Kategori: Vida de professora

Semana punk

Semana punk

Geralmente não gosto de usar gírias, mas não encontrei outra palavra que definisse essa semana que passou: foi uma semana punk. Duas vezes por ano tenho que me reunir com cada aluno e seus pais para falar do desempenho na escola. Sou responsável por 13 alunos na minha sala, então tive que marcar 13 reuniões. Tive quatro na segunda-feira, três na terca, três na quinta e uma na sexta. Na próxima segunda-feira tenho as duas últimas. Felizmente os alunos e os pais parecem estar satisfeitos e tudo correu conforme o esperado.

Na terça-feira tive um convidado especial na minha aula de ciências sociais. Como o tema que estou lecionando é criminalidade e punição, convidei meu marido para vir falar sobre o sistema judicial da Noruega. Ele trabalha nessa área e os alunos aprenderam muito.

Ontem foi o grande dia do cinema aqui em Trondheim. Significa que todos pagaram meia-entrada durante o dia todo. Nós garantimos nossos ingressos para um filme chamado «Crimson Peak», de terror. Eu tento evitar assistir a filmes de terror no cinema, por que levo muito susto. Gostamos do filme, apesar de alguns clichês.

Esta semana que entra agora será um pouco menos punk, mas na terça irei a um concerto com um norueguês famoso, Bjørn Eidsvåg. Ele era, ou ainda é um pastor luterano que também é artista. Um fato curioso sobre ele é que ele foi o celebrante do casamento do Magne Furuholmen do a-ha nos anos 90. Vou tentar postar fotos.

Faltam somente seis semanas para as férias de final de ano! Tenho muitas provas e trabalhos para corrigir, será bom ter uma pausa. A festa de confraternização dos funcionários da escola será realizada em um restaurante perto da minha casa, coincidentemente o restaurante onde comemoramos o nosso casamento.

Uma quarta-feira diferente

Uma quarta-feira diferente

Minhas quartas-feiras são geralmente muito corridas. Mas esta quarta-feira que passou (28/10) foi diferente. Eu fui convocada para fazer um curso e não precisei ir trabalhar na escola. Mais ou menos às 11hs30min da manhã eu olhei pela minha janela e me deparei com esta vista:

Uma cortina pesada de neblina por toda a cidade! Mais tarde ouvi no noticiário local que esta neblina pairou sobre Trondheim por quatro horas.
Saí de casa e continuei fotografando, já pensando em documentar este dia aqui no blog (estou tentando voltar a postar mais regularmente). Este é o topo da ladeira entre a minha casa e o centro de Trondheim. As folhas de outono estão por todos os cantos:

Caminhando mais cinco minutos cheguei ao bairro de Bakklandet. Tirei a foto quando eu estava prestes a atravessar a ponte da cidade velha (Gamle Bybro) onde se avista o portal da felicidade ao fundo (Lykkensportalen):

Na metade da travessia da ponte, uma vista do rio Nid no sentido da catedral de Nidaros: 

E uma foto mais próxima do portal da felicidade:

Quase chegando ao local do curso. Aqui a catedral de Nidaros do lado posterior:

E finalmente, a fachada da catedral envolvida em neblina:

O curso foi realizado no segundo andar do prédio onde funciona o café e a loja de lembranças da catedral:

O curso baseou-se em orientação para mentores de professores recém-formados. Eu, recém-formada há dois anos,  sou agora mentora de uma professora recém-formada na escola onde trabalho! Não me perguntaram se eu queria ser mentora, mas eu aceitei o desafio. No curso aprendi muito. Haverá outro curso em fevereiro:

Para me despedir, vou deixar uma canção da qual gosto muito e que adoro escutar enquanto caminho pelas ruas cobertas de neblina e de folhas aqui em Trondheim:



Este artista chama-se Odd Nordstoga. Já postei uma canção de Natal interpretada por ele e Sissel Kyrkjebø nesta postagem aqui. Ele tem um dialeto muito peculiar da região de Vinje. Este dialeto é diferente do dialeto daqui de Trondheim. Vou tentar voltar semana que vem. Agradeço muito os leitores que comentaram me incentivando a  continuar escrevendo. 

Blog abandonado, 9 anos de Noruega!

Blog abandonado, 9 anos de Noruega!

Infelizmente deixei muito de lado a dedicação a este blog. A perda do meu pai me abalou muito, parece que escrever aqui perdeu o sentido para mim em muitos aspectos. Mas visito o blog regularmente e hoje resolvi responder a alguns comentários pendentes e escrever esta curta postagem contando o que tenho feito nos últimos meses.

Nas férias de verão deste ano eu e Morten viajamos ao Brasil. Ficamos a maior parte do tempo em São Paulo, mas viajamos também a Arraial d’Ajuda na Bahia por uma semana. Adoramos o lugar e as pessoas, definitivamente queremos voltar.

Em agosto me matriculei em três matérias de religião na faculdade (NTNU). A ideia era conseguir mais 60 créditos para passar da posição de adjunkt (professora com créditos em três matérias + pedagogia) para adjunkt med opprykk (professora com créditos em mais de três matérias + pedagogia). Estava muito animada, comprei os livros e comecei a ler, mas depois de dois meses percebi que teria que escrever trabalhos muito extensos além de fazer os exames em dezembro. Isso tudo ao lado do meu emprego em período integral e casa para cuidar. Joguei a toalha. Não foi fácil engolir a derrota, mas após muita reflexão eu cheguei à conclusão de que já estudei muito para chegar onde cheguei, e não tenho que provar mais nada nem para mim mesma, nem para os outros. Penso em fazer essas matérias no futuro, mas não juntas. Acho que consigo fazer uma por semestre. As matérias em questão são: Iniciação ao cristianismo, Cristianismo pagão e Arte e religião (esta eu definitivamente vou cursar!)
Quero também cursar matérias sobre outras religiões, já que eu leciono a matéria KRLE (Kristendom, Religion, Livssyn og Etikk – Cristianismo, Religião, Visão de vida e Ética) na escola norueguesa.

Há duas semanas, nas férias de outono daqui, eu e Morten arrematamos uma viagem super em conta para Praga, na República Tcheca. Primeiro fomos de carro até Oslo, e de lá pegamos o avião até Praga. Me encantei pela cidade, tenho muitas fotos, posto talvez mais tarde.

Semana passada eu finalmente dei entrada no processo de naturalização. Eu vou me naturalizar norueguesa, porém sem ter que perder a nacionalidade brasileira. As leis da Noruega não permitem que um cidadão norueguês tenha duas cidadanias, mas as leis brasileiras por outro lado proíbem que um cidadão seja forçado a desistir de sua cidadania. Ter um passaporte norueguês facilita minha vida fora da Noruega, não dentro. Tenho o oppholdskort, o cartão de residência permanente há vários anos, e com ele tenho direito a tudo que um cidadão norueguês tem. A única coisa que não posso fazer é votar nas eleições para o parlamento. Votei nas eleições municipais em setembro pela segunda vez sem problemas. Ser norueguesa facilita a vida nos aeroportos europeus, pois posso pegar a fila dos cidadãos de países Schengen, ou seja, os cidadãos de países europeus que assinaram o tratado de livre circulação. Viajar para os Estados Unidos é aparentemente mais tranquilo com o passaporte norueguês. Ouvi falar que há uma cerimônia na prefeitura todo ano com todos os «novos» noruegueses, e se eu obter a cidadania, vou comparecer com o meu bunad, sim!

Falando em bunad, eu preciso marcar hora com a costureira para fazer os ajustes. Quero fazer isso antes do 17 de maio.

Sei que estou devendo a segunda parte do vídeo do 17 de maio, vou postar. Estou pensando se começo a fazer vlogs no You Tube, como muitas brasileiras que morar aqui já fazem. Penso que é muita exposição, além do tempo que se usa editando e filmando. Mas é algo mais vivo, talvez mais interessante que postagens escritas. Não sei…

8 anos de Noruega!

8 anos de Noruega!

Tempos de faxina
Ontem, 22 de outubro, fez 8 anos desde que vim parar na Noruega. Para marcar a data resolvemos rever as fotos do dia em que cheguei e o que aconteceu nos próximos meses. Devo admitir que fiquei emocionada ao recordar todas as experiências que vivenciei nesses oito anos. As fotos mais especiais foram as da época em que eu trabalhava de faxineira. Uma época difícil, em que eu sentia que a vida não progredia por causa da falta de oportunidades e cheguei a pensar que teria que me contentar em trabalhar em ocupações que não condiziam com minhas ambições e competência. Fazer faxina era um trabalho digno, tranquilo, mas eu tinha uma meta de que esse serviço seria um ganha-pão temporário enquanto eu não conseguisse outras oportunidades. Mas, nunca, nunca mesmo cogitei a possibilidade de voltar ao Brasil. Desde o começo via a Noruega como meu novo e definitivo lar.
Foi quando me tornei fluente em norueguês e tirei minha carteira de motorista norueguesa que as primeiras portas se abriram. Ainda na faxina, mas com mais trabalho e melhor renda. O fato de eu poder dirigir meu próprio carro aonde eu quisesse me deu auto-confiança e forças para alçar voos mais altos. Passei de uma faxineira que sempre ia fazer limpeza junto com outras colegas a uma faxineira quase que autônoma, que podia ir sozinha a qualquer lugar para trabalhar por que sabia conversar com o cliente e não dependia de condução e de carona.

Artigo de jornal com minha classe do ensino médio para adultos
Mas, definitivamente, foi quando eu me matriculei no curso de capacitação para adultos que queriam fazer faculdade (Studiekompetansekurs) que eu percebi que havia ótimas oportunidades esperando por mim. Comecei a ler literatura de qualidade em norueguês, aprendi sobre a sociedade e estudei em uma classe formada somente de alunos noruegueses, o que me ajudou muito para melhorar o convívio social. Um grande erro é emigrar e não se misturar com os noruegueses, por que cria uma segregação voluntária por parte dos estrangeiros. Fiz o exame final em norueguês junto com todos os alunos do colegial (videregående skole), tirei nota 4 (nota máxima é 6) e tirei nota 6 na prova oral, também em norueguês. Nunca vou me esquecer da frase que a professora que me examinou disse ao me comunicar a nota: «Sua nota é seis, mas bem que poderia ser um sete!».

Ao deixar a vida na pequena ilha Frøya e me mudar para Klæbu, ao lado de Trondheim e com certificado de Studiekompetanse em mãos, me matriculei na NTNU para cursar um ano de Letras em Inglês. Foi nesse ano que comecei a sentir que meus sonhos poderiam, sim, se realizar. Estar em uma aula de literatura com professores ingleses que davam um verdadeiro show de conhecimento, que me puseram em contato com obras primas de textos e poemas alegravam os meus dias e me faziam querer aprender mais e mais. Lembro que me senti muito triste ao receber a notícia de que meu avô havia falecido e eu não poderia estar em seu funeral.

Ao completar o ano de Letras em Inglês, nos mudamos para um apartmento alugado em Trondheim e me matriculei em Letras em Espanhol. Nesta época fazia faxina em uma creche. Em janeiro de 2010 me cadastrei em uma agência de empregos temporários e, por ironia do destino, recebi, em março, uma proposta para trabalhar como professora em uma ilha chamada Frøya. Larguei a faxina e passei a lecionar dois dias por semana. Tinha que fazer uma viagem de barco de 2 horas, mais uma viagem de ônibus de 1 hora para chegar ao meu local de trabalho. Na volta, uma viagem de ônibus com duração de 3 horas. Foi nessa época em que recebi a notícia de que com mais 60 créditos eu poderia fazer Prática Pedagógica e tirar a licenciatura que me autorizaria a lecionar. Me matriculei então no curso de Ciências Sociais para obter esses 60 créditos. Em julho de 2010 recebi um telefonema da escola onde trabalho até hoje. Eles queriam me contratar como professora de espanhol. A mesma escola em que meu marido estudou. Nada de longas viagens para trabalhar, agora tinha um emprego na cidade vizinha à Trondheim! Comecei somente lecionando espanhol, logo passei a lecionar inglês e hoje leciono, além dessas duas matérias, história, geografia, estudos sociais e religião.

Esta vista é um privilégio e uma inspiração para continuar batalhando
Em agosto de 2011 começava a Prática Pedagógica junto com o trabalho. Foram certamente os anos mais estressantes da minha vida na Noruega. Sempre algo para ler, um trabalho para entregar, provas para corrigir e finalmente o estágio, que exigiu muito do meu tempo. Em maio de 2012 realizamos o sonho da casa própria  e compramos nosso apartamento que não trocaríamos por nada nesse mundo. Temos uma das vistas mais lindas da cidade. Em junho de 2013 entreguei meus trabalhos finais e fiz o exame oral. Nota A no exame oral de pedagogia, Nota A no trabalho escrito de pedagogia, Notas B nos dois trabalhos de didática de inglês e de espanhol. Havia chegado ao fim da linha. Tinha documentação que provava que eu era uma professora com competência formal para lecionar em qualquer escola do ensino fundamental e médio do país.

Viajamos para o Brasil em julho do ao passado e passamos 5 meses e meio descansando, férias longas e merecidas financiadas com muito trabalho e economias. Ao voltar eu já tinha contrato assinado com a escola para um emprego permanente. Recebi a proposta para aumentar a carga horária, de 80% para 100%. Hoje, trabalho com o que gosto e sinto que fiz as escolhas certas.

Os planos para o futuro são fazer ainda mais um curso na NTNU, de religião e conseguir ainda mais 60 créditos para melhorar meu currículo. Nesta semana enviei meus documentos e agora é aguardar a resposta.

Oito anos de muito trabalho, estudos, saudades da família, vitórias, derrotas e muitas alegrias. Que venham mais 8!

Sobre a quase greve e outras novidades

Sobre a quase greve e outras novidades

Não houve greve de professores aqui na Noruega, mas a maioria acha que o sindicato aceitou um acordo com péssimas condições de trabalho. Na parte salarial não houve nenhum descontentamento. Mas, o fato de que este novo acordo estabelece que os professores serão obrigados a estar na escola  durante 7 horas e meia de segunda à sexta não agradou quase ninguém. Geralmente, o professor tem a liberdade de escolher se vai ficar em seu escritório na escola e corrigir provas e preparar aulas antes e/ou depois de lecionar, ou se vai para casa ou outro local fazer este serviço. Com esta nova regra, teremos que chegar à escola às 8 hs (mesmo se, em um determinado dia, temos a primeira aula ao meio-dia) e ir embora às 15hs30min (mesmo se naquele dia temos que lecionar das 8hs30min ás 10hs por exemplo). A condição para que esta regra seja posta em prática é que cada professor tenha um escritório de no mínimo 6m², onde a escrivaninha tenha um tampo de altura regulável, a cadeira tenha regulagem para as costas e que haja prateleiras para a armazenagem de livros, pastas e outros materiais. Meu escritório não tem nem a metade deste tamanho e minha escrivaninha não tem tampo de altura regulável. O escritório deve ter boa ventilação e isolamento contra ruídos. Não creio que a escola onde trabalho preenche todos esses requisitos, então não temo ser obrigada a estar na escola quando posso estar fazendo o mesmo trabalho bem melhor no conforto e no silêncio da minha casa.

Outra preocupação que os professores tinham era que as férias de verão pudessem ser reduzidas. Muita gente que não sabe muito sobre a profissão aqui pensa que nós temos férias longas (cerca de 8 semanas, contra 5 semanas de uma pessoa que tem outra profissão). Acontece que as 3 semanas «extras» que temos é compensação pelas horas extras que temos que trabalhar durante o ano letivo preparando aulas, conversando com pais, fazendo excursões, etc. Um professor deve estar na escola quando o aluno está. Isto, para uma professora que tem família no Brasil não é nada prático, pois eu adoraria tirar 4 semanas de férias antes do Natal e passar o mês de janeiro inteiro desfrutando o verão brasileiro, quando o inverno e a escuridão na Noruega são quase insuportáveis.  Mas, sou forçada a tirar férias em julho e agosto, quando é verão aqui e inverno no Brasil. Percebo com frequência um sarcasmo vindo de outras pessoas que não são professores ao dizer frases como «Ah, você é professora? Humm, que bom, hein, férias longas…». Até a mídia escreve erroneamente sobre nossas «férias longas». Enfim, este ponto felizmente não foi alterado e continuaremos a tirar férias quando os alunos têm suas férias de verão. Oito semanas garantidas por lei.

Os membros do sindicato poderão votar pela internet para manifestar sua aprovação ou desaprovação. Caso o acordo não seja aceito pelos membros do sindicato, o acordo passará a ser inválido e novas negociações se iniciarão. Eu ainda nao me decidi, tenho que ler o acordo minuciosamente antes de votar.

Acordo aprovado ou não, semana passada fiquei sabendo que fui escolhida para ser a kontaktlærer (contato de classe) de uma nova oitava série que começará ano que vem. Felizmente eu não vou ser responsável pela classe sozinha, outra professora que já foi kontaktlærer comigo ano passado me acompanhará novamente. Em outra postagem posso escrever mais detalhadamente sobre outras tarefas de uma kontaktlærer. Isto significa que vou ter muito o que fazer no próximo ano letivo. Cargo 100% integral e mais a função de contato de classe!

Esta semana haverá exame oral dos alunos que estão concluindo a 10ª série. Eu já sei que terei um grupo, mas ainda não sei que alunos estão neste grupo. Neste exame, os alunos devem fazer uma pequena apresentação sobre um tema dado por mim e depois terão uma longa conversa comigo para mostrar o que sabem sobre a matéria. Quem dá a nota não sou eu, mas uma professora vinda de outra escola que observa todo o exame (para evitar que o professor favoreça seus próprios alunos com uma nota maior do que a merecida). Felizmente as matérias que leciono são bastante populares entre os alunos (exceto espanhol) e a grande maioria dos alunos teme ter exame em matemática.

Faltam somente 11 dias para as minhas férias de verão! Já tenho muitos planos em mente, mas ficam para uma outra postagem.

O Livro de Kitty – Um diário de Camarões

O Livro de Kitty – Um diário de Camarões

Atendendo a um pedido especial de uma leitora do blog, estou postando a tradução de um trecho do diário de viagem da tia-avó do meu marido que trabalhou como missionária da Sociedade Missionária Norueguesa (Det Norske Misjonsselskap) em Camarões na década de 70. A primeira entrada data de 8 de junho de 1973 e a última de 5 de junho de 1976. O diário foi publicado pela organização somente para distribuição a amigos e familiares. Eu tive o privilégio de ganhar um exemplar do diário da minha sogra, pouco depois que Kitty faleceu.

Este é um diário que deveria ser lido por todos que, como eu, sentem fascinação por lugares diferentes e pessoas de lugares diferentes. Foi bem difícil para mim escolher um trecho para traduzir, por que o diário inteiro é tão maravilhoso que deveria ser traduzido integralmente. Acabei por escolher uma parte em que ela escreve um pouco sobre os obstáculos que uma missionária tem de enfrentar  e também um pouco sobre a vida de professora.

VIDA DE EXCURSIONISTA
13 DE JULHO DE 1974

Esta semana eu estive em excursão por Songkolong, Somie e Djang-Tong. Percorrer as estradas para esses locais é como participar de um filme de aventura. E tem também as pontes. Desta vez foi particularmente especial, porque choveu. Em razão disso, as tábuas colocadas entre alguns pequenos riachos estavam muito escorregadias. E quando acontecia de algumas das tábuas não estarem presas umas às outras, elas se separavam, claro. E ainda por cima constatamos que as tábuas de sustentação que ficavam por baixo estavam apodrecidas. Uma das rodas traseiras do meu carro partiu uma das tábuas, mas ele não caiu no rio. Muitos homens apareceram rapidamente. Eles LEVANTARAM o Land Rover com a ajuda de troncos de árvores – e no final todas as rodas do carro estavam na ponte novamente. Eles prometeram que a ponte estaria consertada quando eu passasse por ali novamente ao voltar para casa.

Em uma classe em Somie há 62 alunos que dividem 11 carteiras. Parece apertado, mas eles vão ganhar mais carteiras. Eles tinham 10 livros de leitura. Condições um pouco diferentes nas escolas daqui comparadas às escolas na Noruega! Mas, será que os alunos da Noruega estão mais felizes que os daqui?

Em Songkolong nós iríamos inaugurar a nova escola. O sacerdote em Somie, Siteni, ajudou com a inauguração. Foi realmente uma solenidade. As crianças em Songkolong escutam atentamente o meu sermão. Elas se sentam nas pontas dos bancos com as boquinhas abertas. É uma visão maravilhosa. Eu fico quase comovida com essas carinhas voltadas para mim.

É tão bonito em Songkolong. A natureza é bela. Montanhas ao fundo. E é BOM ir até lá por causa das pessoas que lá residem. Deve ser algo a ver com a hospitalidade. Eu me sinto tão bem-vinda de muitos modos. Durante a oração da manhã eles rezavam tão intensamente por mim – pelos professores – pelos alunos. Os dois professores são muito diferentes. Um deles é esperto e ágil. O outro é tão, mas tão bonzinho – chega quase a ser feito de bobo de tão bonzinho. Mas os alunos gostam tanto dele. Eu acho que ele significa muito para as pessoas aqui em Songkolong.