Kategori: Burocracia

Férias de Páscoa!

Férias de Páscoa!

Só tenho tempo de vir escrever aqui quando há férias ou folga. Sinal de que ando trabalhando muito. Três semanas atrás tivemos férias de inverno, mas não fiz nada de especial. Hoje começaram as férias de Páscoa. Profissionais de ensino têm a semana toda de férias mais a segunda-feira após o domingo de Páscoa. Dez dias. 

Amanhã vamos pegar a estrada e ir até Bergen, a segunda maior cidade da Noruega. Serão 10 horas de viagem, mas temos planos de acampar no caminho terça e quarta. De quinta até domingo vamos nos hospedar em hotéis. E na volta não vamos pegar a estrada, mas vamos navegar! Vamos embarcar de carro no Hurtigurten, o mais famoso navio de cruzeiro da Noruega, e chegaremos em Trondheim terça-feira de manhã. Esse passeio é muito popular, acho que mais entre turistas estrangeiros e noruegueses aposentados. Se você quiser ver uma viagem completa do Hurtigruten de norte a sul, pode ver esse link aqui.

Mesmo estando de férias, acabei de corrigir 25 textos de inglês. Isso por que não quero ir viajar com o pensamento de que terei pilhas de textos para corrigir quando voltar. Os dias agora estão mais claros, mas o frio persiste. A neve quase que derreteu por completo, mas pode de repente voltar. Não será primavera aqui antes de maio, creio eu.

Continuo aguardando a decisão sobre o meu pedido de cidadania norueguesa. O processo é muito lento. Todo mês recebo um e-mail da UDI dizendo que meu pedido ainda não foi examinado. Para se ter uma ideia, entreguei minha papelada em outubro de 2015, e eles ainda estão examinando pedidos entregues antes de julho de 2015. Não tenho pressa.

Agora é fazer as malas e amanhã seguir rumo para o sul, para Bergen!

O Cisco e a trave

O Cisco e a trave

Quem era eu para falar mal da UDI norueguesa…

Desde que cheguei na Noruega e comecei meu complicado relacionamento com a UDI, o departamento de imigração deles, escrevi várias postagens reclamando muito do atendimento, da demora e do sistema que aparentemente não funcionava. Hoje, já com o visto permanente, não preciso mais enfrentar as filas e preencher a infinita pilha de formulários para garantir que a minha estadia no país esteja sempre na legalidade. E o atendimento melhorou muito no últimos anos.

Até que um dia, a situação se inverteu e foi o meu marido quem teve que pedir visto para ficar no Brasil mais de três meses (período máximo para estrangeiros residirem no país sem visto) junto à Polícia Federal.

Mordi a língua.

A bagunça já começou na Noruega, quando eu escrevi um e-mail para a embaixada perguntando sobre a necessidade de ele pedir visto, já que iríamos ficar no Brasil mais de três meses. A resposta que veio é que sim, ele teria que pedir visto temporário. Aqui, na polícia federal, me informaram que na verdade ele poderia, sim, ficar aqui mais de três meses sem visto se tivesse solicitado uma prorrogação de sua estadia.

Mas, sem ter recebido essa informação da embaixada (que eu tampouco achei no site da PF), lá fomos nós dar entrada na papelada. Preenchimento de formulários, pagamento de taxas nada razoáveis. Poucos dias depois, uma funcionária ligou da embaixada para meu marido falando um norueguês incompreensível e um inglês mais incompreensível ainda (não sabia que era tão fácil assim arrumar emprego em embaixada) dizendo que não havia recebido os pagamentos necessários. Depois de muitos telefonemas, até que enfim ela encontrou os pagamentos. Algumas semanas depois, avisaram que o visto havia sido concedido e que teríamos que comparecer à embaixada com o passaporte dele. Eu pensei que a etiqueta do visto seria colada no passaporte na hora, mas qual não foi a minha surpresa ao saber que não, o passaporte teria que ficar com eles entre duas e quatro semanas até a etiqueta ser colada. Mais irritação e ainda por cima o medo de o visto não ser colado à tempo da nossa viagem à Espanha, uma semana antes da viagem ao Brasil. Felizmente, o visto ficou pronto à tempo. Nos disseram que era obrigatório comparecer à PF em São Paulo no máximo 30 dias após chegar ao Brasil. Tudo bem, pensei, deve ser uma visitinha de praxe, só por formalidade.

Tá bom…

Assim que aterrissamos em Guarulhos, cerca de 6hs da manhã, tentamos resolver isso, indo ao escritório da PF que tem lá. Meu marido perguntou se o escritório estava aberto e responderam, com cara de espanto total: «Não, estamos fechados! Talvez vamos abrir às 8hs…». Não quisemos esperar, então fomos à sede da PF alguns dias depois, ainda achando que essa visita seria só uma formalidade. Chegando lá, recebemos a infeliz notícia de que teríamos que reunir mais documentos, pagar mais taxas e preencher mais formulários. A embaixada não havia dado visto temporário ao meu marido, mas sim, um visto permanente! Ele teria que tirar RNE, o RG do estrangeiro! Eu expliquei que esse não era o visto que havíamos pedido, pois vamos ficar aqui somente 5 meses. Eles responderam que agora que demos entrada na papelada, ele teria que concluir o processo, caso contrário poderia ter problemas com a imigração em futuras viagens ao Brasil. Lá fomos nós fazer tudo de novo.

Ontem, voltamos à PF com a documentação. Enquanto conferiam a documentação, as atendentes ficavam brincando entre si o tempo todo, conversando por SMS com seus respectivos namorados e bocejando. Estava tudo certo.  Meu marido teve que recolher as suas impressões digitais (na Noruega isso não existe, só para pessoas que são presas), mas aí veio outra bomba: a RNE dele não ficaria pronta antes de, no mínimo, 6 meses! Em 6 meses já estaremos de volta à Noruega! Expliquei isso para as atendentes, perguntei se não teria como elas apressarem o processo, mas nada feito. Uma delas teve até a cara de pau de dizer:
«Vocês têm que vir aqui retirar o RNE, nem que seja para viajar para cá somente por um dia» . Aham, como se viajar da Noruega para o Brasil para ficar um dia fosse muito fácil, para não dizer barato…

Disseram ainda que, se meu marido sair do Brasil e voltar com um protocolo vencido, corre o risco de não poder entrar. A solução vai ser fazer uma procuração (mais despesas com cartório), para que alguém da minha família retire o RNE no nome dele e nos envie pelo correio. Mais uma: para que seu RNE tenha validade, ele terá que vir ao Brasil em intervalos de no máximo 2 anos para que não o perca.

Conclusão: vale mais a pena entrar sem visto e tentar driblar a lei do que fazer tudo de modo legal. Nunca mais vou reclamar da UDI da Noruega.

Férias de inverno (ainda bem!)

Férias de inverno (ainda bem!)

Molheira do jogo de jantar que encontramos em Oslo

Estou de férias de inverno (uma semana) e estou aproveitando para escrever meus trabalhos. Tenho um  para entregar em uma semana e outro para entregar em 30 dias. No meio de março terei três provas. Este mês que está chegando vai ser muito corrido, mas felizmente quando as férias de Páscoa chegarem (mais uma semana de folga), vou poder relaxar para valer e ainda por cima vou viajar com o marido!

Mas, não estou enterrada em livros o tempo todo. No final de semana passado demos uma fugida até Oslo. Primeiro fui à embaixada para transferir meu título de eleitor do Brasil para Oslo. Dei entrada no processo e agora terei que esperar 6 meses e ainda por cima terei que ir pessoalmente até lá retirar meu título novo! Quanta burocracia! Depois passeamos, vimos um musical chamado «Sonny» na Ópera de Oslo, visitamos as ruínas depois do ataque terrorista de julho de 2011, conhecemos a Catedral de Oslo e visitamos amigos. Até encontramos um jogo de jantar completo e seminovo em um brechó. Eu e o Morten adoramos visitar antiquários e brechós, e em Oslo não poderia ser diferente. Cheguei em casa muito resfriada e não estou trabalhando tanto com os estudos na semana de férias como eu havia planejado, mas quando eu escuto colegas dizerem que nem começaram a ler os livros para a prova ou nem começaram a escrever os trabalhos, eu paro de estressar. Cada vez mais percebo que fazer as coisas direito não compensa muito não. Mas, isso fica para uma próxima postagem.
Terminei meu estágio de espanhol e agora restam somente 30 horas de inglês, que vou fazer no segundo semestre. Comecei a dar aulas de religião para substituir um professor e também comecei a dar aulas de espanhol para dois meninos com família chilena na escola primária, que fica do lado da escola onde eu trabalho. De 50% passei a trabalhar quase 70%. Aqui na Noruega, a maioria dos empregos têm o horário bem flexível. Caso a pessoa não queira ou não possa trabalhar 100% (das 8 às 16hs), pode-se negociar dias mais curtos ou dias livres na semana. Assim, o salário é calculado pelas horas que se trabalha por semana. Minha meta quando eu terminar os estudos é aumentar meu posto até 100% e trabalhar de segunda a sexta das 8 às 16. Mas, por enquanto os 70% são mais do que suficientes. O bom disso tudo é ver que quando menos se espera chove um trabalhinho aqui e outro ali. Isso me motiva ainda mais para concluir a faculdade. Estudar compensa, mas que dá trabalho, isso dá!