Kategori: Trabalho

Último dia de férias

Último dia de férias

Hoje chegam ao fim minhas férias de verão (infelizmente um verão que deixou muito a desejar, com chuva e frio na grande maioria dos dias). Ontem fomos ao casamento do meu cunhado e eu me diverti muito. Há muitas diferenças entre uma recepção de casamento norueguesa e uma brasileira, pode ser um assunto para uma das próximas postagens.

Aqui há uma lista de algumas das coisas boas que fiz durante as minhas férias:

  • Vi os reis da Noruega de perto logo no começo das férias.
  • Me tornei cidadã norueguesa e tirei meu passaporte.
  • Emagreci muito graças à muita disciplina e muita atividade física
  • Li muitos livros
  • Assisti muitos filmes e séries
  • Montei um quebra-cabeça de 1500 peças e outro de 1000 peças
  • Aprendi muito sobre maquiagem, organização da casa e muitas outras coisas assistindo a vídeos no You Tube
  • Entrei na faculdade de novo
  • Já comecei a ler os livros para a matéria que vou cursar na faculdade
  • Fui para o chalé nas montanhas

Eu por várias vezes quis gravar o vídeo mostrando o meu bunad. Arrumei a câmera com tripé e tudo, mas sempre tinha alguma coisa que não estava do jeito que eu queria. Um dia esse vídeo sai.

Amanhã então retorno à escola para três dias de planejamento. Os alunos voltam às aulas na quinta-feira. Estou curiosa para ver meu novo escritório, houve uma reforma durante as férias e eu tive que encaixotar todas as minhas coisas. Amanhã já sei que terei que organizar tudo de volta aos seus devidos lugares.

Eu pretendo planejar muito bem meus dias, dedicar tempo depois do jantar para estudar e preparar aulas. Não pretendo deixar a atividade física de lado, pois é exatamente isso que me dá energia para fazer tudo que quero durante um dia corrido. Tampouco quero descuidar da alimentação. Em uma escola sempre tem um bolo tentador, bombons por todos os cantos, alunos vendendo pizzas, pães doces e cachorros-quentes. Vou levar comida saudável nas minhas marmitas para não ter que apelar para as tentações.

Um pouco de tudo que se acumulou

Um pouco de tudo que se acumulou

A crise do petróleo da Noruega

Uma coisa que eu jamais pensei que aconteceria. O preço do petróleo está em baixa, e isso atingiu a indústria petrolífera aqui da Noruega, antes próspera e livre de riscos. Antes, engenheiros tinham emprego garantido antes de concluirem a faculdade. Agora, estão demitindo ou dando licenças a milhares de engenheiros nas maiores empresas que trabalham diretamente com o petróleo. O mercado de trabalho para profissionais nesta área está estagnado no momento.

Muito Brasil na TV norueguesa

O jornalista norueguês Arnt Stefansen faz muitas reportagens no Brasil e as chama de «billedbrev», algo como carta em forma de imagens. Outro dia exibiram uma sobre a popularidade do bacalhau norueguês no Brasil. Ele até explicou aquela brincadeira sobre ninguém nunca haver visto cabeça de bacalhau. Não sei se a NRK liberou o vídeo para o Brasil, mas aqui estão os links:

Bacalhau no Brasil

Sobre futebol feminino no Brasil

Jan Eggum i Brasil (o cantor Jan Eggum gravou um disco no Rio)

Fotballhelt på karneval (sobre quando homenagearam o ex-jogador Zico no Carnaval do Rio)

Um presente especial

A avó do meu marido me presenteou com seu precioso bunad, o traje tradicional norueguês. Cada região tem seu bunad característico, com cores e bordados diferentes. O meu bunad é o de Sør-Trøndelag, onde moro e é quase igual a este:

Foto: Norskflid
As únicas diferenças são o avental que tem a mesma cor, mas outro desenho, e a touca, que eu não tenho (e não quero). Além desse modelo com o colete e a saia azuis, existem o bunad vermelho, verde e o preto. Ganhei também a capa, que é assim:
Foto: Norskflid
Os broches, os brincos, as abotoaduras e o fecho da bolsinha são de prata. Nunca na minha vida eu pensei que um dia teria meu próprio bunad. Jamais teria condições de comprar um novo, que não sai por menos de 10 mil reais. Tenho que fazer alguns ajustes antes de poder usá-lo. Esta é a motivação que eu precisava para entrar definitivamente em forma. Quando tudo estiver pronto, penso em fazer um vídeo sobre o bunad. Quem se interessar em ver outros bunader pode visitar este site.
Muitos e-mails
Recebo quase diariamente e-mails de leitores do blog me perguntando sobre possibilidades de vir para a Noruega. Por falta de tempo e em razão da doença e falecimento do meu pai, o que causou meu afastamento das atividades do blog no começo do ano, eu não respondi a muitos e-mails que chegaram. Devo dizer que muitas das perguntas que me fazem já foram respondidas no blog. Sugiro que os leitores procurem a informação que desejam nas postagens antes de enviarem um e-mail. Alguns leitores pedem para eu arrumar-lhes empregos e moradia. Isso está, claro, fora do meu alcance.  Espero que ninguém me leve a mal.

Artigo sobre empregos na Noruega

Artigo sobre empregos na Noruega

Nos últimos dias tenho recebido muitos e-mails de pessoas interessadas em trabalhar na Noruega. Creio que o motivo seja um artigo publicado recentemente na revista Exame. Eis o link:

3 países que querem profissionais brasileiros

Sugiro a todos que tenham interesse em trabalhar aqui leiam atentamente o artigo. Recomendo também a leitura do site da embaixada da Noruega em Portugal sobre empregos:

Empregos na Noruega

Está bem claro no artigo que a Noruega precisa de mão-de-obra qualificada na área de engenharia, saúde e educação. Infelizmente a Noruega tem regras rígidas para imigração e para brasileiros, as únicas  formas de emigrar para o país de uma maneira geral são:

1) Ter passaporte norueguês  (por ser nascido aqui ou por parte dos pais, por exemplo)
2) Ter passaporte de um país europeu que faça parte do tratado de Schengen
3) Ser casado (a) com um(a) cidadã(o) norueguês e estar em dia com a documentação de imigrante.
4) Requerer um visto de trabalho ainda estando no Brasil e já tendo em mãos a oferta de trabalho ou contrato

Recebo muitos emails de pessoas dizendo que querem vir para trabalhar «com qualquer coisa», mas não é assim que funciona. É necessário ter qualificações. Exceto, claro para pessoas que são casadas com um(a) norueguês(esa) ou que tenham passaporte de um país membro do acordo de Schengen. Elas podem vir e procurar emprego em faxina, restaurantes, etc. Um bom exemplo é o grande número de jovens suecos que se mudam para a Noruega para trabalhar no setor de serviços. Eu pude começar como faxineira por que tinha permissão de trabalho por ter vindo com visto de noiva de duração de 6 meses. Após me casar eu tirei outro visto, o de reunificação familiar, que me autorizava a trabalhar normalmente.

As autoridades norueguesas também são exigentes na hora de reconhecer diplomas de outros países. Nem sempre um profissional formado em outro país pode exercer aqui sem antes fazer cursos complementares com matérias que estão nos currículos dos cursos superiores daqui.

Sites para procurar emprego na Noruega:

https://tjenester.nav.no/stillinger/forside

http://www.finn.no/finn/job/fulltime/result

Os anúncios estão em norueguês em sua maioria. Isto quer dizer que as empresas esperam que os candidatos falem ou norueguês ou inglês fluentemente.

Boletim das férias I

Boletim das férias I

Vista do rio Nid que banha Trondheim,
ontem durante a caminhada
O tempo na minha região nos últimos dias tem estado maravilhoso. Temperaturas altíssimas e um sol escaldante nos fazem querer passar o tempo todo fora de casa. Felizmente temos um terraço no prédio e desde sábado temos feito churrasco para o jantar todos os dias. Não lembro de ter feito isso antes nos meus quase oito anos de Noruega. Este verão para mim é ou o segundo melhor (atrás do verão de 2008) ou o melhor que vivenciei até agora por essas bandas. Que venham mais dias ensolarados!
Churrasco no terraço sábado 5 de julho

O fato de eu estar em casa me dá a oportunidade de executar muitos afazeres que estavam pendentes. Semana passada fiz uma faxina geral nos armários e doei muitas coisas para o Exército da Salvação, que tem  brechós chamados Fretex em toda a Noruega. Anunciei alguns móveis e objetos de decoração para vender no site finn.no e espero desocupar espaço no nosso depósito no porão. Agora quero começar a me livrar dos papéis que acumulei durante os meus seis anos de faculdade. Não posso, claro, simplesmente jogar tudo fora, mas vou escanear o que me interessa e armazenar tudo em formato digital. Isso desocupará muito espaço nas estantes de livros!

Eu havia escrito há algum tempo que a greve de professores havia sido suspensa, mas eu acho que me precipitei. Os membros do sindicato dos professores participaram de uma votação para decidir se aprovavam ou não o acordo e dia 25 de junho saiu o resultado: o acordo não foi aceito pela maioria dos professores! Isso significa que estamos sem acordo e que podemos iniciar o ano letivo em greve! Como estou de férias não quero me preocupar com isso ainda, mas estou acompanhando o desenrolar da situação.
Com tanto tempo livre, ando assistindo a alguns vlogs no You Tube, principalmente de brasileiros que moram no Japão. Tenho ascendência 50% japonesa e cheguei a cogitar a ideia de ir trabalhar no Japão quando ir parar na Noruega ainda era algo completamente desconhecido para mim. Enfim, os vlogueiros mostram tantos lugares interessantes e contam muito sobre o dia-a-dia no país. Fiquei inspirada para fazer o mesmo daqui da Noruega. Mas, penso na super-exposição que um vlog acarreta, então estou ainda pensando na possibilidade. Eu amo filmar, mais do que fotografar, por isso acho que seria uma experiência legal para mim.
Hoje tem jogo do Brasil nas semifinais da Copa. Será que ganharão?
A Copa por aqui

A Copa por aqui

Faz 12 dias que a Copa do Mundo começou no Brasil e, como era de se esperar, os olhos da maioria dos noruegueses estão voltados para lá. Documentários, reportagens de TV, jornais e internet sobre o Brasil vêm sendo exibidos/publicados quase que diariamente. Gostei do que vi até agora, parece que os noruegueses estão aos poucos se desfazendo dos preconceitos e estereótipos e mostrando o país mais próximo de sua realidade. Uma crônica que gostei de ler foi esta, chamada «Dez Mentiras sobre o Brasil» e escrita por um norueguês que escreveu um livro sobre o país recém-lançado por aqui. Não vou traduzir a crônica inteira, mas posso listar as tais 10 mentiras sobre as quais o autor escreve:

1. O Brasil foi descoberto por Portugal.
2. O Rio é a capital do Brasil.
3. Todos amam futebol no Brasil.
4. Brasil é samba, futebol e carnaval.
5. As diferenças entre pobres e ricos aumentam no Brasil (não sei se concordo, por que não foi bem isso que eu observei durante a minha última longa estadia no país).
6. Não existe racismo no Brasil.
7. O Brasil é muito mais pacífico do que o resto da América do Sul.
8. Os brasileiros são alegres e sociáveis.
9. O motivo dos recentes protestos no Brasil é a Copa.
10. O Brasil pode ser resumido em 10 ítens.

Estou finalmente de férias e tenho pela frente um mês e meio para fazer o que eu quiser. Ontem fiz uma viagem relâmpago até Kristiansund com meu marido, que esteve lá à trabalho. Não tenho planos concretos de viagens e passeios, vamos ver o que aparece. Quero usar esse tempo para, entre outras coisas, organizar a casa, ler muito, estudar francês e fazer trabalhos manuais.

Semana passada participei da festa de encerramento dos alunos da décima série, que deixam a escola para iniciarem o ensino médio em agosto. A cerimônia foi muito bonita e emocionante, ao final muitos alunos vieram se despedir de mim com palavras muito bonitas de agradecimento e elogios.

Amanhã sai o resultado da votação dos membros do sindicato de professores sobre o acordo firmado há algumas semanas. Se a maioria votar por manter o acordo, vamos ter que aceitar o regime de horas obrigatórias no local de trabalho, mas somente se o diretor da escola nos oferecer escritórios mais apropriados.

Ainda falando em escola, na semana passada o príncipe da Noruega anunciou que vai matricular seus dois filhos em uma escola particular. Isto foi recebido como um escândalo, pois a família real norueguesa sempre manteve a tradição de levar um estilo de vida o mais parecido possível com o de um norueguês comum. Escolas particulares são raras por aqui e para abrir uma é necessário cumprir muitas exigências. Isto para evitar que as diferenças sociais entre os cidadãos aumentem por causa do poder aquisitivo. Ontem escutei no rádio sobre uma vez em que o antigo primeiro ministro da Noruega visitou um chalé nas montanhas administrado por uma associação de turistas noruegueses. Como ele chegou de surpresa sem reservar um leito, não houve outra solução: ele acabou tendo que dormir no chão. Ou seja, aquela mentalidade do «Você sabe com quem está falando?», não surte efeito por aqui. E isso é bom, na minha opinião.

Sobre a quase greve e outras novidades

Sobre a quase greve e outras novidades

Não houve greve de professores aqui na Noruega, mas a maioria acha que o sindicato aceitou um acordo com péssimas condições de trabalho. Na parte salarial não houve nenhum descontentamento. Mas, o fato de que este novo acordo estabelece que os professores serão obrigados a estar na escola  durante 7 horas e meia de segunda à sexta não agradou quase ninguém. Geralmente, o professor tem a liberdade de escolher se vai ficar em seu escritório na escola e corrigir provas e preparar aulas antes e/ou depois de lecionar, ou se vai para casa ou outro local fazer este serviço. Com esta nova regra, teremos que chegar à escola às 8 hs (mesmo se, em um determinado dia, temos a primeira aula ao meio-dia) e ir embora às 15hs30min (mesmo se naquele dia temos que lecionar das 8hs30min ás 10hs por exemplo). A condição para que esta regra seja posta em prática é que cada professor tenha um escritório de no mínimo 6m², onde a escrivaninha tenha um tampo de altura regulável, a cadeira tenha regulagem para as costas e que haja prateleiras para a armazenagem de livros, pastas e outros materiais. Meu escritório não tem nem a metade deste tamanho e minha escrivaninha não tem tampo de altura regulável. O escritório deve ter boa ventilação e isolamento contra ruídos. Não creio que a escola onde trabalho preenche todos esses requisitos, então não temo ser obrigada a estar na escola quando posso estar fazendo o mesmo trabalho bem melhor no conforto e no silêncio da minha casa.

Outra preocupação que os professores tinham era que as férias de verão pudessem ser reduzidas. Muita gente que não sabe muito sobre a profissão aqui pensa que nós temos férias longas (cerca de 8 semanas, contra 5 semanas de uma pessoa que tem outra profissão). Acontece que as 3 semanas «extras» que temos é compensação pelas horas extras que temos que trabalhar durante o ano letivo preparando aulas, conversando com pais, fazendo excursões, etc. Um professor deve estar na escola quando o aluno está. Isto, para uma professora que tem família no Brasil não é nada prático, pois eu adoraria tirar 4 semanas de férias antes do Natal e passar o mês de janeiro inteiro desfrutando o verão brasileiro, quando o inverno e a escuridão na Noruega são quase insuportáveis.  Mas, sou forçada a tirar férias em julho e agosto, quando é verão aqui e inverno no Brasil. Percebo com frequência um sarcasmo vindo de outras pessoas que não são professores ao dizer frases como «Ah, você é professora? Humm, que bom, hein, férias longas…». Até a mídia escreve erroneamente sobre nossas «férias longas». Enfim, este ponto felizmente não foi alterado e continuaremos a tirar férias quando os alunos têm suas férias de verão. Oito semanas garantidas por lei.

Os membros do sindicato poderão votar pela internet para manifestar sua aprovação ou desaprovação. Caso o acordo não seja aceito pelos membros do sindicato, o acordo passará a ser inválido e novas negociações se iniciarão. Eu ainda nao me decidi, tenho que ler o acordo minuciosamente antes de votar.

Acordo aprovado ou não, semana passada fiquei sabendo que fui escolhida para ser a kontaktlærer (contato de classe) de uma nova oitava série que começará ano que vem. Felizmente eu não vou ser responsável pela classe sozinha, outra professora que já foi kontaktlærer comigo ano passado me acompanhará novamente. Em outra postagem posso escrever mais detalhadamente sobre outras tarefas de uma kontaktlærer. Isto significa que vou ter muito o que fazer no próximo ano letivo. Cargo 100% integral e mais a função de contato de classe!

Esta semana haverá exame oral dos alunos que estão concluindo a 10ª série. Eu já sei que terei um grupo, mas ainda não sei que alunos estão neste grupo. Neste exame, os alunos devem fazer uma pequena apresentação sobre um tema dado por mim e depois terão uma longa conversa comigo para mostrar o que sabem sobre a matéria. Quem dá a nota não sou eu, mas uma professora vinda de outra escola que observa todo o exame (para evitar que o professor favoreça seus próprios alunos com uma nota maior do que a merecida). Felizmente as matérias que leciono são bastante populares entre os alunos (exceto espanhol) e a grande maioria dos alunos teme ter exame em matemática.

Faltam somente 11 dias para as minhas férias de verão! Já tenho muitos planos em mente, mas ficam para uma outra postagem.

Lugar 100% ao gelo!

Lugar 100% ao gelo!

O ensino é um produto perecível!, diz o cartaz
exposto na sala dos professores para protestar contra
a sugestão dos municípios de mudar o horário de trabalho
dos professores

Quando voltei do Brasil já sabia que tinha meu emprego efetivo garantido, pois havia assinado o contrato antes de ir, em julho do ano passado. Porém, meu emprego é de somente 80%. Aqui na Noruega, os empregos podem ter diferentes cargas horárias e o salário é pago de acordo com a carga horária que se trabalha. Isso significa que se alguém diz ter um emprego 50% efetivo, ele ou ela trabalha metade das 40 horas semanais (incluindo o almoço). Algumas pessoas que trabalham abaixo de 100% têm a sorte de poder ficar em casa alguns dias na semana. No meu caso, eu não tenho nenhum dia livre, mas às quintas-feiras saio uma hora mais cedo e às sextas-feiras trabalho somente até a hora do almoço.

Há algumas semanas, o diretor veio me perguntar se eu estaria interessada em aumentar minha carga horária de 80% para 100%. Eu respondi que sim, afinal, tenho que ir à escola todo dia – então aumentar a carga horária algumas horas não ia fazer muita diferença para mim. Há dois dias ele veio com um novo contrato para eu assinar. Emprego 100% efetivo!

Não sei muito sobre o próximo ano letivo, mas uma novidade boa é que terei uma colega de trabalho brasileira! Ainda não tive a oportunidade de conhecê-la, mas o diretor disse ter uma ótima impressão de brasileiros por minha causa e ficou contente por contratar mais uma brasileira para o time de professores.

As negociações salariais entre o sindicato dos professores e os representantes dos municípios está em andamento e há a ameaça de greve dia 26 de maio. Eu espero que não haja greve, principalmente por que os alunos podem perder seus exames e isso causa transtornos para todos.

Série comida na Noruega episódio 2

Série comida na Noruega episódio 2

Geladeira da escola

O conceito de almoço na Noruega não lembra nada o conceito brasileiro da palavra. Enquanto no Brasil come-se quase sempre um prato quente, frequentemente composto de arroz, feijão ou massa, uma carne e uma salada, aqui o almoço é praticamente uma repetição do café-da-manhã. Mas, como eu não gosto de generalizar, posso dizer que muita gente farta da mesmice gosta de variar por aqui. Por exemplo, ao abrir a geladeira da cozinha dos professores vemos manteiga, queijos, geleia, muito iogurte, frios, ovos, etc. Os embrulhinhos brancos que vemos na última prateleira são os famosos matpakker, sobre os quais escrevi nesta postagem aqui. A minha conclusão é de que no meu local de trabalho a maioria continua fiel ao matpakke, mas às vezes vejo gente requentando restos do jantar no forno de microondas. Hoje mesmo uma colega sueca estava degustando sopa de salmão. Como não há supermercados muito perto da escola, temos que levar nossa comida de casa para não passar fome. Mas, frutas sempre há.

Cenouras e maçãs

 O que eu geralmente costumo comer de almoço é knekkebrød com alguma coisa, por exemplo, queijo cremoso com kani, patê de atum, geleia. Levo também um iogurte para os dias mais longos quando tenho reunião, duas vezes por semana. Mas, ao voltar para casa fico com aquela sensação de que não me alimentei o suficiente para aguentar até o jantar. 

Um de meus almoços no trabalho
Cupcakes

Algo que vejo tanto como bom e não tão bom é que os alunos de economia doméstica frequentemente levam os pratos que preparam para a sala dos professores. Algumas coisas são saudáveis, mas a maioria não. Alguns exemplos:

Comida típica da Lapônia feita pelos alunos de economia doméstica



Nos finais de semana eu não tolero a mesma comida que almoço quando estou no trabalho. Gosto de fazer outras coisas, como mingau, ovos, salmão, etc.

Bolo comprado pelo diretor para comemorar um acontecimento


Quanto ao horário de almoço, eu tenho somente 15 minutos, geralmente entre 11hs30 min e 11hs45min. Todos os professores têm que trabalhar como inspetores durante o recreio quase todos os dias, então sobra muito pouco tempo para almoçar com calma. Temos uma sala para almoçar, mas quando tenho que trabalhar durante o horário de almoço tenho que levar o almoço para o escritório. Às sextas-feiras há a tradicional rifa de vinhos. Compramos números da rifa à 5 coroas cada e pouco antes do meio-dia sorteiam geralmente duas garrafas de vinho, um tinto e um branco.

O aspik é muito popular
na época de Natal

Um prato bem diferente que eu fiz para o meu marido levar de almoço é o aspik, também conhecido como Cabaret. Trata-se de uma salada composta de peixe, camarões, legumes e ovos cozidos que se coloca em uma forma de pudim, para no final cobrir com gelatina com sabor de caldo de carne ou legumes e levar para gelar. Como eu não gosto de aspik (gelatina salgada para mim não dá), o marido teve que comer o prato sozinho durante muitas semanas, e acabou, claro, enjoando.

Uma curta visita ao meu local de trabalho

Uma curta visita ao meu local de trabalho

Chegamos à Noruega à tempo de comemorar o Ano Novo com a família do meu marido e dia 2 de janeiro eu já estava de volta ao trabalho. Como aqui é inverno, não há uma longa pausa após as festas como no Brasil. São somente as duas semanas das festas e o batente começa novamente. Dia 2 caiu em uma quinta-feira e foi planejamento, ou seja, nada de alunos. Eles voltaram às aulas na sexta, dia 3 – isso mesmo, primeiro dia de aula em uma sexta. E estavam todos lá. Muitos alunos e colegas de trabalho me saudaram, dizendo como era bom eu estar de volta, distribuiram abraços, sorrisos, fizeram muitas perguntas sobre a viagem. Enfim, tive uma recepção muito calorosa.
Recebi também um novo gabinete de trabalho, em uma sala nova com móveis novos. Estou muito satisfeita. Não tenho uma sala só para mim, eu divido a sala com outros 7 professores. Tirei fotos quando não havia ninguém por perto:

Muitas caixas com a minha «mudança» ainda no chão

O que eu mais gostei nessa nova estação de trabalho foram as estantes corrediças com porta e chave:

Ainda não organizei tudo do jeito que eu quero, mas aos poucos vou deixando meu cantinho arrumado.
Na semana que passou, fiquei sabendo que eu e mais um funcionário éramos os responsáveis pela arrumação da cozinha dos funcionários. A secretária da escola faz uma lista com os nomes dos funcionários e ela fica afixada no mural da sala dos professores. Ninguém escapa da lista, nem o diretor nem os coordenadores pedagógicos (que ocupam cargos de liderança):

Existem duas funcionárias que limpam a escola, mas na sala dos professores elas só são responsáveis por passar pano no chão e levar o lixo para fora. Ah, e elas utilizam a sala dos professores para tomar café, almoçar, enfim, são tratadas como todos os outros funcionários.
Como uma das encarregadas da limpeza da sala dos professores da semana, tive que colocar a louça suja na lava-louças e guardar a louça limpa, limpar a pia, as mesas e bancadas, e passar vassoura (que aqui tem o cabo curto, não sei por que). Um foto da cozinha quando não havia ninguém por perto:

Lava-louças pra que te quero

A máquina de café foi trocada por outra bem melhor. Até agora só experimentei o café puro e o cappuccino, deliciosos:

Temos que pagar o equivalente a 33 reais por mês para tomar café à vontade

Uma visão geral da sala dos professores:

Há uma mini-biblioteca para os professores. Na prateleira de cima, livros de ficção trazidos pelos próprios professores, que emprestam os livros entre si e na prateleira de baixo, livros sobre pedagogia que o diretor comprou para nós:

Existe ainda a biblioteca principal, que é usada pelos alunos, vou colocar uma foto em breve.

Vim, sofri e venci

Vim, sofri e venci

Na descrição do meu blog, escrevi que estou batalhando dia a dia para conquistar meu lugar ao gelo. Pois, este dia chegou. Semana passada, fiz entrevista na escola onde trabalho para tentar um emprego efetivo (fast jobb em norueguês). Na Noruega, nenhum professor pode ter fast jobb sem ter curso superior em pedagogia (se bem que há muitos municípios pequenos por aqui empregando gente despreparada para lecionar, geralmente gente da família ou conhecidos – é, existe nepotismo aqui também). Professor sem formação pedagógica tem que se contentar com vikariat (trabalho temporário). Como vou terminar meu curso de pedagogia em junho, em agosto poderei trabalhar como efetiva. Me saí bem na entrevista, mas havia uma questão que poderia fazer com que eu não conseguisse o emprego. Eu quero passar mais de um mês no Brasil nas próximas férias, e por isso teria que recomeçar na escola mais tarde do que os outros professores. Na minha solicitação de emprego, escrevi que queria não somente o emprego, mas também uma licença mais prolongada depois das férias de verão aqui.
Me disseram que eu receberia uma resposta na semana seguinte. Na quarta-feira, o diretor da escola me chamou no escritório e me disse que EU TINHA CONSEGUIDO O EMPREGO E A LICENÇA!!! 🙂. Fiquei, claro, muito feliz! Finalmente, depois de quase sete anos de Noruega, trabalhando dois anos na faxina, fazendo cinco anos de faculdade, sempre com textos para ler, provas, trabalhos para entregar e três anos trabalhando em escolas, sempre sem saber se eu iria estar empregada no ano seguinte, agora poderei respirar aliviada e contar com emprego garantido para sempre! Vou também terminar a faculdade em junho. Daqui pra frente qualquer estudo que eu quiser fazer será um bônus para minha carreira, e não uma obrigação. Claro que eu não vou parar de estudar, mas vou me dar um presentão e descansar muito nessas férias que vêm por aí com meu maridão querido, que nunca, nunca mesmo deixou de me incentivar e dar apoio (mesmo quando a casa estava de cabeça para baixo por que eu tinha que estudar para as provas). Já temos tudo planejado, daqui a mais ou menos dois meses e meio, quando receber meu diploma da faculdade, vou poder gritar para quem quiser ouvir: «CONSEGUI MEU LUGAR AO GELOOOO!».
Para terminar, minha música de vitórias: