Kategori: Curso de pedagogia

Como é bom estar de férias!

Como é bom estar de férias!

Estou agora escrevendo direto de São Paulo, depois de uma semana na Espanha com a família do meu marido e uma viagem longa via Oslo e Milão. Tudo correu muito bem, não perdemos nenhum voo e nenhuma bagagem, e agora estamos desfrutando o inverno paulistano, com temperaturas altas durante o dia, mas baixas durante a noite. Emprestamos a casa dos meus avós, que estava desocupada. Tivemos muito trabalho para deixá-la habitável, mas agora sentimos que temos uma casinha aconchegante. Estamos passando os dias correndo atrás de documentos, arrumando a casa e descansando também.

Quando estávamos na Espanha, recebi as notas da faculdade. Tirei um A e dois Bs (as notas vão de A a F, sendo que F é reprovação).  Fiquei muito feliz, pois consegui tirar notas altas apesar de todas as outras coisas que tiver que fazer enquanto estudava. Com isso posso me considerar professora do ensino fundamental e médio na Noruega! 😀 O diploma vai chegar só em setembro ou outubro, mas com as notas já posso documentar minha formação superior.

Meu marido vai começar a escrever um blog contando as suas impressões e experiências. Ele já havia estado aqui antes, por períodos curtos, mas agora vamos ficar mais tempo. A ideia é escrever em norueguês e em português com a minha ajuda, mas vamos ver o que conseguimos fazer. O blog vai se chamar, claro, «Vim parar no Brasil».

Abre alas pra minha folia…

Abre alas pra minha folia…

Chegou a hora!

Hoje, concluí uma das etapas mais importantes da minha vida, sobretudo da minha vida de imigrante na Noruega. Entreguei meu portfólio com os meus melhores trabalhos escritos de pedagogia, didática de inglês e de espanhol, entreguei também o trabalho de pesquisa do meu grupo. Ás 12hs30min, recebi uma pergunta em um pedaço de papel:

Explique e expressão ‘problemas de comportamento’. Relacione sua explicação às suas experiências sobre como alunos que apresentam comportamento desafiador são interpretados e descritos na escola.

Fui até uma sala de aula e tive uma hora para preparar uma apresentação para responder à pergunta. Às 13hs30min entrei na sala de aula, onde fui recebida pela professora de pedagogia e uma professora extra, que era fiscal. Expliquei a expressão, relacionei problemas de comportamento à diferença entre meninos e meninas na escola, à diferença entre alunos de maiorias e minorias étnicas, e finalmente à diferença entre classes sociais.Consegui dizer tudo em 10 minutos, o tempo limite. Depois, as professoras fizeram algumas perguntas relacionadas ao tema. Saí da sala com a sensação de que não tinha respondido bem às perguntas.

A agonia durou até às 18hs30min, quando saíram as notas. Tirei A, a nota máxima. Meu objetivo era tirar B, ou C. Missão cumprida. Provei que tenho bons conhecimentos sobre teoria de pedagogia, consigo aplicar as teorias à prática como professora. Me resta esperar as outras notas (dos trabalhos escritos), que saem daqui a três semanas.

Chega de ficar afundada em livros horas a fio, chega de ter que ficar em casa em dias ensolarados. Tenho só mais uma semana de trabalho e então terei merecidas férias, desta vez bem prolongadas!!!

Já está chegando a hora…

Já está chegando a hora…

Sábado de chuva, eu iria à reunião de família dos parentes do marido (na Noruega é comum todos os irmãos, tios, primos, etc. se reunirem de tempos em tempos), mas, estou muito estressada com o exame oral final de pedagogia que vou ter na quinta-feira. Daqui a somente cinco dias! Não consigo pensar em outra coisa além de livros, estudar, me preparar para esse exame. Resolvi ficar em casa estudando e o marido foi sozinho (eu fiz arroz brasileiro e assei uma foccacia para ele levar). Tirei até licença remunerada do trabalho para poder estudar o dia inteiro na terça e na quarta. Na quinta vou poder finalmente retirar esse peso das minhas costas.

Abre alas pra minha folia, já está chegando a hora…
Abre alas pra minha bandeira, já está chegando a hora…

Vim, sofri e venci

Vim, sofri e venci

Na descrição do meu blog, escrevi que estou batalhando dia a dia para conquistar meu lugar ao gelo. Pois, este dia chegou. Semana passada, fiz entrevista na escola onde trabalho para tentar um emprego efetivo (fast jobb em norueguês). Na Noruega, nenhum professor pode ter fast jobb sem ter curso superior em pedagogia (se bem que há muitos municípios pequenos por aqui empregando gente despreparada para lecionar, geralmente gente da família ou conhecidos – é, existe nepotismo aqui também). Professor sem formação pedagógica tem que se contentar com vikariat (trabalho temporário). Como vou terminar meu curso de pedagogia em junho, em agosto poderei trabalhar como efetiva. Me saí bem na entrevista, mas havia uma questão que poderia fazer com que eu não conseguisse o emprego. Eu quero passar mais de um mês no Brasil nas próximas férias, e por isso teria que recomeçar na escola mais tarde do que os outros professores. Na minha solicitação de emprego, escrevi que queria não somente o emprego, mas também uma licença mais prolongada depois das férias de verão aqui.
Me disseram que eu receberia uma resposta na semana seguinte. Na quarta-feira, o diretor da escola me chamou no escritório e me disse que EU TINHA CONSEGUIDO O EMPREGO E A LICENÇA!!! 🙂. Fiquei, claro, muito feliz! Finalmente, depois de quase sete anos de Noruega, trabalhando dois anos na faxina, fazendo cinco anos de faculdade, sempre com textos para ler, provas, trabalhos para entregar e três anos trabalhando em escolas, sempre sem saber se eu iria estar empregada no ano seguinte, agora poderei respirar aliviada e contar com emprego garantido para sempre! Vou também terminar a faculdade em junho. Daqui pra frente qualquer estudo que eu quiser fazer será um bônus para minha carreira, e não uma obrigação. Claro que eu não vou parar de estudar, mas vou me dar um presentão e descansar muito nessas férias que vêm por aí com meu maridão querido, que nunca, nunca mesmo deixou de me incentivar e dar apoio (mesmo quando a casa estava de cabeça para baixo por que eu tinha que estudar para as provas). Já temos tudo planejado, daqui a mais ou menos dois meses e meio, quando receber meu diploma da faculdade, vou poder gritar para quem quiser ouvir: «CONSEGUI MEU LUGAR AO GELOOOO!».
Para terminar, minha música de vitórias:
Inverno rigoroso

Inverno rigoroso

O mês de janeiro se foi, e dizem que janeiro é o mês em que o inverno aqui na região onde moro é mais rigoroso. Eu estou no centro da Noruega, onde costuma nevar muito. Eu gosto de ver neve, mas andar com neve é outra coisa. Os floquinhos no rosto irritam, se caem no olho irritam mais ainda. O jeito é apelar pro guarda-chuva. Sem falar que, se neva um dia e no dia seguinte as temperaturas caem drasticamente, a neve vira gelo e as calçadas e ruas ficam muito escorregadias. Mas, eu nunca saio de casa sem meus brodder, as solas com tachinhas que previnem quedas no gelo. Um vizinho (brasileiro, inclusive), quebrou o pé há dois meses por que se atreveu a descer a ladeira aqui do lado sem brodder.
Semana passada, fui ao baile de ano novo da escola e gostei muito do que eu vi. Os alunos se portaram muito bem (fiquei sabendo que em anos anteriores houve incidentes em que alguns alunos entraram no baile com bebidas alcóolicas escondidas na bolsa), a comida estava ótima, a maioria dos alunos dançou o tempo todo e alguns cantaram e tocaram. Ano que vem, minha classe, junto com mais outras três, serão responsáveis pela organização do baile, então foi bom comparecer este ano e ver como é.
Estou realizando um projeto com três colegas de faculdade (uma russa, uma norueguesa e um alemão) que teremos que entregar no curso de pedagogia. Trata-se de uma pesquisa para averiguar se os alunos aprendem melhor se recebem feedback por escrito ou oralmente quando escrevem textos em espanhol ou alemão. Vou entrevistar alguns alunos para coletar dados, é um trabalho bem complexo. Vamos escrever 20 páginas, mas teremos que entregar o rascunho somente em abril. Eu não gostava de trabalhar em grupo, por que sempre tem aquele parasita que não faz nada, mas desta vez todos estão fazendo a sua parte.
Hoje entrei de férias de inverno. É uma tradicional semana de folga para alunos e professores, que se usa geralmente para esquiar, descansar nos chalés nas montanhas ou – no meu caso –  colocar todas as tarefas domésticas em dia, além de estudar. Na segunda-feira, vamos ao teatro assistir à peça A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, em uma montagem norueguesa. O teatro aqui de Trondheim sempre tem boas peças em cartaz.
Vou tentar escrever com mais frequência daqui para frente, à medida que vou me livrando das tarefas pendentes.
Me livrei de mais uma!

Me livrei de mais uma!

Primeiro quero dizer que fico comovida com mensagens de leitores do blog que eu nem conheço pessoalmente com palavras carinhosas e motivadoras. Eu sei que sou péssima para manter contato virtual com leitores do blog. Eu leio muitos blogs, mas não sou de deixar comentários. Mas, mesmo assim sempre aparece um ou outro leitor que manda um recadinho.
Hoje uma professora da faculdade veio assistir minha aula de inglês na oitava série. Meu estágio de inglês está quase acabando, e a professora me deu muitos elogios. Estou aliviada por ter vencido mais esse obstáculo. Agora faltam somente três aulas e terei completado minhas 100 horas de estágio. Até meados de junho ainda terei que entregar um trabalho em grupo de 20 páginas, apresentar este trabalho em uma conferência com todos os estudantes, entregar um portfólio com meus melhores trabalhos que escrevi durante o curso e passar por uma prova oral.
Quinta-feira haverá o baile de ano novo da escola onde trabalho. Nunca estive no baile antes, mas agora que sou responsável por uma classe, sou obrigada a comparecer. Alunos, pais e professores vão jantar, dançar e se divertir durante 5 horas. Fiquei sabendo que os alunos ensaiaram uma dança ao som de «Ai se eu te pego» (vários professores vieram me perguntar o que o título da música significa) para apresentar no baile, vai ser interessante ver a coreografia.
Daqui a duas semanas vamos ter as férias de inverno, sete preciosos dias sem trabalho e faculdade. Vou ter que escrever trabalho e corrigir provas e cadernos, para variar, mas vou poder administrar os dias do jeito que eu quero. Quem sabe até me aventuro a esquiar no parque aqui perto.
Nem só as notícias ruins vêm aos baldes…

Nem só as notícias ruins vêm aos baldes…

Sopa feita pelos alunos e para os alunos

Esta semana que se encerra hoje foi talvez a mais repleta de novidades de toda a minha ainda curta história na Noruega. Tudo começou na segunda-feira, quando eu iniciei uma jornada de três dias de reuniões para realizar o projeto da escola ao ar livre na faculdade de pedagogia. Na segunda e na terça planejamos as atividades e na quarta os alunos de uma escola das redondezas vieram passar o dia conosco. O dia estava quente e ensolarado, as crianças eram muito obedientes e nenhuma nos deu problemas. O meu grupo optou por ensinar as crianças a preparar uma sopa de legumes, que cozinhamos ao ar livre. Primeiro, elas receberam a receita metade em inglês, metade em espanhol, e tiveram que traduzí-la para o norueguês. Depois tiveram que calcular quanto de cada ingrediente seria preciso para fazer sopa para 50 pessoas. E, finalmente, eles aprenderam como lavar as mãos corretamente antes de preparar alimentos e então todos começaram a picar os legumes. A sopa ficou pronta bem na hora do almoço e todos gostaram. Nosso grupo trabalhou somente no período da manhã, então depois do almoço nós pudemos observar os outros grupos. 

Na terça, depois da faculdade, eu e o Morten fomos ver um apartamento que estava à venda aqui perto. Nos últimos meses temos procurado apartamento, pois já vai fazer 3 anos que moramos aqui e não queríamos alugar o apartamento por mais três anos. Sem falar que alugar por muito tempo é um desperdício de dinheiro, pois pagamos por algo que não é nosso. O mercado de venda imóveis na Noruega, ao menos nas cidades grandes, é bem concorrido. Para se ter uma ideia, no anúncio aparece o preço pelo qual o móvel foi avaliado e o dia e horário para a visitação (geralmente 1 hora apenas).Os interessados visitam então o imóvel e perguntam o que querem saber para o corretor. Os que ainda se interessam pelo imóvel escrevem seu nome em uma lista. No dia seguinte, os interessados têm que enviar uma proposta por escrito de quanto querem pagar pelo imóvel. O corretor então envia essas propostas para o proprietário e para os outros interessados. Outros interessados podem oferecer uma quantia maior e começa aí um verdadeiro leilão pela propriedade (os lances depois do primeiro por escrito podem ser dados por telefone). Os interessados vão desistindo um por um até restar um sortudo que arremata o imóvel. Esse sistema não me agrada muito, porque o imóvel muitas vezes acaba saindo mais caro que seu valor real. Bom, continuando, na terça fomos ver esse apartamento e gostamos muito. Resolvemos participar do leilão na quarta e, logo depois de eu ter servido a sopa para os alunos na faculdade, meu marido me telefonou para dar a boa notícia: o apartamento era nosso! Nesse mesmo dia era aniversário do meu sogro e fomos visitá-lo para comemorar tanto o aniversário dele como nossa vitória.
No ônibus a caminho dos meus sogros, meu celular toca e recebo a ligação do rapaz que havia me convidado para fazer o teste do comercial em português sobre o qual comentei em outra postagem. Ele me deu outra notícia boa: o cliente gostou da minha voz e queria que eu fizesse o comercial. Daqui a pouco vou até lá e gravar o texto!
E, como se ainda não bastasse, ontem, quinta-feira, fui chamada para uma entrevista na escola onde trabalho e creio que tudo correu bem. Só vou saber se continuo na escola no final do mês, mas, pelo que eu ouvi dos chefes durante a entrevista, estou confiante.
Hoje ainda é sexta, quem sabe ainda tem outra notícia boa voando por aí…
Mas, estou muito satisfeita e grata por tudo de bom que aconteceu essa semana.
Quase acabando

Quase acabando

Esta semana que está acabando tive provas na faculdade. Segunda tive prova de didática de inglés de manhã e prova de pedagogia de tarde. Na terça tive prova de didática de línguas estrangeiras de manhã e de tarde tive somente aula de pedagogia. Na quarta e na quinta tive somente aulas. Dá um alívio não ter mais que se preocupar com isso. Ainda não sei os resultados, mas estou confiante de que me saí bem, vamos ver. Fiquei sabendo que em nossa próxima reunião em maio vamos participar de um projeto que se chama «Escola ao ar livre». Vamos ter que ir a uma floresta longe de tudo e de todos e preparar atividades ao ar livre para alunos de 5ª à 7ª série em todas as matérias (no meu caso espanhol e inglês). Um belo de um desafio, mas eu o aceitei de bom grado. Alguns colegas, pelo contrário, começaram a resmungar quando escutaram a notícia. Eu fiquei chocada em ver o quanto algumas pessoas podem ser tão negativas e destrutivas. Eu vejo isso aliás no meu dia-a-dia como professora também. Qualquer sugestão de uma projeto novo é recebida com pedradas. Não é à toa que a motivação da criançada para aprender anda em baixa. Não posso afirmar que minha profissão é um mar de rosas, mas encarar tudo com pessimismo definitivamente não ajuda. 
Agora, tenho que escrever um trabalho de inglês que deve ter entre 7 e 10 páginas. Já reuni todo o material teórico que preciso e vou fazer de tudo para terminá-lo em uma semana, pois na última semana do mês quero dedicar-me somente aos preparativos para nossa viagem de férias de Páscoa. Vai ser uma maravilha poder fugir da rotina e saber que todas as obrigações estão cumpridas. Depois da Páscoa o tempo passará voando, os dias vão ficando cada vez mais claros e a primavera começa a dar o ar de sua graça por esses lados.
Os namoradinhos de madeira Knerten e Karoline
No final de semana passado aqui em Trondheim presenciamos uma cena digna de filme enquanto estávamos, aliás, à caminho do cinema. Várias viaturas de polícia e várias pessoas sendo algemadas e imobilizadas no chão. Mais tarde ficamos sabendo que a polícia havia sido chamada para conter uma passeata de um grupo neo-nazista formado predominantemente por suecos. Há um vídeo do momento em que a polícia chegou neste link aqui. Me assusta saber que existem pessoas cruzando o meu caminho aqui na cidade que são extremamente racistas e ainda por cima violentas. Pela primeira vez depois de cinco anos aqui vejo a possibilidade de sentir na pele a intolerância contra imigrantes. Espero que esse grupo se dissolva e que ninguém seja alvo de palavras ofensivas e ataques racistas. Parece que algo mudou por aqui depois dos ataques terroristas de 22 de julho. O país ficou mais violento, se ouvem notícias de crimes violentos quase todos os dias (no Brasil infelizmente isso é normal, mas aqui não era, não) e agora esses racistas.
Agradeço muito as felicitações em razão de meu aniversário de casamento. Não fizemos nada de especial para comemorar, mas minha sogra nos deu um presente. Um bonequinho do Knerten e de sua namorada, Karoline. Nós gostamos dos bonequinhos, mas não havíamos entendido o porquê do presente até ela nos explicar. O Knerten é um galhinho de árvore falante, e como fizemos bodas de madeira, a sogrinha achou o Knerten um presente perfeito. Muito creativo.
Bom, agora tenho que voltar pro meu trabalho de inglês.

Errata 23/3: A namorada do Knerten se chama Karoline, e no Josefine como eu havia escrito antes. Retificação feita.  

Férias de inverno (ainda bem!)

Férias de inverno (ainda bem!)

Molheira do jogo de jantar que encontramos em Oslo

Estou de férias de inverno (uma semana) e estou aproveitando para escrever meus trabalhos. Tenho um  para entregar em uma semana e outro para entregar em 30 dias. No meio de março terei três provas. Este mês que está chegando vai ser muito corrido, mas felizmente quando as férias de Páscoa chegarem (mais uma semana de folga), vou poder relaxar para valer e ainda por cima vou viajar com o marido!

Mas, não estou enterrada em livros o tempo todo. No final de semana passado demos uma fugida até Oslo. Primeiro fui à embaixada para transferir meu título de eleitor do Brasil para Oslo. Dei entrada no processo e agora terei que esperar 6 meses e ainda por cima terei que ir pessoalmente até lá retirar meu título novo! Quanta burocracia! Depois passeamos, vimos um musical chamado «Sonny» na Ópera de Oslo, visitamos as ruínas depois do ataque terrorista de julho de 2011, conhecemos a Catedral de Oslo e visitamos amigos. Até encontramos um jogo de jantar completo e seminovo em um brechó. Eu e o Morten adoramos visitar antiquários e brechós, e em Oslo não poderia ser diferente. Cheguei em casa muito resfriada e não estou trabalhando tanto com os estudos na semana de férias como eu havia planejado, mas quando eu escuto colegas dizerem que nem começaram a ler os livros para a prova ou nem começaram a escrever os trabalhos, eu paro de estressar. Cada vez mais percebo que fazer as coisas direito não compensa muito não. Mas, isso fica para uma próxima postagem.
Terminei meu estágio de espanhol e agora restam somente 30 horas de inglês, que vou fazer no segundo semestre. Comecei a dar aulas de religião para substituir um professor e também comecei a dar aulas de espanhol para dois meninos com família chilena na escola primária, que fica do lado da escola onde eu trabalho. De 50% passei a trabalhar quase 70%. Aqui na Noruega, a maioria dos empregos têm o horário bem flexível. Caso a pessoa não queira ou não possa trabalhar 100% (das 8 às 16hs), pode-se negociar dias mais curtos ou dias livres na semana. Assim, o salário é calculado pelas horas que se trabalha por semana. Minha meta quando eu terminar os estudos é aumentar meu posto até 100% e trabalhar de segunda a sexta das 8 às 16. Mas, por enquanto os 70% são mais do que suficientes. O bom disso tudo é ver que quando menos se espera chove um trabalhinho aqui e outro ali. Isso me motiva ainda mais para concluir a faculdade. Estudar compensa, mas que dá trabalho, isso dá!
Mais um ano se inicia

Mais um ano se inicia

Passamos o Natal na casa dos meus sogros, desta vez com a presença dos mais novos membros da família: nossos sobrinhos. Eles ainda são muito pequenos, têm quatro meses, então não entendem nada que está se passando ao seu redor. Ano que vem será mais divertido. Ganhamos alguns presentes que havíamos comentado que precisávamos (aqui é comum os familiares trocarem lista de presentes, isso facilita muito a vida), mas, também ganhamos algumas coisas que não agradaram tanto. Eu e meu marido tentamos trocar os presentes, e só não conseguimos trocar um ainda. Pode até soar arrogante da minha parte dizer que ganhei presentes de que não gostei (não posso deixar de lembrar da minha avó dizendo «cavalo dado não se olha os dentes»), mas o que acontece aqui na Noruega é que se dá muitos presentes, coisa com a qual eu não estou acostumada, e muitas vezes essa febre de se dar tantos presentes faz com que as pessoas se estressem e comprem a primeira coisa que veem pela frente, só para se livrar da tarefa. Além do mais, moramos em um apartamento pequeno, e sinceramente meus armários estão mais do que lotados. Ganhar uma coisa que eu sei que não vou usar e ter que espremê-la em um armário já lotado de antemão não soa muito prático. Outra coisa que costumamos fazer com presentes repetidos é guardá-los para dar de presente a outra pessoa. Mês sim, mês não, tem aniversariante na família, então sempre temos que estar pensando que presente vamos ter que dar. Cansativo, na minha opinião.
Nos dias entre o Natal e o Ano Novo eu não tive que trabalhar, mas minha vida social esteve bastante corrida. Visitei uma amiga, recebemos a visita dos meus sogros e amigos, mas na véspera de Ano Novo, como de costume, só eu e meu marido. No jantar saboreamos uma iguaria norueguesa chamada Rakfisk – trutas curtidas – acompanhadas de batatas cozidas, cebola, mostarda, manteiga e pão folha (Flatbrød). O peixe se compra pronto e é só fatiar e servir. Mais prático, impossível. Às onze e meia saímos para ver os fogos de artifício e tínhamos conosco nossos próprios fogos, que soltamos em um lugar onde se é permitido soltá-los. A noite estava agradável, não fazia um frio insuportável e não estava escorregadio nas ruas.
E assim nos despedimos de 2011 e entramos em 2012. Meu marido começou no novo emprego (mesmo batlocal, mesmos batcolegas, só que foi promovido a um cargo mais alto), e eu voltei para a escola, o estágio e as leituras para a faculdade. Entre janeiro e final de março vou ter que entregar 3 trabalhos, estudar para 3 provas, e nem sei quantas provas vou ter que corrigir na escola. O estágio também consome tempo e neurônios, mas felizmente ele terminará no final de janeiro. Uma coisa ótima que está acontecendo é que a minha mentora já me pediu novamente para ser sua substituta, o que significa que ela confia no meu trabalho e eventualmente pode me indicar novamente no futuro caso a escola precise de professor. Aos poucos vou construindo minha rede de contatos profissionais.
Ainda bem que em meados de fevereiro já teremos uma semana de férias, a chamada vinterferie (férias de inverno).
O inverno por aqui está muito rigoroso. Nem tanto pelo frio e pela neve, mas por causa da falta de sol. Há pouquíssimas horas de luz e eu percebo que a falta de luz solar me dá muita fadiga. Mesmo tomando óleo de fígado de bacalhau e indo à academia, tem dias que não tenho energia para ir estudar depois do jantar (entre 18 hs e 22hs). Isso é frustrante por que se perde muito tempo precioso. Em março a luz solar começa a dar o ar de sua graça e os dias ficam mais claros.