Kategori: Vida de imigrante

Artigo sobre empregos na Noruega

Artigo sobre empregos na Noruega

Nos últimos dias tenho recebido muitos e-mails de pessoas interessadas em trabalhar na Noruega. Creio que o motivo seja um artigo publicado recentemente na revista Exame. Eis o link:

3 países que querem profissionais brasileiros

Sugiro a todos que tenham interesse em trabalhar aqui leiam atentamente o artigo. Recomendo também a leitura do site da embaixada da Noruega em Portugal sobre empregos:

Empregos na Noruega

Está bem claro no artigo que a Noruega precisa de mão-de-obra qualificada na área de engenharia, saúde e educação. Infelizmente a Noruega tem regras rígidas para imigração e para brasileiros, as únicas  formas de emigrar para o país de uma maneira geral são:

1) Ter passaporte norueguês  (por ser nascido aqui ou por parte dos pais, por exemplo)
2) Ter passaporte de um país europeu que faça parte do tratado de Schengen
3) Ser casado (a) com um(a) cidadã(o) norueguês e estar em dia com a documentação de imigrante.
4) Requerer um visto de trabalho ainda estando no Brasil e já tendo em mãos a oferta de trabalho ou contrato

Recebo muitos emails de pessoas dizendo que querem vir para trabalhar «com qualquer coisa», mas não é assim que funciona. É necessário ter qualificações. Exceto, claro para pessoas que são casadas com um(a) norueguês(esa) ou que tenham passaporte de um país membro do acordo de Schengen. Elas podem vir e procurar emprego em faxina, restaurantes, etc. Um bom exemplo é o grande número de jovens suecos que se mudam para a Noruega para trabalhar no setor de serviços. Eu pude começar como faxineira por que tinha permissão de trabalho por ter vindo com visto de noiva de duração de 6 meses. Após me casar eu tirei outro visto, o de reunificação familiar, que me autorizava a trabalhar normalmente.

As autoridades norueguesas também são exigentes na hora de reconhecer diplomas de outros países. Nem sempre um profissional formado em outro país pode exercer aqui sem antes fazer cursos complementares com matérias que estão nos currículos dos cursos superiores daqui.

Sites para procurar emprego na Noruega:

https://tjenester.nav.no/stillinger/forside

http://www.finn.no/finn/job/fulltime/result

Os anúncios estão em norueguês em sua maioria. Isto quer dizer que as empresas esperam que os candidatos falem ou norueguês ou inglês fluentemente.

8 anos de Noruega!

8 anos de Noruega!

Tempos de faxina
Ontem, 22 de outubro, fez 8 anos desde que vim parar na Noruega. Para marcar a data resolvemos rever as fotos do dia em que cheguei e o que aconteceu nos próximos meses. Devo admitir que fiquei emocionada ao recordar todas as experiências que vivenciei nesses oito anos. As fotos mais especiais foram as da época em que eu trabalhava de faxineira. Uma época difícil, em que eu sentia que a vida não progredia por causa da falta de oportunidades e cheguei a pensar que teria que me contentar em trabalhar em ocupações que não condiziam com minhas ambições e competência. Fazer faxina era um trabalho digno, tranquilo, mas eu tinha uma meta de que esse serviço seria um ganha-pão temporário enquanto eu não conseguisse outras oportunidades. Mas, nunca, nunca mesmo cogitei a possibilidade de voltar ao Brasil. Desde o começo via a Noruega como meu novo e definitivo lar.
Foi quando me tornei fluente em norueguês e tirei minha carteira de motorista norueguesa que as primeiras portas se abriram. Ainda na faxina, mas com mais trabalho e melhor renda. O fato de eu poder dirigir meu próprio carro aonde eu quisesse me deu auto-confiança e forças para alçar voos mais altos. Passei de uma faxineira que sempre ia fazer limpeza junto com outras colegas a uma faxineira quase que autônoma, que podia ir sozinha a qualquer lugar para trabalhar por que sabia conversar com o cliente e não dependia de condução e de carona.

Artigo de jornal com minha classe do ensino médio para adultos
Mas, definitivamente, foi quando eu me matriculei no curso de capacitação para adultos que queriam fazer faculdade (Studiekompetansekurs) que eu percebi que havia ótimas oportunidades esperando por mim. Comecei a ler literatura de qualidade em norueguês, aprendi sobre a sociedade e estudei em uma classe formada somente de alunos noruegueses, o que me ajudou muito para melhorar o convívio social. Um grande erro é emigrar e não se misturar com os noruegueses, por que cria uma segregação voluntária por parte dos estrangeiros. Fiz o exame final em norueguês junto com todos os alunos do colegial (videregående skole), tirei nota 4 (nota máxima é 6) e tirei nota 6 na prova oral, também em norueguês. Nunca vou me esquecer da frase que a professora que me examinou disse ao me comunicar a nota: «Sua nota é seis, mas bem que poderia ser um sete!».

Ao deixar a vida na pequena ilha Frøya e me mudar para Klæbu, ao lado de Trondheim e com certificado de Studiekompetanse em mãos, me matriculei na NTNU para cursar um ano de Letras em Inglês. Foi nesse ano que comecei a sentir que meus sonhos poderiam, sim, se realizar. Estar em uma aula de literatura com professores ingleses que davam um verdadeiro show de conhecimento, que me puseram em contato com obras primas de textos e poemas alegravam os meus dias e me faziam querer aprender mais e mais. Lembro que me senti muito triste ao receber a notícia de que meu avô havia falecido e eu não poderia estar em seu funeral.

Ao completar o ano de Letras em Inglês, nos mudamos para um apartmento alugado em Trondheim e me matriculei em Letras em Espanhol. Nesta época fazia faxina em uma creche. Em janeiro de 2010 me cadastrei em uma agência de empregos temporários e, por ironia do destino, recebi, em março, uma proposta para trabalhar como professora em uma ilha chamada Frøya. Larguei a faxina e passei a lecionar dois dias por semana. Tinha que fazer uma viagem de barco de 2 horas, mais uma viagem de ônibus de 1 hora para chegar ao meu local de trabalho. Na volta, uma viagem de ônibus com duração de 3 horas. Foi nessa época em que recebi a notícia de que com mais 60 créditos eu poderia fazer Prática Pedagógica e tirar a licenciatura que me autorizaria a lecionar. Me matriculei então no curso de Ciências Sociais para obter esses 60 créditos. Em julho de 2010 recebi um telefonema da escola onde trabalho até hoje. Eles queriam me contratar como professora de espanhol. A mesma escola em que meu marido estudou. Nada de longas viagens para trabalhar, agora tinha um emprego na cidade vizinha à Trondheim! Comecei somente lecionando espanhol, logo passei a lecionar inglês e hoje leciono, além dessas duas matérias, história, geografia, estudos sociais e religião.

Esta vista é um privilégio e uma inspiração para continuar batalhando
Em agosto de 2011 começava a Prática Pedagógica junto com o trabalho. Foram certamente os anos mais estressantes da minha vida na Noruega. Sempre algo para ler, um trabalho para entregar, provas para corrigir e finalmente o estágio, que exigiu muito do meu tempo. Em maio de 2012 realizamos o sonho da casa própria  e compramos nosso apartamento que não trocaríamos por nada nesse mundo. Temos uma das vistas mais lindas da cidade. Em junho de 2013 entreguei meus trabalhos finais e fiz o exame oral. Nota A no exame oral de pedagogia, Nota A no trabalho escrito de pedagogia, Notas B nos dois trabalhos de didática de inglês e de espanhol. Havia chegado ao fim da linha. Tinha documentação que provava que eu era uma professora com competência formal para lecionar em qualquer escola do ensino fundamental e médio do país.

Viajamos para o Brasil em julho do ao passado e passamos 5 meses e meio descansando, férias longas e merecidas financiadas com muito trabalho e economias. Ao voltar eu já tinha contrato assinado com a escola para um emprego permanente. Recebi a proposta para aumentar a carga horária, de 80% para 100%. Hoje, trabalho com o que gosto e sinto que fiz as escolhas certas.

Os planos para o futuro são fazer ainda mais um curso na NTNU, de religião e conseguir ainda mais 60 créditos para melhorar meu currículo. Nesta semana enviei meus documentos e agora é aguardar a resposta.

Oito anos de muito trabalho, estudos, saudades da família, vitórias, derrotas e muitas alegrias. Que venham mais 8!

Quer ir parar na Noruega?

Quer ir parar na Noruega?

Pelo menos uma vez por mês eu recebo um email de alguém com dúvidas sobre morar na Noruega. Eu nunca tive muito tempo de responder a esses emails por causa do trabalho e dos estudos e acabei mesmo ignorando a maioria. Eu nunca fiquei com a consciência pesada, por que eu mesma, antes de me mudar para lá, pesquisei tudo por conta própria. As poucas vezes que fiz a besteira de perguntar alguma coisa para uma brasileira que já morava na Noruega recebi quase sempre respostas negativas (uma delas, ainda lembro, garantiu que eu iria entrar em uma profunda depressão ao chegar na Noruega – tem dublê da mãe Dinah lá também!).

Agora, com tempo de sobra, resolvi escrever uma postagem com a informação que coletei na página oficial da Noruega e respostas a umas perguntas que recebi de um leitor do blog. É uma postagem longa, mas espero que daqui para frente as pessoas que necessitam de informações sobre a Noruega encontrem o que procuram aqui.

1. Onde posso encontrar informações sobre possibilidades de trabalhar na Noruega?
Se você não tiver cidadania norueguesa ou de outro país da Europa (que seja membro da União Européia (UE), do Espaço Econômico Europeu (EEE) ou da Associação Européia de Livre Comércio (AELC)), você precisa, em regra, requerer um visto de trabalho.
Para encontrar informações sobre como solicitar um visto de trabalho, veja o site do UDI (Direção de Imigração da Noruega).
2. Tenho cidadania de um país europeu, que faz parte da UE/EEE/AELC. Como faço para conseguir um emprego na Noruega?
Sua entrada na Noruega é permitida sem o visto e sua estadia é permitida por até 6 meses. Se neste período você conseguir encontrar trabalho, poderá pedir sua permissão de trabalho e residência.
É necessário que você tenha dinheiro suficiente para se manter no país durante os seis meses e que comprove essa situação financeira ao entrar no país.
Existe um link em espanhol que poderá ajudá-lo com informações mais precisas. Para ver esta informação, clique aqui.
No link seguinte poderá obter informações sobre como procurar trabalho: NAV.
Também poderá encontrar informações sobre o tema no site Ny i Norge
3. Não tenho cidadania de um país europeu. Como faço para conseguir um emprego na Noruega?
Se você não tiver uma cidadania da Noruega ou outro país da Europa (que é membro da União Europeia (UE), Espaço Econõmico Europeu (EEE), ou Associação Européia de Livre Comércio (AELC)), você precisa, em regra, pedir um visto de trabalho.
Para encontrar informação sobre como pedir a um visto de trabalho, veja o site do UDI (Direção de imigração da Noruega).
4. Não tenho cidadania de um país europeu. Como faço para conseguir um visto de trabalho na Noruega?
O processo para solicitar um visto de trabalho depende do seu grau de educação e do tipo de trabalho que irá  efetuar.

Quem não tem cidadania de um país que faz parte de UE, EEE ou AELC, poderá pedir a um visto de trabalho, caso queira trabalhar como:

As perguntas abaixo foram feitas por um leitor do blog. As respostas são baseadas nas minhas experiências na Noruega.
5. O trabalho aí é muito puxado/exigente?
Sim. Quando eu trabalhava com faxina, tinha um limite máximo de horas para executar a limpeza de um local, os clientes sempre exigiam um trabalho impecável. O norueguês paga caro por tudo, e por isso exige qualidade. Agora sou professora, mas ainda assim eu e meus colegas passamos por avaliações constantes tanto por parte dos alunos e pais como dos chefes.
Outra diferença grande do Brasil é que lá geralmente contrata-se um funcionário para exercer múltiplas funções. Uma professora, por exemplo, é obrigada a trabalhar como inspetora de alunos nos intervalos de aulas. Um funcionário de supermercado não é contratado para ficar somente no caixa. Ele tem que exercer a função de repositor, faxineiro, atendente, etc.

6. Dá para viver com tranquilidade com algum trabalho que não exija escolaridade? (eu sou formado em Sistemas de Informação e tenho Pós, mas não sei se será aceita aí. Minha esposa está terminando o mestrado em Psicologia).
Depois de sete anos aqui, prefiro responder que não. A Noruega é um país com alto custo de vida e se pode sobreviver com um emprego de salário modesto, mas fica difícil arrumar financiamento para uma boa casa própria, por exemplo, ganhando um salário baixo. A melhor coisa a se fazer ao chegar lá se a pessoa não tiver diploma do Brasil é aprender norueguês e fazer um curso superior para ampliar o leque de oportunidades de trabalho. O governo oferece empréstimos educativos para quem quer estudar a juros baixíssimos. Tendo força de vontade e disposição, é perfeitamente possível estudar e trabalhar meio-período sem problemas. Eu mesma fiz isso durante quase 5 anos.
Pessoas com curso superior do Brasil devem mandar traduzir seus diplomas e históricos para o norueguês ou inglês por um tradutor juramentado com selo do MRE e enviá-los a um órgão chamado NOKUT (http://www.nokut.no/en/). Eles analisarão os documentos gratuitamente e enviarão uma carta relatando que matérias são válidas e quais devem ser eventualmente cursadas na Noruega.

7.  Como funciona a aposentadoria na Noruega? Com o salário de aposentado dá para viver com conforto? Ou é como no Brasil, que a maioria dos aposentados precisa ter uma previdência complementar para viver com certa tranquilidade?

Uma pessoa deve contribuir com a previdência norueguesa por no mínimo 40 anos para, na velhice,  receber uma aposentadoria integral (compatível com o salário que se recebia antes de se aposentar). Com o aumento de idosos aposentados na Noruega, a tendência é a de que este número mínimo de anos de contribuição suba mais ainda para arrecadar mais dinheiro aos cofres da previdência. A alternativa para quem chega na Noruega com uma idade mais avançada e não pode contribuir por no mínimo 40 anos é fazer um plano de previdência privada em um banco juntamente com a contribuição à previdência estatal para garantir um bom pé-de-meia na velhice.
Há, porém, pessoas que recebem o que se chama de minstepensjon. É uma quantia de mais ou menos 10 mil coroas, exatamente o suficiente para sobreviver durante um mês. Os que recebem esta aposentadoria são pessoas que não tiveram trabalho assalariado durante a vida toda, entre outros casos. Teoricamente ninguém fica desamparado na velhice lá.
 
8. Aí na Noruega é seguro? Penso em morar em uma cidade mais no interior, não em grandes centros.
A Noruega já foi muito mais segura. Antes podia-se deixar as portas e janelas destrancadas quando se ia ao mercado, agora isso é mais arriscado de se fazer. Cada vez mais pessoas instalam alarmes em suas casas e os jornais publicam com frequência notícias sobre pessoas que arrombam casas e levam tudo. Manchetes sobre estupros também são infelizmente uma constante nos jornais.
Há mais falta de segurança nas grandes cidades (Oslo, Bergen, Trondheim, Stavanger, Tromsø, etc.) mas apesar do aumento da criminalidade, ainda assim a Noruega pode ser considerada um país seguro se comparada a outros países.

9. Que tipo de trabalho é possível exercer em cidades do interior?
No interior creio que é difícil penetrar no mercado de trabalhos mais atraentes sem um excelente currículo. Falo isso por experiência própria, pois quando cheguei à Noruega morei em uma ilha minúscula com 4 mil habitantes. O que sobra são as faxinas, empregos de cuidadores nos sykehjem (asilos para idosos), às vezes trabalhos na indústria pesqueira e na agricultura.  Mas, tendo amizades influentes pode-se conseguir alguma coisa melhor.

10. É possível andar na rua sem se preocupar em ser assaltado?
Nas grandes cidades há um risco maior de ser assaltado, mas nos lugares menores este risco diminui bastante. Na maioria dos assaltos o ladrão porta uma faca, muito raramente armas de fogo.

11. Até qual horário da noite é possível andar com segurança pelas ruas?
No verão creio que pode-se andar com uma certa segurança a noite toda, porque há claridade quase o tempo todo. No inverno escurece muito mais cedo e amanhece mais tarde, por isso há mais risco de assalto. Nos finais de semana há muitas pessoas embriagadas perambulando pelas ruas, o que pode acarretar episódios desagradáveis.
O duro recomeço depois de uma viagem maravilhosa

O duro recomeço depois de uma viagem maravilhosa

Domingo passado retornei de viagem e recomeçar a semana no trabalho foi bem difícil. Fizemos uma ótima viagem e os relatos aparecerão por aqui aos poucos. Hoje é sábado e o sol está brilhando lá fora. Meu marido está fazendo um check up em nossas bicicletas e daqui a pouquinho vamos dar uma saída para tomar sol e tirar o mofo de semanas de chuva. É maravilhoso sentir que a primavera está chegando e vamos nos livrar da neve, da chuva (essa pode voltar a qualquer momento) e dos dias cinzentos e tristonhos.
Comecei a ler o livro Comer, Rezar e Amar e estou adorando. Eu tinha vontade de lê-lo desde quando foi lançado, mas como sempre tenho que ler para a faculdade, nunca me sobrava tempo. Sempre que tenho uma folguinha dou uma lida, quero terminar o mais rápido possível.
Resolvi dar entrada nos trâmites para requerer a cidadania norueguesa na polícia de Trondheim. Felizmente vou escapar daquele inferno de ter que disputar uma senha a tapas com pessoas mal-educadas e ter que esperar quatro horas na fila de atendimento. Vou ter que pagar 3750 coroas (cerca de 1250 reais), vão marcar uma entrevista para mim e espero que o processo corra bem, apesar de eu saber que é demorado. Eu já poderia ter dado entrada desde dezembro de 2010, mas depois de ter obtido o visto permanente não tinha muita pressa em tirar a cidadania – até aterrissar na Inglaterra. Tive que preencher formulario de imigrante, pegar uma fila imensa para receber o carimbo no passaporte e ser interrogada como se eu fosse uma imigrante disfarçada de turista tentando entrar ilegalmente no país. Creio que ter passaporte norueguês vai facilitar muito minha vida e – ora, bolas, já estou aqui há mais de cinco anos, não tenho planos de me mudar daqui, então o mais natural é me tornar cidadã. Felizmente, não precisarei abrir mão do passaporte brasileiro, já confirmei mais de uma vez com a embaixada em Oslo.
Tenho, como sempre, muito o que fazer na escola onde trabalho e restam somente dois meses para entrarmos nas férias de verão. Depois de dois anos trabalhando ali já tenho mais experiência para manter tudo sob controle. Ainda não sei se vou continuar ali ano que vem, estou sempre à procura de novas oportunidades, mas ao mesmo tempo é uma grande vantagem continuar no mesmo local de trabalho. Sei como as coisas funcionam e onde encontrar o que ou quem quero.
Na faculdade, tudo calmo. Passei em todos os exames e todos os meus trabalhos escritos foram aprovados. Agora teremos somente uma reunião de três dias em maio, quando vamos realizar o projeto da escola ao ar livre e depois, férias de verão. É um alívio saber que, pela primeira vez em quatro anos não terei nenhum exame de faculdade sequer em maio ou em junho.
Agora vou sair e pegar um pouco de sol antes que ele desapareça.
Minha nada mole vida de imigrante – uma saga sem data para terminar

Minha nada mole vida de imigrante – uma saga sem data para terminar

Acabo de chegar da polícia e posso finalmente respirar aliviada – tenho em mãos meu passaporte com o visto permanente colado. Este é o desfecho de uma batalha longa, cansativa e que nos deixou em estado de tensão durante quase um mês inteiro.

Tudo começou em março, quando nós compramos as passagens pro Brasil. Geralmente é mais barato comprar com antecedência e além do mais eu tinha certeza de que meu visto sairia antes da viagem, em agosto próximo. Para garantir que meu visto sairia a tempo, dei entrada nos papéis no final de março, quando na verdade poderia ter dado entrada no final de maio. A policial que me atendeu disse que não haveria problemas e que meu visto sairia antes de agosto. Na Noruega não é permitido que imigrantes viajem para fora da Noruega enquanto esperam por um visto.

No início de junho meu marido telefonou para a polícia só para saber como estava o andamento do processo. Para nossa total decepção, a atendente ficou até chocada com a pergunta: «Vocês deram entrada no visto em março e já esperam que ele seja concedido? Impossível, o processo costuma demorar de 7 a 9 meses.» Preocupados pelo fato de não receber o visto como estávamos esperando, o Morten resolveu escrever uma carta à polícia solicitando que meu requerimento tivesse prioridade. Como justificativa, ele escreveu que eu não fui ao Brasil ano passado quando meu avô faleceu por motivos financeiros e que havia esperado até agora para poder ir. Enviamos a carta e dois dias depois veio a resposta: meu requerimento não teria prioridade por que o motivo não era plausível o suficiente. Ficamos muito chateados, a nossa tão esperada viagem ao Brasil parecia que não iria se realizar. Eu não tive coragem de contar para o meu pai.

Mas, meu marido não se conformou com essa resposta e telefonou para a polícia novamente. Ele conseguiu falar com o funcionário que assinou a decisão e expôs todos os motivos e dificuldades que tivemos ano passado e que impossibilitaram minha ida ao Brasil em ocasião do falecimento do vovô – não havíamos vendido a casa, eu acabara de começar em um novo emprego, faculdade, etc. Um outro motivo citado foi o fato de que meu visto sempre vence exatamente no meio de junho, e como eu tenho que dar entrada em abril/maio, acabo sempre tendo que ficar na Noruega para esperar a decisão. Junho, julho e agosto são os meses de férias de verão por aqui e para o meu marido também é difícil tirar férias em outros meses do ano. O funcionário pareceu ter compreendido melhor o nosso caso. Ele sugeriu que o Morten enviasse uma outra carta pedindo que o caso tivesse prioridade novamente. Depois de quatro horas de trabalho, a carta ficou pronta e a enviamos. Dois dias depois recebi um telefonema da polícia: meu visto havia sido concedido e eu teria que entregar meu passaporte na polícia. Na terça-feira passada entreguei meu passaporte e acabo de recebê-lo com o visto permanente colado.

Porém, isso não significa que minha saga de imigrante tenha chegado ao fim. Meu passaporte vence em abril do ano que vem e por isso vou ter que solicitar uma nova etiqueta no novo passaporte quando renová-lo. Além do mais, tenho que me apresentar à polícia a cada 2 anos para provar que ainda moro na Noruega. Em dezembro posso entrar com pedido de cidadania norueguesa se eu quiser e creio que vou acabar fazendo isso, pois recebi confirmação da embaixada brasileira aqui que é permitido ter dupla cidadania. O bom de se pedir a cidadania é que eu posso viajar para fora da Noruega enquanto espero o visto sair e com passaporte norueguês não vou precisar me apresentar na polícia a cada 2 anos. Ainda vou ter que pegar muita fila e driblar a burocracia dos dois países até regularizar minha situação de imigrante. Essa vitória eu devo primeiro a Deus e ao meu marido jornalista que escreveu cartas impecáveis e conseguiu convencer o funcionário da UDI. Eu jamais teria conseguido sozinha.

Minha nada mole vida de imigrante – últimos capítulos

Minha nada mole vida de imigrante – últimos capítulos

Neste final de semana pintamos os ovos para a decoração da Páscoa. Em vez de comprar ovos de plástico já pintados, resolvemos tentar pintar os ovos nós mesmos. Apesar de ter sido um desafio esvaziar e higienizar as cascas de ovos, foi muito divertido. Mostramos um pouco nosso lado artístico e o resultado ficou excelente. Comprei um kit super prático para pintar ovos:

Aqui já tínhamos 3 ovos prontos. Detalhe para o ovo padre luterano do meu marido à direita:

Esse aqui ficou com um visual moderno, obra do marido:

E no final penduramos nossos ovos nos galhinhos, como eles costumam fazer por aqui:

Hoje, segunda-feira eu fui até a polícia daqui (perdi a hora, pois esqueci de acertar o relógio do celular para o horário de verão) para dar entrada no meu visto permanente. Depois do caos típico das minhas visitas à polícia – aglomeração na porta, policiais mal-educados, senhas mal-distribuídas e até um idiota que tentou roubar minha senha – eu fui atendida quase no final do expediente. Felizmente deu tudo certo, consegui entregar os papéis com muita antecedência (meu visto vence só em junho), a papelada estava certinha e meu marido foi comigo sem ter que perder um dia de trabalho, pois está de folga a semana inteira. Eu tenho passagem comprada pro Brasil em agosto e não posso sair da Noruega com visto vencido, então tenho que receber o visto no passaporte antes da viagem. A policial me deu boas esperanças de que o visto sairá bem antes de agosto. Ela me explicou que este é meu último visto, que depois de tê-lo obtido eu precisarei somente me apresentar na polícia ano sim ano não para declarar que eu continuo morando na Noruega e se eu quiser posso dar entrada no pedido de cidadania a partir de dezembro deste ano. Ela também me disse, contrariando o que alguns desinformados andaram espalhando por aí (=Orkut) que a Noruega aceita, sim, dupla cidadania, mas só de pessoas estrangeiras. Eu posso ter passaporte brasileiro e norueguês por que sou brasileira e o Brasil aceita dupla cidadania. Já o meu marido, por exemplo, como é norueguês, perde seu passaporte norueguês se um dia pedir outra cidadania, por que a Noruega não aceita dupla cidadania de cidadãos nascidos na Noruega. Foi a policial mais simpática e atenciosa que eu encontrei até hoje, saímos de lá aliviados e otimistas.

Encontro marcado com o Brasil

Encontro marcado com o Brasil

O frio implacável deu uma trégua aqui em Trondheim. As temperaturas, antes baixíssimas, subiram, mas uma temporada de chuvas e tempestades se instalou por aqui. Hoje de manhã resolvi ir a pé até a escola de norueguês para estrangeiros mais próxima para checar minha papelada, já que em abril darei entrada no meu visto permanente e só chovia e ventava. Pensei que com a elevação da temperatura o gelo tinha derretido, mas me enganei. Algumas calçadas estavam um sabão e eu, sem as minhas solas para andar no gelo, tive que andar com atenção redobrada. Dei meia volta, andei devagarinho, até que enfim cheguei até a escola. Felizmente, minha papelada estava em ordem. A regra aqui é que quem vai dar entrada no visto permanente (que pode ser requerido depois de 3 anos de residência no país) deve ter cumprido as horas obrigatórias do curso de idioma e sociedade noruegueses ou ter passado nas provas escrita e oral de norueguês do nível 3. Eu passei nas provas e recebi dispensa do curso obrigatório em 2008.

De lá peguei um ônibus e fui até um hipermercado, onde, para minha surpresa, achei mandioca! Tratei logo de comprar uma para experimentar, estava deliciosa. Isso foi uma tremenda coincidência, pois de manhã eu e meu marido havíamos comprado nossas passagens para o Brasil! Vamos em agosto e já estamos contando os dias e fazendo planos.

Aproveitando que hoje é o Dia Internacional da Mulher, vou contar um fato que criou muita polêmica por aqui na semana passada. A rampa de salto em esqui de Holmenkollen, em Oslo, foi totalmente reconstruída e, para dar o primeiro salto na nova rampa haviam escolhido a saltadora Anette Sagen. Por incrível que pareça, as saltadoras não podem competir em eventos oficiais como jogos olímpicos, por exemplo, então escolheram a Anette para homenageá-la. Acontece que horas antes do evento oficial um saltador teve a cara de pau de ir treinar na nova rampa, acabando com o barato da moça. Houve uma revolta generalizada, o atleta que saltou foi suspenso e se desculpou na TV, mas a maioria não engoliu o que ele fez. A Anette acabou saltando, mas aí o foco do evento estava no rapaz que roubou a cena. Há quem diga que fizeram tempestade em copo d’água por que quando ele saltou não havia imprensa nem público no local, enquanto outros acham que ele fez isso de propósito por pura inveja da moça.

Falando na Anette Sagen, estou lembrando de um filme norueguês muito bom que eu vi ano passado e se chama O’Horten (tem no Brasil e se chama «Caro Senhor Horten» – até no You Tube tem). Ela faz uma ponta nesse filme como a mãe do protagonista. A música desse filme é maravilhosa, vou deixar aqui um vídeo com a música tema.

Samba fotball

Samba fotball

Ontem meu marido pulou do sofá quando um programa sobre os dois meninos brasileiros que jogam no time de futebol de Frøya (a ilha onde moramos por dois anos!) começou. Eu estava trabalhando e não vi, mas ainda bem que a NRK disponibiliza seus programas na net! Para assistir ao programa, clique aqui.

Cartão postal norueguês eleito a maior atração turística do mundo

Cartão postal norueguês eleito a maior atração turística do mundo


A semana passada se foi e eu me esqueci de comemorar meus 3 anos de Noruega. Nem parece, mas dia 21 de outubro de 2006 eu estava voando de São Paulo em direção a Munique e de lá para Oslo e de lá para Trondheim. Três anos de muitos desafios, muitas vitórias e vontade de vencer mais batalhas. Não me arrependo de nada, e que venham mais 3, 10, 50 anos!

A revista National Geographic elegeu os fiordes noruegueses a maior atração turística do mundo. Os fiordes concorreram com 133 atrações em todo o mundo e venceram pela segunda vez.Nas nossas férias de julho fizemos um passeio de tirar o fôlego pelos fiordes na região de Møre og Romsdal, entre eles o Geirangerfjorden, um dos mais belos e famosos. É muito especial saber que visitei a maior atração turística do mundo segundo uma revista tão conceituada como a NG.

Como esta semana há férias parciais na faculdade com somente duas aulas, tenho que ler em casa. Estou com uma pilha de livros que tenho que ler e vou fazer isso esta semana. Ainda não recebi o comentário do meu trabalho sobre idiomas e identidade e a professora já nos passou o último trabalho, para ser entregue em duas semanas. O meu resfriado ainda não se foi, mas está melhorando. A vacina contra o vírus H1N1 já começou a ser aplicada por aqui, mas há uma lista de pessoas que tem prioridade. Eu vou ter que esperar um pouquinho.

Minha nada mole vida de imigrante – continuação da saga

Minha nada mole vida de imigrante – continuação da saga

Recebi uma carta da polícia dizendo que meu terceiro e último visto provisório está pronto. Desta vez lembrei que podemos pegar senha na polícia à partir das 8 hs da manhã, mesmo que o atendimento só comece às 10. Hoje levantei cedinho e cheguei ao prédio da polícia às 7hs40min (agora moro a 5 minutos a pé da polícia, êê, beleza). Mas, qual não foi o meu espanto ao ver que havia pelo menos 20 pessoas se acotovelando na porta, esperando o prédio abrir! Ou seja, para pegar uma das primeiras senhas teria que ter chegado umas 7 hs da matina!
O bom disso é que eu peguei a senha, tirei foto de passaporte para colar no visto e agora estou de volta ao meu apê, esperando dar 10 hs para voltar lá. Vou levar leitura da faculdade para ajudar a passar o tempo. Espero que dê tudo certo. Vou perguntar sobre essa tal história de que podemos somar os anos de Noruega aos anos de casada para poder entrar com o pedido de cidadania. Se for assim mesmo, posso dar entrada na papelada já no ano que vem. Depois conto o que aconteceu na polícia.

ATUALIZAÇÃO
Acabei de chegar da polícia – eles ficaram com o passaporte e eu tenho que ir buscá-lo na próxima segunda, com o visto colado. Poderei entrar com o pedido de cidadania já em dezembro do ano que vem!