persistiu em ficar na Noruega mesmo depois de as autoridades terem negado o seu pedido de asilo no país. Além disso, ela conseguiu se matricular na faculdade e obteve um mestrado – tudo isso sem documentos noruegueses! Ano passado ela escreveu um livro onde narra sua vida como ilegal na Noruega. Ontem houve muitos protestos aqui em Trondheim apelando para que as autoridades a deixem ficar. Eu não tenho absolutamente nada contra a moça e contra outros imigrantes ilegais. O que eu não entendo é um sistema que deixa alguns ficarem aqui de forma ilegal e deporta outros. Embora meu caso seja completamente diferente, eu e meu marido procuramos desde o princípio cumprir com a lei e obter toda a papelada para eu emigrasse legalmente. E nesse período fiquei sabendo de emigrantes que vieram na mesma condição que a minha -com namorados(as) e noivos(as) aqui e não fizeram tudo o que eu tive que fazer. E nem é culpa deles, por que se o sistema não presta atenção sempre tem que tente o jeitinho mais fácil. É culpa do sistema que deixa passar. Eu acho que, ou as autoridades liberam os vistos, deixando que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo possa vir para cá, ou as autoridades cumprem suas próprias leis, deportando quem está ilegal e não perturbando quem está aqui legalmente. Depois de quatro anos aqui eu vi, ouvi e li muito sobre imigrantes e sei que cada história tem dois lados.

E assim vão passando os dias na Noruega, no meio de um inverno implacável, as ruas ‘ensaboadas’ de gelo, muitas saudades do verão do Brasil e aguardando ansiosamente uma viagem muito especial que vamos fazer…O bom de se trabalhar tanto é que podemos nos dar presentes de vez em quando sem peso na consciência!

Contagem regressiva

Contagem regressiva

Tempo eu até tenho tido, mas ando tão ansiosa por causa da nossa viagem que eu não consigo me concentrar e terminar de escrever uma postagem. O tempo tem estado ótimo por aqui. No final de semana passado fomos até uma ilha chamada Munkholmen, a ilha dos monges e tomamos muito sol. Na ilha há ruínas de um mosteiro e também lugares excelentes para tomar sol e banho de mar. Meu marido tomou o primeiro banho de mar do ano.

Nesta semana houve muitos eventos bacanas aqui em Trondheim. Entre eles um festival de comida onde se podia saborear várias iguarias vindas de todos os municípios da região e uma feira histórica nos arredores da Catedral de Nidaros onde se podia comprar vários artefatos da era medieval e observar escultores trabalhando em estátuas que irão decorar a catedral. A cidade está fervendo de turistas. Este é o meu primeiro verão aqui desde que me mudei de Klæbu e a cada dia que passa percebo como eu gosto de morar aqui. Já ouvi de mais de uma pessoa que Trondheim é uma cidade ótima para se morar e trabalhar e muita gente que foi tentar a vida na capital da Noruega, Oslo, acabou voltando para cá.

Ontem tiramos o dia para comprar as últimas coisinhas que faltavam para a viagem, visitamos avós maternos, avós paternos, tios, primos e terminamos o dia com um jantar oferecido pelos meus sogros. Eles não param de repetir queriam muito ir com a gente de novo desta vez, acho muito fofo eles expressarem tanto o quanto eles adoraram conhecer minha família, meus amigos e meu país. Agora falta muito pouco para pisar em terras brasileiras depois de 1 ano e meio. Vai ser também a primeira vez que viajo para o Brasil com o Morten, já que na primeira vez ele foi sozinho e eu ainda morava lá e na segunda vez eu fui sozinha antes dele.