Kategori: Natal na Noruega

Quase Natal!

Quase Natal!

Falta somente uma semana para as minhas férias de Natal. Estou muito ocupada por conta de tantas coisas para fazer na escola. Lidar com alunos, pais e colegas o dia inteiro não é fácil. Na semana que vem não haverá aulas. Na segunda-feira os alunos vão participar de um torneio de vôlei e floorball. Este esporte é muito popular aqui, mas poucos o conhecem no Brasil. Na terça haverá somente cerimônias de encerramento e aí, sim férias de Natal até o dia 3 de janeiro.

Exatamente nesta época no ano passado estava com meu querido pai no hospital. O Natal e o Ano Novo foram muito tristes por conta das idas diárias ao hospital. Espero nunca mais ter que passar por esta experiência, penso sempre nas pessoas que estão nessa situação. Posso dizer que o único aspecto positivo dessa experiência foi aprender definitivamente que temos que viver o agora, enquanto temos boa sáude. De um dia para o outro tudo pode mudar, e o tempo que pensávamos ter de sobra desaparece. Tento seguir esse modo de vida ao máximo e passei a cuidar mais de minha saúde. Passei a praticar atividade física quase que diariamente. Para nossa sorte, em janeiro será inaugurada uma academia a 5 minutos da minha casa. Eu gosto muito de treinar de madrugada, antes de ir para o trabalho. Esta academia abre às 5 horas da manhã! Eu costumo treinar às 6 hs, e depois tomo café-da-manhã servido pela própria academia. É muito prático. O inverno norueguês é muito severo, há escuridão total entre cerca de 15hs e 10 hs da manhã (isso aqui no centro da Noruega). Acordar cedo e ter energia para trabalhar e treinar não é fácil, mas estou conseguindo. 

Para alegrar meu Natal, este ano receberei a visita do meu irmão caçula, que ainda não havia viajado para a Noruega. Ele ficará aqui um mês, e foi ele que escolheu vir no inverno, apesar dos meus conselhos de não viajar para cá nessa época. Nevou muito semana passada, mas agora só chove. Talvez teremos que levar meu irmão a outras cidades onde há neve em abundância. Vamos passear muito por aqui e aproveitar essa visita do melhor modo possível.

Estou pensando em escrever, entre outras coisas, sobre o inverno norueguês. Quando estiver de férias. Em breve!

E (não tão) de repente (assim), é Natal

E (não tão) de repente (assim), é Natal

Várias vezes eu ensaiei escrever uma nova postagem aqui no blog, mas quando começava a pensar em todas as outras coisas que tinha que fazer, desistia.  Desde a última postagem em outubro, eu tenho somente trabalhado, escrito trabalhos para a faculdade, cuidado da casa e arrumado tempo para fazer exercícios físicos. Eu tinha planos de ir ao Brasil para passar o Natal e o Ano Novo, mas desisti porque teria que voltar ao trabalho já no dia 2 (eu poderia tirar uma semana extra de licença, mas aí não seria licença remunerada, o que encareceria muito a viagem). Ser professora na Noruega significa não poder tirar férias longas em outros meses do ano sem ser julho e um pouco de agosto. Mas, junho está logo aí (pensamento positivo) e então eu vou tirar minhas merecidas férias no Brasil.
Iniciei meu estágio de inglês na mesma escola onde trabalho, só que na classe de outra professora, que observa minhas aulas e me dá conselhos. Já cumpri cerca de 10 horas/aula, agora faltam mais 20. Mal vejo a hora de encerrar o estágio, ele me faz gastar muitas horas na semana – 2,5 horas/aula + preparação das aulas. Ontem ganhei meu primeiro presente de Natal de um aluno, aliás, dois alunos que são gêmeos. O encerramento de Natal na escola foi muito bonito, dois alunos cantaram, muito bem por sinal e depois os funcionários tiveram seu próprio encerramento, regado a canapés, bolos e rifa de Natal (ganhei uma garrafa de vinho tinto). Algumas semanas atrás houve a confraternização de Natal dos alunos, eu fui convidada e fiquei impressionada com o quanto os pais dos alunos trabalharam para proporcionar aos seus filhos uma confraternização perfeita.
Semana passada eu estive na polícia para renovar meu visto permanente (mesmo sendo permanente, ele vale somente por dois anos e deve ser renovado). Em vez de uma etiqueta colada no passaporte, eu recebi um cartão parecido com um cartão de banco com foto, impressões digitais e assinatura, que devo levar na carteira. O passaporte deve ser apresentado junto com o cartão somente em caso de viagem ao exterior. O atendimento na polícia melhorou muito nos últimos anos, agora não vejo mais pessoas disputando senhas a tapas e causando tumulto. Ponto para a UDI.
Vou passar o Natal com os sogros e o Ano Novo em Trondheim com o marido. Agora moramos bem perto do lugar onde a prefeitura solta fogos de artifício na virada do ano e não queremos perder o espetáculo. Volto ao trabalho dia 2 de janeiro. Ainda bem que já no dia 18 de fevereiro vamos ter uma semana de férias de inverno. Vida de professora é dura, mas nem tanto.
Feliz Natal e próspero ano novo!
Mais um ano se inicia

Mais um ano se inicia

Passamos o Natal na casa dos meus sogros, desta vez com a presença dos mais novos membros da família: nossos sobrinhos. Eles ainda são muito pequenos, têm quatro meses, então não entendem nada que está se passando ao seu redor. Ano que vem será mais divertido. Ganhamos alguns presentes que havíamos comentado que precisávamos (aqui é comum os familiares trocarem lista de presentes, isso facilita muito a vida), mas, também ganhamos algumas coisas que não agradaram tanto. Eu e meu marido tentamos trocar os presentes, e só não conseguimos trocar um ainda. Pode até soar arrogante da minha parte dizer que ganhei presentes de que não gostei (não posso deixar de lembrar da minha avó dizendo «cavalo dado não se olha os dentes»), mas o que acontece aqui na Noruega é que se dá muitos presentes, coisa com a qual eu não estou acostumada, e muitas vezes essa febre de se dar tantos presentes faz com que as pessoas se estressem e comprem a primeira coisa que veem pela frente, só para se livrar da tarefa. Além do mais, moramos em um apartamento pequeno, e sinceramente meus armários estão mais do que lotados. Ganhar uma coisa que eu sei que não vou usar e ter que espremê-la em um armário já lotado de antemão não soa muito prático. Outra coisa que costumamos fazer com presentes repetidos é guardá-los para dar de presente a outra pessoa. Mês sim, mês não, tem aniversariante na família, então sempre temos que estar pensando que presente vamos ter que dar. Cansativo, na minha opinião.
Nos dias entre o Natal e o Ano Novo eu não tive que trabalhar, mas minha vida social esteve bastante corrida. Visitei uma amiga, recebemos a visita dos meus sogros e amigos, mas na véspera de Ano Novo, como de costume, só eu e meu marido. No jantar saboreamos uma iguaria norueguesa chamada Rakfisk – trutas curtidas – acompanhadas de batatas cozidas, cebola, mostarda, manteiga e pão folha (Flatbrød). O peixe se compra pronto e é só fatiar e servir. Mais prático, impossível. Às onze e meia saímos para ver os fogos de artifício e tínhamos conosco nossos próprios fogos, que soltamos em um lugar onde se é permitido soltá-los. A noite estava agradável, não fazia um frio insuportável e não estava escorregadio nas ruas.
E assim nos despedimos de 2011 e entramos em 2012. Meu marido começou no novo emprego (mesmo batlocal, mesmos batcolegas, só que foi promovido a um cargo mais alto), e eu voltei para a escola, o estágio e as leituras para a faculdade. Entre janeiro e final de março vou ter que entregar 3 trabalhos, estudar para 3 provas, e nem sei quantas provas vou ter que corrigir na escola. O estágio também consome tempo e neurônios, mas felizmente ele terminará no final de janeiro. Uma coisa ótima que está acontecendo é que a minha mentora já me pediu novamente para ser sua substituta, o que significa que ela confia no meu trabalho e eventualmente pode me indicar novamente no futuro caso a escola precise de professor. Aos poucos vou construindo minha rede de contatos profissionais.
Ainda bem que em meados de fevereiro já teremos uma semana de férias, a chamada vinterferie (férias de inverno).
O inverno por aqui está muito rigoroso. Nem tanto pelo frio e pela neve, mas por causa da falta de sol. Há pouquíssimas horas de luz e eu percebo que a falta de luz solar me dá muita fadiga. Mesmo tomando óleo de fígado de bacalhau e indo à academia, tem dias que não tenho energia para ir estudar depois do jantar (entre 18 hs e 22hs). Isso é frustrante por que se perde muito tempo precioso. Em março a luz solar começa a dar o ar de sua graça e os dias ficam mais claros.
Um dia antes das férias de Natal

Um dia antes das férias de Natal

A confraternização de Natal da escola foi tranquila. Alguns colegas chegaram mesmo no restaurante pra lá de Bagdá e deram discursos, contaram piadas (dei boas risadas), mas, felizmente ninguém deu vexame. Fiquei decepcionada com a comida. Estava ansiosa para comer um bifão bovino com molho de cogumelos, mas estava totalmente sem tempero. Eu e meu marido conseguimos fazer um bife bem mais saboroso. Bom, agora pelo menos sei onde não vou jantar na próxima ocasião especial. Lá pelas 11 horas me despedi do povo e encontrei meu marido. Fomos a um pub escocês aqui perto de casa. Conversamos, escutamos música ao vivo e me diverti muito mais do que na confraternização.
Sábado, decoramos os biscoitinhos de pimenta com glacê e M&Ms e no domingo, fizemos as bolinhas de conhaque. Este ano estou feliz por que consegui fazer muitas comidinhas natalinas. Quinta e sexta, vou decorar a casa para o Natal. Me convenci que realmente decorar a casa dia 10 de dezembro como eu fazia em São Paulo é cedo demais. Falando em Natal, a emissora de rádio e TV estatal daqui, NRK, criou uma rádio digital que toca só música de Natal o mês inteiro. Ando escutando essa rádio ultimamente, há canções natalinas muito bonitas por aqui.
Hoje, 20 de dezembro, é talvez o dia mais escuro do inverno norueguês. Isso porque amanhã é o dia do solstício de inverno, ou seja, à partir de amanhã os dias vão ficando pouco a pouco mais claros, até culminar no dia 23 ou 24 de junho, dias em que a claridade dura mais tempo. Ouvi vários comentários de pessoas que esperam ansiosamente pelo dia 21 de dezembro, por que essa escuridão deixa muita gente pra baixo. Está amanhecendo por volta das 9hs30 min da manhã e anoitecendo às 15hs30 min aqui na minha região (lá pro extremo norte simplesmente não amanhece, as noites são eternas).
Amanhã também é o meu último dia de trabalho na escola antes do Natal. Meu marido tem um prêmio todo final de ano. Ele pode tirar metade de um dia de folga e escolhemos amanhã por que eu também vou trabalhar só na parte da manhã. Vamos na academia e depois ainda não resolvemos o que vamos fazer mas, só o fato de estar de folga é uma coisa maravilhosa.
Me despeço desejando a todos que leem e que não leem o blog um feliz Natal. Nessa época penso ainda mais naqueles que não têm nada para se alegrar na época do Natal, por isso deixo uma canção que escuto muito na rádio de Natal da Noruega. Trata-se do menino que o Papai Noel esqueceu, por que ele não tem pai.

Terapia na cozinha

Terapia na cozinha

Embora eu não tenha provas na faculdade este ano (tive provas em dezembro ano passado, retrasado e o anterior), tenho muitas coisas para ler e escrever. Em fevereiro terei que entregar dois trabalhos, em março outro, mais apresentações, resumos e provas mais para frente. Hoje, ontem e anteontem tive as últimas sessões de aulas e no final de janeiro nos reuniremos de novo. Sinto que estou aprendendo muito, e o melhor de tudo é que posso aplicar toda a teoria que aprendo na faculdade no meu trabalho. Tem muita coisa que eu não sabia, mas também muita coisa que eu já fazia e os professores mencionam. Isso significa que estou fazendo uma boa parte do meu trabalho corretamente.
Em alguns dias eu estudo muito durante o dia e no final da tarde não consigo mais me concentrar na leitura. Aí eu gosto de achar alguma receita de bolo, pão ou outra coisa e tentar fazer. Domingo passado eu e o Morten fizemos os biscotinhos de pimenta (que de pimenta não têm nada) para o Natal. A massa eu fizera dois dias antes e no domingo modelamos os biscoitos e os assamos. Neste domingo vamos decorá-los com glacê e M&Ms.
Ontem foi o dia de Santa Luzia aqui.Apesar de predominantemente protestante e atéia, a Noruega preserva uma tradição originalmente sueca de celebrar o dia da santa. Na aula de ontem eu até comentei que no Brasil dizemos que essa santa protege os olhos e eles acharam muito interessante saber disso. E faz sentido aqui, pois as crianças costumam vestir roupas de anjos e fazer uma procissão com velas, para homenagear LUZia – ou Lucia como a chamam por aqui.
Bom, voltando ao papo da cozinha, ontem eu resolvi relaxar a mente de tanto livro e aula e fui tentar fazer uns pãezinhos típicos do dia de Santa Luzia, os Lussekatter. Originalmente, a receita leva açafrão. Pedi pro meu marido comprar quando voltasse para casa do trabalho, mas ele não achou. Tenho um tempero indiano bem amarelinho que não tem sabor de nada (cúrcuma, que descobri também chamar-se açafrão da terra) e usei esse mesmo. Morten veio ajudar a modelar as Lussekatter e o resultado foi esse:

Estavam muito saborosas, crocantes por fora e macias por dentro. Não são muito doces e têm uvas passas na massa. Gostamos muito do resultado. Vou deixar a receita aqui para quem quiser se aventurar:

Lussekatter (pãezinhos doces de Santa Luzia)

Ingredientes para 40 unidades (eu fiz metade da receita):

175g de manteiga ou margarina (com a escassez de manteiga por aqui usei margarina). As medidas culinárias na Noruega são em gramas, por isso ajuda muito ter uma balancinha de cozinha.
500 ml de leite
50 g de fermento biológico seco
1/2 colher de chá de sal
Quase 200 ml de açúcar (a receita diz 100 ml + 3/4 de 100 ml, ou seja, quase 200 ml)
1 grama de açafrão (ou cúrcuma)
1 ovo
100-150 ml de uvas passas
Mais ou menos 825 g de farinha de trigo
Uvas passas para decorar
1 ovo para pincelar

Modo de preparo:

Derreta a margarina ou manteiga em uma panelinha. Adicione o leite e esquente a mistura até a temperatura alcançar 40 graus celsius (eu tenho termômetro de cozinha, que ajuda muito). O fermento seco, pelo menos na Noruega, precisa de uma solução mais quente que o fermento fresco. Se usar o fermento fresco a temperatura deve ser 37 graus Celsius. Coloque o fermento em uma tigela e despeje um pouquinho da mistura de leite e manteiga. Mexa bem. Despeje o resto do leite com manteiga,o sal, o açúcar, o açafrão ou a cúrcuma, o ovo e as uvas passas. Vá adicionando farinha de trigo e sove a massa até que desgrude da tigela. Eu usei batedeira planetária com o batedor de massa. Cubra a tigela com um pano ou um saco plástico, coloque-a em um lugar aquecido (eu costumo colocar minhas massas dentro do forno desligado) e deixe-a crescer por 30 minutos.
Despeje a massa em uma bancada enfarinhada e sove mais um pouquinho, adicionando mais farinha se necessário. Divida a massa em pedaços pequenos e faça cobrinhas com os pedaços de mais ou menos 15 cm e mais ou menos com um dedo de grossura. Forme os pãezinhos em forma de caracol, tranças, etc. Nessa foto se pode aprender alguns formatos. Coloque uma ou duas uvas passas em cada pãozinho para decorar. Depois eu fiquei pensando que as passas nos pãezinhos se parecem com olhinhos, que é o que a santa protege. Coloque os pãezinhos em uma fôrma coberta com papel manteiga, cubra a fôrma com um pano e deixe os pãezinhos crescerem mais 30 minutos.
Enquanto eles crescem, pré-aqueça o forno a 250 graus Celsius. Pincele os pãezinhos com um ovo batido e leve-os para assar durante 8-10 minutos ou até eles ficarem douradinhos.
Retire-os do forno e coloque-os em uma grade para esfriar. Na grade eles ficam sequinhos e crocantes.
(Receita tirada do livro Gyldendals store kokebok)
Mais um obstáculo superado

Mais um obstáculo superado

Hoje foi um dia que eu esperei com apreensão. Uma professora da faculdade veio até a escola onde estou fazendo estágio para fazer uma avaliação da minha aula. Tive que escrever um documento extenso onde não somente tive que escrever tudo o que faria durante a aula, mas também justificar tudo o que iria fazer. Um trabalho bem minucioso. Eu pensei que iria estar muito nervosa, mas felizmente consegui manter o controle e dei uma boa aula, segundo a avaliação da professora. Vou continuar o estágio ali até o final de janeiro e é um grande alívio ter recibido a visita da professora. Ela vem só uma vez. Depois de terminar o estágio de espanhol vou começar o de inglês, que vou tentar conseguir na escola onde trabalho.
A neve chegou pra valer por aqui e a paisagem fica belíssima, mas o meu maior problema no inverno começa: as ruas escorregadias. Ainda não tive que usar as minhas solas de gelo, mas passei a levá-las na mochila caso eu necessite.

Outro dia vi um filme chamado «Julie & Julia», sobre uma blogueira que decide fazer todos os pratos de livro de receitas de uma famosa cozinheira americana. Eu gostei muito. Também vi «Somewhere» da mesma diretora de «Lost in Translation», que eu adorei, mas me decepcionei. A nossa fornecedora de TV à cabo liberou o sinal de todos os canais durante um período e domingo eu assisti a uma minissérie da HBO chamada «Mildred Pierce». Foi uma série muito longa, mas muito interessante.

Dentro de pouco mais de uma semana vou a um jantar de confraternização da escola. Este ano eles resolveram não fazer uma festa em um salão (Julebord), mas um jantar em restaurante. Podemos escolher o que vamos comer com antecendência e, como comprar bebida em restaurante é muito, mas muito caro, creio que muitos vão aparecer no restaurante já com umas a mais (haha, adoro usar expressões que não usava há séculos). Sim, por que essas confraternizações são para quase todos sinônimo de ficar bêbado, soltar a franga (haha, de novo) e aparecer no trabalho dias depois como se nada tivesse acontecido. Eu particularmente não gosto nada desse tipo de comportamento e me sinto um peixe fora d’água nesses eventos. Primeiro por que eu bebo muito pouco e não vejo a menor graça em passar da conta e dar show. Mas, como tenho que fazer um social, me convenci a comparecer nesse jantar. Relatos sobre a noite virão. Além do mais será em um restaurante bem famoso daqui e vou comer carne bovina (que não entra na minha geladeira faz um bom tempo devido ao preço).
Falando em comida, a Noruega está passando por uma grande escassez de manteiga no mercado. Por falta de matéria prima e da por causa da tal dieta baixa em carboidratos a manteiga simplesmente sumiu das prateleiras. Nós demos sorte e conseguimos garantir meio quilo de manteiga para fazer os biscoitinhos de pimenta e as bolinhas de conhaque. A Noruega está providenciando a importação de manteiga, mas até agora nada. Se bem que, mesmo se amanhã milhares de potes de manteiga francesa aparecessem nas geladeiras dos mercados, muitos noruegueses não comprariam. Isso porque aqui existe uma espécie de ultranacionalismo em relação aos produtos alimentícios. Por exemplo, nas embalagens de carne vem escrito norsk kjøtt (carne norueguesa), e muitos não passam nem perto de produtos que não tenham essa inscrição (norsk + produto). Essa eu também não entendo, pois embora muitos produtos noruegueses sejam excelentes, existe muitos produtos de outros países que são de qualidade superior aos noruegueses. E não raramente aparece no noticiário que crianças e adultos têm intoxicação alimentar que contraíram depois de comer carne norueguesa.
Ainda no assunto comida, uma leitora comentou que não conhece o Gløgg. Trata-se de uma bebida servida no mês de dezembro que lembra muito o quentão das festas juninas. Basicamente ela é feita de frutas, especiarias e opcionalmente bebidas alcóolicas como vinho ou álcool destilado (é, coisa de norueguês). Eu compro o Tomte Gløgg, que vem pronto. Olha a foto do frasco:

Misturamos uma parte de Gløgg e duas partes de água e levamos a mistura ao fogo quase até ferver. Outro dia adicionamos um pouquinho de rum e ficou muito bom. Para completar picamos amêndoas, misturamos com uvas passas e adicionamos à caneca de Gløgg. Essa bebida se saboreia devagar e ao final, com uma colherzinha de chá, comemos as passas e as amêndoas que sobraram no fundo. É muito bom!

Nossa, era para ser uma postagem curta e ficou gigante…
Até que enfim!

Até que enfim!

Hoje fiz minha última prova na faculdade. Foram semanas estudando para a prova de História Moderna após 1850 e Introdução à Economia. Trabalhar três vezes por semana, mais o trabalho de estudante assistente em espanhol reduziram muito meu tempo para estudar. Perdi finais de semana enterrada entre livros e não tenho ambições de conseguir uma boa nota, mas este semestre eu me dou por feliz só por ser aprovada.

Entre uma sessão de leitura e outra nós arrumamos um tempinho para decorar a casa pro Natal. Aqui na Noruega eles decoram a casa só na semana do Natal, mas eu estou acostumada a montar a àrvore dia 10 de dezembro. Este ano nós também montamos um presépio, coisa que eu já queria fazer faz tempo. Engraçado que a maioria dos noruegueses não associa o Natal ao nascimento de Cristo, mas tem muitos presépios para vender.

Os professores de espanhol da faculdade queriam muito que eu continuasse como assistente no semestre que vem, mas eu tive que recusar o convite. Mesmo lecionando poucas horas eu usava muito tempo para me preparar, e isso reduzia meu tempo ainda mais. Valeu a experiência, vou receber um diploma e uma carta de recomendação dos professores que vou anexar ao meu currículo, que vai ficar bem mais valorizado.

Na escola em que trabalho vai tudo bem, aos poucos eu vou aprendendo a rotina de uma professora na Noruega e adquirindo experiência. Estou gostando muito de lecionar espanhol e foi muito bom voltar a lecionar inglês depois da pausa. Mas, sinto que preciso urgentemente de tirar a ferrugem do inglês, já que nos últimos 4 anos só falo norueguês, espanhol e um pouco de português. Combinei com o Morten que todo domingo vamos só conversar em português para que ele comece a adquirir fluência.

Amanhã eu vou pela primeira vez a um «Julebord», a confraternização de fim de ano que as empresas fazem por aqui. A escola em que eu trabalho vai fazer a Julebord numa antiga escola que agora é alugada para festas. Há duas opções de jantar natalino, o ribbe (costela de porco assada) e o pinekjøtt (carne de cordeiro salgada e cozida). Eu escolhi ribbe por que acho carne de cordeiro muito forte e também por que estou acostumada com ribbe, que sempre é servido nos jantares natalinos na casa dos meus sogros. Alguns professores vão levar bolos e doces e cada um é responsável por levar sua própria bebida na festa. Aliás é com isso que eu estou mais preocupada. Eu já ouvi falar e até testemunhei o quanto a maioria dos noruegueses extrapola com a bebida em festas. Eu não sou fã de bebida alcoólica e me sinto desconfortável em companhia de pessoas embriagadas. Vamos ver o que acontece amanhã.

O Morten vai caçar no final de semana e eu vou tentar fazer os pepperkaker, os biscoitinhos à base de cravo e canela que não podem fazer falta no Natal. Achamos umas forminhas diferentes e não vejo a hora de moldar os pepperkaker com elas. Como é bom estar livre de provas! Vou trabalhar só na segunda e na terça na escola (na verdade nem vou lecionar, vou só participar das atividades de encerramento das aulas). Aí vou ter duas semanas de folga e dia 3 de janeiro já volto ao batente. Ao contrário do Brasil não há férias escolares longas em janeiro, só em julho e agosto.

Agradeço as mensagens das pessoas que sentiram falta de novas postagens no blog. Embora eu não tenha idéia de quantas pessoas leem as postagens aprecio as mensagens. Feliz Natal e feliz ano novo para todos!

O que aconteceu no meu Natal

O que aconteceu no meu Natal

Como eu passei o Natal no Brasil em 2008, este ano foi muito estranho ter que passar o Natal aqui na Noruega. Mesmo assim, posso dizer que passei um Natal bem agradável. Já na antevéspera de Natal fizemos o ritual do risgrøt, e meu marido que ganhou (só que quem ficou com o prêmio fui eu). Na véspera acordamos cedo e nos arrumamos antes das 13 hs, por que queríamos assistir a missa de Natal na catedral de Nidaros, cartão postal de Trondheim. Ouvimos dizer que a catedral lota bem antes de a missa começar, então chegamos lá uma hora antes do horário. Valeu a pena, pegamos um lugar muito bom. A missa foi uma experiência inesquecível por que, além de estar numa catedral milenar, a missa contou com a presença do Coro dos meninos da catedral de Nidaros. Eles cantaram obras maravilhosas, entre elas «Hallelujah» de Haendel.
Da igreja pegamos o ônibus para a casa dos meus sogros. Minha sogra decorou a casa com muitos enfeites e um Papai Noel gigantesco:

A noite seguiu com um jantar natalino, distribuição dos presentes e a visita de dois Papai Noéis:

No dia seguinte, café da manhã e voltamos para casa. Ganhamos felizmente presentes que estávamos precisando e todos pareceram estar satisfeitos com os presentes que demos também.
O resto do feriado de Natal foi tranquilo (está muito frio por aqui agora) e meu marido infelizmente pegou um resfriado que o deixou de molho por uns dias.
Nosso Ano Novo também será tranquilo aqui no apartamento, só nós dois. Talvez vamos assistir aos fogos de artifício no centro. No Ano Novo fico mais animada que no Natal. O Ano Novo também se tornou um dia especial para nós, por que foi na virada do Ano de 2006 para 2007 que meu marido me pediu em casamento.

Cardápio natalino norueguês

Cardápio natalino norueguês

Desde que vim parar na Noruega, não creio que ainda tenha escrito um post detalhado sobre as comidas natalinas norueguesas servidas no dia da ceia. Para começar, a ceia de Natal aqui começa cedo em comparação com o Brasil: cerca de 17 hs. O prato principal varia entre basicamente três tipos, dependendo da família e da região:

1. Ribbe (costela de porco)
Uma peça de costela relativamente grande é assada no forno e grelhada nos minutos finais do preparo para deixar o toucinho da costela crocante. Junto com a costela costuma-se servir bolinhos de carne chamados de medisterkaker e umas salsichinhas chamadas sossiser. Como acompanhamento, batatas cozidas, repolhos branco e roxo azedos (surkål, mais conhecido como o chucrute da cozinha alemã) e legumes cozidos (couve de bruxelas é uma variante não muito comum no Brasil).

2. Pinnekjøtt (literalmente, carne de estacas, ou carne no bafo)
Pedaços de carne de carneiro com osso cozidas no vapor sobre estacas de madeira. Nunca experimentei. Os acompanhamentos costumam ser batatas cozidas e purê de repolho.

3. Lutefisk (literalmente, peixe na soda)
A parte mais nobre do bacalhau curtida em soda cáustica, o que dá ao peixe uma consistência e sabor diferentes. O peixe é cozido em água e sal e servido com batatas cozidas, toucinho frito em cubos, e às vezes purê de ervilhas.

A sobremesa mais famosa é o moltekrem, creme de mirtilos. Trata-se de uma fruta silvestre amarelinha batida com chantilly. Durante o café servem-se os famosos biscoitinhos natalinos. Segundo a tradição, cada família tem que ter 7 tipos de biscoitinhos em casa. Eu tenho só dois tipos, pepperkake e bolinhas de conhaque. Outros tipos de biscoitinhos são goro, krumkake, nøttetopper, fattigmann, etc.

Quando eu penso no Natal brasileiro, sinto falta dos aperitivos servidos antes do jantar (pelo menos na minha família é assim), de esperar até meia-noite para abrir os presentes (aqui os presentes são abertos depois do jantar, umas 19 hs) e do panettone.

Meu primeiro presente já chegou

Meu primeiro presente já chegou

Ontem tirei o dia para fazer faxina geral em casa. Agora a casa está praticamente pronta para o Natal. Vamos passar a véspera com meus sogros, mas o dia de Natal vamos passar aqui. Além do mais vamos receber visita no final de semana. Em uma pausa da limpeza, decidi checar o site que publica as notas das provas e lá estava: História e cultura da América Latina: A!!! :D. Esta notícia alegrou o meu dia, que aliás estava cinzento e com muita, muita neve. Aqui é o telhado do nosso apartamento:

Hoje é meu último dia de trabalho antes do Natal. Semana que vem vou trabalhar de dia por que o jardim de infância estará fechado. As aulas começam só no meio de janeiro. Hoje também é o que os noruegueses chamam de Lille Juleaften (Pequena véspera de Natal) e dia da tradição do risgrøt (uma variante do arroz doce brasileiro, só que servido quente). Ao preparar o arroz, vou colocar uma amêndoa na panela. Quem achar a amêndoa em seu prato ganha um porquinho de marzipã (eu vou trocar o porquinho por marzipã de Natal). E depois, claro, vamos ver o filme da condessa e do mordomo.
Como este é o último post antes do Natal, vou deixar uma música natalina norueguesa para desejar a todos Feliz Natal!. É um salmo cantado em nynorsk (o outro idioma oficial da Noruega) por Sissel Kyrkjebø e Odd Nordstoga.