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E mais um ano novo começa

E mais um ano novo começa

Primeiro quero expressar minha tristeza ao ver imagens das fortes enchentes no Brasil pela TV.

Passei o Natal com a família do meu marido e estava um frio, mas um frio…nunca havia feito tanto frio no Natal como este ano desde que cheguei aqui. A temperatura estava em torno de 22 graus negativos e não estava nevando. Eu acho lindo quando neva muito no Natal, mas este ano tive que me contentar só com o frio e com gelo nas calçadas. Não saio mais de casa sem brodder nos sapatos, as famosas solas com tachinhas para não escorregar.

O Ano Novo passamos aqui em casa só nós dois com jantar e depois fomos ver os fogos de artifício. A temperatura subiu um pouco e o resultado foi neve e gelo derretido nas ruas, o que dificultava andar de tão escorregadio e ensopado que estava.

Logo na segunda-feira, dia 3 de janeiro lá estava eu na escola para planejar o novo semestre letivo. Eu havia recebido uma proposta para aumentar minhas horas na escola, mas resolvi recusar. Ano passado eu assumi mais compromissos do que deveria e meu tempo ficou muito reduzido, o que fez com que eu tivesse muito pouco tempo para estudar. Não lembro se escrevi aqui, mas eu resolvi não continuar como estudante assistente na faculdade por esse mesmo motivo. Recebi uma das notas do ano passado e estou muito satisfeita, agora falta só mais uma.

Então, este ano vou me dividir entre a escola três dias na semana e a faculdade dois dias por semana. Vou ter duas matérias: Uma se chama introdução às ciências políticas. Vou estudar a estrutura política da Noruega e de outros países e também temas como corrupção, muito interessante. A outra matéria, mais interessante ainda para mim é introdução à sociologia. Já folheei os livros e acho que vou gostar muito. Em agosto vou iniciar a última etapa obrigatória dos meus estudos na Noruega, vou estudar pedagogia ao longo de dois anos. Eu tenho a opção de estudar um ano só, mas neste caso teria que parar de trabalhar para me dedicar somente aos estudos, já que o curso é intensivo e controla a presença dos estudantes. Como eu gosto muito do meu trabalho, decidi pelo curso flexível de dois anos. Assim vou poder trabalhar e vou estudar ao mesmo tempo. Depois de ter terminado Pedagogia creio que vou estudar mais um pouquinho para obter um bacharelado, ou em inglês ou em espanhol, assim meu nível salarial aumenta mais um pouco. Mestrado e doutorado não estão nos meus planos, então acho que em 3 ou 4 anos vou ter encerrado minha carreira acadêmica. Mas, não sei se vou parar de estudar completamente, vamos ver o que acontece.

Estou sem meu laptop por que tive que mandá-lo para o conserto por causa de um probleminha no monitor. Mas, para minha surpresa, a loja me emprestou um laptop até que o meu esteja pronto. Fiquei positivamente surpresa. Na terça-feira fui até a polícia e retirei meu passaporte com a nova etiqueta contendo meu visto permanente. Não vou precisar me preocupar com isso até 2013. Aí é só ir até a polícia – sem pegar fila – e pedir que colem uma nova etiqueta que valerá por mais dois anos. Mal posso acreditar que o pesadelo dos vistos chegou ao fim, agora posso viajar ao Brasil quando eu quiser!

Falando em visto, esta semana aqui na Noruega uma moça da Rússia de 25 anos que havia vindo para cá como refugiada junto com os pais há mais de 10 anos foi presa e está para ser deportada. Ela persistiu em ficar na Noruega mesmo depois de as autoridades terem negado o seu pedido de asilo no país. Além disso, ela conseguiu se matricular na faculdade e obteve um mestrado – tudo isso sem documentos noruegueses! Ano passado ela escreveu um livro onde narra sua vida como ilegal na Noruega. Ontem houve muitos protestos aqui em Trondheim apelando para que as autoridades a deixem ficar. Eu não tenho absolutamente nada contra a moça e contra outros imigrantes ilegais. O que eu não entendo é um sistema que deixa alguns ficarem aqui de forma ilegal e deporta outros. Embora meu caso seja completamente diferente, eu e meu marido procuramos desde o princípio cumprir com a lei e obter toda a papelada para eu emigrasse legalmente. E nesse período fiquei sabendo de emigrantes que vieram na mesma condição que a minha -com namorados(as) e noivos(as) aqui e não fizeram tudo o que eu tive que fazer. E nem é culpa deles, por que se o sistema não presta atenção sempre tem que tente o jeitinho mais fácil. É culpa do sistema que deixa passar. Eu acho que, ou as autoridades liberam os vistos, deixando que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo possa vir para cá, ou as autoridades cumprem suas próprias leis, deportando quem está ilegal e não perturbando quem está aqui legalmente. Depois de quatro anos aqui eu vi, ouvi e li muito sobre imigrantes e sei que cada história tem dois lados.

E assim vão passando os dias na Noruega, no meio de um inverno implacável, as ruas ‘ensaboadas’ de gelo, muitas saudades do verão do Brasil e aguardando ansiosamente uma viagem muito especial que vamos fazer…O bom de se trabalhar tanto é que podemos nos dar presentes de vez em quando sem peso na consciência!

Enquanto isso, na Noruega…

Enquanto isso, na Noruega…

…deu no jornal de hoje. Um homem se apresentou na penitenciária de Trondheim para cumprir sua pena no dia marcado. O policial que recebeu notou que o homem estava bêbado e se recusou a admití-lo na prisão. Mandou o presidiário ir embora e voltar quando estivesse sóbrio. O homem, então, querendo aproveitar o dia livre, foi para a balada. Pegou um táxi, mas não quis pagar a conta, fugindo do taxista. Mais tarde o homem foi preso e levado para a cadeia, onde passou a noite, ficou sóbrio e então pôde se admitido na penitenciária para cumprir sua pena.

Notícia tirada daqui: http://www.adressa.no/nyheter/sortrondelag/article1513335.ece

Encontro marcado com o Brasil

Encontro marcado com o Brasil

O frio implacável deu uma trégua aqui em Trondheim. As temperaturas, antes baixíssimas, subiram, mas uma temporada de chuvas e tempestades se instalou por aqui. Hoje de manhã resolvi ir a pé até a escola de norueguês para estrangeiros mais próxima para checar minha papelada, já que em abril darei entrada no meu visto permanente e só chovia e ventava. Pensei que com a elevação da temperatura o gelo tinha derretido, mas me enganei. Algumas calçadas estavam um sabão e eu, sem as minhas solas para andar no gelo, tive que andar com atenção redobrada. Dei meia volta, andei devagarinho, até que enfim cheguei até a escola. Felizmente, minha papelada estava em ordem. A regra aqui é que quem vai dar entrada no visto permanente (que pode ser requerido depois de 3 anos de residência no país) deve ter cumprido as horas obrigatórias do curso de idioma e sociedade noruegueses ou ter passado nas provas escrita e oral de norueguês do nível 3. Eu passei nas provas e recebi dispensa do curso obrigatório em 2008.

De lá peguei um ônibus e fui até um hipermercado, onde, para minha surpresa, achei mandioca! Tratei logo de comprar uma para experimentar, estava deliciosa. Isso foi uma tremenda coincidência, pois de manhã eu e meu marido havíamos comprado nossas passagens para o Brasil! Vamos em agosto e já estamos contando os dias e fazendo planos.

Aproveitando que hoje é o Dia Internacional da Mulher, vou contar um fato que criou muita polêmica por aqui na semana passada. A rampa de salto em esqui de Holmenkollen, em Oslo, foi totalmente reconstruída e, para dar o primeiro salto na nova rampa haviam escolhido a saltadora Anette Sagen. Por incrível que pareça, as saltadoras não podem competir em eventos oficiais como jogos olímpicos, por exemplo, então escolheram a Anette para homenageá-la. Acontece que horas antes do evento oficial um saltador teve a cara de pau de ir treinar na nova rampa, acabando com o barato da moça. Houve uma revolta generalizada, o atleta que saltou foi suspenso e se desculpou na TV, mas a maioria não engoliu o que ele fez. A Anette acabou saltando, mas aí o foco do evento estava no rapaz que roubou a cena. Há quem diga que fizeram tempestade em copo d’água por que quando ele saltou não havia imprensa nem público no local, enquanto outros acham que ele fez isso de propósito por pura inveja da moça.

Falando na Anette Sagen, estou lembrando de um filme norueguês muito bom que eu vi ano passado e se chama O’Horten (tem no Brasil e se chama «Caro Senhor Horten» – até no You Tube tem). Ela faz uma ponta nesse filme como a mãe do protagonista. A música desse filme é maravilhosa, vou deixar aqui um vídeo com a música tema.

Para quem pensa que a Noruega é perfeita

Para quem pensa que a Noruega é perfeita

Esta semana os maiores jornais da Noruega publicaram uma notícia no mínimo chocante. Uma garota norueguesa que estava presa na Bolívia porque tentou sair do país com muitos quilos de cocaína conseguiu fugir da cadeia, foi até a embaixada norueguesa e os funcionários, mesmo sabendo que ela era fugitiva, deram a ela um novo passaporte norueguês. Ela conseguiu sair da Bolívia via Chile e França.

Há algumas semanas se tornou pública outra história igualmente chocante. Um ex-atleta marroquino com cidadania norueguesa vivia com os filhos que teve com uma mulher norueguesa no Marrocos. Eis que soldados noruegueses foram contratados (aparentemente pela embaixada norueguesa) para raptar as crianças e levá-las de volta a Noruega para ficar com a mãe. O pai está revoltado e anda falando muito mal das autoridades norueguesas na imprensa.

Sabendo dessas duas trapalhadas das autoridades norueguesas, não dá para não pensar em um outro caso ainda não resolvido. Há cerca de dois anos, uma norueguesa que estudava em Londres foi assassinada por um colega de faculdade do Iêmen. Ele fugiu para a terra natal e continua lá, livre leve e solto, apoiado pela família, riquíssima e protegido pelo fato de não haver tratado de extradição entre a Inglaterra e o Iêmen.

Aí vem a pergunta: como a Noruega poderá exigir justiça no caso do assassinato em Londres, quando apronta tantas por outro lado? Apesar de ser um país excelente em muitos aspectos, ainda há muito o que aperfeiçoar no que se refere a assuntos políticos e diplomáticos.