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Um episódio de racismo na Noruega

Um episódio de racismo na Noruega

Ontem, lendo o jornal local da cidade em que resido na Noruega, me deparei com esta notícia aqui, publicada dia 16 de novembro. Segue a tradução abaixo:

Agredida e xingada de «svarting» no meio da rua

Em dois episódios diferentes, Maya (22) e Halat (20) teriam sido vítimas de agressão física e xingamentos na rua Munkegata em Trondheim.

Por Børge Sved

Maya Saleh (22) e Halat Hassan Mohammad (20) contam que não se sentem seguras quando andam sozinhas em Trondheim após terem sofrido as agressões, ocorridas com menos de uma semana de intervalo entre si.
Saleh diz que percebe que há um outro clima após o triplo assassinato no condado de Sogn og Fjordane, quando um homem que pedia asilo político na Noruega assassinou três pessoas (N. da T.: os assassinatos ocorreram dentro de um ônibus. O motorista, um homem sueco e uma moça norueguesa morreram).
– Tem sido mais frequente. Cada vez que algo assim acontece e há um estrangeiro por trás do episódio, eu noto que as pessoas ficam mais céticas comigo durante um período. Eu creio que talvez os assassinatos do ônibus tenham algo a ver com isso, diz Saleh.

Gritou «Svarting»

Foi na segunda-feira à noite mais ou menos às 23hs que Maya Saleh estava esperando o ônibus na rua Munkegata. Ela havia passado no mercado Kiwi um pouco mais adiante na rua e estava a caminho de casa, quando uma mulher de repente teria começado a gritar com ela.
– Primeiro ela gritou «svarting» (termo pejorativo para xingar pessoas de pele escura). Eu pensei que ela estava bêbada e decidi ignorá-la. Mas, ela se aproximou mais e mais e de repente ela estava logo atrás de mim. Então ela começou a me empurrar e a dizer que pessoas como eu são o motivo pelo qual há gente pobre morando na rua na Noruega, conta Saleh.

Partiu para o ataque

Saleh é da Síria, mas veio para a Noruega como refugiada aos 11 anos de idade. A família vive em Arendal, mas Saleh tem nos últimos anos estudado Ciências Políticas em Trondheim. Ela diz nunca ter passado por algo semelhante.
– Estava bem claro que a mulher me abordou por causa da cor da minha pele. Ela dizia o tempo todo que estrangeiros se aproveitam do NAV (N. da T.: serviços de assistência social da Noruega) e que nós imigrantes roubamos o dinheiro deles. Então os ataques começaram a ir mais para o lado pessoal. Ela disse coisas feias sobre a minha família. Eu fiquei indignada e disse que este é o meu país. Então ela começou simplesmente a repetir o que eu dizia em um tom sarcástico, ao mesmo tempo em que me empurrava cada vez mais e tentou arranhar meu rosto. Foi então que eu tive que jogar minhas sacolas de compras no chão e me defender, conta Saleh.

Cusparadas e puxadas de cabelos

Apenas alguns dias antes disso, teria ocorrido um ataque semelhante na rua Munkegata. Halat Hassan Mohammad conta que ela foi atacada e repreendida por uma mulher na quinta-feira da semana anterior. 
– Eu havia saído do trabalho às nove horas e andava sozinha pela rua. De repente, uma mulher começou a falar inglês comigo. Eu perguntei se ela poderia falar norueguês. Então ela começou a  dizer  «Você chama as norueguesas de prostitutas». Eu disse que não, eu não faço isso. Então ela cuspiu em mim e me chamou de «prostituta maldita». Ele começou a me acusar pelos assassinatos no Oeste da Noruega (N. da T.: os assassinatos do ônibus), conta Mohammad.
Ela tentou sair do local, mas a mulher a pegou pelos cabelos e a impediu de ir embora.
– Eu me virei e perguntei o que ela queria. Ela então respondeu que ia me dar uma surra, diz Mohammad.

Conseguiu ajuda

Tanto Saleh como Mohammad tiveram ajuda de pessoas que passavam pelo local e seguraram a mulher que as agredia. Saleh foi ajudada por um homem que também estava à espera do ônibus. Ele a tirou de longe da mulher e a levou para uma loja de conveniência nas proximidades.
– Quando entrei lá eu tive um ataque de nervos e comecei a chorar. Eu sinto que a Noruega é meu país, que estou bem integrada. Eu fiquei em estado de choque após o acontecido e não entendo como coisas assim podem acontecer. O que aconteceu segunda-feira foi muito triste, conta Saleh.

– Uma mulher comum

As duas moças vêm de partes diferentes do país e não se conhecem. As duas deram queixa na polícia.
– Era uma mulher comum que me agrediu, ela não estava bêbada e nem era viciada em drogas. Eu percebi isso pela sua maneira de falar e pelo modo de bater. Ela tampouco parecia estar mentalmente desequilibrada. Mas ela era norueguesa, aparentava ter cinquenta anos no mínimo, um pouco mais baixa do que eu e falava o dialeto de Trondheim, mas não tão carregado, diz Saleh.
Mohammad também acha que a mulher que a atacou não estava alterada. Ela acha que o episódio pelo qual Saleh passou parece muito com o que ela própria vivenciou.

Sem comentários

A Polícia confirma que os dois casos estão sob investigação, mas não quer divulgar mais detalhes.
A Polícia não quer comentar se os casos têm ligação entre si.

Nervosas

Saleh conta que ela sempre se sentiu segura em Trondheim durante o tempo que tem estudado lá. Porém, agora ela diz que se sente mais insegura quando se desloca sozinha pela cidade.
– Fico feliz por haver pessoas presentes quando tudo aconteceu, e pelo fato de ter sido uma mulher quem me  agrediu. Eu senti que tinha controle sobre ela. Se tivesse sido um homem e se eu o tivesse encontrado na rua, eu acho que eu teria me ferido, conta ela.
Mohammad diz que ela também sente medo após ter sofrido a agressão.
– Já não me sinto mais segura, quem sabe o que ela é capaz de fazer, diz Mohammad.

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É uma noticia triste de se ler, pois para mim Trondheim é um lugar muito seguro para se viver. Porém, infelizmente há algumas pessoas que gostam de generalizar e achar que todos os estrangeiros têm mau caráter. Uma vez, eu e meu marido presenciamos uma mulher (seria a mesma mulher que atacou Maya e Halat?) xingando um rapaz. Ela disse, entre outras coisas: «Volte para o lugar de onde você veio!». Espero nunca passar por isso, mas caso aconteça, espero poder explicar que eu sempre trabalhei e paguei meus impostos  e que nunca fui parasita do NAV. O novo governo da Noruega é formado por partidos que sempre tiveram a clara intenção de limitar a entrada de imigrantes, e há tanto quem defenda esta postura como quem condene. Eu creio que a grande maioria dos imigrantes está aqui para trabalhar honestamente e se integrar.

Quase acabando

Quase acabando

Esta semana que está acabando tive provas na faculdade. Segunda tive prova de didática de inglés de manhã e prova de pedagogia de tarde. Na terça tive prova de didática de línguas estrangeiras de manhã e de tarde tive somente aula de pedagogia. Na quarta e na quinta tive somente aulas. Dá um alívio não ter mais que se preocupar com isso. Ainda não sei os resultados, mas estou confiante de que me saí bem, vamos ver. Fiquei sabendo que em nossa próxima reunião em maio vamos participar de um projeto que se chama «Escola ao ar livre». Vamos ter que ir a uma floresta longe de tudo e de todos e preparar atividades ao ar livre para alunos de 5ª à 7ª série em todas as matérias (no meu caso espanhol e inglês). Um belo de um desafio, mas eu o aceitei de bom grado. Alguns colegas, pelo contrário, começaram a resmungar quando escutaram a notícia. Eu fiquei chocada em ver o quanto algumas pessoas podem ser tão negativas e destrutivas. Eu vejo isso aliás no meu dia-a-dia como professora também. Qualquer sugestão de uma projeto novo é recebida com pedradas. Não é à toa que a motivação da criançada para aprender anda em baixa. Não posso afirmar que minha profissão é um mar de rosas, mas encarar tudo com pessimismo definitivamente não ajuda. 
Agora, tenho que escrever um trabalho de inglês que deve ter entre 7 e 10 páginas. Já reuni todo o material teórico que preciso e vou fazer de tudo para terminá-lo em uma semana, pois na última semana do mês quero dedicar-me somente aos preparativos para nossa viagem de férias de Páscoa. Vai ser uma maravilha poder fugir da rotina e saber que todas as obrigações estão cumpridas. Depois da Páscoa o tempo passará voando, os dias vão ficando cada vez mais claros e a primavera começa a dar o ar de sua graça por esses lados.
Os namoradinhos de madeira Knerten e Karoline
No final de semana passado aqui em Trondheim presenciamos uma cena digna de filme enquanto estávamos, aliás, à caminho do cinema. Várias viaturas de polícia e várias pessoas sendo algemadas e imobilizadas no chão. Mais tarde ficamos sabendo que a polícia havia sido chamada para conter uma passeata de um grupo neo-nazista formado predominantemente por suecos. Há um vídeo do momento em que a polícia chegou neste link aqui. Me assusta saber que existem pessoas cruzando o meu caminho aqui na cidade que são extremamente racistas e ainda por cima violentas. Pela primeira vez depois de cinco anos aqui vejo a possibilidade de sentir na pele a intolerância contra imigrantes. Espero que esse grupo se dissolva e que ninguém seja alvo de palavras ofensivas e ataques racistas. Parece que algo mudou por aqui depois dos ataques terroristas de 22 de julho. O país ficou mais violento, se ouvem notícias de crimes violentos quase todos os dias (no Brasil infelizmente isso é normal, mas aqui não era, não) e agora esses racistas.
Agradeço muito as felicitações em razão de meu aniversário de casamento. Não fizemos nada de especial para comemorar, mas minha sogra nos deu um presente. Um bonequinho do Knerten e de sua namorada, Karoline. Nós gostamos dos bonequinhos, mas não havíamos entendido o porquê do presente até ela nos explicar. O Knerten é um galhinho de árvore falante, e como fizemos bodas de madeira, a sogrinha achou o Knerten um presente perfeito. Muito creativo.
Bom, agora tenho que voltar pro meu trabalho de inglês.

Errata 23/3: A namorada do Knerten se chama Karoline, e no Josefine como eu havia escrito antes. Retificação feita.