Kategori: brasileiros

Cem funcionários que não fazem o serviço de um

Cem funcionários que não fazem o serviço de um

Ontem, estivemos em uma loja de material de construção grande aqui em Santos. Compramos algumas ferramentas, uns parafusos e eu comprei um varal de chão pequeno para o apartamento. Este varal não tinha preço marcado nem na mercadoria nem na prateleira (isso acontece direto nas lojas e mercados daqui), mas eu havia visto outro varal maior por 45 reais e pensei: bom, se o varal maior está 45, esse menor dever estar mais barato. Ao final das compras, ainda encontramos um suporte para pendurar toalha em um saldão da loja.

Aí fomos passar no caixa…

A moça do caixa, ao ver o tal suporte que achamos no saldão, disse que teríamos que ter falado com um vendedor para tirar o pedido (como que iríamos saber uma coisa dessas?), pois ela não poderia passar esse suporte no caixa dela por que ele estava com o preço remarcado…Tivemos que retirar tudo da esteira do caixa, botar de volta no carrinho e levar até um atendente que escaneou produto por produto no leitor óptico para que, então pudéssemos pagar no caixa.

Ao escanear o varal de chão, constatei que seu preço era 60 reais! Eu disse ao vendedor que havia outro varal maior por 45. Ele simplesmente respondeu: «Ah, isso acontece muito.» Bom, disse então que iria trocar esse de 60 reais por o de 45. O vendedor ficou olhando para nós (esperávamos que ele fosse se oferecer para ir buscar o outro varal), mas não. O Morten foi lá trocá-lo. O vendedor estava dando sinais de impaciência. Quando o Morten voltou com o suposto varal de 45 reais e o vendedor passou o produto no leitor óptico, a surpresa: 70 reais! Eu disse ao vendedor que este varal estava anunciado por 45 na prateleira. Ele olhou para nós como se estivesse dizendo: «Vocês são uns otários» e ficou imóvel. Não se deu ao trabalho de conferir na prateleira, nada. Diante da indiferença dele, disse que não ia levar varal nenhum (voltando para casa achamos o varal em outro lugar por um preço bom).

Ao chegar ao caixa, pensei que a moça iria somente receber o pagamento, pois o outro vendedor já havia escaneado todos os produtos. Mas, NÃÃÃÃOOO!!! Ela escaneou tudo de novo! O Morten me perguntou por que ela estava fazendo aquilo de novo, e eu simplesmente não soube responder.

Saímos da loja irritados por concluir que a loja tinha muitos funcionários, mas que nenhum fazia seu trabalho com competência. Quando vou a supermercados, vejo dezenas de funcionários com o uniforme do estabelecimento que andam para lá e para cá, SEMPRE fazendo fofoca de algum outro funcionário que não está por perto. E eu constatei isso várias vezes e em várias lojas até escrever aqui, não foi uma vez só não. Uma vez, ao entrar em uma loja da Vivo para perguntar sobre internet móvel, a funcionária nos respondeu sem olhar para nós, pois ela estava muito ocupada mexendo no seu celular.

Aí, não tem como não comparar com a Noruega. Lá, há pouquíssimos funcionários em uma loja, mas eles fazem tudo: trabalham no caixa, são estoquistas, fazem a limpeza, escrevem os cartazes de preços, atendem ao público, etc. Quando se entra em uma Casas Bahia aqui, sempre vem um funcionário querer te atender. Quando se quer comprar uma televisão na Noruega, tem que pegar uma senha e esperar o coitado do funcionário atender outros clientes para então poder vir te dar atenção. No meus primeiros meses de Noruega, ficava muito irritada com esta longa espera, mas sempre que fui atendida por um funcionário, recebi um atendimento exemplar. Ele sabia tudo sobre cada produto da loja, aconselhava (até a procurar outra loja concorrente caso ele não tivesse o que procurávamos!) e nunca demonstrava que estava querendo te enganar e vender acima de tudo.

Para terminar, tenho que contar como que a gente pode pagar pelas compras na IKEA, rede de lojas de móveis e utilidades domésticas originária da Suécia com filiais em quase todo o mundo (por que não ainda no Brasil???): Você tem a opção de passar as suas próprias compras no caixa. Escaneia produto por produto com o leitor, escolhe quantas sacolas vai querer (lá se paga pelas sacolas), escolhe a forma de pagamento e passa o cartão, digita a senha e pega seu recibo. Tem uma funcionária ao fundo supervisionando tudo, mas ela só se aproxima se você tiver alguma dúvida.

Embora as lojas aqui no Brasil contem com muitos funcionários, raramente a gente recebe um bom atendimento. Geralmente é o contrário, somos até maltratados. E isso é uma pena. Ah, e a Copa do Mundo vem aí…

Vim parar no Brasil

Vim parar no Brasil

Meu marido finalmente começou a escrever seu blog, Vim Parar no Brasil. Eu o estou ajudando com as postagens em português, um verdadeiro trabalho em equipe.

Temos sofrido muito com o frio que anda fazendo em São Paulo. Esquecemos que as casas no Brasil não têm aquecimento elétrico, então sentimos falta de um fogão à lenha para aquecer a casa. Sente-se mais frio no Brasil dentro de casa do que na Noruega, porque lá, mesmo se a temperatura for 30 graus negativos do lado de fora, sempre temos cerca de 25 graus positivos dentro de casa. Aqui não: se está 10 graus do lado de fora, está também 10 graus dentro de casa. Nos arrependemos de não haver trazido mais roupas de lã da Noruega. Felizmente, os dias estão esquentando novamente e esperamos por dias mais ensolarados e quentes por aqui. Sabemos que ainda é inverno, creio que em setembro a primavera chegará.

Acabei de ler o livro The Help, gostei muito. Li também O Cortiço em versão digital. Agora vou começar o diário da tia avó do Morten como missionária no país de Camarões na África. Como é bom poder escolher o que se quer ler!

A volta ao Brasil depois de dois anos de ausência, sete ao todo morando fora daqui me fez ver certas coisas com perspectivas totalmente diferentes. As novelas da Globo, por exemplo, que antes eu assistia meio que automaticamente (nunca fui noveleira, mas assistia passivamente), são agora para mim tão desinteressantes, tão repetitivas, tão fora da realidade! Respeito quem gosta, mas não me vejo mais assistindo novelas das 18hs até as 23 hs (agora tem até novelas das 23hs!). Vou usar meu tempo para ler, ver filmes e séries em DVD.

Mais sobre diferentes perspectivas nas próximas postagens.

Na falta de palavras…

Na falta de palavras…

Daqui a poucos dias estarei aí…mal posso esperar. 

QUERELAS DO BRASIL (Maurício Tapajós / Aldir Blanc)

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapir, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aqui, ataúde
Piá, carioca, porecramecrã
Jobim akarore Jobim-açu
Oh, oh, oh
Pererê, câmara, tororó, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará

O Brazil não merece o Brasil
O Brazil ta matando o Brasil
Jereba, saci, caandrades
Cunhãs, ariranha, aranha
Sertões, Guimarães, bachianas, águas
E Marionaíma, ariraribóia,
Na aura das mãos do Jobim-açu
Oh, oh, oh
Jererê, sarará, cururu, olerê
Blablablá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, SOS ao Brasil
Do Brasil, SOS ao Brasil
Do Brasil, SOS ao Brasil
Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, Cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, Olará
Cascadura, Água Santa, Acari, Olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, Olará
Do Brasil, SOS ao Brasil
Do Brasil, SOS ao Brasil

O outro lado da moeda

O outro lado da moeda

Há algumas semanas, publiquei uma postagem com um artigo escrito por uma americana sobre a falta de simpatia dos noruegueses. E hoje, encontrei um artigo (na verdade, uma postagem em um blog) de um francês contando suas impressões sobre o Brasil. Aqui está o link para a postagem:

Curiosidades brasileiras

Não publicarei o texto aqui por que é muito longo e não pedi permissão ao autor. 
Achei interessante ele começar o texto por dizer que as impressões podem ser um pouco exageradas.
Concordei plenamente com as seguintes impressões: 
1 Sinto tanto a falta de filas na Noruega!
3 Faço isso aqui quando como hamburguer, não consigo deixar de usar guardanapo!
6
9 Passei por essa experiência em uma churrascaria, realmente irritante
13 Sou neta de japoneses por parte de mãe, e sofri muito com bullying por ser descendente de japoneses. Horrível como as pessoas generalizavam e atacavam os asiáticos! Espero que isso não aconteça hoje em dia!
15, 16, 17
19 Adoro assistir a minisséries e algumas novelas antigas – tenho o DVD da Escrava Isaura, mas essas novelas atuais não consigo mais assistir, não!
21 E mesmo assim, com tanta comida, há gente passando fome
22 Quem reclama do café brasileiro ainda não experimentou o norueguês!
23, 24, 25
28 Aqui na Noruega ninguém nunca ouviu falar em buffet adulto, muito menos infantil!
42 Tive que vir à Noruega fazer faculdade para conhecer a cultura latino-americana. Que vergonha!
46 Na Noruega, as coisas funcionam um pouco melhor, mas ainda longe da perfeição.
47, 50, 54, 56, 57

Quanto às outras impressões, há algumas com as quais concordo parcialmente e outras que, na minha opinião, são estereótipos. Mas, na verdade, todas as impressões são esterótipos, e temos que sempre ter cuidado com eles.

E não é que teve encontro mesmo?

E não é que teve encontro mesmo?


Depois de 7 meses sem quase nenhum contato com brasileiros aqui na Noruega, finalmente conheci a Mercia, a Sacha e a Beatriz, que moram em Trondheim. Fomos a um café muito aconchegante e conversamos muito! Tanto é que eu tinha falado para minha sogra que iria embora ás 20 hs, mas o papo estava tão bom que eu decidi ficar uma hora a mais. Só que, por um engano meu, perdi o ônibus das 21! Fomos então comer um lanche e eu acabei pegando o ônibus das 22. Foi a primeira vez que eu fui a Trondheim sem meu marido, e estava muito insegura, com medo de me perder,mas no final, com a imensa ajuda das meninas, deu tudo certo. Assim que eu pisar em Trondheim de novo, quero muito reencontrá-las. O fato engraçado foi que, quando eu comecei a conversar com a Sacha, a primeira a chegar depois de mim, tive dificuldades pra falar português! Parecia que a mandíbula não obedecia meu comando, as palavras não saíam direito, hahaha. Depois de alguns minutos, tudo se normalizou. Nessas horas a gente percebe o quanto é importante encontrar nossos conterrâneos, pois só assim mesmo para exercitar a língua materna.

Outra coisa curiosa que aconteceu é que eu já tinha lido alguns comentários da Beatriz no Orkut, e tinha tido uma impressão ruim sobre ela, mas ontem foi totalmente o contrário! Ela é muito divertida de se conversar, e conhece bem a vida aqui na Noruega. Foi quase como uma aula sobre como encarar a sociedade e a cultura aqui.


Aqui estão as fotos:



Sacha, Beatriz e Mercia



Beatriz, Mercia e eu


Obrigada, meninas, pela noite muito divertida e até a próxima!