Kategori: democracia

Cidadã de Trondheim

Cidadã de Trondheim

Vou dar uma pausa nas postagens sobre as férias para escrever que hoje fui aqui na biblioteca exercer meu dever de residente permanente em Trondheim: fui votar nas eleições municipais (kommunevalg) e estaduais (na Noruega os estados são chamados de condados, ou fylker). Este ano recebi pelo correio meu cartão de eleitora (aqui não existe um documento como o título de eleitor do Brasil – eles enviam um cartão novo cada vez que há eleição). Vou tentar explicar rapidamente como funcionam as eleições daqui.

Cada partido tem uma lista de candidatos. Quase nenhum dos candidatos é unicamente político antes de ser eleito. Quer dizer que eles têm uma outra profissão e, caso sejam eleitos, podem dedicar-se somente à carreira política ou conciliar as duas atividades. Podemos votar somente no partido ou escolher candidatos do partido que estão na cédula de votação. Ainda podemos escrever o nome de candidatos de outros partidos na cédula. Assim o nosso voto vale tanto para o partido como para esse(s) candidato(s) de outro(s) partido(s). Eu achei isso muito democrático. Além do mais, ninguém é obrigado a votar. Se não se vota, não é necessário justificar a ausência. Não se perde o direito de tirar passaporte se você não vota. As urnas abriram há várias semanas e o último dia para votar é dia 12 de setembro. Isso é bom, pois podemos votar de acordo com nossa conveniência.

Eu por enquanto só posso votar nas eleições municipais e estaduais. Caso eu me torne cidadã norueguesa, vou também ter direito a votar nas eleições do parlamento.

Fui à biblioteca munida do cartão de eleitora e de um documento de identidade (que aqui pode ser a carteira de motorista ou o cartão magnético do banco, que tem foto). Não havia fila alguma. Me deram um envelope e fui para a cabine de votação. Me dirigi à cabine de votação, onde havia uma cortina para garantir a nossa privacidade. Escolhi a cédula do partido em que eu ia votar, marquei os meus candidatos preferidos e coloquei a cédula em um envelope. Saí da cabine, entreguei o envelope ao mesário, que colocou meu envelope dentro de outro, lacrou-o e entregou-me. Depositei o envelope na urna e pronto.

Vou confessar que esta é a primeira vez na minha vida que eu me dirijo a uma cabine de votação ciente de que meu voto vai fazer uma diferença. A pessoa que receber meu voto, caso eleita, vai realmente fazer alguma coisa para melhorar a minha vida e a de todos os habitantes de Trondheim e de Sør-Trøndelag. Quem sabe um dia lá no Brasil as coisas sejam assim também.