Kategori: Casamento

Quase acabando

Quase acabando

Esta semana que está acabando tive provas na faculdade. Segunda tive prova de didática de inglés de manhã e prova de pedagogia de tarde. Na terça tive prova de didática de línguas estrangeiras de manhã e de tarde tive somente aula de pedagogia. Na quarta e na quinta tive somente aulas. Dá um alívio não ter mais que se preocupar com isso. Ainda não sei os resultados, mas estou confiante de que me saí bem, vamos ver. Fiquei sabendo que em nossa próxima reunião em maio vamos participar de um projeto que se chama «Escola ao ar livre». Vamos ter que ir a uma floresta longe de tudo e de todos e preparar atividades ao ar livre para alunos de 5ª à 7ª série em todas as matérias (no meu caso espanhol e inglês). Um belo de um desafio, mas eu o aceitei de bom grado. Alguns colegas, pelo contrário, começaram a resmungar quando escutaram a notícia. Eu fiquei chocada em ver o quanto algumas pessoas podem ser tão negativas e destrutivas. Eu vejo isso aliás no meu dia-a-dia como professora também. Qualquer sugestão de uma projeto novo é recebida com pedradas. Não é à toa que a motivação da criançada para aprender anda em baixa. Não posso afirmar que minha profissão é um mar de rosas, mas encarar tudo com pessimismo definitivamente não ajuda. 
Agora, tenho que escrever um trabalho de inglês que deve ter entre 7 e 10 páginas. Já reuni todo o material teórico que preciso e vou fazer de tudo para terminá-lo em uma semana, pois na última semana do mês quero dedicar-me somente aos preparativos para nossa viagem de férias de Páscoa. Vai ser uma maravilha poder fugir da rotina e saber que todas as obrigações estão cumpridas. Depois da Páscoa o tempo passará voando, os dias vão ficando cada vez mais claros e a primavera começa a dar o ar de sua graça por esses lados.
Os namoradinhos de madeira Knerten e Karoline
No final de semana passado aqui em Trondheim presenciamos uma cena digna de filme enquanto estávamos, aliás, à caminho do cinema. Várias viaturas de polícia e várias pessoas sendo algemadas e imobilizadas no chão. Mais tarde ficamos sabendo que a polícia havia sido chamada para conter uma passeata de um grupo neo-nazista formado predominantemente por suecos. Há um vídeo do momento em que a polícia chegou neste link aqui. Me assusta saber que existem pessoas cruzando o meu caminho aqui na cidade que são extremamente racistas e ainda por cima violentas. Pela primeira vez depois de cinco anos aqui vejo a possibilidade de sentir na pele a intolerância contra imigrantes. Espero que esse grupo se dissolva e que ninguém seja alvo de palavras ofensivas e ataques racistas. Parece que algo mudou por aqui depois dos ataques terroristas de 22 de julho. O país ficou mais violento, se ouvem notícias de crimes violentos quase todos os dias (no Brasil infelizmente isso é normal, mas aqui não era, não) e agora esses racistas.
Agradeço muito as felicitações em razão de meu aniversário de casamento. Não fizemos nada de especial para comemorar, mas minha sogra nos deu um presente. Um bonequinho do Knerten e de sua namorada, Karoline. Nós gostamos dos bonequinhos, mas não havíamos entendido o porquê do presente até ela nos explicar. O Knerten é um galhinho de árvore falante, e como fizemos bodas de madeira, a sogrinha achou o Knerten um presente perfeito. Muito creativo.
Bom, agora tenho que voltar pro meu trabalho de inglês.

Errata 23/3: A namorada do Knerten se chama Karoline, e no Josefine como eu havia escrito antes. Retificação feita.  

Bodas de madeira :)

Bodas de madeira :)

Trondheim, 2 de março de 2007
Foi, como hoje, numa sexta-feira, dia 2 de março de 2007 que eu, então aqui há somente 5 meses, me casei no tribunal de Trondheim. Já se passaram 5 anos e muita coisa boa aconteceu. O dia estava muito nublado e frio, e havia um pouco de neve aqui e ali. Hoje está chovendo muito e as temperaturas estão mais amenas.
Lembro que meu então namorado estava muito nervoso, eu cheguei até a pensar que ele estava amarelando! Mas, eu também estava muito nervosa. Felizmente tudo transcorreu muito bem e o dia foi inesquecível. Domingo passado fomos ao local onde jantamos depois da cerimônia, uma antiga fortaleza aqui em Trondheim chamada «Festningen».
A juíza que nos casou leu um poema no dia que eu ainda não entendia. Mas, hoje posso orgulhosamente traduzí-lo e entendo por que ele combina tanto com cerimônias de casamento.

A LUZ 
Halldis Moren Vesaas

Querido, pode ser que não entenderia
– tão impensável quanto tantas coisas assim são-
tudo o que você é e me mostra neste momento
se eu não te amasse tanto como eu te amo.

Eu me deteria sem saber ao certo, sem resposta,
como se eu estivesse perante um país desconhecido,
se o meu amor por ti não fosse
como uma lanterna em minha mão.

Meu amor me guia, e então eu posso entrar
e conhecer cada canto.
 Não é verdade que o amor é cego.
O amor é sábio.

As voltas que o mundo dá

As voltas que o mundo dá

Vou começar por agradecer a todas as felicitações pelo meu aniversário de casamento. Nós não tínhamos pensado em comemorar na terça-feira, por que foi dia de semana e tal, mas no final resolvemos ir jantar fora. Andamos um pouco pelo centro para ler os cardápios (que ficam afixados na entrada do restaurante – não lembro mais se tem isso em São Paulo) e ver o nível de preço, pois queríamos algo bem modesto. Até que resolvemos jantar num restaurante indiano que fica na nossa rua. Adoramos a comida e o lugar, simples, mas que nos fez sentir na Índia, ou pelo menos fora de Trondheim enquanto estávamos lá. No final de semana planejamos passar um dia de namorados, com passeios, cinema e talvez mais um jantarzinho.

A febre das Olimpíadas de inverno passou e a Noruega conseguiu um excelente resultado. O time de curling levou a medalha de prata e os esquiadores noruegueses provaram que são os melhores do mundo, levando muitas medalhas. Para falar a verdade, já estava enjoando de ver só Olimpíadas na TV o dia todo. O evento coincidiu com meu período de férias e a viagem longa do meu marido, então não tive outra opção a não ser ver mais TV do que de costume.

Quinta-feira fui para Frøya depois da folga e já na chegada à escola, o diretor me convidou para participar de uma reunião bem cedo no dia seguinte. Era uma reunião para apresentar o novo conselheiro do prefeito, tipo um braço direito dele, que ajuda nas decisões. Ele explicou que queriam convidar estrangeiros que vivem ou trabalham em Frøya para representarmos o imenso número de imigrantes que contribuem muito para o crescimento econômico do município.
Como a reunião era no hotel e eu iria dormir lá mesmo, aceitei.

Na quinta também, mas depois das aulas, uma professora que trabalha comigo e é amiga da minha cunhada me levou para ver seu apartamento. Ele tem dois quartos vagos e eu disse que estava muito interessada em alugar um deles. Adorei o quarto, pequeno, mas com um belo de um guarda-roupas e uma janela grande. Combinamos o preço e ficou tudo acertado, já poderei me instalar semana que vem. Isso me livra de um problemão, pois estava deixando quase 800 coroas do meu rico dinheirnho no hotel toda semana, agora vou pagar 1200 coroas por um mês inteirinho de aluguel, com internet e tudo mais que eu preciso. A direção da escola me pediu para aumentar minha carga horária, então depois da Páscoa eu vou começar a ir para Frøya na quarta à noite e trabalhar o dia inteiro tanto na quinta como na sexta. Agora eu trabalho só metade da quinta. Assim sendo, vou pernoitar duas noites, mas o preço do aluguel vai subir de 1200 para somente 2000 coroas. No hotel, um mês inteiro com duas pernoites por semana sairia por 6400 coroas!

Na sexta, às 8 hs da manhã, lá fui eu para a tal reunião em uma sala de conferências do hotel. Encontrei a Inga, que trabalha na prefeitura e eu conhecera quando fui fazer a entrevista na escola. Foi bom tê-la encontrado, assim não fiquei deslocada sem conhecer ninguém. Comecei a reconhecer todos os ‘mandachuvas’ do município, fui apresentada a alguns até. Sentada lá na mesa comprida cheia de gente importante com cafezinho e tudo, comecei a me dar conta de que na minha época de faxineira em Frøya, eu devo ter limpado a casa de muitas daquelas pessoas que estavam ali. Agora eu estava sendo apresentada a todos como a professora de inglês brasileira. Em apenas 3 anos tudo mudou. Pensei também lá com meus botões que esse tipo de coisa infelizmente só acontece na Noruega, onde existe muita mobilidade social. O novo conselheiro mesmo, ao se apresentar, falou que começou como motorista de caminhão e hoje ele era o braço direito do prefeito. A reunião foi interessante, mas eu não pude ficar até o fim porque tinha aula às 9 hs.

A mesma Inga me pediu para fazer uma tradução de um documento do espanhol para o norueguês. Estou percebendo o quanto é importante ter uma rede de conhecimentos aqui na Noruega, é assim que aparecem as boas oportunidades.

Dia 2 de março de 2007

Dia 2 de março de 2007

Neste dia, há exatos três anos, eu e meu namorado estávamos nos casando no tribunal aqui de Trondheim. Naquela época eu ainda não entendia quase nada que a juíza falou, mas o mais importante eu entendi: o momento de dizer «ja».
Fazia frio e havia um pouco de neve nas ruas e na colina onde fica a fortaleza de Kristiansten, onde comemoramos nosso casamento com um jantar aconchegante para poucos convidados.
De lá fomos para a casa dos meus sogros, onde brindamos com champanhe e cortamos o bolo de casamento. Meus sogros cantaram uma música para mim cuja letra eu ainda não entendia: Tratava-se da canção «Sommerfugler i vinterland» – Borboleta na terra do inverno, composta em homenagem a uma moça de um país distante que veio para a Noruega como refugiada.
Olhando as fotos, vídeos e relembrando aquele dia, não consigo pensar em nada que eu teria feito diferente. Gostaria que minha família e os amigos mais queridos tivessem tido a oportunidade de vir, mas não teria mudado um detalhe sequer da cerimônia.