Kategori: cultura norueguesa

Concerto na igreja, feira de casa e construção, refugiados

Concerto na igreja, feira de casa e construção, refugiados

Esta semana que passou foi mais tranquila que a anterior. Tive as duas últimas reuniões com os alunos e seus pais na segunda-feira. Sempre tem algum probleminha de comportamento aqui e ali, mas coisas normais de se esperar entre adolescentes.

Na terça-feira tive um encontro marcado com meu marido após o trabalho. Primeiro fomos jantar em um restaurante vietnamita:

Pato grelhado para ele
Carne com salada de hortelã e rolinhos primavera para mim

Depois, seguimos para a igreja de Nossa Senhora (Vår Frue kirke) para assistir a um concerto com Bjørn Eidsvåg. Ele já foi um padre luterano, mas hoje em dia se dedica somente à carreira artística. A igreja estava lotada. O concerto foi muito bonito, com canções famosas intercaladas com histórias sérias e engraçadas da vida do músico.

A câmera do meu celular não tira boas fotos no escuro e eu não quis usar flash.   

Estamos reformando o nosso quarto e sábado meu marido trocou a janela com a ajuda do meu sogro. A janela é muito pesada e tudo correu muito bem. Agora falta reformar as paredes, o piso, trocar a iluminação e mais algumas coisas. Nossa meta é terminar a reforma antes do Natal, mas faltam somente 5 semanas. Vamos ver o que conseguimos fazer até lá.

No domingo fomos visitar uma grande feira de casa e construção. Muitos noruegueses gastam muito tempo e dinheiro reformando suas moradias, por isso o mercado da construção e reforma é muito lucrativo. Há muitos programas de televisão que tratam sobre este tema. Um apresentador de um desses programas deu uma palestra na feira. Ele costuma visitar casas de famílias que precisam de ajuda para terminar a reforma, mas por falta de motivação não conseguem seguir adiante sozinhas. Ele é conhecido como o Marceneiro Rabugento (Sinnasnekker’n). Pensamos que ele ia responder às dúvidas dos visitantes sobre reforma, mas ele acabou dando uma palestra sobre, entre outras coisas, relacionamentos familiares, falta de comunicação, força de vontade, etc. Muitos dos presentes ficaram ofendidos com algumas coisas que ele disse, mas nós dois gostamos muito. Uma coisa da qual não gostei foi o assédio dos vendedores nos estandes das lojas, mas gostamos de alguns materiais e produtos que consideramos comprar para as reformas futuras. Queremos reformar o apartamento todo aos poucos e deixá-lo com a nossa cara e o nosso estilo. Moramos aqui só há 3 anos e não temos pressa.

Ora me alegro, ora me entristeço pensando no Natal que se aproxima. Para mim, o Natal na minha idade adulta sempre foi caracterizado por uma atmosfera de muita saudade dos entes queridos que já se foram, e este ano é ainda pior com a ausência do meu pai. A Noruega tem tradições lindíssimas nesta época, já escrevi sobre muitas delas aqui no blog. Quem sabe isso me empolga um pouco mais. Faço questão de ir ao concerto gratuito na catedral de Nidaros no dia 24 e provavelmente vamos passar a noite de Natal com a família do meu marido.

Mas, esta postagem não pode ser somente sobre mim. Sábado ocorreram acontecimentos trágicos em Paris, uma cidade que eu tive a felicidade de conhecer e me encantei. A situação está muito tensa, muitos refugiados, vindo principalmente da Síria, estão chegando aqui na Escandinávia e os governos não sabem ainda quantos refugiados têm capacidade de receber e como será o processo de adaptação. Refugiados que já receberam asilo na Rússia começaram a fugir para cá, pois crêem que a Noruega é um país melhor para se viver. Como há muitas notícias circulando na mídia, o melhor seria escrever uma postagem exclusivamente sobre este tema.

Continuo recebendo muitos e-mails contendo perguntas sobre trabalho e imigração. Peço que leiam as postagens que já escrevi no blog sobre esses assuntos, não tenho como responder a cada um separadamente.

Semana punk

Semana punk

Geralmente não gosto de usar gírias, mas não encontrei outra palavra que definisse essa semana que passou: foi uma semana punk. Duas vezes por ano tenho que me reunir com cada aluno e seus pais para falar do desempenho na escola. Sou responsável por 13 alunos na minha sala, então tive que marcar 13 reuniões. Tive quatro na segunda-feira, três na terca, três na quinta e uma na sexta. Na próxima segunda-feira tenho as duas últimas. Felizmente os alunos e os pais parecem estar satisfeitos e tudo correu conforme o esperado.

Na terça-feira tive um convidado especial na minha aula de ciências sociais. Como o tema que estou lecionando é criminalidade e punição, convidei meu marido para vir falar sobre o sistema judicial da Noruega. Ele trabalha nessa área e os alunos aprenderam muito.

Ontem foi o grande dia do cinema aqui em Trondheim. Significa que todos pagaram meia-entrada durante o dia todo. Nós garantimos nossos ingressos para um filme chamado «Crimson Peak», de terror. Eu tento evitar assistir a filmes de terror no cinema, por que levo muito susto. Gostamos do filme, apesar de alguns clichês.

Esta semana que entra agora será um pouco menos punk, mas na terça irei a um concerto com um norueguês famoso, Bjørn Eidsvåg. Ele era, ou ainda é um pastor luterano que também é artista. Um fato curioso sobre ele é que ele foi o celebrante do casamento do Magne Furuholmen do a-ha nos anos 90. Vou tentar postar fotos.

Faltam somente seis semanas para as férias de final de ano! Tenho muitas provas e trabalhos para corrigir, será bom ter uma pausa. A festa de confraternização dos funcionários da escola será realizada em um restaurante perto da minha casa, coincidentemente o restaurante onde comemoramos o nosso casamento.

Parada de 17 de maio de 2015 – Parte 1

Parada de 17 de maio de 2015 – Parte 1

Este ano resolvi filmar em vez de fotografar. Esta é a primeira parte, publicarei a segunda parte em breve no meu canal no You Tube.

Na descrição do vídeo escrevi um pouco sobre a origem dese feriado nacional.

Pode-se ouvir a minha voz e a do meu marido ao fundo comentando, mas a mulher e o homem que falam alto não somos nós. Eles estavam bem ao nosso lado.

Noruegueses arrogantes?

Noruegueses arrogantes?

Artigo publicado no jornal norueguês Bergens Tidende, onde uma menina norte-americana de 16 anos reflete sobre a falta de simpatia dos noruegueses para com estranhos. Achei tão interessante, que quis traduzir.

Artigo original aqui: http://blogg.bt.no/btbatt/2013/03/14/overlegne-nordmenn/

Eu me mudei dos EUA para a Noruega há quatro anos. Não conhecia nenhum norueguês, não sabia falar norueguês e não conhecia a cultura norueguesa. Depois de muito tempo, internato, muitas aulas de norueguês – aprendi finalmente o idioma. Daí ficou mais fácil para mim fazer contato com outros jovens noruegueses e eu estava ansiosa por isso. Eu queria fazer amizades e queria poder conversar com outras pessoas na sua língua nativa. 

Eu vejo a mim mesma como uma pessoa bem simpática. Eu digo «Oi!» para todos – para a pessoa que senta ao meu lado no ônibus, amigos de amigos, professores, a pessoa na fila do caixa – todos. Eu faço isso simplesmente porque é um hábito ser simpática. Eu fico contente quando um estranho me diz «Oi», ou simplesmente sorri para mim. Isso é comum nos EUA, pelo menos. Algo que eu percebo na Noruega, é que noruegueses não são simpáticos. Eles se importam quase somente consigo mesmos ou com seu «povo». Claro que isso não se aplica a todos, mas a muitos. 

Um dia quando eu estava indo para a escola, eu escorreguei e caí no gelo e todos os meus livros caíram da minha mochila, que estava aberta. Eu fiquei ensopada. Doeu muito quando eu caí no gelo, e foi difícil levantar. Cinco vizinhos passaram por mim. Quantos me ajudaram? Nenhum. Eles olhavam para mim e passavam direto. Um homem disse «É, está bem escorregadio!», e passou direto. O que é isso? Não se pode ajudar outras pessoas se você não as conhece? É assim que funciona?

Meus amigos acham que eu sou meio esquisita às vezes, já que eu sou simpática e falo com todas as pessoas que encontro. Nós costumamos ir ao mercado no intervalo das aulas e, quando vamos pagar, eu quase sempre converso com o (a) funcionário (a) do caixa. «Oi, tudo bem?». «Hoje tive uma prova difícil, eu fiquei muito nervosa!», «Você teve um bom dia?», «Estou comprando tudo isso de bolo porque vou ter visitas no meu aniversário amanhã, entende?» –  são coisas típicas que eu posso dizer para o caixa. É completamente normal para mim! Meus amigos ficam muito encabulados e me pedem para parar com isso. Eu simplesmente gosto de falar com as pessoas, é tão errado assim? Viaje para os EUA! Vá ao mercado, vá fazer uma corrida, sente em um ônibus; eu sou capaz de garantir que pelo menos uma pessoa vem falar com você e perguntar como vai. Eu acho isso extremamente amável. Receber um sorriso de um estranho pode fazer o seu dia melhor. Mas, pensando bem – viaje para o exterior, nem precisa ser somente os EUA. Tenho quase certeza que há pessoas muito mais simpáticas que na Noruega.

Uma coisa que eu me pergunto é: Como que os noruegueses fazem amizades? Se eu estou esperando um ônibus com um amigo, e um amigo desse amigo chega e diz «Oi!», eu digo «Oi!» e cumprimento essa pessoa, simplesmente porque eu gosto de conhecer pessoas novas e gosto de ser educada! Eu lembro um dia depois da escola, eu fui para o ponto de ônibus sozinha, então encontrei muitos dos meus amigos, mas havia uma menina que eu não conhecia. Eu estendi minha mão para me apresentar e disse o meu nome, e ela me olhou como se eu fosse uma idiota! Ela apertou minha mão e disse como se chamava,  mas durante todo o tempo que eu fiquei com aquela turma ela me olhava como se eu tivesse acabado de assassinar toda a família dela ou algo parecido. É totalmente ridículo.

PORÉM… Há um porém aqui. Quando os noruegueses ingerem bebidas alcoólicas – isso vale para os jovens e os mais adultos – é completamente diferente. É exatamente aí que todos ficam simpáticos, fazem barulho, ficam amáveis, etc. É assim que tem que ser? É preciso encher a cara para se divertir, fazer festa, para fazer amizades e ser simpático?

Eu noto que eu fico irritada quando eu sorrio para alguém que passa, e eles olham para mim como se eu f2osse maluca. Eu sorrio para todos! Amigos, familiares, conhecidos, estranhos. Qual é o problema em sorrir de volta? Até o pessoal que passa no corredor da escola tem problemas para tirar o olhar do chão e sorrir ou dizer oi OU QUALQUER OUTRA COISA. O que será de mim em 5-10 anos? Será que eu vou ficar como a maioria dos noruegueses? Antipática e mal-educada? Eu não tenho a mínima intenção de destratar os noruegueses, e não acho que todos os noruegueses sejam antipáticos. Assim que eu consigo fazer contato com alguém eles geralmente se tornam bem simpáticos! Mas, o que aconteceu com as boas maneiras do dia a dia?

Emily Mason 

Eu também não acho que todos os noruegueses sejam antipáticos, mas concordo com muitas coisas que Emily escreve. Tenho até alguns casos para relatar:
Uma vez, na faculdade, o professor pediu para que nós discutíssemos uma pergunta com a pessoa que estava sentada ao nosso lado durante alguns minutos. A menina do meu lado virou as costas para mim e começou a conversar com a pessoa ao seu lado, sendo que ela viu que não havia ninguém mais ao meu lado. Sorrir para estranhos aqui pode ser rapidamente interpretado como flerte, não como simpatia.
Em junho do ano passado, quando levei um tombo e tive uma luxação no tornozelo voltando da confraternização de verão (eu não tinha bebido nada de álcool, foi um acidente mesmo), nenhum dos meus colegas de trabalho pareceu ter me levado muito a sério. Um senhor que estava esperando o bonde deu risada. Durante os quinze minutos que passamos no bonde de volta para a cidade, eu quase não aguentando de dor e com lágrimas nos olhos (os colegas rindo e conversando ao meu lado), só aí eles entenderam que eu tinha me acidentado com um certo grau de gravidade. O senhor que havia dado risada desceu do bonde e falou «Puxa, parece que você se machucou de verdade, hein!». 
Depois de quase sete anos morando aqui, percebo que eu também estou perdendo essa simpatia do dia a dia, já que, como Emily disse, as pessoas nos olham como se a gente fosse maluca se a fazemos algo que foge aos costumes considerados normais.